sexta-feira, 17 de maio de 2013


DOIS médicos cachoeiranos que serviram à Santa Casa possuíam  consultórios particulares,foram contemporâneos,políticos,correligionários e amigos. Dr Aurelino possuía invejável conhecimento retórico e o Dr.Artur Marques (foto abaixo) a arte da escrita,sendo Redator de "O Social". Também colaborou assiduamente em "O 
Correio de S.Félix" e nas duas fases do jornal "A Ordem"
É da sua lavra o artigo que segue publicado em o jornal  "A Ordem" de maio de 1988:
                      Aurelino Seraphim dos Anjos
DR.ARTUR NUNES MARQUES
Moreno,baixo,atarracado,cabelos luzidios à custo de óleo e leve irregularidade no lábio inferior,decorrente de provável distúrbio circulatório na infância,formavam a personalidade de Aurelino Seraphim dos Anjos,de um grande médio e cirurgião dotado do poder da palavra.
Nascido nesta cidade (Cachoeira), foi sempre olhado pelo desprezo às coisas materiais. Vivia a vida a seu modo,pouco ligando ao ambiente que o rodeava e a qualquer julgamento dos seus contemporâneos. Vivia a sua vida comendo e bebendo,fazendo caridade dentro da sua profissão. 
Não era ambicioso,importava em sua vida de homem de ciência o acerto no diagnóstico clínico ou cirúrgico. Os seus diagnósticos,sempre respeitados e confirmados.
Na medicina,era enciclopédico. A exercia com absoluta eficiência. Na cirurgia agia como um artista. Na clínica médica,como um iluminado.
Como político era intransigente.Chegando à presidente da Câmara de Vereadores a exerceu com absoluta dignidade. Não deixava um projeto "dormir". Durante a sua presidência fui seu auxiliar como Secretário,sendo posteriormente conduzido também à presidência daquela Casa Legislativa.
DR.AURELINO SERAPHIM
Aurelino fez do mandato de presidente da Câmara um segundo sacerdócio. Honrou o cargo.
Durante quatro anos a fio,no "Hospital São João de Deus da Santa Casa de Misericórdia da Cachoeira",,da qual fui subdiretor,auxiliei as intervenções cirúrgicas do Aurelino,e tive dezenas de vezes a oportunidade de ser testemunha da sua  capacidade de exímio cirurgião.
Na sociedade,era  um displicente,pouco ligava às convenções sociais. Vivia ao seu belo prazer,desfrutava a vida a seu modo. A sua displicência social no desempenho da presidência da Câmara de Vereadores,transformou-se numa exigência digna de elogio.
O seu sobrenome dos Anjos atraia Anjos sem asas que não o impediam de salvar vidas,abrandar dores de conterrâneos e amigos do seu tempo,indiferente ao ouro que fascina espíritos fracos,veio a falecer no dia 6 de março de 1973,sendo sepultado no dia seguinte com numeroso acompanhamento e muitas lágrimas na necrópole da Piedade nesta Cachoeira,sua terra natal. 

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