quarta-feira, 1 de maio de 2013

 MEMóRIA
   
Bem vindo més de Maio!


O MÊS de maio é tão bacana que já começa com um feriado; o dia do trabalhador. Os dias já não são tão quentes, e as noites mais agradáveis.Não chegam a serem frias.
Quando morava na minha terra natal,Cachoeira,na Bahia,adorava sentar-me na ponte D.Pedro II que liga as cidades irmãs de S.Félix e Cachoeira,chupando roletes (rodelas de cana-de-açúcar) e cumprimentando os conhecidos que passavam.
No bem-vindo mês de maio tinha a retreta e a passeata da Lira.Morando no sobrado contíguo à sede da filarmônica eu dormia ouvindo o ensaio de dobrados e marchas sob a regência do maestro Irineu Sacramento que eu assobiava de cor.
Nos meus tempos de rapaz,fazendo a locução no alto-falante "Vozes da Primavera",lia um texto que não sei quem produziu: "Maio,mês das flores,mês das noivas,mês de Maria!  Néia Magazine está apresentando grandes novidades..."
Era (e deve continuar sendo,ainda),o mês de Maria. Durante muitos anos emprestei a minha voz ao Coral da Matriz durante os trinta e um dias,mas,no dia 13,cedíamos o hino inicial para as irmãs cantarem "a 13 de maio,na Cova da Iria,apareceu brilhando a Virgem Maria!"Era também impressindível,na maioria das noites,entre os Tantum Ergo e Ladainhas a Jaculatória à Virgem do Rosário,de autoria do maestro Chico Fróis (música) e do jornalista Sapucaia Sobrinho (letra) Aliás,quando fui orador do 25 de Junho,ouvi,espantado,que alguém entrou de parceria e acrescentou novos versos. Deixou de ser,portanto, jaculatória,uma oração curta e fervorosa.
Maio está ai minha gente,e,com ele gratas recordações de quando eu tomei por encargo cuidar da noite maior,o da coroação da Virgem Maria.
FOTO DE AUTORIA DE ERIVALDO BRITO
Contando com o concurso do meu compadre Valdir de Gegeu,certa feita,tive a idéia de utilizar o anjo que aparece nos braços da imagem,para levar a coroa até o altar. Coloquei duas argolas na parte de trás do anjo, e,com um fio de náilon vindo do coro em declive até o altar onde uma criança caraterizada de anjo  apanhava a coroa.
Começamos a trabalhar bem cedo. Nada poderia dar errado,como de fato não deu.Valdir puxou conversa:
- Sabe,compadre? A gente dá um duro desgraçado e na na na  hora do agradecimento, o pa-pa-pa padre Fernando bo-bo-ta o nome,como é que se diz,de Zé Rosa... I-i-i isso é que me aporrinha!
Estávamos no altar-mor. Ele de frente pra mim e de costas para a nave.Resolvi scanear com ele:
- E,compadre,ainda vai ter muita gente que vai criticar !
Meninos,pra quê? Como era de seu costume Valdir começou a gaguejar mais ainda e a desfilar os seus conhecimentos pornofônicos:
 - Man-man-man-mando todas as be-be-be beatas pra-pra-pra PQP !
Naquele exato momento chegava uma conhecida senhora que se ajoelhou pra rezar. Comecei a fazer gestos desesperados para o advertir mas ele,nada:
- Eu não tenho capas encoradas comigo,di-di-di  digo logo o que te-te-te-tenho de di-di-di dizer!
Quando ele finalmente entendeu o meu desespero em querer advrtí-lo,na maior cara de pau virou e cumprimentou a senhora que rezava:
- Bom-bom-bom dia dona fulana! Co-co-co-mo é que está meu a-a-a-amigo beltrano? 
Mês de maio,quantas saudades!


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