sábado, 29 de junho de 2013

MEMORIA

REMINISCÊNCIA DO POETA SABINO DE CAMPOS


O autor da letra do Hino da Cachoeira, o amargosense Sabino de Campos em o seu livro "A Voz dos Tempos" (editora Pongetti - 1971 ), se reporta ao dia 25 de Junho em que ele esteve presente na terra onde ele passou a sua infância e juventude. Vale a pena acompanhar a narrativa abaixo.
A data de 25 de Junho representa uma tradição gloriosa nos anais da cidade da Cachoeira, situada à margem esquerda do caudaloso rio Paraguaçu, a qual tomou o epíteto de Heróica em virtude de seus feitos patrióticos nas lutas pela Independência do Brasil.
Antes de começarem as solenidades no Paço Municipal, chegou à Praça da Aclamação, executando belíssimo dobrado, a banda de música da cidade de São Gonçalo dos Campos, em passeio recreativo em homenagem à data.
Este 25 de Junho de 1948 me trouxe gratas recordações dos meus tempos juvenis de músico e orador da querida filarmônica Minerva Cachoeirana. E, coincidência notável: encontrei-me, ali com o meu antigo mestre de música Francisco Cardoso Fróis (Chico Fróis) que me abraçou afetuosamente.Foi um encontro providencial, porque, algum tempo depois, falecia meu professor de música, regente daquela banda.
Ao meio dia, começou a sessão solene na sala nobre do Paço Municipal,sob a presidência do médico dr. Elpídio Serafim, que me convidou,no momento, a fazer parte da mesa.
(NOTA: o autor estava se referindo naturalmente ao médico Aurelino Seraphiim dos Anjos)
A bela moça cachoeirana Odília Marques, inteligente filha do meu velho e inolvidável amigo major Bráulio Marques, colocou-me à lapela azul do paletó esmerado um lindo laço de fita verde e amarela, como símbolo da Pátria.
Compareceu a banda de música local Lira Ceciliana sob a regência do meu amigo e colega Firmo Costa, o melhor trombonista, desde rapazola, que já encontrei na vida, e foi imediatamente executando o Hino da Cachoeira, de minha autoria (letra) e música do  maestro cachoeirano Tranquilino Bastos.
À noite, no coreto armado na Praça da Aclamação, Firmo Costa entregou a batuta a seu mestre Irineu Sacramento, antigo e prestigioso regente da Lira Ceciliana que ia regê-la pela última vez.
Irineu,acentuado tipo de caboclo, por sua vez, discípulo, no passado, do glorioso maestro Manuel Tranquilino Bastos, recebeu a batuta das mãos de Firmo, e, velhinho como estava, mandou que se distribuísse nas estantes a ópera O Guarani.
A cena comoveu-me ! Pedi que esperassem.
Desci do coreto e chamei entre a multidão de assistentes o popular comerciante Júlio Costa,a fim de procurarmos fotógrafo que batesse um flash da despedida de Irineu.
Não encontramos o fotógrafo providencial. Que pena ! 
A ópera foi magistralmente executada e perdemos uma fotografia histórica.

 

"Gente Pagodeira" - Flatulência na Câmara

Nos tempos em que a sessão magna da Câmara de Vereadores era o ponto culminante dos festejos do 25 de Junho, naquele, então, quando o orador oficial era o renomado causídico Carlito Onofre, no distante ano de 1944, o salão e salas contíguas não cabiam de tanta gente. Dona Odília Marques ,na porta de entrada, colocava na lapela dos cavalheiros e nos vestidos das senhoras, uma espécie de comenda feitas em fitilho nas cores verde e amarelo confeccionadas pela própria zelosa funcionária da municipalidade.
Contam que, aquele ambiente apertado, superlotado, muito quente, estava insuportável sobretudo porque todo mundo ali havia se empaturrado de amendoim, milho assado, canjica, queijo, licor de jenipapo... 
Com a casa cheia de parentes e visitantes, uma conhecida dona de casa mal teve tempo de comer a sua feijoada. Saiu correndo para a Câmara. Sabia que, naquela ano, quem  bobeasse não conseguiria nem um lugarzinho em pé. E ela conseguiu um assento. Porém, repente, não mais do que de repente, ela sentiu aquela vontade danada de soltar um pum !
- Meu Deus !  - pensou -; se eu me levantar perco o lugar...e se ficar e o peido sair alto?
Naquele ano o Programa da festa vinha com um encarte de cartolina com o r etrato em policromia de Maria Quitéria. Então ela teve uma idéia luminosa:
- Vou neutralizar o ruído com o som de retirar o encarte. Pensou e executou rap !
- É... - pensou -, não é que deu certo ? Ninguém notou.
Ninguém observou uma ova ! Walter Gavazza que se encontrava atrás dela, com aquele olhão esbugalhado, cara enfezada, bateu no ombro dela e perguntou alto, sem cerimônia:
- Vai limpar o rabo aqui mesmo ?!



