segunda-feira, 27 de maio de 2013

MEMÓRIA











  


A visita do dirigível alemão Graf Zeppelin ao Nordeste brasileiro,incluía um sobrevoo nas cidades da Cachoeira e S. Félix,sobretudo porque nas duas cidades baianas  residiam vários empresários de origem alemã  e as duas cidades eram conhecidas na Europa pela exportação de charutos.
O jornal cachoeirano A Ordem, que era "O jornal de maior circulação no interior do estado"(vide foto montagem acima),publicava a seguinte matéria:
" Ontem, (sexta-feira,dia 12 de maio de 1933),por volta das 7 horas ,a cidade presenciou um espetáculo inédito na sua vida aérea.
A grande aeronave alemã,Graf Zeppelin visitou esta cidade  ou antes,esta zona,proporcionando aos nossos habitantes momentos de contemplação.
Olhando-se aquele colosso prateado,a imaginação logo e logo se concentra no formidável gênio alemão que dia a dia deslumbra o Universo com suas maravilhosas 
conquistas.
O Graf Zeppelin vagarosamente contornou esta cidade,rumando ponto em seguida para o seu terminal de viagem Friedrichshafen,na Alemanha" 
O memorialista Chiquinho Melo,(foto ao lado),em seu livro "Crônicas Memoriais" relembra o fato equivocando-se todavia quanto à data,o que não invalida o seu relato sobretudo porque ele foi testemunha ocular. 
"A cidade inteira ficou alvoroçada diante daquele gigante a sobrevoar seu espaço aéreo.
Homens,mulheres,crianças e até doentes,saíram de suas casas,de seu ambiente de trabalho,para ver o dirigível alemão.Seu  tamanho permitia que fosse visto em todas as ruas da cidade,de ponta a ponta.
Esse extraordinário dirigível,ao sobrevoar nossa cidade,fez escurecer as ruas paralelas Ana Nery e 13 de Maio,em razão das suas extraordinárias dimensões,que eram 235 metros de comprimento e 30 metros de diâmetro. Seu comprimento fez com que a rua Ana Nery,em toda a extensão ficasse escura.
Olhávamos fascinados aquele bojudo gigante de 58 toneladas,obra magistral da engenharia alemã.
Sua manutenção no espaço era feita com um combustível de elevado custo. Era o gás Hélio.
Durante toda a semana,em todos os lugares,só se ouvia os comentários e a pergunta: Você viu o Zeppelin?
Na cidade do Recife,ponto terminal de sua viagem,empresários,especialmente usineiros e governo estadual,construíram o hangar para pouso.
Segundo informações,sua altura depois de pousado, era equivalente a um prédio de 15 andares.
As gerações que o viram,tornaram-se privilegiadas porque o Graf Zeppelin,ao explodir na Alemanha, em 1945,eliminava a possibilidade da construção de uma réplica do dirigível,em razão de tornar-se um investimento inexequível,pois,o seu custo seria de dezenas de bilhões de dólares,sem retorno."
 

 

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