sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Plano Inclinado sanfelixta

NO DIA 5 de maio de 1891,o jornal sanfelixta A Pátria de propriedade do Dr.Salvador José Pinto noticiava a existência de uma empresa interessada em construir e explorar comercialmente um Plano Inclinado que ligaria São Félix a Muritiba.
Tal projeto perfeitamente exequível à época,infelizmente não foi adiante. Já pensaram que atração formidável para o turismo da região?
 
DATAS CACHOEIRANAS

Primeiro semestre do mês de junho

Dia 01 1842 - Era solenemente instalada a Comarca da Cachoeira, sendo empossado o Dr.Inocêncio Marques de Araújo Góes (foto) como o primeiro Juiz de Direito da cidade.
Lamentavelmente nos dias atuais,segundo fomos informados,não foi ainda nomeado um novo Juiz para a Comarca.
Dia 02  1870 - Sob a direção de José Ramiro das Chagas vinha à lume o jornal A Ordem que circulou por mais de 60 anos.
Nesta mesma data,no ano de 1987,era realizado o I Seminário de Educação do Recôncavo,no auditório do Centro de Convenções da Pousada do Carmo e também no Colégio Estadual da Cachoeira.
O referido Seminário foi aberto pela professora Maria Terezinha representando a Secretaria de Educação do estado. Houve realização de oficinas de magistério,matemática e criatividade. 
Dia 03 1892 - Falecia nesta data o Dr. Manoel Amâncio da Silva,diretor do antigo e pioneiro "Ginásio Cachoeirano". OI extinto era natural de Maragojipe.
Dia 04 1950 - Jogando amistosamente na cidade de São Félix,o Botafogo Cachoeirano  vencia o Floresta Sanfelixta pelo placar de 3 a 2,marcando Natinho,Vaduca e Tabaréu para os cachoeiranos enquanto Linho e Zeca descontaram para os sanfelixtas.
Na foto acima a  sede do Botafogo (segunda casa à direita). 
Dia 05 1875 - Era inaugurado o serviço telegráfico entre a Cachoeira e Nazaré das Farinhas. Foi um enorme progresso,na época. 
Dia 06 1948 - Começava a demolição da Igreja do Amparo (foto ao lado)sob a alegação de ser construída no local uma maternidade.
Dia 07 1823 - Em uma das dependências da igreja do Carmo,começaram- a cunhagem de moedas do tesouro ,operação que durou apenas quatro dias mas não deixa de ser um evento inédito na vida nacional,digno,portanto de registro. 
Dia 08 1754 - Dom João V destinava a importância de oito mil cruzados para o início da construção da capela-mor da igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário (foto).
Dia 09 1878 - Na capela da Ordem 3ª do Carmo era celebrada a festa do Divino Espírito Santo,tendo como celebrante o frei João de Santa Maria e Souza. O púlpito sagrado foi ocupado pelo frei Francisco da Virgem Maria Itaparica.
Naqueles idos,o "Imperador" era um adulto,e,no ano em referência,foi o cidadão Manoel Joaquim Minho. 
Dia 10 1940 - Em plena era do rádio,apresentava-se no palco do Cine Teatro Cachoeirano uma trupe da Rádio  Sociedade da Bahia, a PRA 4 como era mais conhecida,,com destaque para a cantora Lourdes Cardoso,  o violinista José Leite e o saxofonista Netinho.
Dia 11 1936 - Uma locomotiva puxando uma composição de oito vagões carregados de refrigerantes,  cervejas e outras mercadorias tombou na entrada do túnel da ponte do Bitedô,rolando quatro vagões na ribanceira enquanto os outros quatro,desgovernados,passaram pela ponte dos Três Riachos (foto acima)e só foram parar ao lado da igreja Presbiteriana,exatamente onde acabam os trilhos.Não houve vítimas,felizmente.
Dia 12 1925 - No palco co Cine Teatro Cachoeirano apresentava-se a Grande Companhia de  de Teatro Olympia da Bahia,de propriedade da Empresa Borges da Mata & Ciª.
A referida companhia jamais havia se apresentado em qualquer cidade interiorana.
Dia 13 1936 - Falecia em Salvador  nesta data o empresário e grande empreendedor João Vieira Lopes (foto)que ao ser empossado prefeito da cidade fez,segundo os antigos,uma das gestões mais profícuas.
Dia 14 1895 - Em avançada idade,falecia em Savador o Dr.Manoel Bernardino Bolivar(1829/1905) que serviu o Exército durante a Guerra do Paraguai.
No regime monárquico,foi eleito deputado provincial no biênio 1881 e 1882. 
O ilustre cachoeirano era poeta,literário,deixando várias produções em jornais e revistas da época.
Dia 15 1910 - Vindo de Mundo Novo (BA),era recebidocalorosamente pelos seus conterrâneos o Cônego José Dias d'Áffonseca










