terça-feira, 30 de abril de 2013


" Entre Aspas"
O que disseram os leitores deste   blogger através do e-mail britopatriarca@gmail.com
 
SOBRE TIRADENTES  Fernando Candido "O conhecimento da cultura brasileira, como todo conhecimento não ocupa espaço !  Esse "velho" sabe tudo.

DIA DE SÃO JORGE Renato Queiroz "Aqui na Bahia também  poderíamos dizer: Odé comorodé!"

JUSTIÇA CACHOEIRANA  João Matos Figueiredo  Prezado Brito; Você naturalmente irá recordar aquele Juiz de Direito de Cachoeira, quando presidia o Juri, de vez em quando pedia licença aos presentes (promotor e advogados) descia as escadas do prédio indo até um bar no antigo Hotel Colombo.Lá Sua Excelência pedia "cafezinho".  A xícara era de café mas seu conteúdo continha outro líquido. Pois bem, o Doutor após tomar o "cafezinho" seu nariz parecia um pimentão maduro, assim ele retornava para assumir seu posto no Jurí. Você recorda?"
à Ih,rapaz ...(risos). Lembro-me,sim mas,num bom “baianês”, “xapralá!”

EU E O POETA  Armando Sá  A Casa de Cultura ainda está em plena atividade. Osvaldo Sá empresta seu honroso nome ao auditório e não a Casa de Cultura em si.

O ABASTECIMENTO DE ÁGUA  Nayson Reis  " Parabéns por conhecer a nossa história  Um abraço."

O CABO ELEITORAL DO ACUPE Rosa Brito Esse é demais! Não canso de ler. Recomendo.
O saudoso memorialista cachoeirano Francisco José de Mello(Chiquinho Mello)foi um dos mais profícuos colaboradores de o jornal,"A Ordem"que circulou na Cachoeira nos anos oitenta.É da sua lavra o artigo abaixo que relembramos pelo seu conteúdo histórico.
                                     O DIA "D"
FRANCISCO JOSÉ DE MELLO
Manhã do dia 8 de maio de 1945.
Explodiram edições extraordinárias nas principais emissoras de rádio do país,noticiando o fim da Segunda Guerra Mundial: "Atenção! Atenção! A Alemanha  acaba de assinar sua rendição incondicional. A guerra acabou!"
Era uma sensação de alívio para todos.A nuvem negra passava.Desaparecia a ameaça de domínio e escravização do mundo pelo nazismo.
Em instante,o povo aflui às ruas empunhando bandeiras brasileiras,e canta hinos e marchas patrióticas:
"Nós somos da Pátria a guarda/Fiéis soldados,por ela amada/Nas cores da nossa farda/Rebrilha a glória,fulge a vitória!"
Uma massa compacta ia crescendo,se avolumando,e todos de braços dados,vibrando,irmanados,continuavam cantando:
"A paz, queremos com fervor/A guerra s´nos causa dor/Porém,como a Pátria amada/Foi agora ultrajada,lutaremos com fervor". 
A última estrofe do hino foi alterada para lembrar o ultraje sofrido pela Pátria com o afundamento dos navios brasileiros e a participação da FEB na luta contra as forças totalitárias.
 A massa se locomovia.As janelas das casas abriram-se alegremente saudando os manifestantes.Senti-me contagiado pelo entusiasmo de todos e sai,também.
 De repente, ouvi uma voz que me deixou alarmado.Uma voz ressoou na multidão:
Mussolini e Hitler tinham adeptos em S.Félix e Cachoeira
"Vamos pegar o chefe Integralista,o Quinta-Coluna que chegou a preparar uma lista dos que seriam executados em Cachoeira depois da vitória nazista!"
A voz que comandava era de Manoel,mais conhecido como "Casaca Vermelha",estivador conhecido de todos,e que,de repente,assumia a liderança daquela massa e clamava por vingança contra o traidor da Pátria!
Eu vi a turba enfurecida,cheia de ódio,partir para a Pitanga,cantando hinos patrióticos.Tive receio do que poderia acontecer diante da expressão resoluta no rosto daquela gente.Talvez houvesse linchamento!
Um empregado do homem avisou-o a tempo e ele fugiu com toda a família,saindo em trajes íntimos,abandonando a casa às pressas. A turba não encontrou resistência para a invasão,pois,os moradores haviam abandonado tudo desordenadamente.Houve uma verdadeira destruição na residência do chefe Integralista.
Lembrei-me da tal lista,onde constava,também,o nome do meu pai,de um dos meus irmãos e o meu. Eu era um dos condenados por antecipação,pelo meu repúdio ao totalitarismo germânico. A concepção do militante integralista era de que,quem não era um deles,era contra eles.
A massa,vendo frustrada sua ação punitiva,dirigiu-se para o Monte. Iriam pegar o alemão gerente da Suerdieck. Também não o encontraram. Houve saque,depredações,e a casa do alemão ficou arrasada!  
Na vizinha São Félix,outro grupo fazia a caçada ao espanhol Daniel Fernandes,que tomava parte nas cervejadas dos alemães da Danemann,quando algum navio brasileiro era torpedeado. 
O espanhol,apavorado,foi parar no telhado do sobrado onde funcionava seu bar. Não conseguiu escapar,e foi arrastado de lá. Dizem que levou muitas bordoadas chegando a "ensopar" as calças. 
Depois seria a vez do Clube Alemão na Avenida Salvador Pinto,onde o quebra-quebra não popou nem o piano que foi jogado pela janela do clube. Houve destruição total! 
Oito de maio de 1945,um dia mesclado de alegria ,arroubos patrióticos e de um desejo de revide,recalcado pelo temor do esmagamento das liberdades democráticas,de instalações de uma ditadura fascista,quando tudo parecia perdido.
Manoel "Casaca Vermelha",um pacato estivador,corpulento,vibrante,apaixonado pelo Botafogo Futebol e Regatas,da cidade do Rio de Janeiro,seu torcedor fanático. Foi ele o líder,o cabeça da maior explosão de massa agitada.Ele parecia um herói vingador de filme americano.
  