OPINIÃO

"O Brasil está cansado de conchavos de cúpula"

ERIVALDO BRITO
O título que encima esta coluna foi uma frase dita pelo ministro Joaquim Barbosa em recente entrevista após encontrar-se com a presidente Dilma Rousseff. Eu aprovo. É exatamente por causa disso que, parcela considerável da população brasileira o considera como o candidato ideal (segundo pesquisa do Datafolha) para concorrer à presidência da República.
A participação popular nas várias manifestações Brasil afora já está produzindo resultados: caíram o aumento das tarifas do transporte, a tal PEC37,a corrupção tornou-se crime hediondo e outras coisas,além da ótima sinalização de que a postergação das penas terão um freio com a prisão (jamais pensei que alcançaria) do tal deputado Donadon decretada pelo STF.
Concordo também com a presidente com a necessidade de uma profunda reforma política. O primeiro item é o financiamento público das campanhas. Você acredita que isso vai acabar com o caixa dois? No caso, proibir-se doações de empresas seria mais lógico. Se o empresário quiser doar do próprio bolso pode ficar à vontade.
O sistema de votação atual provoca distorções como aconteceu em S.Paulo, por exemplo, onde o palhaço Tiririca recebeu um milhão e trezentos mil votos e arrastou mais três deputados sem votos ! No entanto, acredito que o sistema de listagem não vai funcionar. O voto distrital seria um caso para estudo, afinal, fui acostumado a escolher o candidato em que eu quero votar.
A sugestão de fazer-se uma Constituinte, pela sua complexidade, parece-me ser uma idéia escalafobética, inexequível. Os maiores constitucionalistas brasileiros advertem que, "todas as Constituintes realizadas em nosso pais derivaram de um rompimento da ordem institucional".
Retornando por fim à entrevista concedida pelo ministro Barbosa, sua excelência propõe o "recall" para os políticos.  A palavra é oriunda do idioma inglês e significa "chamar de volta" por sinal instituída quando da aprovação do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº8.078 de 11 de setembro de 1990).
O "recall" no sistema político em prática significa o direito do eleitor revogar o mandato de quem ele elegeu. Isso me fez lembrar de Walter Gavazza que propalava aos quatro cantos da cidade que, se ele fosse eleito vereador da cidade da Cachoeira, iria propor a seguinte lei:  "o prefeito não estivesse agindo conforme prometera aos eleitores, armar-se-ia um palanque na Praça da Aclamação e mandava faca no Alcaide  para  servir de exemplo" .



segunda-feira, 24 de junho de 2013

           A única saída
A feira do porto,crianças,era um punhado de feirantes que vinham de Najé,Coqueiros e Maragojipe,de "marabaixo"como se dizia,então,e,expunham e vendiam laranjas,amendoim,cana-merim,milho,etc, nos dias de São João,no desembarque do cais nas proximidades do campo de futebol.A prefeitura mandava colocar uma gambiarra. Lá pras tantas,o pessoal com a cara cheia de goró criava o maior balai-de-gato,mesmo porque nas proximidades havia casas de Quengas.
A festa propriamente dita,que começava com as trezenas de Santo Antônio, consistia em grupos que se reuniam dançando e cantando músicas de Luiz Gonzaga de casa em casa. Não havia um só residência que não estivesse preparada para receber os festeiros.
Certo dia de São João que longe vai,uma animada turma já havia percorrido da Ponta da Calçada ao Caquende quando alguém lembrou:
- Vamos,agora,até São Félix,na moral !
Chegando na cidade irmã,foram logo visitar a morada da família Guimarães,acostumados a promoverem grandes festas e a receberem com fidalguia. 
Alguém lembrou de dar uma passadinha na casa de Bojota,antigo comerciante e funcionário do INPS (na ocasião era assim chamado). O referido cidadão era gente fina,gostava de receber amigos em sua casa,além do mais era um grande pagodeiro.
Dito e feito.Ao chegarem nas proximidades da casa notaram que a mesma estava literalmente  cheia. E chegaram cantando:
- A fogueira está queimando,em homenagem a S.João/O forró já começou/Vamo gente,arrastá pe´pelo salão!
As moças chegando na entrada da casa gritando:
- São João passou por aqui ?!
Nenhuma resposta se ouviu.Na casa todos silentes.Os mais afoitos tiveram a maior surpresa: na sala de visitas um corpo jazia num caixão! A dona da casa havia falecido,infelizmente.
Atônitos,todos no grupo ficaram se entreolhando em busca de uma saída honrosa. Foi aí que o caixa do Banco do Brasil,mais conhecido como "João tá com sono"resolveu o impasse dizendo:
- Viva São João !
E na sala onde o corpo estava sendo velado a turma respondeu:
- Viva !
- Viva a defunta !
- Viva !
E saíram dançando e cantando enquanto Jaiminho,reconhecendo a sagacidade do colega disse:
- O cara é disgramado mesmo!


