segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A historia de Os Tincoãs/ final

O MEU COMPADRE Grinaldo Salustiano dos Santos, Dadinho, antes de trabalhar no Expresso Cachoeirano de Carlinhos Monteiro, foi aprendiz de ourivesaria de Manoel Mateus Ferreira, o mestre Neco Ourives.

A sua musicalidade foi transferida geneticamente do seu pai, Totonho Cabeçorra, músico da filarmônica Minerva Cachoeirana, de quem Cassemiro Conceição, Caçote, dizia ter aprendido aquele tempero rítmico misturando a batida dos atabaques africanos provocando aquele frenesi das massas nos embalos das festas profanas de Nossa Senhora da Ajuda.

Dadinho foi crooner do Conjunto Melódico Paraguaçu, substituindo Mequinho, e, depois, em Porto e seu Conjunto. Ainda na primeira fase de Os Tincoãs, Dadinho  conseguiu reunir o melhor e mais harmonioso conjunto de baile que a Cachoeira presenciou, o Gwelpan Bossa, nome composto com as iniciais dos integrantes. Grinaldo (Dadinho), além de crooner tocava violão que aprendeu com enormes dificuldades (por ser canhoto e contando com a má-vontade do "professor" Didi da Baiana), Wandecock no baixo de cordas, Eraldo que era o outro crooner e tocava maracas, o baterista era o Luís (Jeep), Antônio Porto na guitarra e violão eletrificado,e, por fim, no acordeon, Nadir Santos, o Didi Zoião.

O formidável conjunto contava ainda com o concurso de dois excelentes músicos da corporação da Polícia Militar da Bahia: o trombonista Igaiara e o saxtenorista Roberto que além de tocar no estilo do músico norte-americano Stam Getz, tocava triolim no Trio Elétrico Tapajós de Salvador. Chegou a tocar num trio elétrico armado por Gileno, em Muritiba, no aniversário da Radiovox.

Mateus  Aleluia Lima, meu amigo Têca (foto), companheiro dos Corais da Matriz e de Nossa Senhora da Conceição do Monte, meu substituto no trio, seguindo a tradição da família, formou-se em pedagogia, chegando a lecionar em Taperoá, na Bahia, antes de dedicar-se inteiramente à carreira artística.

A sua formação acadêmica permitiu com que ele, num trabalho meritório, remontasse a sua pesquisa resgatando o idioma quimbundo arcaico que foi objeto de pesquisa até em Angola, devido ao interesse do Ministro de Cultura daquele país. Devido a esse fato, explorando a chamada "música de raiz", o conjunto cachoeirano fez várias aparições em musicais da Globo e até João Gilberto, o "Papa da Bossa Nova", conhecido na MPB pela sua rabugice, gravou o Cordeiro de Nanã !

Quando o pecuarista Benedito Dourado da Luz (foto) foi juiz da festa do Orago da Cachoeira, ele e o ex-padre Tontom fizeram um desafio para que eu inscrevesse uma equipe para participar de uma Gincana. "Você não diz que é bom conhecedor da história da Cachoeira? Faça uma equipe e participe da Gincana". Topei. Formei um grupo (do qual participava a minha filha mais velha, Erilêda) dando o nome de Equipe Nico.

Armou-se um coreto em frente à matriz. Após cada noite da novena, sob o comando do ex-padre Tontom de saudosa memória, as perguntas eram formuladas e teriam de ser respondidas na bucha. Sem problemas até aí. Ao final, distribuíam-se as tarefas a serem cumpridas na noite seguinte. A minha equipe vinha disputando palmo a palmo com outro grupo que contava com o apoio declarado e informal de vários professores, inclusive o Escrivão do Civil, Antônio Ferreira. 

Na última noite, a tarefa era levar até o coreto o aluno mais velho que estivesse comprovadamente inscrito e estudando no município. Pensei o óbvio, o que toda a cidade tinha conhecimento. A aluna era a velha professora leiga dona Escolástica, a Dona Maçú, que morava naquela rua por trás da Igreja do Monte e que no momento não recordo o nome.

No dia, fui ao encontro do meu saudoso amigo Antônio Dantas Pereira, o "major", Ele era fundamental para que funcionasse o meu plano B. E ele se apresentou diante da Comissão Julgadora enquanto a dona Maçú, coitada, era apalpada, empurrada, amassada, quase liquidificada para se definir não sei mesmo por que grupo.