 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

HISTÓRIA
      A iluminação pública de Cachoeira e S.Félix

ERIVALDO BRITO
NO ANO de 1794,a Revolução Francesa expulsou os padres jesuítas do seu território. A Inglaterra os acolheu através do Sir Thomaz Weld oferecendo-lhes uma mansão de sua propriedade onde os religiosos instalaram e dirigiram um colégio.Para iluminar durante a noite essa propriedade,os jesuítas utilizaram-se de carvão fóssil. Então,o padre Dud conseguiu aperfeiçoar a descoberta,e,em 1815,em Prestod,cidade industrial situada ao norte da Inglaterra,fundava uma sociedade de iluminação a gás que acabou se espalhando pelo mundo afora.A então Vila da Cachoeira e o povoado de São Félix,utilizaram-se de tal tecnologia com o uso do óleo de baleia que era muito abundante à época.
Em 25 de maio de 1887,o Conselho Municipal da Cachoeira fez publicar um Edital de Concorrência Pública para substituir os antigos candeeiros,conforme pode ser visto na foto acima.
Apresentaram-se quatro licitantes: João Francisco de Carvalho,Vicente Ferreira de Queiroz,Antônio de Almeida Ramalho  e Adeodato Uzeda & Companhia que venceu a concorrência,assinando os termos contratuais para substituição dos antigos candeeiros por "modernos lampeões do sistema belga,com força de quarenta velas".Assinaram o contrato o Barão de Belém,P.Rosalvo de Menezes Fraga,Antônio F.Carvalho Mascarenhas,Amâncio da Rocha Passos,Augusto Ferreira Mota (fundador do primeiro jornal "O Guarany"),José de Oliveira,todos membros do Conselho Municipal, e João Crisostomo de Uzeda pela companhia.
A empresa instalaria 110 lampeões de ferro fundido,de conformidade com o modelo do desenho aprovado (vide foto abaixo).pelo preço de quarenta mil reis,cada braço e a caixa das lâmpadas,sete mil e quinhentos reis,além de manterem o serviço pelo espaço de um ano,mediante a quantia de dezesseis contos de réis anuais.

 Os trabalhos foram iniciados no dia 20 de março de 1888,sendo responsável pelos serviços o engenheiro Luiz de Souza Matos.Foi designada uma comissão composta pelos Vereadores advogado João Almachio Ribeiro Guimarães,capitão Rosalvo Fraga e engenheiro Afonso Glicério da  Cunha Maciel,que designaram os locais para a colocação das colunas e braços da nova iluminação,sendo 66 na Cachoeira e 50 na  povoação de São Félix,então parte integrante da então Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira.
Na próxima postagem a gente volta a abordar o assunto lembrando de como atuavam os ladrões dos lampeões.


 
                                                                                                

 
                   Vade mecum
O título desta coluna é uma conhecidíssima expressão latina que significa "vem comigo". E é exatamente o que conclamamos aos queridos amigos e amigas que partilham das redes sociais para certas decisões políticas que fogem de prudência democrática. Refiro-me à recente aprovação de uma emenda à Constituição proposta pela Comissão de Justiça da Câmara Federal  encabeçada pelos notáveis Genuino e João Paulo (mensaleiros condenados) e Maluf (procurado pela Interpol) transferindo para o Congresso atribuições do STF. Os ânimos ficaram acirrados entre os dois poderes. Finalmente o bom senso parece que vai prevalecer para o bem do regime democrático onde  a última palavra deve ser do povo. Do povo? Então,o Congresso não foi eleito pelo povo? Os ministros do Supremo,não foram eleitos pelo povo.Mas,existe a figura do suplente que não teve voto e outros tantos deputados eleitos sem voto algum com as tais "sobras de coligação".O poder Judiciário é moroso,os políticos das duas casas legislativas são vistos com desconfiança pelos cidadãos mas,é assim mesmo que funciona a democracia.
Revendo a história,certa feita,Pinheiro Machado travou com Rui Barbosa uma polêmica jurídica enorme sobre uma decisão tomada pelo STF. O grande Rui escreveu o seguinte:
"Em todas as organizações políticas ou judiciais,há sempre uma autoridade extrema para errar em último lugar. O Supremo Tribunal Federal,não sendo infalível,pode errar. Mas a alguém deve  ficar o direito de errar por último,a alguém deve ficar o direito de deecidir por último e dizer alguma coisa que deva ser considerado como erro ou como verdade".