 E vamos contar mais um "Causo" junino:
                              Anarriê !
Nós,os nordestinos,pensamos que as festas juninas só acontecem na terrinha.Ledo engano: a  mais antiga e das  mais importantes festas brasileiras também acontece na Dinamarca, Finlândia, Reino Unido, Ucrânia, Espanha, Porto Rico, Canadá e Austrália.
Nos meus tempos, na minha terra natal, a brincadeira era espontânea, respeitosa e democrática. As famílias, como vimos no "causo"anterior, sentia o maior prazer em receber os amigos e até estranhos!
Foi então que alguém da turma teve a feliz idéia de formar uma Quadrilha apenas de homens, alguns, claro, usando saias, perucas e pintando os lábios de batom.



Vejam bem que "time" da pesada: Raimilan, Vandecock, Poporrô, Zecapreta, Erione, Mateus, Jaiminho, Biro, Moacir, Ninho Cascata e alguns jogadores consagrados da seleção cachoeirana campeã do intermunicipal como Mário Codorna,Tião, Balaio, Deca, Ainho...
Tendo como sanfoneiro,Lu,irmão de Raimundo que trabalhava no Bar de Brito na Rua da Feira. a turma optou por sair do Caquende. Logo quando passavam dançando nas proximidades da budega de "Jorge da Arara" (que vendia Poca Oi  mas, curiosamente, mantinha uma listagem dos que bebiam por lá e faleceram), ia subindo um caminhão com engradados da aguardente Pitu. O vendedor achou a coisa interessante.Chamou a turma e disse:
- Olha aqui, gente: uma garrafa de Pitu pra cada um de vocês. Agora, onde vocês forem dançar, terão de fazer a propaganda da nossa cachaça. Mario Codorna se comprometeu e cumpriu. Na primeira casa onde eles pararam, Codorna com aquela voz impostada improvisava:
Eu morava num palácio /  Hoje em casa de bambu / Mas tô feliz e contente / Tomando a minha Pitu !
E lá adiante:
Padre Fernando diz a Missa / Toca o sino Tonho de Jú / E eu feliz e contente / Tomando a minha Pitu !
Para encurtar a história, a turma foi esbarrar na casa do dr.Joaquim,Juiz de direito da Comarca. Em plena sala de visias a turma começou a dançar. Raimilan,por motivos óbvios,além da peruca procurava  esconder a cara com uma revista. Percebendo o receio de Raimilan, Mateus deu uma guinada e arrancou a peruca, enquanto o doutor Joaquim fazendo cara de surprêsa perguntava para a sua esposa:
- Margarida, não é o doutor Raimundo ?!
DECODIFICANDO O "BAIANÊS"
GORÓ : bebida alcoólica
BALAI-DE-GATO :  confusão,arruaça
QUENGA : prostituta. 
 NA MORAL : numa boa.
DISGRAMADO: atrevido
POCA OI -- Aguardente com folhas em infusão.


MEMÓRIA
 O São João de antigamente
Amargosense de nascimento,criado na cidade da Cachoeira,o poeta Sabino de Campos,autor da letra de o  Hino da Cachoeira,esteve na cidade em junho de 1948 no período dos festejos juninos. Aquelas lembranças,dentre outras,o saudoso poeta deixou registradas em o livro "A Voz dos Tempos (Editora Pongetti - 1971 ):
"Passei o São João em Cachoeira. Lamentei não ver mais os festejos da noite de outrora,com fogueiras empilhadas nas ruas,em labaredas aclarantes,ou em brasido assando cocos,aipins,fruta-pão e milhos verdes,entre cantigas das meninas-moças,a alegria amorosa dos rapazes,o alarido das crianças,a saudade dos velhos.
      
        Adeus meu São João,
              adeus,adeus,
        você fica com saudade,
       quem vai-se embora sou eu!