Na hora da minha equipe, lá estava o "major" Pereira de terno completo, paletó e gravata. Apresentei o comprovante de que ele havia pago a matrícula para o curso de datilografia da professora Raimunda, que funcionava em uma casa na Rua Ana Neri. Não havia como impugnar como queria o grupo que estava na frente, porque a tarefa exigida era de o aluno mais velho, não especificava o curso. Tarefa cumprida, portanto.  O restante ficou por conta do "Major" Pereira que surpreendentemente pegou o microfone e fez um discurso veemente, falando que "era perseguido na sua terra natal" e que "sonhava em fazer o curso de datilografia, viabilizado pela alma generosa do meu amigo Erivaldo Brito"

Em a noite seguinte, missa festiva, final da procissão e a entrega dos prêmios. No coreto já se encontravam Dadinho e Badú, componentes de Os Tincoãs (foto) para um show que seria o colorário, o fechamento com chave de ouro daquela belíssima festa.  De repente, verificou-se  um reboliço e uma sensação estranha de curiosidade tomou conta não apenas dos que estavam no coreto. Todos estavam ansiosos para ver e ouvir Os Tincoãs em sua nova fase. Não demorou e veio a inquietante notícia que havia acontecido alguma anormalidade envolvendo Mateus. A ingestão de algum alimento - creio eu -, deixou o Mateus na lona. O prático em farmácia, Salustiano (homônimo de Dadinho, que curioso) ,veio com a notícia que acabou com a esperança de todo o mundo: "Mateus não tem a mínima condições de cantar esta noite!"

No coreto todo mundo dava pitaco. Benedito e Tontom vieram em cima de mim. Eu era uma solução viável, afinal, já tinha feito parte de grupo. Olhei pra Dadinho e ele, como naquele episódio do show que Elias Paco-Paco entrou em cena e que eu contei aqui, tentava aparentar tranquilidade dedilhando alguns acordes. A solução estava comigo mesmo que tivesse sido um simples gesto cordial da parte dele. Tinha de agir com racionalidade. Fui enfático. Mesmo que o repertório programado fosse aquele do meu tempo,- disse -,jamais seria irresponsável em aceitar o convite sem ter dado um ensaio sequer. E conclui: Os Tincoãs não é um trio, apenas. Dadinho e Badu ou Dadinho e Mateus ou que sejam incluídas mais pessoas ao grupo, não deixam de ser Os Tincoãs. E eu estava profetizando porque Dadinho e Mateus gravaram um disco em dupla (foto acima).

Assim, meus amigos e diletas amigas, por ironia do destino, na última apresentação de Os Tincoãs em sua terra natal, enquanto Dadinho e Badú cantavam, eu estava no mesmo coreto como um espectador de luxo, consciente daquele momento histórico.

Finalmente, queridos, depois de haver transferido o meu domicílio para o Rio de Janeiro, num telefonema que recebi da Cachoeira, soube do boato do falecimento de Dadinho. Ele e Mateus, por exigência comercial, permaneceram em Angola. Eu estava como diretor comercial e de programação da AM Radio Boas Novas.  Escrevi para o vice Cônsul da República de Angola no Rio, doutor João Diogo Fortunato e sua excelência respondeu-me confirmando a infausta notícia. Encerro aqui, portanto, a minha história de Os Tincoãs do qual fui um dos fundadores e testemunha ocular portanto. Agora, como diziam os velhos contadores de histórias, "entrei por uma porta e saí por outra, rei meu senhor (no caso,Mateus), que me conte outra".

Feliz 2014, galera e muito obrigado por acompanhar o nosso blogger.

 

 

 

 


 

 



 

 

sábado, 28 de dezembro de 2013

A historia de Os Tincoãs/13 

Os Tincoãs com Dadinho,Heraldo e Mateus

CONFORME eu disse no capítulo passado, a minha saída do trio para a entrada de Mateus Aleluia Lima em nada prejudicou a qualidade vocal do grupo. O lançamento do segundo disco veio ratificar o que eu havia garantido aos que me procuravam a fim de fazer fofoca. O grande problema viria acontecer tempos depois, quando Heraldo desistiu e preferiu ficar em sua terra natal,Cachoeira, embora o seu pai já houvesse vendido o Hotel Colombo pra Carlito Muquibão. A mulher de Heraldo, Raimunda, já estava tocando pra frente o antigo Foto Manolo. Ali, fui visitá-lo algumas vezes, levando uma vitrola portátil  e uns discos de vinil de boleros que ele adorava. A sua aparência não era saudável; pele e olhos amarelados parecendo que houve derramamento de bílis.

