sábado, 4 de maio de 2013

O ESPORTE CACHOEIRANO
                       O Futebol
ERIVALDO BRITO
Em escritos anteriores aqui neste blogger,já nos detivemos em relatar as diversas modalidades esportivas praticadas na Cidade Heróica,notadamente nas competições náuticas,com a fundação da Desportiva do Paraguaçu rivalizando com a Atlética de São Félix. Vamos nos ocupar do futebol,o que vai demandar em várias postagens,por óbvios motivos.
Em a tarde de novembro do já distante ano de 1987,conforma havíamos combinado,fomos ao encontro do saudoso esportista Evangivaldo Borges e Silva,Vanjú,a fim de fazermos  uma entrevista exclusiva para o jornal"A Ordem" do qual éramos Editor e Redator Chefe.  
O local,era um barzinho aconchegante situado bem em frente à igreja matriz de N.S.do Rosário,de um dos seus filhos. Sentamos-nos.O tema era o futebol cachoeirano.Mal conseguindo disfarçar a sua emoção,Vanju declarou que o seu primeiro contato com o chamado "esporte bretão" se deu através do seu pai,Heliodoro Silva que o levou para ver um jogo que ele não lembra mais. 
"O futebol começou mesmo a ser praticado com algum regramento em São Félix,quando um filho do industrial Dannemann trouxe uma bola oficial da Europa e improvisou um campo de jogo na Avenida Salvador Pinto",garantiu Vanju. 
AVENIDA SALVADOR PINTO JÁ URBANIZADA NA DÉCADA DE QUARENTA
Segundo Vanju,"quem jogava futebol era considerado vagabundo,um moleque" "A sociedade - prosseguiu -, "só começou a abrir a guarda depois que os dois filhos do Dr.Ubaldino trouxe o América do Rio da Janeiro pra jogar na Cachoeira". A partir daí,formou-se uma Liga de Futebol e criaram-se vários  clubes conforme veremos adiante.Os clubes da Liga jogavam na praça Maciel.Era ali o campo de jogo.
A PRAÇA MACIEL NA DÉCADA DE 30 ONDE SE PRATICAVA O FUTEBOL - ACERVO ERIVALDO BRITO
Existiam,também,os campeonatos na periferia da cidade, em campinhos improvisados de várzea na Ladeira da Cadeia,no largo dos Remédios,Virador,Cucuí,Pitanga de Baixo e em frente ao Cemitério da Piedade.
No decorrer da entrevista,Vanju lembrou-se do "Onze Batutas",um time fundado pelo barbeiro conhecido pela alcunha de "Mu riçoca" no qual ele fez sua estreia. E conseguiu lembrar-se dos jogadores Dió,Nivaldo,Mituca,Bebé,Filó Peidão,João Nanico,Dede e Pé-de´Bicho,todos integrantes do "Onze Batutas".
Naqueles idos,contrariando o bordão do comentarista de arbitragem Arnaldo César Coelho," a regra não era clara",ninguém sabia ao certo o que era "banheira" (impedimento),e o goleiro poderia ser "chargeado" (empurrado) na cobrança de um "corner" (escanteio) e o gol valia!
Além do árbitro central e dos dois bandeirinhas,como não existiam as redes do gol,criaram dois "juizes de gol" para validar ou não um gol.Já pensaram o rolo?
Vanju informou que inventaram uma "rede"de barbante muito fraca,onde se penduravam umas "Borboletas de papel nas cores dos dois times que estavam jogando".
Falando sobre o campo da avenida Ubaldino de Assis,local onde eu menino ainda,na década de 50, assisti a muitos jogos,Vanju disse que o grande baluarte para  a sua construção foi Walter Gavazza,no ano de 1937,contando,depois,com o apoio do então prefeito João Vieira Lopes.
Eu  pedi a Vanju que escalasse o selecionado cachoeirano de todos os tempos e ele não se fez de rogado.Curiosamente não incluiria nenhum dos jogadores atuais,inclusive os que conquistaram vários títulos intermunicipais.
Memeu (natural de Coqueiros) seria o goleiro "de uma colocação perfeita,era corajoso e arrojado". A defensiva seria composta dos seguinte jogadores: Cachoeira,Fedegoso (que era motorista do advogado João Mendes),Zeca "Pau de Taca" e Dió "Beiçudo". Nazu,Joel "Bananinha","Manteiga,Waldo Azevedo,Gileno e Perivaldo
MESTRE ADRIANO - FOTO ERIVALDO BRITO  "A ORDEM"
Um ano depois da publicação da reportagem com Evangivaldo,fomos entrevistar o também saudoso Adriano Augusto Santana,o mestre Adriano,na arte de cabeleireiros desde o ano de 1924 como aprendiz no "Salão Brasil" de propriedade de Abílio Cruz. 