OPINIÃO
                       A PÁTRIA DE CHUTEIRAS
Nos tempos do meu pai,era voz corrente que os brasileiros nasceram com o dom de jogar bola. No mundo ninguém se igualava a nós.O futebol, tornou-se uma paixão nacional e o nosso país a "pátria de chuteiras".
Eu era uma criança,ainda,num domingo de julho de 1950.Estava assistindo a um jogo no campo de futebol da Avenida Ubaldino de Assis quando ouvi no alto-falante "A Voz do Norte" instalado num poste o gol que fez todo mundo chorar,inclusive o meu pai. Perdemos o título para o Uruguai.
Quando o selecionado brasileiro disputou o título,na Suécia,em 1958,quando Pelé e Garrincha foram consagrados,a minha turma disputava um baba no adro da Igreja do Monte.A gente jogava e escutava os rádios que estavam ligados nas casas de Zeca Mascarenhas,da família Milhazes, e da família do maestro Tranquilino Bastos.
Com o advento da televisão,mesmo assistindo o vídeo taipe dias depois,cheguei à conclusão de que jogadores de outros países também tinham habilidade,obediência tática e coletividade, surgindo o surpreendente "Carrossel holandês" de 1974.
No ranking da  FIFA,caro ledor,dê um chute: qual é a posição do Brasil? Estamos em décimo nono lugar! Não foi atôa que o Santos de Neimar cai-cai levou um banho do barcelona,em Tóquio,e aseleção brasileira não ganha de nenhuma seleção de ponta.
Pra mim a illusão do futebol acabou.Confio mais no volei. Não serei pego de surprêsa nas próximas competições internacionais inclusive na Copa do Mundo.

 


CURIOSIDADES DA BÍBLIA

Foi o professor universitário parisiense chamado Stephen Langton,no ano de 1227,que introduziu,na Bíblia,a divisão em capítulos. A divisão em versículos viria 324 anos depois,também por um parisiense,o impressor gráfico Robert Stephanus. As aludidas divisões objetivavam a facilitar a consulta e as citações bíblicas.As novidades foram  aceitas inclusive pelos judeus.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Memória
                  Nossa Justiça

ERIVALDO BRITO
Estava na faculdade quando vigente o Código Civil de 1916.Obsoleto,sem dúvida, e no período entre a publicação da lei nº10.406 de 10/01/2002,(a chamada vacatio legis) do Código atual e que já sofreu várias modificações.
Aprovada a lei nº 11.340 de 7 de agosto de 2006,(a chamada Lei Maria da Penha),já discutíamos a redução da maioridade penal.pois a certeza da impunidade estimula os crimes praticados pelos chamados "demenor" como está acontecendo aqui no Rio e em Salvador,por exemplo.
 O destemido presidente do Supremo Tribunal Federal desembargador Joaquim Barbosa,que está presentemente nos Estados Unidos para uma palestra na Universidade de Princeton e foi reconhecido pela revista "Time" como "uma das cem pessoas mais influentes do mundo",declarou que,"o mundo está de olho no Brasil",numa alusão aos chamados "embargos de declaração"e "embargos infringentes"no julgamento do mensalão ocorrido naquela Corte Suprema. Tais embargos visam reduzir as penas de antigos figurões que praticaram "malfeitos"um eufemismo do governo para disfarçar cinicamente a roubalheira. Vamos ver no que vai dar.
Por falar no desembargador Joaquim,lembrei-me de um episódio que aconteceu comigo,quando o  seu homônimo,Joaquim de Carvalho Filho, era Juiz da Comarca da Cachoeira.
O semanário "A Cachoeira" já havia publicado a relação dos jurados que seriam sorteados para compor o Tribunal do Juri.Dentre eles estava eu.Gostaria de dizer "não,muito obrigado" mas não é bem assim que a banda toca.Liberação só sob atestado médico ou então uma multa de alguns salários mínimos.
No dia aprazado,compareci cheio de paletó e gravata ao Fórum Teixeira de Freitas. Em lá chegando,dentre os amigos e conhecidos,lembro-me de estarem presentes Edgard Teixeira Rocha,professor Álvaro Lima Freitas e Roque Ferreira Pinto. Falei brincando: "uma Loteria eu não acerto mas,com certeza meu nome será sorteado para ser jurado". Não deu outra.Em pauta o julgamento do acusado de haver assassinado   "Trator"um feirante e artista plástico muito conhecido  na cidade.O indiciado foi condenado.
No dia seguinte,iríamos para o segundo caso.Logo que cheguei,um famoso advogado da capital,dando o nó na sua gravata,ao ver-me comentou o seguinte:" Espero que o Corpo de Jurados não seja hoje tão claudicante como ontem!" Não me contive e perguntei pra ele: "claudicante como,doutor? Como pode um jurado responder NÃO quando o próprio acusado reconhece ser dele o objeto perfurante e,com  ele,haver desferido vários golpes na vitima ocasionando o seu óbito conforme laudo médico?"
Estabeleceu-se entre nós uma discussão paralela,agora com o concurso do professor Álvaro. Pensei na hipótese de o  tal advogado usasse de uma de suas prerrogativas e impugnasse o nosso nome. Pedi licença ao Escrivão Antônio Ferreira para usar a sua máquina datilográfica e redigimos (eu e o professor Álvaro) uma Petição ao Dr.Joaquim que presidia o Tribunal. Lembro-me de que falamos da falta de ética do ilustre causídico em  criticar o Corpo de Jurados,soberano em suas decisões;da nossa preocupação em face ao exposto de não atuarmos com isenção numa decisão sobre o  futuro de alguém envolvido em um crime,e,finalmente,que o referido advogado não se prevalecesse do privilégio de usar a tribuna para criticar o Corpo de Jurados.
DR.JOAQUIM JUIZ DE DIREITO DA CACHOEIRA,NA ÉPOCA.











