sábado, 2 de março de 2013

"CAUSOS" VERÍDICOS

   Doidos Varridos (final)
 
Galera:
"Enquanto você se esforça,para ser um sujeito normal,/E fazer tudo igual,/Eu do meu lado aprendendo a ser louco,/Um maluco total,/Na loucura real,/Controlando a minha maluquês,/Misturando com a minha lucidez,/Vou ficar com certeza/Maluco beleza!"   Valeu,Raul Seixas!
Sem mais delonga,prossigamos com a nossa sanidade mental que perpassar dos anos se nos apresenta Faço minhas as palavras do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar; "eu também envelheci e tenho,portanto,muita infância pela frente".
PURRUTE - O sujeito virava no cão quando alguém passava perto dele e soltava um purrute. Eu explico; purrute é quando se enche a boca de ar e deixava escapar o som comprimindo os lábios.
REMELEIXO - Eu era menino mas o conheci.Era um afrodescendente que morava na Rua da Feira.No meu enfoque infantil,ele estava espingardado (como diziam os mais velhos do sobrado 13),quando saía cantando pela rua:
- Getúlio Vargas,"repicador" e "conteudo"...Dois cu e um i...É Cucui!  Remeleixo...tum !
TILOSO - Vocês lembram-se dele? Não era a cara do acordeonista Sivuca? Ele era albino,sua pela apresentava pigmentos mais claros o que constratava com a cor natural da sua epiderme.
Então,quando ele tomava o Poca Ôio" na vendinha de Jorge da Arara,saia cantando invariavelmente:
- Tá na hora da onça beber água/Quero ver todo mundo "trabaiá"/"Trabaia" aqui,"trabaia" lá/Quero ver todo mundo "trabaiá"/A onça dança com o pavão/Papagaio canta no poleiro/E o macaco no pandeiro/Faz a marrrrcação!
VIGÁRIO - Tinha a voz anasalada e andar trôpego. Eu era menino quando o conheci. Também morava na Rua da Feira e trabalhava para uma senhora chamada dona Antônia que fabricava linguiça de porco no fundo da casa.Era o bom tempo que todo munda "trabaiava" como cantava Tiloso,ninguém tinha vergonha de ganhar dinheiro.
Carregando um pesado balaio,lá ia Vigário fazer a entrega de uma encomenda em São Félix.Devia estar pesado,,porque Vigário seguia cambaleando mais do que o normal,enquanto a molecado seguia no seu encalço:
- Tira um pedaço de linguiça pra mim!
- Vigário! Vigário! Vigário! Vigário,me dá um pedaço!
Ih,turma; aturdido,o nosso personagem atirou o balaio inteirinho no rio Paraguaçu dizendo:
- A chouriça  não é minha,não é sua: é do siri !
ZACARIAS - Apelidado de Pé de Cachorro,era vendedor ambulante da Padaria do Povo de Deoredo Mascarenhas.O interessante é como ele saía mercando pelas ruas da cidade:
- Olha o pão sovado,olha o pão de milho,olha o pão de leite,olha o pão...(E dizia rapidinho como se fosse saliência), cacete !
Conheci centenas de pessoas apenas pela alcunha: Nozinho Pé de Ferro,Ioiô Perna de Pau,Zelestreco,Bufa Fria,Didi Zoião,Jeep,Futrica,Barriga,Viramundo...Ninguém se aborrecia de ser chamado pelo apelido mas,um em especial...Chamava-se Clóvis,era filho de dona Alzira,antiga zeladora do prédio Escolar Montezuma.Seu apelido era Urubu Marchante devido ao seu modo engraçado de caminhar.
Ao descer certo dia a Rua da Feira,ouviu uma voz feminina que ele reconheceu a gritar:
- Urubu ! Urubu Marchante !
E ele:
- Não vou dar trela a você,Lourdinha. Vou encanar você com seu irmão Clóvis Maciel.
Dito e feito. Sabia que Maciel em breve sairia para ir trabalhar em São Félix. Não demorou e logo ele saiu e foi abordado:
- Olha,xará; sua irmã fica dibicando,bulindo comigo toda a vez que eu passo
E Maciel apressado,retirando a inseparável caneta Park 51,disse:
- Fique certo que eu tomarei providência. 
O queixoso o agarrava pelo braço impedindo-o de prosseguir viagem:
- Ela é cheia de efes e erres e eu não quero xingar ela...
E Maciel livrando-se dele,distraidamente deixou falar o inconsciênte:
- Assim que eu volte para casa tomarei providência viu seu Urubu ?
O apelido mais incrível e instantâneo aconteceu envolvendo um magistrado que desembarcava em Maragojipe a fim de tomar posse comoJuiz de Direito da Comarca. Não citarei o nome dele,platéia,para não ter de responder processo. Direi apenas que ele penteava o cabelo repartido ao meio. Isto é um fato relevante. Então,o estivador que carregava as suas malas foi abordado por um companheiro de profissão:
- Ô Memeu; nestante você passou carregando um mundo de malas e ainda tem mais ? De quem é tanto traste?
E o outro,tranquilamente:
-  Daquele senhor da cabeça de boceta !
Sua Excelência ordenou que voltasse toda a sua bagagem,pernoitou na Cachoeira e retornou para Salvador.


DECODIFICANDO O BAIANÊS"
ESPINGARDADO - Ébrio
POCA ÔIO - Aguardente misturada com folhas,raízes e ervas.
CHOURIÇA - Corruptela de Chouriço
DAR TRELA - Alimentar conversa
ENCANAR - Fazer queixa
DIBICANDO - Mexendo,fazendo gracejo.
CHEIA DE EFES E ERRES - Tirada a importante.
NESTANTI - Ainda a pouco
TRASTE - Coisa sem importância.
 
 


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