As Sortes de terminadas em quadrinhas enroladas em flóculos e enfeites de papel de cores variadas,ou em copos de água,com clara de ovo,propiciando venturas e sortilégios. Os fogos de artifício revezando-se e duelando-se das janelas fronteiriças,e os coriscos e foguetes,buscapés chuveirando fagulhas vertiginosas produzidas por limalha de aço,aduzida à pólvora,estourando a dinamite final ! 
Tão violentos eram os busca-pés, feitos de grossos gomos da bambu revestidos de barbante encerado,que o acendedor de lampiões,por ordem do Intendente da Municipalidade (Prefeito) na véspera,retirava todos os lampiões de querosene da cidade a fim de que não fossem espatifados. E os vistosos balões de papel de seda,devaneando no céu festivo e ruidoso de foguetes do ar., jorrando lágrimas de prata ou estourando bombas!  Naquele tempo,os balões não sofriam a proibição do Decreto nº 23.793 de 22 de janeiro de 1934,do Código Florestal.
Em meio a todo esse regozijo,as mesas familiares repletas de leitões e perus assados,generosos vinhos da Ilha da Madeira,deliciosos licores de jenipapo,arroz doce,pamonhas,saborosas laranjas da Bahia e a famosa canjica de milho verde,lembrando a ambrosia dos deuses.
Como tudo está mudado! Que São João sem graça! Nem uma fogueira!Nem um balão!
A Cachoeira não é mais iluminada a lampiões de querosene,mas até a sua luz elétrica faltou!
Saudoso das alegrias efusivas de outros tempos,subi a escada do sobrado e recolhi ao quarto nº 13 da "Pensão Marieta".
O que escreveria o autor de o Hino da Cachoeira se vivo fosse e visitasse a "Terra Heroica e bendita" durante a Feira do Porto?











O poeta maragojipano Osvaldo Sá em o seu livro Vala dos Meus Dias,(Editora Odeam - 1985),nos trás gostosas lembranças infantis dos festejos  juninos do passado,da família dos Torres,engenhosos na arte de fabricar balões que não eram proibidos na época,até porque não existiam refinarias de petróleo na  época e muito menos consciência ecológica. Leia, à seguir a  crônica intitulada
      Cataporas,S.João,balões dos Torres
Em mês de junho,creio que em 1913,as cataporas marcaram-se o corpo com as suas erupções. Asilaram-me os meus pais,em seu quarto,que era arejado,com três janelas,duas olhando para a rua e,outra, no oitão ao sul.  Vestido de camisola branco,quando não dormitava,punha-me a garatujar,fazendo no papel,garotos empinando arraias em traços caricatos como só as crianças sabem fazê-los; coqueiros,com indivíduos marinhando-lhes os troncos; casas desniveladas,sem prumo,com um bicharoco qualquer à porta,ou,senão,a apreciar gravuras de livros e revistas adrede colocadas de maneira que me proporcionassem distração.  Naqueles dias, já melhor avaliava quanto é bom a liberdade,a rua,o quintal,a conversa de brinquedos com alguns amiguinhos.
Ainda convalescia à véspera de São João.No quarto,entretido às vezes pela voz do meu pai,contemplava,por uma das janelas,os balões que se iam nos ares,uns triunfantes,subindo; outros,esgotada a bucha de aguarrás, claudicavam,flácidas e bambos,lento descendo,que eram,nas ruas,disputados por chusma de moleque em correrias,cada  qual mais ansioso,de mãos ávidas em agarrá-los como trofeus de afanoso torneio.
Houve anos em que muito me divertia,queimando traques japoneses,que vinham perfeitamente arrumadinhos,envoltos em papéis vermelhos com letras e vinhetas douradas,de longos pavios,trançados,e pistolas, e vulcões,e  um artifício que se denominava "Relâmpago", que ao inflamar emitia clarão semelhante,em miniatura,ao meteoro de que tomara o nome. Eram fogos importados do Japão. Muito bom e bonitos,inclusive as "Sortes" que minhas irmãs ganharam,certo ano,do tio César,irmão do meu pai,funcionário da Alfândega. Além do voto de felicidade em verso,traziam elas,no bojo,graciosa tetéia. 
De vez,um grupo de rapazes,ao qual se incluiu Júlio,meu irmão mais velho,iniciara-se no feitio de dois balões enormes,com sete ou oito metros de altura,arranjados  unicamente com papel de jornais. A boca era um aro de barrica,e o preparo deles ocorreu em andar,desabitado,de sobrado defronte à nossa casa,onde posteriormente se instalara um laboratório da Emulsão Jonas.
Um dos balões,foi longe,pelos ares fora,com vivório da assistência heterogênea que assistia à decolagem,mas o outro não resistiu à subida,inchava e murchava,logo que saiu das mãos cautelosas dos rapazes,o fogo atingiu o papel e foi aquela disparada de gulosas labaredas,sem tempo de socorro,enquanto a molecada maltrapilha,parte infalível de espectadores em tais cenas públicas,irrompia em assuada forte,de  vaias,fiaus,longe ecoando acanalhadamente. 
Se o destino falasse,que diria então a sua filosofia? quanto a sorte desigual dos dois balões,trabalhados na mesma época,pelas mesmas mãos,com a mesma perícia e a mesma afeição.Mas o destino é mudo como os deuses...
Todavia o que mais me empolgou naqueles dias de junho,foi o requinte dos balões que a perícia dos Torres apresentava às gentes do velho bairro. Moravam eles no Bângala, e eram  moços,estudantes uns,outros já formados,mas todos famosos pelo gênio folgazão e inventivo. Tornaram-se,enfim,conhecidos de toda a Bahia,na cidade há 70 anos que,com dificuldade e demora,de bonde,se ia até o Rio Vermelho. Oito irmãos,sete homens e a mulher chamava-se ;Alice,que se casou com o notável pintor Presciliano Silva. De alguns,recordo-me dos nomes: Oscar,Mário,Otávio,Enoque.
Foram um encanto os seus balões,trabalhados com arte,engenho e originalidade. Eram criações engenhosas de delicadeza tal,que tocavam de entusiasmo os espectadores,e três imagens daquelas peças leves e efêmeras como de sonhos,ficaram-me inapagáveis na reminiscência. Uma cruz,toda negra. Uma galinha pedrez,de cabeça encarnada.. Um frade,com as vestes características e rosto expressivo. Tudo eram balões que subiam e desaparecia nos ares deixando a gente com vontade imensa de continuar,por longo tempo,apreciando-os,admirando-os,boquiabertos. 