Fomos ouví-lo no seu "Salão Primavera" que funcionava na parte térrea de um sobrado situado na rua 13 de março.
Mestre Adriano lembrou-se de "um escrete" que foi formado para disputar um torneio em Salvador,assunto que já falamos inclusive em "Datas Cachoeiranas" aqui neste blogger.
Ratificando as informações de Evangivaldo,mestre Adriano afirmou que o futebol em plagas da Cachoeira  vingou depois que dois filhos do deputado federal Ubaldino de Assis trouxeram o  América,campeão carioca de 1922 para jogar na praça Maciel.
Apesar da pouca idade,na ocasião,mestre Adriano lembrou-se que assistiu o jogo da janela do sobrado onde funciona o Bar de Cícero.Só não lembra o resultado da partida.
Na sua opinião,o melhor time que se formou na Cachoeira foi o "Paraguaçu", bicampeão,da Liga Cachoeirana nos anos de 1921/22.
O "Paraguaçu" transferiu-se,depois,para a Liga Sanfelixta tendo como grande adversário o "Democrata". O time cachoeirano do "Paraguaçu" foi um dos primeiros times baianos a apresentar em seus jogos um novo elemento: a torcida feminina.(foto abaixo)
TORCIDA FEMININA DO "PARAGUAÇU" EM S.FÉLIX.- FOTO FAMÍLIA SOARES -  ACERVO ERIVALDO BRITO
 O mais interessante e curioso,segundo o mestre Adriano, foi quando da incorporação do Corinthians Cachoeirano (fundado em 25/04/1931) à Liga Sanfelixta para disputar o campeonato que teve,naquele ano,quatro campeões!
Chiquinho Mello,(foto ao lado),no seu último livro intitulado "Crônicas Memoriais" (Gráfica Clínica dos Livros - 2009),nos fala do futebol na Cachoeira.Abramos aspas para o saudoso memorialista cachoeirano: 
"Entre 1926 a 1930,o futebol já era praticado em Cachoeira. O local era a praça do Maciel.Eu estava com 9 anos,mas lembro-me perfeitamente,como era a praça do Maciel naquela época.
Bem em frente da residência do funcionário aposentado Sr.Helvécio Barbosa,a praça era separada por um passeio de cimento,erguiam-se majestosas,imponentes,duas palmeiras seculares.
No local dessa antiga residência,cujas janelas de frente foram trocadas por portas,muitas décadas depois. Hoje,acha-se instalada a Farmácia Cachoeira.
Na parte lateral da praça,se erguiam,também,frondosas amendoeiras que ocupavam,espaçadamente toda a extensão da praça para encontrar na frente dos sobrados ainda existentes,no fundo do atual Mercado Municipal,as outras duas palmeiras também seculares,que completavam  a beleza da velha praça.
Para disputa das partidas,a praça era cercada em dois terços de sua área,com arame grosso que eram amarrados nos troncos das amendoeiras.  
Lembro-me que existiam quatro clubes disputando as partidas.Eram "Cachoeira","Baiano","Esperança" e "Corinthians".
Eu ouvi meus irmãos mais velhos falarem de um jogo realizado na praça,antes,em 1924,que atraiu a atenção de muita gente.
O grande líder político deputado Ubaldino de Assis,tinha dois filhos que se apaixonaram pelo futebol,e se encorporaram ao América Futebol Clube do Rio de Janeiro,sendo ambos titulares do time do América,considerado,na época,um dos melhores times do Rio. Chamavam-se Ernesto e Galdino,mas eram mais conhecidos no setor esportivo,por Neblina e Nebulosa. 
Valendo-se do prestígio do pai,conseguiram trazer o América para jogar em nossa cidade,contra um combinado local.
Eles fizeram questão de jogar no combinado cachoeirano reforçando o  combinado. O jogo terminou empatado.
O América ao retornar ao Rio,deixou um grande número de torcedores do clube,aqui em Cachoeira.
Depois do América,ouvi muito sobre o grande time "Paraguaçu",que disputava a Liga Sanfelixta de Futebol,e tinha como principal adversário o "Democrata Futebol Clube"  considerado,também,o melhor da cidade vizinha.
 Na época eu era muito criança.. Nunca os vi jogando,mas cheguei a conhecer três deles: Toninho Cruz,que tornou-se proprietário de uma loja de calçados, "Nadinho" e Carlito Neves,artilheiro do "Paraguaçu" e foi Agente da Sul América,quando o meu cunhado Edgar Britto foi Inspetor Regional da Sul América".
O assunto,conforme ficou claro,não termina por aqui.  Aguardem as próximas postagens.


 
 
 
 
 


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