Certa feita, - sem que eu tivesse perguntado -, ele disse que "pra mim não deu mais, Erickson, porque o trio tomou um rumo diferente". Em assim sendo, Dadinho e Mateus tiveram de enfrentar a realidade e partiram em busca de um novo segunda voz, tarefa não muito fácil, mesmo contando com o apoio do experiente produtor e radialista Adelson Alves, "o amigo da madrugada".

Numa curta temporada que o trio fez no Teatro Castro Alves, em Salvador, Mateus e Dadinho vieram à Cachoeira. Encontrei-me com Dadinho na praça Maciel. Ficamos sentados no balaustre e conversamos bastante. Fui almoçar com ele na casa de uma irmã dele ( mãe de João Nildo Rodrigues (Balaio) e Balainho) que ele tinha por ela amor filial, a única pessoa de que eu ouvi Dadinho dizer que sentia saudade.

Ouvi atentamente o novo disco, o vocal estava irrepreensível. Sugeri que o estilo requeria uma voz menos romântica e "aboleirada" e o ideal seria colocar Mateus como crooner. A sugestão não foi aceita conforme o tempo (e as gravações) mostraram.

Com alguma frequência ele falou da Marron (Alcione), deixando na minha mente deturpada pelo machismo que ele estava pegando a famosa cantora. Depois ele justificou  a não inclusão do meu nome nas duas músicas (Capela da Ajuda e Sabiá Roxa) e que a minha parte dos direitos autorais da venda de "Meu último bolero" fora absorvida nas despesas do grupo na estadia no Rio de Janeiro. Assim, da minha passagem como fundador de Os Tincoãs, apenas as recordações porque até o disco que eu tenho (cópia pirata), foi-me ofertado pelo meu irmão Erione.

Quanto à substituição de uma pessoa para fazer a segunda voz no trio, ele confirmou a versão de Heraldo (falecido em 1977), que foi uma decisão tomada pelo próprio Heraldo que ficou irredutível em não retornar mais.

Agepê

Dadinho me disse, na ocasião, que o cantor Agepê chegou a dar alguns ensaios para fazer a segunda voz, porém, resolveu seguir carreira solo e se deu bem ao lançar o "Moro onde não mora ninguém" Então, eles, (Dadinho e Mateus), descobriram Badú, que acabou sendo o componente da última formação do trio e até tem alguma semelhança física com o Agepê, não acham?

Por falar em Agepê, lembrei-me, agora, de uma apresentação que ele fez no Programa  Flávio Cavalcante. Todas as emissoras do Brasil tocavam o seu grande sucesso: "Moro, onde não mora ninguém / Onde não passa ninguém / Onde não vive ninguém / É lá onde eu moro / E me sinto bem / Moro onde moro "

Todos os jurados deram nota dez. Quando chegou a vez do Zé Fernandes (não era o zagueiro da seleção cachoeirana e que foi ex-prefeito da Cachoeira) mas aquele jurado mal-humorado e antipatizado pela platéia. O programa era ao vivo. Então, o jurado foi enfático: "Zero ! "   O apresentador tirava os óculos, botava os óculos e dizendo "não é possível!" pediu "nossos comerciais,por favor!"

Quando voltaram, Flávio Cavalcante quis saber a razão do  "Zero" e o jurado explicou: " Ora, ele diz que mora onde não mora ninguém, onde não passa ninguém, para que ele quer um  cachorro magro amarrado,,, Só pode ser perversidade manter um animal preso e morrendo de fome, portanto,zero"

Nosso comerciais por favor e até a próxima postagem!


 

 


 

 