                                                                                                                            
MEMÓRIA

                  JOSÉ GÓES

O ADVOGADO sanfelixta  José Góes da Silva,além do enorme saber jurídico,era um exemplo vivo de superação,enfrentando com dignidade uma deformação que se agravava a cada dia. Mas,isso não o deixou imobilizado,improdutivo,um "coitadinho" qualquer. Muito pelo contrário; continuou em plena atividade atendendo a sua clientela no seu escritório na sala de visitas da sua própria residência. Quem lesse o que ele peticionava e não o conhecesse pessoalmente,jamais avaliaria a enorme dificuldade por ele enfrentada para assiná-las,valendo-se de uma borracha para amarrar uma caneta em sua mão.
O seu contemporâneo e amigo Dr.Marques,na edição de agosto de 1987 do jornal A Ordem escreveu o seguinte panegírico que vale a pena transcrever:
                                                                      José Góes da Silva
DR.ARTUR NUNES MARQUES
"A Parca,em sua ronda sinistra,não escolhe vítimas para a sua gula,assim como não escolhe dia e hora para ceifar vidas úteis à coletividade.
Não escapando do negro alfange,veio a falecer às 15 h.do dia 16 de agosto,um conceituado advogado que honrou em todos os sentidos o diploma que lhe foi conferido pela Faculdade de Direito de Salvador Bahia. Contava o extinto 78 anos de idade. 
Esse grande e não lhe singular profissional,recebeu na pia batismal de São Félix,a sua cidade natal, o nome que encima estas linhas  A sua pertinaz,insidiosa e incômoda paralisia,se bem que parcial,
  não lhe permitia fácil locomoção,não o impedia de exercer a sua atividade forense,defendendo causas que  lhe eram confiadas,acreditando que as suas causas seriam vitoriosas. E as causas por José Góes defendidas,eram apoiadas em juristas nacionais e estrangeiros,verdadeiros Titãs da Ciência  Jurídica ,que deram exemplo de saber  e probidade,numa ciência que entre outros outros objetivos,tem o dever de "das a César o que é de César!"
Pelo elevado conceito que desfrutava o extinto, -,que conhecia os segredos do idioma inglês -,a Prefeitura Municipal de São Félix,em cujo salão nobre foi celebrada missa de corpo presente,decretou luto oficial,em sinal de pesar pela perda irreparável de um homem que em todos os sentidos,honrou a sua terra e a sua gente.
Grande massa popular de São Félix e cidades vizinhas acompanharam o seu sepultamento até a necrópole de sua cidade natal,em cujo portão  lá está gravado em letras de ferro uma mensagem aos vivos: Hodie Mihi Cras Tibi,lembrando: hoje por mim amanha por ti!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

MEMÓRIA











  


A visita do dirigível alemão Graf Zeppelin ao Nordeste brasileiro,incluía um sobrevoo nas cidades da Cachoeira e S. Félix,sobretudo porque nas duas cidades baianas  residiam vários empresários de origem alemã  e as duas cidades eram conhecidas na Europa pela exportação de charutos.
O jornal cachoeirano A Ordem, que era "O jornal de maior circulação no interior do estado"(vide foto montagem acima),publicava a seguinte matéria:
" Ontem, (sexta-feira,dia 12 de maio de 1933),por volta das 7 horas ,a cidade presenciou um espetáculo inédito na sua vida aérea.
A grande aeronave alemã,Graf Zeppelin visitou esta cidade  ou antes,esta zona,proporcionando aos nossos habitantes momentos de contemplação.
Olhando-se aquele colosso prateado,a imaginação logo e logo se concentra no formidável gênio alemão que dia a dia deslumbra o Universo com suas maravilhosas 
conquistas.
O Graf Zeppelin vagarosamente contornou esta cidade,rumando ponto em seguida para o seu terminal de viagem Friedrichshafen,na Alemanha" 
O memorialista Chiquinho Melo,(foto ao lado),em seu livro "Crônicas Memoriais" relembra o fato equivocando-se todavia quanto à data,o que não invalida o seu relato sobretudo porque ele foi testemunha ocular. 
"A cidade inteira ficou alvoroçada diante daquele gigante a sobrevoar seu espaço aéreo.
Homens,mulheres,crianças e até doentes,saíram de suas casas,de seu ambiente de trabalho,para ver o dirigível alemão.Seu  tamanho permitia que fosse visto em todas as ruas da cidade,de ponta a ponta.
Esse extraordinário dirigível,ao sobrevoar nossa cidade,fez escurecer as ruas paralelas Ana Nery e 13 de Maio,em razão das suas extraordinárias dimensões,que eram 235 metros de comprimento e 30 metros de diâmetro. Seu comprimento fez com que a rua Ana Nery,em toda a extensão ficasse escura.
Olhávamos fascinados aquele bojudo gigante de 58 toneladas,obra magistral da engenharia alemã.
Sua manutenção no espaço era feita com um combustível de elevado custo. Era o gás Hélio.
Durante toda a semana,em todos os lugares,só se ouvia os comentários e a pergunta: Você viu o Zeppelin?
Na cidade do Recife,ponto terminal de sua viagem,empresários,especialmente usineiros e governo estadual,construíram o hangar para pouso.
Segundo informações,sua altura depois de pousado, era equivalente a um prédio de 15 andares.
As gerações que o viram,tornaram-se privilegiadas porque o Graf Zeppelin,ao explodir na Alemanha, em 1945,eliminava a possibilidade da construção de uma réplica do dirigível,em razão de tornar-se um investimento inexequível,pois,o seu custo seria de dezenas de bilhões de dólares,sem retorno."
 