Balões largados durante o dia,porque dignos de beleza panorâmica da cidade e do azul dos céus,e para que melhor agradassem aos olhos de quantos se movimentavam para vê-los como se surgissem de fantasia do próprio São João,contente de sua festa luminosa.
Comentava-se a calma com que os Torres conduziam os seus balões,defendendo-os ao sopro rijo do vento,às vezes,a fim de que o fogo da bucha não se comunicasse ao leve papel,antes da ascensão deles e todos ali presentes,se manifestavam,mentalmente interessados pelo êxito das graciosas naves daqueles festejos juninos que  o tempo levou. Era o largo da Palma,o campo da espetaculosa demostração de  arte e lindeza.
Ah! meu São João,como me deslumbravam os seus fogos multicolores,as suas luzes faiscantes nos meus dias de criança,e como são belas as festas,bem mais felizes,quando a gente ainda veste camisolinhos brancos!




domingo, 23 de junho de 2013

A história do esporte cachoeirano

                O futebol (parte 3)
ERIVALDO BRITO
No ano de 1932,o "esporte bretão" como escreviam os cronistas da época,era dirigido pela LIDA,sigla referente a Liga Intermunicipal de Desportos Atléticos cujo campeonato era disputado em São Félix e na Cachoeira,na Praça Maciel.
Assim,no domingo,dia 3 de abril do referido ano,era realizado o torneio Início envolvendo as seguintes equipes:América,Flamengo,Floresta e Botafogo,de São Félix; Corinthians e Bahiano da Cachoeira e o Silencioso de Muritiba.
Como a duração das partidas no referido torneio era pouca,as que terminassem empatadas,o critério para o desempate seria o número de escanteios favoráveis. Vamos,então aos resultados:
1º jogo: Flamengo 1 x0 Flamengo,juiz Fernando Souza
2º jogo: Botafogo 0 x 0 Corinthians,que venceu por 4 escanteios a zero .O juiz foi Felipe Ferreira.
3º jogo: Bahiano 0 x 0 América que venceu 1 a 0 no escanteio. Juiz Firmino Leite 
4º jogo:Floresta 0 x 0 Silencioso. O Floresta venceu 1 a 0 no escanteio. Juiz Francisco Gomes dos Santos,o popular  Poporrô.
5º jogo: Corinthians 0 x 0 Bahiano. O Corinthians venceu por 3 escanteios a 1. O juiz foi o esportista muritibano Paulino Lima.
6º jogo: Corinthians 0 x 0 Floresta que ganhou nos escanteios por 3 a 1. O árbitro foi Francisco Xavier França.
Pelo critério de desempate,o Floresta ganhou o torneio. Os atletas Dondon fotógrafo (Corinthians)  e Góes (Floresta) saíram de campo machucados e foram  atendidos pelo farmacêutico Arlindo Rodrigues.
O curioso é que,anos depois,Arlindo Rodrigues e Paulino Lima tornaram-se nomes dos estádios de suas cidades; São Félix e Muritiba,respectivamente.
No ano seguinte,em a noite de 28 de março de 1933,devido aos constantes desentendimentos fora e dentro de campo,decidiram os esportistas cachoeiranos a organizar uma Liga independente,reunindo-se na sede social da filarmônica Minerva sob a presidência de Álvaro Monteiro,sendo aclamada a seguinte diretoria:
Presidente; Artur Nunes Marques;
Vice-dito: Lafayette Almeida;