 
O Meritíssimo doutor Joaquim José de Carvalho Filho,pediu vênia para autorizar a leitura do documento,deferindo-o em seguida. Autorizou,também, a transcrição nos Anais. O público presente aplaudiu e eu tive meus cinco minutos de fama.





Salve,Jorge !

SEGUNDO a tradição oral,São Jorge(275-303) era um soldado da guarda pretoriana e do exército do imperador romano Diocleciano,que se tornou cristão e,mais tarde,deu a própria vida pela causa.
É o mais popular dos santos católicos,sendo considerado padroeiro de diversas partes do mundo,reverenciado pelas Igrejas Católica Romana,Ortodoxa e Anglicana. Não é o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro mas,o dia de hoje,23 de abril é mais comemorado do que o dia de S.Sebastião.
No Brasil,o sincretismo religioso originado pelos afro-brasileiros transformou-o em Ogum,o "Senhor dos Metais" , o primeiro dos orixás a descer do Orun (céu) paa o Aiye (terra).
Na distante Maragojipe,na Bahia,onde o padroeiro é São Bartolomeu,na sua matriz existe uma enorme imagem de São Jorge. Não tenho notícias de se a referida imagem desfila na procissão local.



HISTÓRIA
ERIVALDO BRITO
   OS ÚLTIMOS PASSOS 
DE TIRADENTES NO RIO

Pedro Américo (1843-1905)
SENTENCIADO à forca pela Rainha de Portugal,Dona Maria I, "a louca",por haver cometido o crime de 
"lesa-majestade",Joaquim José da Silva Xavier,o Tiradentes,foi executado e teve o corpo esquartejado  no dia 21 de abril,há 221 anos volvidos.
Como o feriado caiu num domingo,poucas pessoas se lembraram. Resolvi fazer um passeio histórico começando pelas ruas do Centro,mais precisamente do Palácio Tiradentes,na Praça Quinze,local onde funcionava a Cadeia Velha,onde o mártir ficou preso por cerca de três anos e de onde partiu escoltado por soldados da corte portuguesa.
Prosseguimos a nossa caminhada envolto em pensamentos como se estivéssemos vivenciando aqueles dramáticos momentos históricos, pela Rua da Assembléia,Largo da Carioca e Gonçalves Dias.Nos detivemos à procura do sobrado (será que ainda existe?) onde o grande mártir foi preso.
Ninguém conhece a verdadeira face de Tiradentes. Ninguém sabe,o pardeiro da ossada dele.Falam do seu heroismo mas,o que nós ressaltamos foi a sua dignidade em não haver delatado nenhum dos companheiros de idealismo libertário.Grande caráter.


Rua Gonçalves Dias - Rio de Janeiro


Despojos do esquartejamento de Tiradentes,famoso quadro de Pedro Américo,pintor paraibano.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

HISTóRIA

O abastecimento de água de S.Félix e Cachoeira
                       (parte final)

