sexta-feira, 15 de março de 2013

Aidil  AraújoLima
 ESTACAS PODRES
 


Ela nunca teve dinheiro vadio. O peso da enxada foi envergando sua vida nas covas. Bem da verdade, no final de tudo, sentia alegria no peito quando saboreava a farinha torrada, a vida se deliciava. A labuta era infinda, esperando pacientemente, que da terra nascesse as mandibas da mandioca. Tempo pra ficar cansada não existia. O sol ainda nem tinha acordado ela já estava com a sua trouxa de farofa pronta, enxada na mão. Ela,  as quatro filhas e o marido, juntos capinavam o dia inteiro. Quando o sol já estava fazendo sombra no meio, encontravam uma árvore onde escondesse a quentura, engolindo a comida fria, água quente, depois deitavam contentes. Continuavam a jornada até o sol esfriar.  Eram tantos os buracos que iam abrindo que nem se davam mais conta. A filha mais velha ficava em casa cuidando da última, cuidava da casa e fazia comida. Puxavam a água da cisterna e banhavam-se. Ela nem se cansava, a noite estava toda espicaçada, devia ser a farinha da mandioca que lhe afogueava, o marido já nem aguentava – queta mulher! amanhã vamos cortar as mandibas e colocar nos buracos. Ela queria era mandiba inteira. Dormia insatisfeita com as mandibas quebradas do marido. Lá iam eles, cedinho de manhã, cortar as mandibas e botar nos buracos. Pegavam das sementes cortavam vários pedaços e colocava nas aberturas. A mulher suava, seu pensamento estava em outras mandibas. Agora era só esperar a chuva chegar para ela nascer, engrossar, crescer, arrancar, raspar, cevar, passar no motor, espremer a massa. Chega o grande dia de torrar. A farinha torradinha faz esquecer todo trabalho, asssim como a mãe esquece a dor do parto ao ver o filho nos braços. Leva de um a dois anos pra crescer, e tem que ser cuidada com carinho. A mulher se incumbe desta tarefa. Nesse dia acorda ainda madrugada. Joga o balde vazio na cisterna e puxa a água cristalina que banha seu corpo em desvario. Pega da enxada pra arrancar os matos que vão crescendo em volta do buraco. Encontra uma mandiba fresquinha, deita na relva ainda fria da lua, esquece tudo, a falta de dinheiro vadio, o vestido trocado só no Natal, e não é nem festa da farinha, ela grita de alegria. Já tardinha ela volta pra casa, olhar satisfeito, o marido entende que ela deu seu jeito. Calado, sem estudo que aclarasse, observa as estacas podres. 















 Ja nem tinha acordado ela já estava com a sua trouxa de farofa pronta, enxada na mão. Ela,  as quatro filhas e o marido, juntos capinavam o dia inteiro. Quando o sol já estava fazendo sombra no meio, encontravam uma árvore onde escondesse a quentura, engolindo a comida fria, água quente, depois deitavam contentes. Continuavam a jornada até o sol esfriar.  Eram tantos os buracos que iam abrindo que nem se davam mais conta. A filha mais velha ficava em casa cuidando da última, cuidava da casa e fazia comida. Puxavam a água da cisterna e banhavam-se. Ela nem se cansava, a noite estava toda espicaçada, devia ser a farinha da mandioca que lhe afogueava, o marido já nem aguentava – queta mulher! amanhã vamos cortar as mandibas e colocar nos buracos. Ela queria era mandiba inteira. Dormia insatisfeita com as mandibas quebradas do marido. Lá iam eles, cedinho de manhã, cortar as mandibas e botar nos buracos. Pegavam das sementes cortavam vários pedaços e colocava nas aberturas. A mulher suava, seu pensamento estava em outras mandibas. Agora era só esperar a chuva chegar para ela nascer, engrossar, crescer, arrancar, raspar, cevar, passar no motor, espremer a massa. Chega o grande dia de torrar. A farinha torradinha faz esquecer todo trabalho, asssim como a mãe esquece a dor do parto ao ver o filho nos braços. Leva de um a dois anos pra crescer, e tem que ser cuidada com carinho. A mulher se incumbe desta tarefa. Nesse dia acorda ainda madrugada. Joga o balde vazio na cisterna e puxa a água cristalina que banha seu corpo em desvario. Pega da enxada pra arrancar os matos que vão crescendo em volta do buraco. Encontra uma mandiba fresquinha, deita na relva ainda fria da lua, esquece tudo, a falta de dinheiro vadio, o vestido trocado só no Natal, e não é nem festa da farinha, ela grita de alegria. Já tardinha ela volta pra casa, olhar satisfeito, o marido entende que ela deu seu jeito. Calado, sem estudo que aclarasse, observa as estacas podres.

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