segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

"Causos" Verídicos

                 O GRANDE CULHUDEIRO


Segundo meu compadre Valdir de Gegeu,o maior culhudeiro entre os seus contemporâneos era um tal de seu Sala. que ficava uma arara quando alguém fazia pouco de suas histórias.Costumava dizer o seguinte;
- Baitolo que bulir comigo vai quebrar podre porque eu não dou trela !
E,naquele jeitão de falar,fazendo  uma pequena pausa após o sujeito da oração,seu Sala não perdia chance.Quando se forma uma rodinha para escutá-lo então...
- Eu quando cheguei em casa ontem,fui ao quintal e levei um susto; a laranjeira estava apinhada de Rola Fogo Pagô! Entrei pra dentro de casa. Panhei o serrote.Fui de mansinho e...roc! roc! roc! Serrei o pé de laranja e pé entre pé,entrei em casa,no quarto,fechei a porta e...vupt! vupt! vupt! vupt! Fui catando...
Alguem entre os presentes,só de sacanagem perguntou:
- O que é que o senhor fez com elas ?
A resposta veio imediata:
- Tive de soltar algumas,meu caro! A mulher fez muqueca,ensopado,grelhada e ainda tenho algumas temperadas.Você gosta?
Como não houve resposta ele meteu outra:
- Estava viajando pra Bahia,outro dia, no vapor Porto Seguro. De repente,depois da Coroa do Espardate,o navio jogando muito,eu encostado na amurada,resolvi ver as horas.Rapaz...quando meti a mão na algibeira pra pegar o relógio...vupt! Caiu na água!  Fiquei aporrinhado porque era um Roscoff porreta!
Apois tá certo, - prosseguiu seu Sala -, já nem pensava mais no meu relógio quando resolvi comprar petitinga que estava tocando búzio no mercado,dando de pau! Acabei comprando um robalo,bonito !  Ai,rapaz,quando a mulher foi tratar,quando abriu a barriga do peixe,sabem o que é que estava dentro?
Portela,motorista de Artur Pires,que também fazia parte da turma de culhudeiros foi em cima:
- Seu relógio não foi seu Sala?
E o seu Sala:
- Tava ainda com corda e trabalhando,tic! tac! tic! tac!
Certa feita, - foi ainda o compadre Valdir quem me contou - eles estavam na ponte de desembarque da Navegação Baiana aguardando a chegada do navio Paraguaçu. Antes de o mesmo atracar,seu Sala inqueriu a Valdir:
- Tá veno seu Vardi o que é o pogresso
Naquele instante também aguardavam a chegada algumas viaturas e uma composição férrea passava pela ponte,enquanto ele apontava a razão do pogresso:
- Transporte terrestre,mareste e ferreste...só falta o areste (apontando pras nuvens).
Compadre Valdir afirmava que o velho Sala também era chagado a falar difícil,inventando neologismos. Assim,quando da chegada de uma mercadoria não pedida,ele saiu com esta:
- Não as zas pedi,não as zas quero,quem as zas pediu,as zas fique,as zas leve !
DECODIFICANDO O 'BAIANÊS" 
. Culhudeiro - contador de mentiras
. Ficar uma arara - muito chateado,aborrecido.
. Baitolo - homossexual,gay.
.Bulir - mexer,gracejar.
. Quebrar podre - dar vacilo.
. Não dar trela - não dar importância,não ligar.
. Apinhada - cheia,grande quantidade.
. Rola Fogo Pagô - pequeno passarinho.
. Viajando pra Bahia - costumavam os antigos dizer assim quando iam para a capital do estado.
Porreta - llegal,muito bom.
. Petitinga - peixe pequeno,manjubinha.
. Dando de pau -

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