Tesoureiro: Cândido Mecenas Vacarezza;
1º Secretário : João Lurentino Magalhães;
2º Idem ; Durval de Miranda Mota;
Comissão Auxiliar: Antônio Ribeiro,Carlos Nunes,Manoel Paulino Dória,Adaucto Salles Ribeiro,Nelson Marques Lobo e Álvaro Monteiro.
Comissão Fiscal: Gastão Pereira,Arnaldo Sant'Anna,João Vieira Lopes,Pedro Navarro e Salvador da Rocha Passos.
A intenção da Liga era construir um campo de futebol no terreno baldio nas proximidades do Cais Maria Alves,mais conhecido como Calabar,local onde acabou sendo construído o Estádio do Fluminense,depois 25 de Junho,e,se não estou enganado ou houve nova mudança,presentemente é Governador Paulo Souto.
No domingo,dia 16 de agosto de 1933,a equipe do São Cristovão do Rio de Janeiro veio jogar amistosamente em benefício do hospital de São Félix,ficando hospedada no Hotel Colombo.
Para enfrentar o time carioca,o time do Flamengo de São Félix atuou enxertado com alguns jogadores cachoeiranosporém,foram fragorosamente derrotados pelo placar de 7 a 1 !
O árbitro da partida foi o famoso jogador Arthur Friedenreich.(foto).
 
No ano seguinte,mais precisamente no dia 18 de março de 1934,novamente os esportistas locais ficaram encantados,agora com a visita da seleção paulista,vice campeã brasileira. A embaixada paulista chegou na Cachoeira por volta das 6h.da manhã.Hospedados no Hotel Colombo,após o café da manhã,foram visitar a barragem de bananeiras,na ocasião chamada de Gerry O'Connell. 
Novamente o Flamengo sanfelixta com alguns jogadores cachoeiranos foi o adversário e daquela vez,perderam por 2 a 1.
Diante disso meus amigos,os campos de futebol se espalharam por toda a cidade.Sem as dimensões exigidas e em terrenos sem grama.
Como a Cachoeira possuía vários jornais funcionando simultaneamente,a classe de tipógrfos e gráficos em geral era numerosa.E eles,então resolveram no dia 28 de setembro de 1936 formar a Associação Graphica Sportiva,cuja sede provisória funcionava na rua 25 de junho nº 42
Ficou assim constituída a diretoria:
Presidente: Waldemiro Oliveira;
Vice dito: Manoel Cyro Xavier
1ºSecretário: Flavio Paixão;
2º Idem: Stelito Nazareth;
Tesoureiro: Alvaro C.de Jesus
Orador: Albertino Oliveira;
Diretor de Esporte: Juvenal Cardoso dos Santos
Fiscal: Dyonísio Souza;
Procurador: Socrates Castro;
Comissão de Sindicância: Nivaldo Menezes,Antônio Loureiro de Brito e Gilberto Magalhães.
Comissão de Contas: Tharcício Edmundo Silva.Durval Alves e Roque Souza.
Os gráficos construíram um campo de jogo na Avenida São Diogo,no ano de 1937 onde os jogos seriam realizados,como no dia da estreia,quando o time chamado Leste Brasileiro perdeu para o Palestra por 4 a 0.
Palestra: Alberto,Dió,Stelito,Álvaro,Evangivaldo,Sú,Joel,Nivaldo,Sala,Berto e Gileno.
Leste Brasileiro: Duia,Cadete,Bibiano,Donga,Luiz,Juquinha(depoisLeopoldo),Tote,Bahia,Nelson,Badaró e Magno.
Na próxima postagem a gente vai falar da diretoria da liga que viabilizou a construção do campo da avenida Ubaldino de Assis. 