 
A iluminação pública das cidades da
         Cachoeira e São Félix


ERIVALDO BRITO
Dois anos após haver sido assinado e executado os trabalhos da iluminação pública,mais precisamente no dia 20 de dezembro de 1889,São Félix ganhava sua autonomia administrativa com o foro de cidade.
Na Cachoeira,com o passar dos anos, a iluminação pública foi ficando cada dia mais ineficiente sobretudo por causa de "desaparecimentos"de campeões.Finalmente,em agosto de 1916,segundo noticiou o jornal A Ordem,era preso o indivíduo conhecido como "Arlindo Nascimento"mas,na delegacia,informou que o seu verdadeiro nome era Antônio Bonifácio da Silva.
Vamos transcrever ipsis litteris parte de o interrogatório  do acusado no referido jornal cachoeirano:
" - O que o senhor fez dos lampeões que roubou? 
- Vendi todos aí pelo mato;na Faleira,no Cágados,na Boa Vista,em Bom Jardim e no Serra.
- Conhece a quem vendeu?
- Sim,senhor!
Efetivamente,horas depois,a polícia havia apreendido alguns lampeõs enquanto o larápio cinicamente apontava:
- Este eu roubei na noite tal,no Largo da Matriz,aquele eu roubei há pou\o tempo na esquina de um hotel,estes outros dois roubei ontem na Ladeira da Cadeia,este daqui eu roubei na Pitanga..."
 Naquele mesmo agosto de 1916 chegava à Cachoeira o senhor Domingos Galtieri representante na Região das lâmpadas "Kanigt" usando querosene ou gasolina como combustível.A experiência feita com a tais lâmpadas na antiga Praça dos Arcos (atual Teixeira de Freitas),foi um sucesso. A população aprovou porque "as lâmpadas Kanigt produziam uma luz clara e fixa!"
No ano de 1919,em decorrência da I Guerra Mundial,como a gasolina consumida em nosso país era importada,faltou combustível na cidade.O governante era o Dr.Ubaldino de Assis.Como era de seu estilo,ele vai pessoalmente aos Agentes e casas comerciais das duas cidades sem obter êxito.
As reservas eram insignificantes e destinadas à freguesia urbana e a iluminação pública foi fatalmente prejudicada. 
O Dr.Ubaldino emitiu um comunicado/apelo à população apelando para que "as casas comerciais e particulares mantenham suas fachadas iluminadas nos dias sem lua ou até que esta apareça,pagando aos particulares as despesas com o combustível" e que,"apenas a fachado do paço municipal ficaria iluminado a acetileno".
Finalmente,em 6 de fevereiro de 1930,era inaugurada a iluminação elétrica na Cachoeira,na gestão do prefeito Cunegundes Barreto,conforme foto histórica abaixo.
A iluminação elétrica da vizinha cidade-irmã aconteceria três anos depois,ou seja,no ano de 1933,sendo prefeito da cidade o Dr.Manoel Passos,conforme podemos verificar no recorte do jornal cachoeirano O Social.
Volvidos,pois,tantos anos,será que as duas cidades estão com as suas iluminações públicas  satisfatórias?

 




sábado, 25 de maio de 2013

DISCO VOADOR

Objeto voador não identificado nos céus da Cachoeira

O dia havia amanhecido,os primeiros raios de sol iluminavam a Cidade Heróica naquela manhã de 8 de maio de 1952 quando foi avistado um "Disco Voador deslisando lentamente do poente para o nascente",conforme noticiou o semanário A Cachoeira.
O fato foi presenciado pelos senhores Eduardo Álem,Carlos Menezes,Manoel Soane Tourinho (Manolo) e Djalma São Bernardo. Os dois últimos eram fotógrafos profissionais porém,infelizmente,não portavam seus pesados equipamentos da época,na ocasião. 
Teria sido mesmo um objeto voador não identificado ou seria um balão metereológico? Resolvemos,então,fazer esta foto montagem a fim de registrar a ocorrência inusitada e sem precedentes até hoje.

O PROFESSOR PARDAL MURITIBANO

 Seu Tosta,um talento esquecido.

O MURITIBANO  Otávio Tosta foi,até por volta do ano de 1972,o artífice mais procurado,credenciado e competente de toda a Região do Paraguaçu.
Homem simples,cordial,fala mansa,seu Tosta era dotado de um gênio inventivo formidável.  De suas mãos foram criadas várias máquinas a vapor,relógios de parede de alta precisão,espingardas,pistolas,Casas de Farinha... Além do mais,na sua oficina,a encarnação do personagem das histórias em quadrinhos de Walt Disney,"Professor Pardal" consertava de tudo!
Das geringonças inventadas pelo seu Otávio,existia em sua oficina no ano de 1987,quando escrevemos uma reportagem para o jornal cachoeirano A Ordem,um carro construído de madeira,o "carro de pau" com que o próprio inventor gostava de desfilar nas festas do Bonfim e nas festas em São Félix e Cachoeira. Certa feita ele resolveu ir até Salvador e seu "carro de pau" além de ser alvo da curiosidade popular,rendeu uma reportagem do jornal A Tarde.
O discípulo de seu Tosta,um mecânico chamado Roque,(vide foto ao lado),disse-me que o seu mestre havia falecido antes de ter concluído uma máquina que,acionada por apenas um único  impulso humano,sem uso de qualquer combustível,bateria ou corda,funcionaria sem parar! Seria uma máquina de moto contínuo.
Não sabemos,hoje,se ainda existe a oficina,relógios,armas ou mesmo o "carro de pau" de seu Otávio Tosta,que fazia o encantamento dos meninos da minha época.

Começa hoje o brasileirão !

DEPOIS de um campeonato carioca muito do sem graça, (com a devida desculpa ao Botofago merecidamente campeão),começa neste sábado uma competição envolvendo os melhores times do Brasil. O melhor de todos é o seu,com certeza amigo leitor!
Vamos ficar na torcida para que os dois representantes da minha querida Bahia façam por merecer as apaixonadas torcidas e galguem as primeiras colocações ao invés de brigarem para não cair como em anos anteriores.


terça-feira, 21 de maio de 2013

" Entre Aspas"
O que disseram os leitores deste   blogger através do e-mail britopatriarca@gmail.com