Os trabalhos para dotar as populações sanfelixta e cachoeirana de água potável,tiveram início no dia 5 de outubro de 1912,há 101 anos passados,portanto,sob a direção do engenheiro sanfelixta Américo Simas.Vejamos parte do Relatório Técnico: "Foi construída uma barragem de cerca de quatro quilômetros da cidade da Cachoeira,no quilômetro cinco do ramal de Feira de Santana,no Riacho do Pitanga,com perímetro de mil metros e bacia hidráulica comportando trinta e cinco milhões de litros.A referida barragem mede sete metros de altura,e,uma tubulação de ferro faz a ligação até ao reservatório ou caixa d'água,situada em lugar técnicamente perfeito,pois dali à parte baixa das duas cidades,há uma diferença de nível da ordem de sessenta e quatro metros,de maneira que,o precioso líquido chega até nós pela própria força hidráulica,sem quase nenhum gasto operacional".
Finalmente,dois anos depois do início das obras,no dia 25 de outubro de 1914,era realizada uma grande festa inaugural. Através da ponte D.Pedro II seguia o encanamento para a vizinha cidade onde também acabou sendo construído um reservatório.
O velho chafariz da praça Dr.Milton foi vedado e assentada grades de ferro. Poderia,hoje,transformar-se numa espécie de fonte luminosa com água jorrando permanentemente e com pouca água,ou seja,a mesma água que jorra é a que retorna às torneiras através de um sistema de bombeamento.Coisa simples e de efeito muito bonito.
Quanto ao encanamento que segue  para São  Félix através da ponte D.Pedro II, aconteceu no dia 6 de janeiro de 1969 um fato,digamos assim, pitoresco. No dia anterior ,o selecionado cachoeirano de futebol amador havia ganho o bi-campeonato,então,a diretoria da Liga resolveu prestar uma homenagem ao goleiro Vadinho que morava em Muritiba.Para lá partiram centenas de carros,bicicletas,motos e uma das caçambas da prefeitura com uma Charanga e torcedores.Dizem que,ao passarem por São Félix o pessoal resolveu tirar uma onda.O fato é que,ao descer o desfile,no adro da Igreja do Padroeiro,travou-se uma verdadeira batalha. Não sei como não se registrou nenhum óbito.Alguns torcedores irresponsáveis arrancaram dois tubos do encanamento e jogaram no rio ! A água jorrou acima da ponte uns dois metros ! 
Na mesma semana o Comando do Exercito sediado em Salvador começou a intimar pessoas para depor. Muita gente inocente sofreu constrangimento como o ferroviário conhecido por Totó.
No ano de 1950,sendo prefeito o sr,Anarolino Pereira,através do seu irmão deputado Augusto Públio,o então Governador Octávio Mangabeira transferiu o controle acionário da empresa para o município da Cachoeira,sendo criada a "Empresa Aguaria do Paraguaçu"
 Na primeira gestão do prefeito Julião Gomes dos Santos,era criado o SAAEC (Serviço de Abastecimento de Água e Esgotos da Cachoeira),e,em 15 de outubro de 1973 a Câmara de Vereadores aprovava a Lei nº 222 que foi sancionada pelo prefeito Ivo Santana passando o controle da empresa para a Embasa por um prazo de vinte anos que foram obviamente prorrogados.
Tal concessão causou muita polêmica na época,no entanto ao término do seu mandato o médico Edson Rubem Ivo de Santana não teve nenhum acréscimo em seu patrimônio a não ser o que pertenceu ao seu pai. Saiu pobre mas passou para os seus conterrâneos,principalmente os mais jovens,como é que se faz um governo honesto,sendo intolerante com a corrupção e a roubalheira.
 


 

 
OPINIÕES
Maragojipe e o poeta Osvaldo Sá
Ana Lessa:
“Senhor Erivaldo Brito; como sabe, estudo a vida e a produção intelectual de Osvaldo Sá. Gostaria de saber qual o tipo de material o senhor possui a respeito dele? No que se refere à Casa da Cultura de Maragojipe, apenas o auditório leva o nome do poeta Osvaldo Sá. O acervo do autor está sob os cuidados do filho caçula, que sustenta o acervo como pode, munindo-se de parcos recursos. Não tenho conhecimento de nenhum interesse do poder público

Em todas as fotografias que já consegui do poeta Osvaldo Sá nesses últimos anos, nunca o vi sorrindo! “Obrigada”
è Guardo de Maragojipe, a bela Terra das Palmeiras, as mais gratas recordações. Ali, participei de vários festejos em louvor a São Bartolomeu, acompanhei as retretas da Terpsícore, lecionei Economia & Mercado e Contabilidade bancária no Gerard Mayer Suerdieck e tinha uma trinca de amigos fraternos: Didi da Bahiana, Osvaldo Sá e o Dr. Ronaldo também poeta e um dos grandes oradores que eu tive o privilégio de escutar.

Quanto ao poeta Osvaldo Sá, acredito ter todos os seus livros publicados e dezenas de cartas do próprio punho. Estou ao inteiro dispor a fim de ajudá-la.

Obrigado por acompanhar o nos blogger.

Nadia Santana

"lembro-me muito de Osvaldo Sá de Maragojipe"


A implantação do IAENE em Cachoeira
Igor de Almeida
"Muito bom amigo Erivaldo, muito obrigado por proporcionar a todos nós que acompanhamos este blog leituras tão prazerosas que mesclam um enorme conhecimento cultural com um toque de humor especial... Parabéns amigos Erivaldo seu blog é da hora.

“Causos” Verídicos
Antonio Moraes Ribeiro
"Saudades desse precioso livro."

àTemos contado e vamos contar “causos” inéditos Com uma nova roupagem, amigo Moraes está reeditando os “causos” contados em Gente Pagodeira e “Causos” Verídicos. Quem se interessar é só copiar.

Rosa Brito
"A montagem ficou massa, painho!"

                                             FRONTEIRA DA MISÉRIA
Aidil  Araujo Lima
 TINHA DIAS  que acordava cantando um lamento triste. Era a saudade que crescia no seu peito, doía tanto, que as lágrimas escorriam de lá do fundo, de lá bem longe, adormecendo a dor lentamente. Saudade de seu menino. No dia que ele nasceu viu nos seus olhos o brilho de um grande doutor. Ela trabalhava, trabalhava de tudo que a vida lhe dava. Fazia cocada, lavava roupa de ganho, limpava casa alheia esquecida das canseiras, pagava os estudos de seu menino, suando para ele um novo destino. Foi toda animada matricular seu filho na escola de freiras, as mulheres lhe olharam de cima abaixo, lhe diminuindo, ignorando o seu pedido. Ela ficou em silêncio, chamou Nanã, o orixá, no pensamento, ela intercedeu com seu Axé. As freiras cederam sem entender esta mudança de pensamento. Intimidadas por uma força invisível, aceitaram o menino.  