O saudoso espírito natalino


ASSIM como acontece com todas as coisas, o Natal chegou e já passou, como chegam e passam todas as coisas da vida,não é verdade?
Infelizmente, meus amigos e amigas saudosistas, o 25 de dezembro tornou-se uma data comemorativa, apenas. Não é mais um evento religioso como o foi no meu tempo. O tal de Papai Noel é a  vedete do marketing consumista. Esqueceram o Grande Aniversariante, o Menino Jesus. O mundo profano acabou vencendo mesmo que temporariamente, de acordo com os crentes que participam dos cultos e dos fiéis que assistem a Missa do Galo, que aqui no Rio, por medida de segurança, é celebrada às 19 horas.
Restou para mim as lembranças do passado, inclusive a primeira desilusão que foi quando meu companheiro de infância, Tó, filho do professor Salvador me chamou para contar um segredo: "Deixe de ser besta; quem vai botar o presente pra você é Laurinha (minha madrinha). Papai Noel  é uma culhuda !" E ele estava certo, infelizmente.
Desejo a todos os leitores, a tantos quantos se preocuparam em mandar mensagens natalinas e eu por acaso não respondi,que tenham um Ano Novo que possamos chamar de Ano Bom, de muita saúde, amor, amizade, alegria e paz, porque o resto a gente corre atrás.
 
         Entre “aspas”
 SAUDAÇÕES TRICOLORES    

Marisa Rodrigues Lindo!
Germana Caldeira Aeeeee tricolor!!!! 
Egberto Emilio Souza Melo Legal você torcer pelo Fluminense. Eu também gosto muito desse clube.
Lara Leite Tio saudades! 
Resposta: Eu também,querida.


 FIGURAS DE TAMBA 
 Mariluce Alves Amo essa arte!
Inacio Tadeu Goncalves Silva Silva Me lembro dos presépios que eram feitos no Colégio Estadual da Cachoeira nos idos da decada de 80, inicio com os trabalhos artezanais de Tamba Xavier. É bom Erivaldo Brito que pessoas como voçê fazem lembrar esses fatos e pessoas que marcaram a Historia Cultural,Artistica,Esportiva,Politica e etc da nossa terra.
João Matos Figueiredo Tamba por sua ingenuidade não usufruiu daquilo que poderia lhe ter dado uma vida digna. Grande artista.
  Maria Hilda Morais Quem sabe sabe! Ser saudosista faz parte da nossa história, que será dos nosso netos e bisnetos sem esses acervos?
 Vilobaldo Conceição Leite Leite Com esse acervo você nos leva de volta á nossa infância na nossa querida Cachoeira,SangueAzul,Tamba Xavier,personalidades marcante do nosso tempo. Obrigado amigo
 
ELIAS CARDOSO DE JESUS (PACO-PACO)
 Egberto Pereira Meu nobre apresentador, sua narrativa foi de uma riqueza histórica aumentada pelo bom humor. Obrigado por mexer com a minha infância.
 Adilson Gomes Ainda lembro : DPR1 Vozes da Primavera ...
Inacio Tadeu Goncalves Silva Silva É como se fosse hoje, carnaval o trio elétrico primavera tocando.
 Renato Queiroz O meu primeiro encantamento de carnaval foi o Trio Elétrico de Elias Paco-paco! Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu,,,
ANIVERSÁRIO DE S.FÉLIX
João Matos Figueiredo Mais uma vez com suas fotos concluímos que a arquitetura de nossas cidades eram mais bonitas.
Antonio Paulo Sacramento Bela Cidade, Lindo Presépio Parabéns São Félix!
Vilobaldo Conceição Leite Leite como nossas cidades eram lindas,só nos é que não percebíamos. Quanta saudade



 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A "novidade" do topless
PARA os frequentadores de praia não há nada de novo, nada que faça a nossa vã curiosidade se espantar: biquinininhos transparentes que não escondem o volume e os aparadinhos pelos pubianos, decotes ousadíssimos, modismo que revela tudo, até nas ruas da maravilhosa cidade, sem que haja a necessidade das gatinhas tirarem as roupas. Para mim, como disse o Gonzagão, "tá danado de bom!"
No início do mês de dezembro em curso, no Leblon, foi anunciado pela Internet um protesto contra o falso moralismo e a repressão contra as mulheres, obrigando-as a usarem o sutiã, acessório que se estende obviamente à parte de cima dos biquínis  usados nas praias.
A praia, galera, ficou lotada de jornalistas, cinegrafistas e marmanjos curiosos, alguns dizendo impropérios e piadinhas sem graça para pouco mais de meia dúzia de corajosas mulheres de peitinhos durinhos e bonitos. É a tentativa inglória para o topless que tenta,tenta, mas não cola de jeito nenhum.
Neste verão, já existe até um pedido de autorização ao prefeito para que se libere o Posto 9, em Copacabana, para que as mulheres possam mostrar os seios, um dos tabus mundiais, com garantia policial de que não serão molestadas até mesmo com piadinhas de mau gosto.
Sou absolutamente à favor do topless. Não vejo nenhum atentado ao pudor. O que eu quero ver (calma, galera) não são os peitos bonitos de mulheres saradas. Quero ver se vão aparecer as mulheres de mamilos enormes, caídos, Se assim não for, o protesto é apenas um pretexto, uma estratégia inteligente das gostosas padrão FIFA de terem seus 15 minutinhos de fama.