 


sábado, 22 de junho de 2013

A maior manifestação popular da história do Brasil

ERIVALDO BRITO
Analistas,cientistas políticos,marqueteiros,psicólogos,jornalistas,o escambau,todo mundo,agora,está tentando decifrar os protestos espontâneos que eclodiram por todo o país,sem líderes,sem sentido político sem agenda definida, e que vão continuar crescendo. O que ninguém está levando em conta foi um manifesto assinado por um milhão e trezentas pessoas que protestavam contra a escolha de Renan Calheiros para a presidência do Senado,a eleição de Henrique Alves para a presidência da Câmara, e as lambanças do pastor Feliciano indicado e empossado presidente da Comissão de Direitos Humanos.
Pela Globo News assisti a "presidenta" em rede nacional. Uma boa sinalização que o governo não está imobilizado e não vai tolerar os radicais, arruaceiros e vândalos que deverão pagar os prejuízos que causaram.
Na sua fala, a doutora Dilma assumiu o compromisso em atender o clamor das ruas,logo ela que já esteve do outro lado. O xis da questão vai ser o enfrentamento,a feroz resistência da famigerada "base parlamentar que garante a governabilidade",a turma do "é dando que se recebe",os "aloprados"...
A "presidenta" acusada de mandona e autoritária estava muito bem humorada e fez a leitura correta das manifestações inclusive distinguindo o que são manifestantes e baderneiros. Para esses últimos,cadeia e pagamento dos prejuízos causados.
Vamos,então,aguardar a ação dos governantes e a reação dos políticos porque senão o país não sairá da crise. É o que a experiência me diz.
Ah! já ia esquecendo: através do "Feice",recebi por parte de Marcelo Ferreira Franco da Silva o convite para participar da manifestação que se pretende realizar em minha terra natal,Cachoeira,na Bahia, na terça-feira,dia 25 de junho. Obviamente não poderei comparecer e se estivesse na terrinha,teria de conhecer a pauta das reivindicações.
Aqui no Rio,a minha participação é através do meu filho caçula e meus netos. Carregar essas bandeiras já está ficando pesado para mim.A minha cidadania é exercida através do voto.


 

sábado, 15 de junho de 2013

DATAS CACHOEIRANAS

 
ERIVALDO BRITO

Segundo semestre do mês de junho
Dia 16 (1861) - Nascia ,o Dr.João Martins da Silva que exerceu no antigo Senado Cachoeirano o cargo de 1º secretário.
Dia 17 (1872) - Aos 69 anos de idade falecia o engenheiro e abastado proprietário de terras em Santiago do Iguape, Francisco Vieira Tosta,o Barão de Nagé.
Em sua terra natal,desempenhou vários cargos públicos; foi juiz de paz,presidente da câmara municipal e comandante superior da Guarda Nacional.
Nesta mesma data,em 1965,a Cachoeira tributava calorosa homenagem à Marilda Mascarenhas da Silva,a primeira cachoeirana a ser eleita Miss Bahia. Marilda foi semifinalista do concurso Miss Mundo ,concurso criado na Inglaterra em 1951.
A eleição da cachoeirana acabou incentivando a Desportiva a promover anualmente o concurso Miss Primavera conforme captou a lente do fotógrafo Bernardo,na foto ao lado. 