 Ele se encantou com as palavras, esquecia os lamentos amanhecidos da mãe, as letras eram músicas, juntavam-se e reparavam a solidão, tecendo com seu fascínio a infância de receio do nada. Atravessou fronteiras. Conheceu países, diferentes pessoas, outros sonhos. Reconheceu-se distinto, distante dos aproximados. Virou diplomata, andava no meio dos brancos. Deslembrou-se negro. Perdeu a memória ancestral, esqueceu-se até das coisas sagradas, ligou-se nas coisas vadias. A mãe tornou-se uma lembrança aleijada. Desde que partiu só veio uma vez, ficou desconcertado no meio daquele povo de santo. Nunca mais voltou. Ela às vezes demorava-se na dor, desviava a sua atenção de ser rejeitada por quem saiu de dentro do seu corpo suado. Esquecia a mágoa, e sexta feira ia à igreja cheia de ouro, lembrava até mãe Oxum, de tanta beleza. Comovida, de joelhos, agradece silenciosamente a travessia da fronteira de miséria de seu menino

sábado, 13 de abril de 2013



                       
 Valentim,o Cabo  Eleitoral do Acupe


Capa do livro de Erivaldo Brito
Aviso aos preconceituosos de plantão: o cronista não é ponográfico, e sim os personagens (como  os baianos de um modo geral),é que são pornofônicos..Dessa forma,não escrever o que o personagem falou não iria condizer com o que aconteceu,soaria falso. Portanto,se você se enquadra na categoria citada,pode parar por aqui.Vamos ao "causo":
O doutor Aldenor (nome fictício),havia herdado do pai não apenas os pacientes e o consultório mas,também,o gosto pela política.Então,depois de haver assumido o cago de prefeito da sua cidade,estava,já,no seu segundo ou terceiro mandato na Assembléia Legislativa do Estado.
 Éramos,ainda,nos tempos em que os homens usavam paletó e gravata quando iam votar.Analfabeto não votava.Eu disse não votava?! Na verdade,uma das funções dos tais cabos eleitorais era ensinar o sujeito a "desenhar" a assinatura do próprio nome,utilizando-se de tinteiro e penas de metal,as canetas.
Às vésperas do pleito,envelopes fechados contendo as cédulas chamadas de "chapa completa",eram entregues ao eleitor para simplesmente depositar na "urna inviolável". Se o eleitor quisesse saber,"doutor,com voto fechado?" recebia a cínica resposta imediata:"a Constituição diz que o voto é secreto,portanto não mostre a ninguém!" A preocupação óbvia era que,se alguém "do contra"aproveitasse a distração do eleitor e furasse com um alfinete ou uma agulha o envelope com as cédulas,no dia da apuração,o voto seria anulado.
O doutor Aldenor era do tipo raro de político que não recebia donativos de empreteiros,"não tinha o rabo preso*"conforme gostava de dizer.No entanto,usava do clientelismo, de pequenos favores: era uma receitazinha aqui,um funeral ali,,uma dúzia de retratos 3x4 acolá,um pedido de emprego...No seu dia-a-dia ele costumava dizer que "não era político Copa do Mundo",ou seja,aquele que só aparece de quatro em quatro anos.É sua a frase seguinte:
- Não adianta o sujeito ter um passado de glória,como a Portela, e não ganhar um carnaval desde 1984 !
 Na capital do estado,o douor Aldenor mantinha um pequeno escritório onde ele comparecia invariavelmente todas as manhãs.
Valentim,cabo eleitoral do deputado no distrito de Acupe,município de Santo Amaro da Purificação,indo à capital,como não poderia deixar de acontecer,foi ao escritório.Dirigiu-se à Secretária:
- Bom dia,dona! Cadê o doutô Ardenô?
E a secretária boazuda ,cheia de charme e com voz melosa respondeu:
- Queira acomodar-se,cavalheiro,por favor.O doutor Aldenor (sempre puxando pelos "erres"),ainda não é chegado. Aguardemo-lo .
Cheio de mesuras,Valentim agradeceu:
- Brigadin,dona ! 
E ao sentar-se na poltrona macia,ficou cheio de pensamentos libidinosos:
Véi,qui diabo de muié mais gostosa! Tá rebocado piripicado* se o chefe num tá cumendo na moita*.Na certa foi ele qui discabaçou* !
Sentadinho naquela poltrona confortável,o ventilador deixando o ambiente agradável,Valentim acabou adormecendo.Foi um sono tão pesado que ele nem percebeu a chegada de outras pessoas,nem o barulho incessante do telefone o incomodava. Lá pras tantas,após haver recebido vários telefonemas,a secretária avisou:
- Olha,Senhores: o doutor Aldenor acaba de ligar pedindo desculpas e para avisar aos senhores que hoje não virá ao escritório.
Em vista do inesperado aviso,todos se retiraram. Eu disse todos? Todos uma ova! Vocês esqueceram o Valentim? Pois é; sentadinho lá no canto,Valentim tirava o maior ronco.A moça resolveu acordá-lo.Ele levantou-se assustado e a moça informou:
-  Olha meu senhor;o doutor Aldenor pediu desculpas porque,motivado por uma força maior,ele hoje não virá ao escritório!
E Valentim coçando a cabeça:
- Que dizê qui ele não vai vim ?! 