 
EM DEFESA DO MEU TRICOLOR

Meus amigos tricolores e esportistas sérios:

Com certeza eu estaria festejando em silêncio, não fosse essa minha mania de me posicionar à favor da legalidade. Foi assim por ocasião do golpe militar de 64 e, por pouco eu não dancei sendo incluído no rol dos "comunistas" presos na minha cidade, na ocasião.
No futebol, galera, existe uma lei que a gente pode dizer que é a Constituição, a Lei Maior, que é o Código Brasileiro de Justiça Desportiva. A aludida lei,num dos seus artigos, aparece de forma bastante clara a perda de pontos para o que clube que atue com atletas em situação irregular. O Flamengo e a Portuguesa relaxaram e fizeram isso, razão pela qual foram punidos pelo STJD em decisão unânime, uma goleada. Os dois clubes recorreram ao Pleno e levaram nova porrada.
Sei que os ataques ao Fluminense aumentarão, movidos sobretudo pela má-fé e questões de clubismo que cega, afinal o Tricolor não é um timeço, um clube de menor porte, um zé mané. É por isso que, até mesmo consagrados comentaristas esportivos distorcem os fatos, volvem ao passado como se o Fluminense fosse a parte ré e se fatos do passado estivessem em discussão.
A bem da verdade o Fluminense venceu a partida final (não fora isso estaria liquidado), não entrou em juízo, não fez a denúncia das irregularidades, não ingressou com uma ação judicial o que até seria compreensível e normal. Foi a própria CBF que o fez, pois é assim que procede sempre que se verifica qualquer irregularidade e descumprimento do regulamento.
A decisão do STJD foi ratificada a poucos instantes pelo órgão máximo, o Pleno, verificando-se nova goleada. Falam, agora,que recorrerão à Justiça comum. Que o façam, pois, conscientes das consequências que hão de vir até da própria FIFA. Ignorar deliberadamente as leis sob alegação de tapetão e virada de mesa e coisa para enganar torcedor leigo e inculto mas, os operadores do Direito não se envolvem em debates patéticos.
No mais, graças à ingenuidade da Lusa e a punição sofrida e ratificada pelo Pleno, o Fluminense permanecerá na primeira divisão em 2014. No mais, abro aspas para o dramaturgo Nelson Rodrigues (grande tricolor na terra e agora no céu), concedida à revista Playboy em novembro de 1979:
"O mundo só se tornou viável porque antigamente as nossas leis, a nossa moral, a nossa conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas idéias".
 
 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MEMÓRIA
 
Então, é Natal ?

QUANDO EU ERA MENINO, em quase todas as casas cachoeiranas se armavam presépio, cada qual mais criativo, cada qual mais visitado, afinal, os donos das residências faziam questão de acolher quem chegava, numa demonstração de um verdadeiro espírito fraterno cristão.
Lá no meu sobrado, pegavam-se os caixotes guardados no mezanino e que continham casinhas, (algumas feitas em casa, outras tantas adquiridas de um senhor por nome de Eduardo Sangue Azul), conchas, areia da barra, musgos, papeis de jornais pintados para fingir montanhas, figuras variadas em celuloide (não existia, ainda, a matéria plástica no Brasil), e as tradicionais figuras de barro (foto ao lado)  feitas pela família de Cândido Xavier, o Tamba, que se tornou o mais famoso deles.
Quando estou digitando esta memória, lembrei-me de alguns presépios que eu tive oportunidade de ver quando menino: o de Douglas da Pipoca na Rua dos Artistas, o de dona Delcina na Rua das Lojas e o do velho Francelino Ferreira Mota, na Praça da Aclamação.
Quase sempre, de ano para ano, o pessoal caprichava mais com as novidades de bonecos articulados, as tais "vaquinhas de presépio" mas, o ponto alto era a manjedoura do Menino Jesus, chamada de "Piana" !
Quando ainda não morava no Rio de Janeiro, em viagem de férias, encontrava as vitrines das lojas e as árvores das ruas com os troncos envoltos em centenas de multicoloridas lâmpadas. Uma beleza. Hoje, apenas na Lagoa, a Árvore de uma determinada instituição bancária que atrai milhares de pessoas, congestiona o trânsito e é aquele sufoco para se entrar e sair.
Na SAARA, que dizem ser o maior shopping a céu aberto da América Latina, pude observar um fenômeno que vem se repetindo: árvores natalinas confeccionadas de variados matérias e cores, guirlandas brancas e cor-de-rosa, Papais Noéis de pijama verde, que tocam instrumentos variados,
A tradição do presépio permanece apenas na minha mente cansada. Deixou de ser a figura central como a razão de ser do Natal que é o Aniversariante.
Aliás, a prefeitura mandou armarem-se alguns presépios na cidade. No que estava no Viaduto de Madureira, um bandido furtou o Menino Jesus!  Só pode ser algum mal elemento da Grei do Capiroto.
Embora eu seja um intransigente defensor da modernidade, lamento que algumas "novidades" acabem por aviltar a boa tradição natalina. No mais...