DATAS CACHOEIRANAS & OS TINCOÃS
Inácio Tadeu Gonçalves Silva escreveu: "Falar da festa de Nossa Senhora do Rosário, faz lembra a festa em Q que Benedito Luz foi o juiz.  Naquela ocasião  Os Tincoãs foram contratados para tocar e houve um problema."
 Mundão Souza dos Santos: "A primeira formação do grupo foi Erivaldo Brito Heraldo e Dadinho, lá em Cachoeira a cidade natal deles em 1960. Com a saída de Erivaldo em 1963, entrou Mateus Aleluia. Participaram também do Grupo, Moraes que ficou pouco tempo e substitui Heraldo, que morreu em 1975. Também participou Badu, que substituiu Moraes. Com a saída de Badu em 1984, ficaram Mateus e Dadinho, este ultimo morreu em 2000. De todos que participaram inclusive Badu e Moraes só Erivaldo e Mateus Aleluia estão vivos. Sr. Mateus, (seu Mateus), como todos o chamam, continua cantando e lindamente e também compondo. Maindê Dandá sucesso gravado por Daniela é de sua autoria. Erivaldo é meu primo carnal, filho da minha tia Ester, irmã de minha mãe. Tenho está alegria, ele é uma pessoa espetacular. Mateus e Erivaldo são meus contatos no face. Veja que coloquei ai realçados para se quiser conhece-los. Alem das músicas o que mais impressionou nos Tincoãs foi a qualidade vocal que sempre tiveram. Os Tincoãs foram únicos e são considerados um dos melhores grupos vocais do mundo. Eu sempre acompanhei desde a infância e adoro o grupo, não apenas pelo parentesco, eles são muito bons."
PRETENDO,EM BREVE,CONTAR AQUI O INICIO DA FORMAÇÃO DO TRIO,QUE COINCIDIU COM A IMPLANTAÇÃO DA TELEVISÃO NA BAHIA.
DR.MARQUES E DR.AURELINO
Luiz Lima "Lembro e muito de Dr. Artur. Bom homem
Moise Moraes: "deixou saudades. Lembro muito pois cuidou de minha avó"
 Moacir Porto : "Quem da minha época não se lembra de Dr. Artur..... Era um médico de verdade, atendia seus pacientes pelo gosto à profissão. Hoje, com raras exceções, só vemos mercenários."
 Carlos L F F Silva : "Médicos admiráveis hoje, excessão raríssima"
 Lêda Margarida Santos Leite:"Li e deu saudades dos dois Dr.Artur cuidou de mim na primeira gravidez e Dr. Aurelino nas outras cinco"
 Hélio Guedes escreveu: "saudades!"
"CAUSOS" VERÍDICOS
 Sthenia Saba : "Cachico lembro vagamente" 
O VAPOR DE CACHOEIRA
Renato Queiroz (Filho) : "Valeu Tio, essa merece mesmo compartilhar é "nossa infância" de muita gente ... mesmo pra quem o Vapor já só navegava nas histórias, lendas e poesias,"
 Mundão Souza dos Santos escreveu:  Por mais incrível que pareça é a primeira vez que vejo este navio que fez parte da minha vida em fatos e história narradas por meus familiares, Pai, Mãe, Tias e Primos. O Vapor de Cachoeira. Cantei muito a musiquinha. Obrigado Este foi um grande presente. Passou um filme na minha cabeça."

segunda-feira, 20 de maio de 2013

DATAS CACHOEIRANAS

 Segunda quinzena do mês de maio

Dia 16 1931 Tendo como Editor o jornalista E.Fonseca,circulava na cidade o primeiro número de um jornal esportivo denominado Semana Esportiva.
Dia 17 1950 - O então prefeito Anarolino Pereira sancionava algumas leis, dando denominação a diversas ruas da cidade que passaram por obras de melhoramentos a saber:
Lei nº 62/50 - Antigo Riacho Pagão para Pacheco de Miranda Filho
            63/50 - Alto da Boa Vista para Rua Padre Heráclito Mendes da Costa
            64/50 - Avenida São Diogo para Avenida Maria Quitéria.
Dia 18 1908 - Encerrava-se nesta data o Grande Tribunal Juri que havia sido implantado no dia onze. Foram julgados os seguintes acusados:
. Virgínio Pereira Barbosa,vulgo Virgínio de Miguel,condenado a 14 anos com trabalhos forçados (Que beleza! Bons Tempos!)
FOTO DO ACERVO DE ERIVALDO BRITO
.   O reu Francisco Rosa da Assunção,o famigerado Chico Buzego,através do seu advogado,solicitou o adiamento do julgamento e obteve êxito.
Na foto ao lado o salão onde funcionava o Juri em uma das salas da atual Câmara de Vereadores.
Dia 19 1960 - Na reunião semanal do Rotary,o advogado Nelson Silva apresentava uma proposta que foi aprovada unanimemente dirigida ao Secretário de Interior e Justiça Dr.Josaphat Marinho,pedindo-lhe a conclusão das obras da casa natal do grande jurisconsulto Augusto Teixeira de Freitas.
Observem na foto ao lado que, no sobrado em questão  existiam duas janelas na parede ao lado
Dia 20 1939 - O Sindicato dos Empregados dos Correios da ;cachoeira era reconhecido pelo Ministério do Trabalho. O referido sindicato era presidido pelo funcionário Alberto Reis Gonçalves da Silva.
Dia 21 1950 - A Curia Metropolitana levando em consideração o estado de saúde do Cônego Augusto Cavalcante,nomeava como titular da paróquia o padre Valdo Azevedo.
Dia 22 1935 - A  sociedade filarmônica Minerva Cachoeirana tomava a iniciativa de fundar a Caixa Auxiliadora da Minerva tendo como presidente o senhor Bertolino Lima,como Secretários Norvalino Amorim e Bernardino Cordeiro.
Apenas  para esclarecer aos mais curiosos,informamos que,a manutenção da referida Caixa,a sociedade deveria concorrer com dez cruzeiros de cada contrato da banda,e,cada associado com quinhentos cruzeiros.
Dia 23 1937 - Os antigos clubes de futebol Esperança e o Palestra,disputaram na Campo dos Gráficos,na avenida São Diogo,perante numerosa assistência,a partida decisiva para a conquista do título daquele ano,registrando-se um empate de 1x 1,destacando-se o goleiro do Palestra chamado  Carlito segundo jornais da época,"fez defesas milagrosas".
Eu conheci Carlito já coroa .Ele trabalhava como caixeiro na antiga Padaria de Deoredo (do Povo).
Dia 24 1933-  Numa campanha do jornal A Tarde, o senhor Azarias Heráclito Neri fazia entrega à Pinacoteca do Estado da Bahia da preciosa coroa de louros folheada de ouro dezoito quilates,peça que foi oferecida à própria Ana Neri  pela sociedade carioca. Por onde andará? Realmente gostaria de saber.






