sexta-feira, 22 de março de 2013

GENTE PAGODEIRA
                       Oradores Hilários
 

HOUVE uma época em que,graças aos políticos e advogados baianos,criou-se a fama da excelência dos oradores da Boa Terra.Isso naturalmente influenciou muita gente,inclusive  os incultos,os chamados oradores argumentum baculinum,expressão latina que significa "argumento de porrete;emprego da violência para a consecução  de um objetivo".

 
Nos tempos em que o Dr.Ubaldino de Assis era o representante da Cachoeira na Câmara Federal,desembarcando em sua terra natal após longa ausência,banda de música,foguetório,muita gente,os puxa-sacos da época presentes e se acotovelando para serem notados.Como sempre os  puxa-sacos sempre foram bem treinados.
Um deles havia pedido a um dos filhos do deputado para "fazer um discurso bem bonito pois queria homenagear o "impuluto" conterrâneo.
Meninos e meninas; quando o doutor Ubaldino saltou,o homem do povo dotado de uma voz poderosa lascou o verbo:
- "Exiceltíssimo","Ilustrissisimo" e Digníssimo "dotô Ubardino",filho desta terra,nesta.
Queria eu - prosseguiu -, de ser um Clark ou um Bostok (duas marcas de calçados da época),para o "sinhô sinti" as palpitadelas do meu coração: pic! poc! pic! poc! 
Reconhecendo a autoria da peça,a reação do deputado foi a seguinte:
- Passa pra cá meu burro;o resto eu leio quando chegar em casa !
 Na vizinha São Félix,a figurinha carimbada chamava-se Osvaldo Tanoeiro que gostava de falar até sem ninguém para escutá-lo.

  Segundo o Aurélio,tanoeiro é quem fabrica objetos de madeira torneada como barril,por exemplo.Tanoeiro,portanto,não era o seu sobrenome,devendo ser a sua profissão, o que é perfeitamente compreensível devido ao volume de coisas que a cidade exportava para fora,via fluvial. 
Vamos contar alguns "causos" de oratória hilária promovida pelo nosso personagem. O primeiro,numa cerimônia de casamento numa certa residência,Tanoeiro estava se coçando para fazer seu discursosinho.Eis que,ao erguerem-se as taças para se beber o champanhe,ele atacou:
-  Vamos copular com a noiva !
E dirigindo-se ao noivo:
Meu caro nurbente", eu dei o melhor de si pra" mim torná" amigo da família. Posso "agarantir"que você "tá levano" uma jóia preciosa Digo isso porque mantenho com ela relações íntimas.
Os risos contidos transformaram-se em gargalhada. Percebendo que algo havia saído errado,Tanoeiro tentou concertar:
- Não é nada disso que vocês "tão pensano" cambada de "mardosos" !
Esta agora  quem me contou foi o saudoso amigo Raimundo Rocha Pires, (Pirinho),quando Prefeito da cidade e durante a inauguração de uma rua no Outeiro Redondo. Tanoeiro pediu a palavra e dentre outras pérolas,disse:
- Esta rua,quem cunhiceu" como eu conheci, vai "vê qui tô falano"a verdade;era um chiqueiro. Os moradores verdadeiros porcos enfiados na lama. Foi o doutor Pirinho quem "aterrou-la e calçou-la.Tenho dito !
Prossigamos.Um dos grandes benfeitores da Sociedade Senhoras de Caridade da vizinha cidade era sem dúvida o Comendador José Ramos que estava,naquele instante,sendo justamente homenageado. Muitos foram os oradores que fizeram uso da palavra. Faltava quem? Quem? Isso,isso,isso ! Faltava ele,Tanoeiro que pediu a palavra.
- "Sinhô Prisidente" !
"Sinhores" do Corpo "Musicár"1
"Sinhores" prostitutos !  (Foi isso mesmo que você leu): prostitutos!  E ele prosseguiu:
"Cumendador Zé Ramo",varão de todas as Senhoras de Caridade da nossa sociedade...
E foi interrompido por Juarez,um Vereador da cidade:
- Varão? Só se for da sua mãe !
Ih,rapaz! Índio,o famoso caixa das filarmônicas Minerva e União Sanfelixta,no meio da risadaria geral,soltou um assobio de molequeira: 
- fiiiiuuuuu !
Tanoeiro resolveu dar bronca:
- Olha "aê"...Este "muleque" que me deu um "fiticú" eu respondo o "siguinte": A sessão foi "abrida"a palavra foi "franquida" agora,se não pediu é  porque é burro!
E a turma resolveu incentivá-lo:
-  Muito bem!  Você está sendo muito feliz ! Prossiga!
E ele:
- Fiquei "arrupiado"por causa de vocês. Agora, um "individio" da minha "procedênça" não "idimite" certas "popaganda"! 
 
 
 
 
 
 

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