 

 




A historia de Os Tincoãs/1

  Havendo sido contratado (jamais em minha vida pendei em ser bancário), a minha permanência no trio prejudicada, mesmo assim, as apresentações noturnas na televisão ou locais próximos eu poderia honrar. Uma delas foi durante o mês de junho no programa “Ao pé da Fogueira” comandado por Gilvan Chaves que se tornou um amigo fraterno e cujas composições incorporamos às nossas apresentações, como o “Zé de Báia” que eu fiz uma adaptação e era, sem dúvida, ao lado de “Lua de mel em Porto Rico” as músicas mais solicitadas.  

No “Zé de Báia”, eu era o narrador da história de um pescador que saia para o mar levando jangada e sua rede mas retornava à praia com o samburá vazio. Todo mundo na praia queria saber o que houve. Dadinho (que fazia o pescador) explicava que ouviu uma voz que o chamava pro fundo do mar. No dia seguinte, (eu prosseguia narrando), ele volta à pescaria bem cedinho quando ouve de novo a voz o chamando: (Heraldo) - Pescador, ô pescador !

(Dadinho- com voz trêmula) – O que é arma penada !
(Heraldo) – Tu quere ficá rico, pescador ?
(Narrador) – Zé de Báia encheu-se de coragem, encheu o peito de vento e disse..(Dadinho) – QUERO !
(Heraldo) – Intão vai trabaiá sô fi duma égua !!!!!
O show de Os Tincoãs passaram a ser variados, eu contava meus “causos”, poutpourri contendo sambas, baiões, cha´-chá-chá etc, deu-me a certeza de que era chegada a hora de uma mudança de género musical, apesar da resistência de Dadinho argumentando que “Roberto Carlos cantava boleros disfarçados” de nada adiantando orientá-lo que a roupagem utilizada com apoio de Laffayete (RC - 7) com órgão e guitarras era bem diferente.
Comecei a trabalhar algumas melodias já consagradas em toda a região nas chamadas chulas, dos embalos populares, resultando nas letras de “Capela d'Ajuda” e “Sabiá Roxa” que acabaram fazendo parte do segundo disco. Aquele estilo de música acabou sendo cooptado por Luís Caldas.
Uma das últimas apresentações que eu estive como componente do trio foi exatamente num show em benefício da festa de N.S. da Conceição do Monte, cujo cachê foi um par de meia para cada um de nós ! Mesmo assim foi um show inesquecível para mim.
Depois da exibição do filme, era a vez da apresentação de Os Tincoãs. Meninos e meninas, quando eu me aproximei do microfone levei um porradão de um choque elétrico e o microfone bateu com força na minha boca. Não sei como é que eu consegui me controlar pra não soltar aquele palavrão (hoje tão corriqueiro) que nós, os baianos, adoramos.
E a microfonia comendo solta: Pi ! Pi !Piiiiiiiiiiiiiiiii ! De repente, não mais do que de repente, saindo da coxia, aparece no meio do palco Elias Cardoso de Jesus, proprietário do serviço de alto-falantes “Vozes da Primavera”. A galera não perdoou e começou a gritar o apelido que Elias detestava:
- Paco-paco ! Paco-paco !
Mas,a coisa era sincronizada. Um gritava “paco” e outro complementava “paco” !
Dadinho estava cinza de raiva e apreensão e eu o tranquilizava dizendo que, de certa forma, o show havia começado.
Então Elias (foto) se aproximou do microfone. Cara...como se tivesse um regente foi aquele “uhhhhhhh!” e um silêncio sepulcral se fez ouvir. Elias argumentou mais ou menos assim:
Foi sabotaije de Mundin...Eu não sou curpado se o arto-falante deu bronca 
Mundinho havia sido locutor de a “Vozes da Primavera”, saiu, brigou e torne-se inimigo de Elias, inclusive sairam na porrada na boca da ponte.
E ele saiu do palco enquanto o trio permanecia imóvel com Dadinho fazendo alguns acordes no violão. Dei com a mão pedindo silêncio. Graças a Deus fui atendido,afinal,em termos de esculhambação eu tinha diploma de doutor. Falei que, para benefício de todos, o silêncio seria vital para a realização do espetáculo devido a precariedade da amplificação. Como não poderia deixar de ser, comecei a contar meus “causos” e cantamos números variados com o infalível “Zé de Báia”, encerrando com “Meu Último Bolero” .A galera chiou: “Lua de Mel em Porto Rico! Que propositadamente eu havia deixado de fora !
As minhas atividades artísticas, galera, não me rendiam nada em termos pecuniários. Cantava no Coral e acabei assumindo as funções de animador do “Show de Calouros” nas matinais do Cine Glória em benefício da Casa dos Velhos da Cachoeira.
Dos calouros de que estou a me lembrar no momento, destacavam-se o menino Guiba, um rapaz de São Félix chamado Tamba que andava de muletas e imitava Agnaldo Timóteo, Bebetinho e “Os Pequenos Cantores da Cachoeira” composto pelo meu irmão Erione, Caçulinha e Mateus Alelúia.
Meteus e sua irmã, Luiza Lima eram componentes do Coral da Matriz do qual eu fazia parte. Ambos eram seguríssimos e afinadíssimos nas vozes que faziam em complicadíssimas passagens nas Missas de antigamente. A entrada de Mateus em meu lugar, portanto, foi a substituição mais acertada e teve meu total apoio inclusive nos ensaios iniciais.
Voltem na próxima !