Dia 25 1928 - Realizava-se com grande pompa a festa de Nossa Senhora dos Navegantes. O saudoso vapor Paraguaçu(foto acima),saiu as 15h.da ponte da Navegação Baiana rebocando a embarcação que conduzia a artística charola conduzindo a imagem daquela que foi,no passado,a patrona dos marítimos cachoeiranos e sanfelixtas. 
A procissão marítima era composta de lanchas,saveiros,canoas e dezenas de embarcações. 
Dia 26 1937 - Para visitar amigos,conterrâneos e correligionários,chegava à sua terra natal,Cachoeira,o deputado federal Arlindo Leone.
Dia 27 1942 -  A filarmônica Lira Ceciliana realizava uma sessão solene a fim de entronizar em  salão nobre o retrato do seu ex-presidente e grande benfeitor,João Vieira Lopes (foto)
Dia 28 1961 - Jogando no estádio Arlindo Rodrigues na vizinha cidade,o Cruzeiro Cachoeirano vencia o Floresta sanfelixta por um a zero,gol de Didi Zoião cobrando uma falta.
Dia 29 1930 - Na Loja Maçônica Caridade e Segredo,um grupo de maçons cachoeiranos fundava o Tatwa Paz e Luz,com o propósito de "ampliar os conhecimentos espiritualistas".
Foi composta a seguinte diretoria:
Sisgimundo de Cerqueira Bastos (presidente),Augusto de Azevedo Luz (vice presidente),Dr.Montival Cardoso (secretário),Apolinário Galiza Filho(tesoureiro) e Leopoldo Costa (instrutor).
Dia 30 1880 - Na residência do coronel Ruy Dias d'Affonseca (atual Casa dos Velhos), reuniram-se os membros do Partido Conservador a fim de escolherem os candidatos às eleições municipais. Foram escolhidos os seguintes candidatos: Dr. Joaquim Inácio Tosta,Dr.José Almachio Ri beiro Guimarães,Comendador Antônio de Brito Leal,Tenente José Maria Baraúna,Tenente João Mendes de Queiroz Junior e Amâncio Pedreira Gomes. 
Dia 31 1930 - O Asilo Filhas de Ana (atual Sacramentinas),fazia colocar na galeria dos seus benfeitores a fotografia do coronel João Severino da Luz Neto ex-prefeito de São Felix e Coletor Federal na cidade da Cachoeira.
 
                                                                                                                          
                                                                                                         




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sábado, 18 de maio de 2013

         Argumento convincente

AO ABORDAR em Datas Cachoeiranas uma das vindas do Circo Nerino,acabei me lembrando de um acontecimento digno de figurar nos "causos" que vimos contando,na realidade,cronicas de uma época que vivenciamos. O meu filho caçula e xará,Brito Filho,Tinhó,certeza feita,quando ainda morávamos na Vila Residencial em Muritiba,ao ouvir-me contando um "causo" hilariante me veio com essa:
- Pai...eu tenho saudade desse tempo que eu não vivi!
O Circo Nerino estava armado na área do campinho da avenida Ubaldino de Assis.Além das peças teatrais levadas à cena,o "coringa" da trupe era Roger Avanzi,filho do seu Nerino,dono do circo .Roger era músico,tocava trompete. Era ciclista de rara habilidade. As "partidas de futebol"disputadas na arena do próprio circo com dois ciclistas uniformizados de Cruzeiro (Cachoeira) e 2 de Julho (S.Félix) levavam a platéia à loucura.
Roger também substituiu o seu pai na figura do palhaço Picolino.Este,por sua vez,cunhou um bordão que toda a cidade repetia:
- Caaachorro! 
Isso acontecia quando ele ficava surpreso com alguma coisa que o seu partner dizia. E,quando o mesmo partner falava que tinha "uma coisa para lhe dizer"Picolino enlouquecia:
- Diga logo! Diga logo! Diga looooogo !
Como é sabido,em todos os espetáculos circenses acontece um momento que a patuleia batizou de "encher linguiça",ou seja,um instante em que se apresenta um artista de menor expressão. O do Circo Nerino era protagonizado pelos cantores Levi Branco e Bob Lúcio. Nomes artísticos,claro.
Levi Branco,com uma voz anasalada cantava o bolero Marta:
- "Maaarta,en suas claras pupilas / Freme nueva aurora de amor!"
E o Bob Lúcio cantava um dos primeiros sucessos do nosso Gilberto Gil:
-"Entra em beco,sai em beco / Há um recurso,Madalena..."
Eu e Dadinho,velho amigo e companheiro do trio vocal "Os Tincoãs" havíamos optado por assistir ao filme "Serenata em Acapulco" da Pelmex, onde acontecia uma participação do trio "Los Trés Diamantes" cantando "Vereda Tropical".  Beleza!
Dadinho era fã do crooner do trio cujo nome não se sabia. Ele então o apelidou de "Baltazar" por achá-lo parecido com o centravante do Corinthians,na época.
Vimos caminhando nas proximidades da casa de Valdir de Gegeu junto ao bar "O Sucesso",de Dadinho,quando ouvimos alguém chamando.Adivinhem quem? Tchan,tchan,tchan,tchan... Acertou que pensou nos dois cantores do Circo Nerino. Ficamos no aguardo.Eles se aproximaram. Levi Branco e falou:
-  Boa noite! A gente tá querendo fazer uma serenata,hoje,aproveitando esta lua linda.Viemos conversar com você,Dadinho para nos acompanhar ao violão.
Dadinho foi rápido no gatilho:
- Bateu na porta errada,magnata ! (Dadinho gostava de chamar as pessoas assim). Vocês já procuraram Didi da Baiana ou Porto,Antônio Porto?
Levi respondeu:
- Didi estava trabalhando na bilheteria da Navegação Baiana. "Seu" Porto não aceitou,então a gente veio procurar você.
Resolvi dar o fora. Dadinho,então,passou a bola para mim:
- MAGNATA ! (Chamou-me em voz alta porque já havia dobrado a esquina). Você que está subindo a Rua da Feira,leve os dois amigos até a casa de Cachico!
 E lá fomos nós subindo a rua Ana Neri enquanto os dois iam confabulando o roteiro que eles pretendiam seguir e as moças que pretendiam conquistar. Como vocês sabem que eu sou um cara discreto não revelarei os nomes. Eles faziam planos e eu com os meus botões pensava: "Ah,Dadinho filho da puta!"
Eu tinha a noção onde Cachico morava.Subimos a ladeira do Monte.Encontramo-nos com Claudinho e ele informou:
- É no "correio" onde Adálio (pai de santo) morou !
E mostrou-se curioso diante dos artistas:
- Pensei que o prego* que deu não ia ter circo.
Um dos rapazes respondeu que não teria problema para a companhia.
Seguindo a orientação do Claudinho descemos a ladeira por trás da igreja. Chegamos,finalmente. Bati à porta. Um infeliz de um cachorro da vizinhança quebrou o silêncio com seu latido reverberante e ensurdecedor