A moça respondeu-o:
-É,é isso mesmo.
E ele demonstrando uma preocupação maior:
- Vixe Nossa Sinhora! E eu fiquei um tempão disgramado aqui...Tinha que ir na Baixa dos Sapateiros, 7 Portas...
E voltou a perguntar:
- Ele ficou duente? Aconteceu arguma engrisilha?*
A Secretária o tranquilizou: 
- Não! Não é nada sério,não! É um acontecimento familiar.
E então,distraidamente,deixou escapar:
- É que hoje é o aniversário da esposa dele,dona Jaci e haverá um almoço na casa dele.
Meninos e meninas: pra que a moça foi dizer isso?  Despedindo-se dela,Valentim saiu falando:
- Foi bom a sinhora dizê,moça,preu  não ficá feito couro-de-pica*
E,sem mais delongas, pegou um bonde (naqueles tempos ainda circulavam bondes na capital baiana),e rumou para a casa do político que morava na Graça,bairro nobre de então.Então,em lá chegando,Valentim tocou a campanhia do portão de ferro que guarnecia a majestosa mansão. O criado,devidamente fardado,veio recebê-lo:
- Boa tarde,senhor? O que deseja? 
E ele com aquele vozeirão que Deus lhe deu:
- Diga ao dotô Ardenô qui o Valentim,cabo eleitorá do Ocupe aqui e qué falá cum ele!
O mordomo nem precisou levar o recado.Mesmo dentro de casa,ou melhor dizendo,trancado dentro do banheiro,o político tinha escutado perfeitamente bem.Sua reação foi colocar as duas mãos no rosto e lamuriar-se:
-  Meu Senhor do Bonfim! O poeta disse que ser mãe é padecer no Paraíso! Só que ele não conhecia nenhum político como eu,obrigado a engolir sapo,rã,lagartixa,o diabo a quatro!
Mesmo a contragosto,pelo interfone,o político ordenou:
- Faça-o entrar,por favor.
Depois de haver tomado seu banho e trocado de roupa,(o doutor Aldenor era um sujeito metódico,jamais alguém o viu sem paletó e gravata,exceto a sua esposa,claro).E se encaminhou ao "convidado endesejado". Fazer o quê? Valentim era um cabo eleitoral de comprovada eficiência e influência,além de ser de uma fidelidade canina.Mas,era o almoço de confraternização pelo aniversário da sua esposa,estavam sendo esperadas várias autoridades,convidados importantes. Com um indisfarçável sorriso amarelo,o político estende a mão para o clássico cumprimento e recebe em troca uma verdadeira agressão repressentada por um abraço de chocoalhar o esqueleto!
Os conviddos foram chegando: advogados,juizes,o desembargador,colegas do político e familiares.Valentim era o verdadeiro "Gato Mestre* no meio e no centro das conversações.Quando um  garçom apareceu com a primeira bandeja,Valentim "voou" em cima,pegou  duas taças de vez! Ao seu lado,o desembargador Sérvulo Martins ouvia,incrédulo,o seu comentário:
- É bom deixá sempre um na reseuva. Nunca se sabe se vai acabá ou fartá!
O magistrado,que estava fumando, ainda ouviu dele:
- Sorta a brefa* pra mim! 
A dona Jaci,a aniversariante finalmente apareceu.Coitada.Valentim,sem respeitar a fila de cumprimentos partiu pra cima e,por pouco não a atirou na piscina.Um vejame.
Os convivas preparam-se para o banquete. Valentim sentou-se exatamente no local reservado para a homenageada,a dona da casa.E por lá ficou.Apanhou o guardanapo de fino linho inglês amarrando-o no pescoço.E comentou sorridente:
-A burguesia tem seus encantos,sô !  Eita comida que tem sustança*!
Mas,criticou a salada:
- Tô achano qui tá rançosa*! Quem cumê tá lascado,vai se cagá todo!
E soltou uma gargalhada.
Após haver sido servida a sobremesa,alguns convidados fizeram o uso da palavra.O desembargador,vários colegas do deputado,algumas autoridades presentes,e,por último o Venerável da Ordem Maçonica.Todos aguardavam o agradecimento que seria feito pelo doutor Aldenor,tido como um orador de largos recursos de retórica.Mas eis que de repente Valentim,derrubando a cadeira em que estava sentado,levantou-se,fungou,limpou o nariz no guardanapo,deu aquele chupt intencional de quem está querendo aproveitar os resíduos da refeição na arcada dentária,com o dedo em riste,cheio de ênfase bradou:
- Um humirde pede a palavra!
Os presentes se entreolharam.Vocês já imaginaram a situação do deputado anfitrião e sua esposa? O doutor Aldenor segurou uma das mãos geladas da sua esposa e pensou:"Seja tudo  pelo amor de Deus!" E,meio sem jeito:
- Está concedida a palavra!
Valentim atacou o seu improviso cheio de compenetração:

- Doutô Ardenô; até hoiji,não cunhicia dona Jaci,não tinha tido relações íntimas cum ela.Tive hoiji pela primeira vez.Gostei.Vou ficá freguês.Ela é uma mimosidade. É delicada até no expurça. Só peço a Deus,ao sinhô do Bonfim da Bahia que dê vida e saúde ao sinhô doutô Ardenô e a dona Jaci,essa frô que nasceu pra ser gosada pelo sinhô e pur todos os seus amigos. Tenho dito!
Dizem que,depois dessa,o doutor Aldenor despediu-se para sempre da vida pública. 