    Viva São Félix !
    Com certeza não poderia deixar de assinalar neste dia a passagem dos 124 anos de emancipação político-administrativa da cidade co-irmã de São Félix, evento ocorrido no dia 20 de dezembro de 1889.
    Congratulo-me com todos os nascidos na Cidade Presépio que nos dão a honra de acompanhar o nosso blogger, desejando um Feliz Natal e um Ano Novo de muita paz e prosperidade.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A historia de Os Tincoãs/11


ESTAVA MUITO DIFÍCIL conciliar a arte musical com a realidade da vida. A maioria dos convites para apresentações vinham sempre com a mesma desculpa: “o trio precisa ficar conhecido!” “Tem de divulgar o disco!”
Pintou,finalmente,um pequeno contrato por parte de um apresentador de rádio, um tal de Sílvio (não lembro o sobrenome) que promovia um concurso de beleza chamado de “Miss Koleston”. Das apresentações que fizemos, lembro-me de que cantamos na rua Concelheiro Galvão, da quadra do Olaria,em Bariri.
Como o cachê além de pouco atrasava, abandonamos o projeto antes que o prejuízo fosse maior.
Meus amigos,como são explorados e ludibriados os artistas, mesmo os já consagrados! 
Carlinhos Monteiro queixava-se de ter abandonado suas atividades no “Expresso Cachoeirano” que herdara do seu pai Alvinho Monteiro. Dadinho não mostrava qualquer preocupação porque o seu bar “O Sucesso” estava sob o controle da sua noiva, depois esposa, Ivone. Heraldo era o que chamamos de “cuca fresca”. Seu pai, Aurélio, consolidado no ramo de hotelaria, não deixava lhe faltar nada! Quanto ao locutor que vos fala, estava desempregado, havia pedido demissão do emprego da prefeitura e acho que foi uma alívio pra muita gente, porque eu havia discutido com o tesoureiro e comprovado que ele possuía em seu armário, uma caixa de sapatos cheia de vales de dinheiro que ele emprestava, naturalmente da prefeitura e cobrando juros, inclusive de vereadores, na época. Não tinha a menor idéia de como recomeçar com a responsabilidade de pai de família.
O problema residia na volta do Rio de Janeiro. Voltar como se até para a nossa manutenção já estava o maior perrengue? Vendemos um gravador  e Monteiro conseguiu vender seu revólver.
Fomos procurar Natinho (de quem já falei quando abordei o tema futebol) e ele acenou com a possibilidade de liberar as passagens de ônibus até Belo Horizonte. Natinho era gerente da empresa que funcionava na Rua México, mas o destino final era a capital mineira.
Nem sei mesmo hoje como é que foi mas, Monteiro descolou vagas num bimotor dos Correios e nós embarcamos. Depois de algumas escalas, chegamos finalmente a Salvador. Já era noitinha quando embarcamos na Empresa de Transportes Odália com destino à terrinha. Chovia bastante na Cachoeira de ruas mal iluminadas e vazias de gente. Já em casa, sem ao menos trazer um presentinho pra ninguém, pude carregar a minha primogênita que eu havia deixado com poucos meses de nascida. Mal havia jantado, ouvi o serviço volante do meu dileto e saudoso amigo Gileno anunciando e tocando uma faixa do disco:
"Vamos passar a lua de mel em Porto Rico/ Vamos gozar do calor do sol que aquece o mar!" 