Por fim,uma voz feminina de dentro da casa perguntou:
- Quem é ?
Respondi:
- Sou eu,Erivaldo Brito,filho de Ester. Eu queria falar com Cachico.
Demorou um pouco e a porta da casa se abriu. Era o próprio Cachico,envolto numa grossa capa colonial que veio nos atender:
- Diga aê,rapaziada! 
Fui direto ao assunto:
Cachico;você naturalmente conhece estes dois artistas do Circo Nerino,não é mesmo? Eu estava com Dadinho quando eles me abordaram dizendo que pretendiam fazer uma serenata,hoje,aproveitando esta beleza de lua! Disseram que queriam contratar o melhor violonista, o bamba* da cidade e eu falei:Cachico! Trouxe,então eles aqui. 
A cantada,modéstia à parte,foi bem dada mas,Cachico manteve-se firme:
- Olha,filho de Jessé,você é pedra noventa* mas,eu tive hoje um dia de cão,tossindo pra caramba,com febre...Peguei até o Guru-Guru* e fui até me consultar no hospital da Santa Casa.
E o Bob Lúcio tentou argumentar:
- Olha seu Catito !
Foi interrompido pela mulher do próprio,que se encontrava presente aguardando naturalmente o desfecho:
- Cachico !
- O senhor não vai cantar, - disse Levi Branco - ,vai apenas nos acompanhar em dois ou trés lugares aqui mesmo em Cachoeira. 
Cachico resistia:
- Eu sou pau casca* ! Igual ao tio dele,Beline, (apontando pra mim),eu adoro um pagode* mas hoje não vai dar!
E a sua mulher reforçava o argumento:
- Vê se você toma tenência* na vida,rapaz,vai sair com esta friagem?
Já estávamos indo embora quando Bob Lúcio  jogou a última cartada:
- Seu Catito,a gente não ia deixar de dar um agrado ao senhor,pagar um cachê...
Meteu a mão no bolso e apanhou uma cédula de cem cruzeiros,daquelas vermelhas com a esfinge de Pedro II. Meninos e meninas: por pouco os olhos de Cachico não saíram de orbita.E ele falou:
- Como não é coisa que demore,vou "panhar" a viola e "vambora"!
Foi,sem dúvida um argumento convincente E precisa mais?
 DECODIFICANDO O "BAIANÊS"
Este apêndice dos "causos" tem por objetivo relembrar e/ou esclarecer o leitor sobre o modo de falar.Tem sido do agrado de todo mundo.Como disse o poeta"o tempo não para".Hoje,por exemplo,as mulheres tipo Gisele Bündchen,lindas mas,seriam consideradas no meu tempo como magricelas,Caga-Sebo,um passarinho que também sumiu. Vamos decodificar as expressões usadas no presente "causo":
PREGO - Blecaute,falta de energia.

BAMBA - Palavra de origem africana. Significa exímio,muito bom.

PEDRA NOVENTA - As famílias gostavam de brincar uma espécie de Bingo. As pedras eram retiradas do bogle e cantadas de forma peculiar: "Pau e bola! (10)","Dois patinhos na lagoa! (22)","A idade de Cristo! (33). E opessoal ía marcando as cartelas com caroços de milho. A pedra de maior valor era a noventa.

GURU-GURU -  Ônibus que circulava na cidade,sobretudo nos dias de feira livre.

PAU CASCA - Positivo,sincero.

PAGODE - Brincadeira

TOMAR TENÊNCIA - Ficar alerta,tomar cuidado.








