sábado, 26 de janeiro de 2013

GENTE PAGODEIRA 

    Molequeira sadia 

 VALDIR DE GEGEU gostava de dizer que o pessoal da minha geração não sabia fazer molequeira. "A minha turma,sim - dizia ele com entusiasmo e uma ponta de orgulho - , sabia fazer uma molequeira sadia!"
Ei! Você sabe por acaso  o que é que vem a ser a tal "molequeira sadia" ? Com certeza nada a ver com determinada marca de linguiça,né mesmo? Então estamos combinados: foi uma molequeira sadia quando eles,em a  noite de uma Trezena de Santo Antônio roubaram a galinha de Gaçu,pai de Bise,"causo" que entrou para o anedotário cachoeirano,reprisado,anos depois,na recepção do casamento do doutor Pina. Ficou-se sabendo,depois,que os autores do vale a pena ver de novo,foram o próprio primo do nubente,Antônio Suzart Santos e Augusto Régis Neto,ambos já falecidos.
Se a memória não me falha,Valdir compunha a "Turma do Fu Manchu",(nome tomado por empréstimo de um filme de grande sucesso,na época).Faziam parte do   elenco: Valter de Gegeu,Raimundo e Zeca Santana,Artur Cabeleira de Aço,Alírio,Nadinho Viramundo e Lídio Engole Espada,dentre outros.
Nos tempos em que as famílias comemoravam seus eventos mais importantes na própria casa,existia na Cachoeira vários agrupamentos musicais chamados de Jazz. O gráfico Stelito Narazareth tinha um e do qual faziam parte,João Balaio,Nelson Baterista (irmão de Didi Zoião) e Luiz Soares (pai de Ceguinho).
Certa noite,uma determinada família cachoeirana (para mim não identificada),comemorava o aniversário de alguém da família.Ao som das músicas da época,casais bailavam na sala de visitas do velho sobrado transformada em salão de dança. 
Raimundo Santana,calçando um sapato Luiz XV de bico fino,coisa chic,na época,dava verdadeiro show.
De repente,não mais do que de repente,possuído,naturalmente,por um espírito zombeteiro,dirige-se ao companheiro Valdir de Gegeu,em tom impositivo:
- Pinga! Vai lá em baixo e desliga a navalha de luz. Vá logo,Pinga,tá procurando cartaz?
Valdir retrucou a seu modo. Gaguejando: 
-  Vá-vá-vá-vá te pra pô-pô-porra ! Fi-fi-fi-fica me dando esbregue ! Nestante vou cumprir suas ordens. E desceu as escadas do sobrado mal contendo o sorriso,antevendo o desfecho da molequeira sadia.
Por trás da pesada porta do sobrado encontrava-se  a chave de energia. Sorrateiramente,Valdir a entreabriu. Sem medo de levar um choque,vupt! Apagou a luz! Do sobrado ouviu-se um "ooooh!" acompanhado de uma voz que perguntava: "Cadê o fifó ?"
Foi assim,a lâmpada apagou mas,em fração de segundos,uma dos moradores que tinha saído retornou. Pegou Valdir em flagrante delito:
- Oxente,Pinga,que foi que aconteceu?!
Valdir não deixou a peteca cair:
- o xuite de-de-deu bronca lá,lá,lá,lá  em cima!
Lá em cima o coro tava comendo numa briga generalizada.É que,quando Valdir desligou a luz,Raimundo Santana,com aquele sapato da bico fino (lembram?) deu uma bicuda no bombo da bateria e não teve tempo de tirar o pé de dentro

DECODIFICANDO O "BAIANÊS"

. Procurando cartaz: procurando aparecer 
Dando esbregue: dando bronca.
Nestante: corruptela de num instante
.Fifó  lamparina,pequeno candeeiro
Oxente - Puxa!  O que é isso? (Corruptela da expressão Oh,gente!) 
Xuite - pronuncia cachoeirana do inglês "light  switch"; interruptor.
Deu bronca - falhou,não funcionou.


 

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