No dia seguinte e nos que se seguiram, o bar de Dadinho sempre estava cheio de gente curiosa, todo mundo queria saber sobre futebol, Cristo Redentor, Copacabana, Maracanã, tudo tão distante àquela época e, digo mesmo, inacessível para a maioria das pessoas.
As emissoras de rádio da Bahia começaram a tocar o disco. Grande número de invejosos, até os que se diziam amigos, começaram a esculhambar o trio: “Os três culhões!” “Vai ficar mesmo no último bolero!” “Dadinho já era um negro metido a besta!”
Viramos alvo de piadistas pobres de espírito que deveriam se orgulhar de três rapazes que de um modo ou de outro não incomodava ninguém, ou melhor, divulgava a cidade em cada apresentação que fazia. A inveja...
Como consolo, naqueles dias tão aperriado por saber que amigos tão chegados e até um que eu havia oferecido um disco de graça, era um dos maiores gozadores, comecei a ouvir a voz inconfundível do velho grapiúna e cachoeirano pelo coração Adilson Januário do Nascimento através do serviço de alto-falantes da “Radiovox”. Não era ainda uma emissora.
Adjotene, de tantas jornadas radiofônicas, anunciava a hora certa. Quando eu estava na locução, gostava de dizer “na terra de Teixeira de Freitas” ou “Ana Neri” ou “dos Irmãos Rebouças” ou de Maria Quitéria”. Adilson então anunciou:
  • A Relojoaria de Aloísio Mendes informa a hora certa : na terra de Os Tincoãs são dez horas e tantos minutos !
Não foi por vaidade não, gente, mas, aquela homenagem espontânea me tocou a sensibilidade e eu fui pela orla do rio Paraguaçu em prantos. Sentei-me num banco no “Faquir” e logo surgiram alguns amigos. A desculpa que eu arrumei foi jogar a culpa num “lacerdinha” uma espécie de inseto que atacava as folhas de ficus, plantas que existiam em quase todo o jardim. Quando o tal “lacerdinha” caía no olho de alguém...
O professor Carlito Pinto Brito esteve no bar de Dadinho e prometeu arrumar alguns shows. Levou grande parte do meu acervo particular de fotografias apesar da minha resistência porque Dadinho argumentou que seriam devolvidas e “o que se deve guardar é dinheiro!”
O primeiro contrato para uma apresentação em Feira de Santana foi mal-sucedido pois os contratantes apenas deram as passagens e hospedagens.
Eu já estava aguardando um contato com Barbudinho para um emprego no Sindicato da Petrobrás, devido a um trabalho que eu fiz quadrinizando uma história de Nestor Buarque de Holanda que esculhambava a “Aliança para o Progresso”
Antes disso, meu cunhado Odilardo de saudosa memória, conseguiu com que eu fizesse um teste para o Banco da Bahia e eu fui esbarrar em Candeias, uma das cidades mais caras do país devido aos “petroleiros” como se chamavam os trabalhadores da Petrobras.
A minha vida artística, por óbvios motivos deixou de ser uma prioridade e eu só podia cumprir contratos de finais de semana. Meninos, quando o trio se apresentava num especial da TV Itapoan, no dia seguinte, sem exagero algum, a maioria das clientes (do sexo feminino, otário),só procuravam o caixa em que eu trabalhava. Os colegas ficavam morrendo de inveja.