 


sexta-feira, 17 de maio de 2013


DOIS médicos cachoeiranos que serviram à Santa Casa possuíam  consultórios particulares,foram contemporâneos,políticos,correligionários e amigos. Dr Aurelino possuía invejável conhecimento retórico e o Dr.Artur Marques (foto abaixo) a arte da escrita,sendo Redator de "O Social". Também colaborou assiduamente em "O 
Correio de S.Félix" e nas duas fases do jornal "A Ordem"
É da sua lavra o artigo que segue publicado em o jornal  "A Ordem" de maio de 1988:
                      Aurelino Seraphim dos Anjos
DR.ARTUR NUNES MARQUES
Moreno,baixo,atarracado,cabelos luzidios à custo de óleo e leve irregularidade no lábio inferior,decorrente de provável distúrbio circulatório na infância,formavam a personalidade de Aurelino Seraphim dos Anjos,de um grande médio e cirurgião dotado do poder da palavra.
Nascido nesta cidade (Cachoeira), foi sempre olhado pelo desprezo às coisas materiais. Vivia a vida a seu modo,pouco ligando ao ambiente que o rodeava e a qualquer julgamento dos seus contemporâneos. Vivia a sua vida comendo e bebendo,fazendo caridade dentro da sua profissão. 
Não era ambicioso,importava em sua vida de homem de ciência o acerto no diagnóstico clínico ou cirúrgico. Os seus diagnósticos,sempre respeitados e confirmados.
Na medicina,era enciclopédico. A exercia com absoluta eficiência. Na cirurgia agia como um artista. Na clínica médica,como um iluminado.
Como político era intransigente.Chegando à presidente da Câmara de Vereadores a exerceu com absoluta dignidade. Não deixava um projeto "dormir". Durante a sua presidência fui seu auxiliar como Secretário,sendo posteriormente conduzido também à presidência daquela Casa Legislativa.
DR.AURELINO SERAPHIM
Aurelino fez do mandato de presidente da Câmara um segundo sacerdócio. Honrou o cargo.
Durante quatro anos a fio,no "Hospital São João de Deus da Santa Casa de Misericórdia da Cachoeira",,da qual fui subdiretor,auxiliei as intervenções cirúrgicas do Aurelino,e tive dezenas de vezes a oportunidade de ser testemunha da sua  capacidade de exímio cirurgião.
Na sociedade,era  um displicente,pouco ligava às convenções sociais. Vivia ao seu belo prazer,desfrutava a vida a seu modo. A sua displicência social no desempenho da presidência da Câmara de Vereadores,transformou-se numa exigência digna de elogio.
O seu sobrenome dos Anjos atraia Anjos sem asas que não o impediam de salvar vidas,abrandar dores de conterrâneos e amigos do seu tempo,indiferente ao ouro que fascina espíritos fracos,veio a falecer no dia 6 de março de 1973,sendo sepultado no dia seguinte com numeroso acompanhamento e muitas lágrimas na necrópole da Piedade nesta Cachoeira,sua terra natal. 

OPINIÃO
O leite condenado e a maioridade penal

Todo mundo deve ter lido,se não leu viu no  Jornal Nacional a denúncia de que proprietários de transportadoras gaúchas estavam colocando formol e ureia para "batizar" o leite e auferirem maiores lucros. Fiquei na dúvida: serão apenas as transportadoras gaúchas ou uma fiscalização mais minuciosa vai acabar desmascarando outras país afora?
 Como nada mais me surpreende nessa país e do jeito que as coisas vão,a qualquer hora vão botar a culpa nas vacas.
Numa escalada aterradora a enxurrada de crimes praticados por menores de idade. Crimes hediondos como queimar viva a pobre da dentista,estupro dentro de um ônibus,assaltos,assassinatos etc e o  chamado "dimenor"protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente,ainda zombam da Justiça.
Recentemente a "presidenta" Dilma e o seu ministro da justiça declararam que são contrários a redução da maioridade penal. Eu também estarei,desde quando os "çabios" de plantão apresentem uma solução exequível para tirar do convívio da sociedades esses delinquentes.





 







 O profº Renato Queiroz (filho) rememora uma canção antiga sobre o Vapor de Cachoeira

"O vapor de Cachoeira Não navega mais no mar Arriba o pano, toca o buso Nós queremos navegar O vapor de Cachoeira Não navega mais no mar Puxa vela, bota vela Nós queremos vadiar O vapor de Cachoeira Não navega mais no mar Tira a prancha, toca o buso Nós queremos namorar Na barca de Cachoeira Ninguém pode navegar [1] Em seguida, as composições-registro, se assim nos permitirem denominar: Adeus, Feira de Santana Adeus, Santana da Feira Lá se vai Lucas embora No vapor de Cachoeira Toca o bonde pra lá Toca o bonde pra cá No vapor de Cachoeira Eu quero me embarcar O vapor de Cachoeira Encalhou, não pode andar Vou comprar uma marinete Pra meu bem acarinhar Finalmente, as trovas românticas ou chistosas: Dou-lhe uma, dou-lhe duas Dou-lhe três, pela terceira Lá vai meu amor embora No vapor de Cachoeira Lá vai uma, lá vão duas Lá vão três, pela primeira Lá vai meu amor embora No vapor de Cachoeira Ouvi tropel de cavalo Ouvi bater porteira Eu vi meu amor ir embora No vapor de Cachoeira Alfinetes são ciúmes Agulha, variedade No vapor de Cachoeira Embarcou minha saudade O vapor de Cachoeira Apitou ao escurecer O amor que vai e volta Nunca dá para esquecer O vapor de Cachoeira Navega na preamar O sonho de toda moça É pensar que vai casar O vapor de Cachoeira Já passou sem apitar Mulher que se fia em homem Morre seca de chora"
                                                              BEIRA DO CARVÃO