DECODIGICANDO O "BAIANÊS"
RABO PRESO - Sem cumpromisso com ninguém
TÁ REBOCADO PIRIPICADO -Espécie de juramento.
NA MOITA - Às escondidas.
DESCABAÇADA - Desvirginada
ENGRISILHA - Situação confusa,enrolada.
COURO-DE-PICA - Ficar em situação confusa,de cima pra baixo.
GATO MESTRE - Gaiato,entrão.
BREFA - Resto,ponta de um cigarro.
SUSTANÇA - Alimento de grande valor nutritivo.
RANÇOSA - Azeda,estragada.      

HISTóRIA

O abastecimento de água de S.Félix e Cachoeira

Há duzentos e trinta e dois anos volvidos,mais precisamente no dia 27 de maio de 1781,o vigário da paróquia Manoel da Costa de  Carvalho,vinha a público protestar com o abastecimento de água.Atentem para o que disse o padre:
"Esta Vila da Cachoeira,é uma das mais férteis de água que há em toda a Capitania da Bahia,porque à beira dela,passa o famoso rio Paraguassu (naqueles tempos grafado com dois "esses"),de que muitos moradores bebem,e também os do porto de São Félix.
Além deste rio,há mais dois correntes que ao mesmo vão desaguar passando pelo meio da Vila,chamado Pitanga,e o outro à beira chamado Caquende,que nunca secam,de sorte que é impossível haver nesta  Vila,falta de água".
No dia 28 de março do mesmo ano,o Juiz de Fora Dr.Marcelino da Silva Pereira atuou junto ao Conselho Municipal que ordenou a construção de um aqueduto a fim de trazer por ele as águas do riacho Pitanga, "desde o sítio de propriedade do tenente Felipe,até o centro da Vila,para um chafariz público". 
FOTO DO ACERVO DE ERIVALDO BRITO
E a obra teve início,sendo concluída 46 anos depois,ou seja,em 1827. O chamado precioso líquido era distribuído gratuitamente mas,os comodistas  mais abastados compravam-no dos chamados aguadeiros.Assim,em vista da constante  demanda,esse chafariz localizado na antiga praça da Regeneração, (atual Dr.Milton - foto acima),tornou-se insuficiente.A necessidade pública exigia a reforma de tais serviços.
A resposta do Conselho Municipal veio através de diversas leis conforme veremos:
Lei 1.212 dev17 de maio de 1872,lei nº2.459 de 20 de junho de 1884 elei n º 14  de 24 de setembro de 1895,todas elas concedendo poderes a particulares para exploração comercial do abastecimento de água potável para as localidades cachoeiranas e sanfelixtas mas,as obras não se fizeram efetivas.
FOTO ACERVO E.BRITO
No ano de 1895,sendo Intendente (Prefeito) da Cachoeira o sr.Manoel Martins Gomes (foto), - um homem empreendedor e bem sucedido nos negócios,Provedor da Santa Casa -,as águas do chafariz que corriam em calhas abertas, expostas,portanto,no seu curso  de  toda a sorte de impurezas,foram canalizadas em tubos de ferro.
No ano de 1905,sendo Intendente o Dr.Servílio Mário da Silva,foi realizado um excelente cadastramento contendo informações preciosas sobre a população da cidade,quantidade de residências e casas comerciais,número e extensão de ruas etc,visando a melhoria do serviço de água. Em 11 de agosto de 1910,era aprovada a lei nº 61 autorizando o governo municipal a celebrar um contrato de concessão com o empresário Manoel da Silva Santos,depois transferido para a consórcio Magalhães & Ciª e Almeida Castro & Ciª.
Por fim,no dia 30 de dezembro de 1911,era aprovado o Regalamento,Planos e Orçamento,obrigando o Consórcio a efetuar os seguintes melhoramentos,inicialmente na cidade da Cachoeira:
1) Passeio medindo 656 metros quadrados,contronando o Jardim Ubaldino de Assis;
2) Passeios da praça Manoel Vitorino (antiga da Manga,local onde presentemente funciona a rodoviária),num total de 349 metros quadrados;
3) Escada de embarque e desembarque de canoas no cais existente no local citado;
4) Quatrocentos metros quadrados de paralelepípedos em lugar a ser designado pelo Intendente.
Todos os ítens elencados acima deveriam serem cumpridos no prazo máximo de seis meses, sob pena de ficarem as empresas consorciadas a pagarem uma multa de 30.000$00.
Os trabalhos para o abastecimento de água tiveram início em 1912 sob a direção do engenheiro sanfelixta Américo Simas. Na próxima postagem a gente conclui o assunto.