PROFESSORA AIDIL ARAUJO LIMA


Era no quintal, á beira do fogão a carvão que ela arrancava o seu sustento. Cedinho, acendia o ardor, abanava até virar chama. Botava água do café no fogo, descia para o riacho, tirava a roupa, assim como se despia para fazer amor, ansiosa pelo prazer da água fria em seu corpo quente de acender o carvão. Vestia-se contentada, subia a ladeira com uma música alegre no pensamento. As mulheres iam chegando, esquentava a chapinha na brasa, quando atingia o ponto certo, pegava os montinhos de cabelos crespos e os esticava, transformando em liso. A mulher esticada olhava-se no espelho e sorria satisfeita, pagava e ia embora de cabelos acalmados. Quando o marido chegava ela parava tudo e, ia servi-lo. Era louca por ele, já brigou na rua e tudo, com ciúme de mulher. Ele nem afrouxou a briga, pior que isso a surrou em casa novamente. Ela amanheceu com o olho parecendo pintado de roxo. Envergonhada mentiu as clientes que escorregara no banheiro. Olharam-se em silêncio, num sinal de saberem o acontecido. Ninguém entendia porque ainda gostava desse homem. Parecia que era coisa feita. – De outra mulher não era. Conjecturavam. Só podia ser praga da mãe dele. Mulher ciumenta; queria o filho só dela. Certo dia ele bateu na rua, sem mentiras que escondesse a verdade, amanheceu sem graça quando as mulheres foram profundo na casa, umas iam espichar o cabelo, outras passar o tempo em conversa descabida da vida de ninguém. Uma amiga verdadeira lhe aconselhou largar esse traste. Ela não queria conversa, gostava dele sem explicação de finalidade. Então a amiga a levou num terreiro sagrado, o orixá da justiça iria lhe proteger das chimbas de seu macho. Foram à tardinha, o sol já enfraquecia quando chegaram. 




Lugar cercado por árvores consagradas, forte energia, sentiu paz inesperada, desejo de beijar a terra que gera coisas benditas. Transportou-se entre cachoeiras, árvores bem antigas, nem teve medo quando avistou Xangô, orixá da justiça. Tentou uma confidência, ele interrompeu e disse: seu marido te espanca e você o ama cada dia mais, vá lá entender mulher que gosta de maltrato. Ele disse: não se avexe não minha filha, que darei um jeito, ele ficará manso que nunca mais te levanta nem um dedo. Voltou ao corpo, aliviada. Nesse mesmo dia ele chegou esbravejando, correu para cima dela, um trovão veio lá do céu, era o machado de Xangô fazendo justiça. O seu braço doeu, e percebeu partido. O olhar espantou de medo e de dor. A mulher lhe acudiu, cuidou dele, lhe deu seu amor submisso e tolerante. Ele ficou curado, nunca mais levantou a mão para maltratar. Suas mãos só se movimentavam em seu corpo a fazendo delirar, não de febre de doença, mas de amor satisfeito.
PEDIDO DE DESCULPAS
A implantação do IAENE na cidade da Cachoeira
 

Em dias passados escrevi aqui uma memória sobre a implantação do IAENE no Capoeiruçu,distrito da Cachoeira(BA),na qualidade de partícipe e testemunha ocular. Pois bem;no dia nove do corrente,recebi através do meu Correio Eletrônico um bem fundamentado protesto assinado pela senhora Carina de Vasconcelos Meirelles,subscrito pelas senhoras Telma Pinto de Vasconcelos,Márcia Pinto de Vasconcelos,Maria Vitória Pinto de Vasconcelos Abreu,Cleomenes Pinto de Vasconcelos e Ana Pinto de Vasconcelos Andrade sobre o que eu escrevi sobre a senhora  Cleodith,dona da propriedade rural adquirida pela Missão Adventista. No dia seguinte enviei o meu pedido de desculpas.
Pois é,amigos; mesmo com a experiência acumulada no perpassar de tantos anos nas lides jornalísticas,cometi uma injusta ilação acompanhada de uma condenável digressão,de um desvio do assunto em tela em nada enriquecendo o meu relato. Muito pelo contrário;acabei ofendendo a dona Cleodith que me recebeu em sua residência de forma tão cordial.
Passados 35 anos em que aconteceu a compra e venda da propriedade,exatamente em a tarde do dia 23 de fevereiro de 1978,ocasião em que coordenamos uma reunião na Câmara de Vereadores,resta-nos poucas lembranças das pessoas presentes. Foi elaborada uma Ata Extraordinária no livro próprio da Câmara.
Posso,ainda,testemunhar o seguinte:
1) Era voz corrente que a importância (três mil cruzeiros) foi uma doação da Golden Cross direta ao IAENE,não havendo,portanto,nenhuma intermediação do Poder Público;
2) A dona Carina de Vasconcelos Meirelles fez-nos uma declaração surpreendente: "temos certeza que (a quantia)não chegou a nossa mãe"
Tão logo a dona Cleodith deu-nos a sua palavra de que estava disposta a fazer negócio com a sua propriedade,naquele único encontro que tivemos,as negociações foram acordadas entre os advogados das partes. O da dona Cleodith era o advogado a quem ela estabeleceu uma procuração.
3)Finalmente,ao ratificar o meu pedido de desculpas,num preito de Justiça,quero registrar o seguinte: no dia da reunião a que nos aludimos na Câmara de Vereadores da Cachoeira,falou-se que, um outro interessado havia procurado a dona Cleodith com uma proposta mais vantajosa para ela.  Ela,no entanto,numa prova inequívoca de retidão de carater manteve a palavra empenhada.
A dona Cleodith Pinto de Carvalho Vasconcelos,portanto,devem-se-lhe os cachoeiranos a implantação do IAENE no local onde foi instalado.