Dia 18 *1945) - Já que falamos no clube social Desportiva do Paraguaçu, na presidência do dr.Aurelino Seraphin dos Anjos,na referida data,era organizada a Falange Feminina.Precedida a eleição,os associados escolheram a seguinte diretoria:  Josina Marques (presidente),Analiz Soares Seraphin (vice), Edméa Passos (1ª  secretária),Dulce Lapa Azevedo (2ª secretária),Ivone Rabelo Soares e Elvira Pereira (oradoras),Augusta Pereira (tesoureira) e Eurides Santana (diretora de publicidade).
A senhora Manoela Carneiro Rego,por aclamação,foi escolhida presidente de honra. 
Dia 19 (1943) - Em sua residência,na rua 13 de Maio,aos 88 anos de idade,falecia o renomado educador Pedro Celestino da Silva,natural da capital do  estado.
O professor Pedro Celestino deixou um legado extraordinário sobre a cidade da Cachoeira,em artigos de jornais e nas Revistas do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.
Dia 20 (1700) - Era lançada a pedra fundamental da construção do edifício da municipalidade,atual Camara de Vereadores, (foto acima).
Dia 21 (1937) - O Cine Teatro Cachoeirano apresentava uma grande novidade na região: o cinema falado
Dia 22 (1878) - Data do nascimento do ator Olympio Nogueira,cujo talento para o palco era reconhecido pelos críticos da época,encenando peças no Rio de Janeiro,onde gozava de muita estima e popularidade.
Dia 23 (1931) - Véspera dos festejos de São João,a Loja Maçônica Caridade e Segredo comprava na feira livre produtos da época para dividir com as famílias desprovidas de recursos. 
A meritória campanha tinha o nome de "S.João dos Pobres"
Dia 24 (1961) - Após o encerramento de entrega dos prêmios aos vencedores da 2ª Corrida da Fogueira,por volta das 11h.o palanque armado frente à prefeitura desabou ! Felizmente não houve ninguém ferido gravemente. 
Dia 25 (1933) - Circulava o primeiro número do jornal "O Ateneu",em homenagem à magna data da Cachoeira e dos cachoeiranos.
Dia 26 (1936) - O então prefeito João Vieira Lopes iniciava os trabalhos de pavimentação da rua 25 de Junho (foto ao lado). 
Dia 27 (1922) - O capitalista cachoeirano Renério  Martins Ramos assinava em Paris seu testamento no qual deixava para a sua terra natal parte da sua fortuna.
Depois da sua morte,um ano depois (1923),travou-se uma enorme briga judicial internacional e o legado não teve a destinação desejada pelo extinto. 
Dia 28 (1852) - Por volta das 10h.da manhã,a população  foi abalada com a explosão de um barril de pólvora na casa comercial do cidadão Ildefonso Mendes Franco,situada na rua 13 de Maio. Três sobrados e três casas térreas foram destruídas pelo fogo.
Dia 29 (1949) - No campo da avenida Ubaldino de Assis,era realizado o segundo jogo noturno na cidade reunindo as equipes do Real e do Botafogo,registrando-se um empate sem apertura do placar.
Dia 30 (1935) - A imprensa cachoeirana dava espaço ao cidadão chamado Henrique Ferrarino que se apresentava como "capitão do Exército Missionário do Uruguai". Na entrevista o precursor do "Pantaleão" dizia "ter descoberto a fórmula para a cura da calvície. A sua "formula mágica" consistia na aplicação de "gotas de gasolina na cabeça" do careca!
E com essa vou tomar um golezinho de licor do saudoso amigo Roque Pinto que eu tenho ainda guardado aqui em casa.







 
EULINA THOMÉ DE SOUZA
Uma pioneira de fibra

Quando se fala no pioneirismo cachoeirano,o que vem logo à mente das pessoas é o épico enfrentamento contra as  tropas lusitanas no memorável 25 de junho de 1822.
Poucos se lembram ou ouviram falar na chamada "Revolução  Federalista"quando o cidadão Guanais Mineiro tomou de assalto a Câmara de Vereadores da cidade da Cachoeira no ano de 1832,e,em atos declaratórios,proclamou o regime republicano. Tal revolução,sem dúvida,acabou influenciando a conhecida Sabinada.
 No dia 16 de junho de 1926, há 87 anos volvidos,estava programada uma palestra com a escritora e jornalista Eulina Miranda Tomé de Souza,nascida na Cachoeira,segundo jornais da época.
A referida jornalista vinha realizando uma verdadeira peregrinação por várias cidades do estado da Bahia tendo como tema "a libertação da mulher",ou seja,quando ninguém falava nisso,a ilustre cachoeirana pregava o feminismo,o movimento social,filosófico e político que admitia a  igualdade para homens e mulheres.
Ninguém contava que o meritíssimo doutor Sálvio de Oliveira Martins,juiz de direito da comarca proibisse a referida palestra no local desejado,o palco do Cine Teatro Cachoeirano. Vocês pensam que ela desistiu? Eulina mulher pioneira e de fibra inquebrantável,resolveu falar na praça,afinal,como disse o poeta,"a praça é do povo como o céu é do condor!"
A jornalista/conferencista,falou para uma platéia naturalmente de maioria masculina,discorrendo sobre "os direitos da mulher,do nobilíssimo papel desempenhado na sociedade dentro  das linhas da dignidade e da honra,porque não como negar,a mulher é,foi e será sempre impulsionadora sublime do homem nas grandes realizações do ideal",segundo nota divulgada no jornal local "A Ordem".
 








 
 

Expressões Jurídicas
O médico,o economista,o engenheiro,o professor...enfim,os profissionais de todas as áreas do conhecimento humano tem o seu próprio modo de expressar,afinal,no dizer do escritor José de Alencar,"o uso da palavra,esse dom maravilhoso que Deus deu aos homens e negou aos animais".
Vamos falar sobre uma Ação onde se pleiteia uma indenização de perdas e danos que é chamada nos meios jurídicos de noxal
Como na sua grande maioria, os termos aplicados nos meios jurídicos são oriundos do latim e a palavra noxal significa "dano, prejuízo",daí a Ação ser chamada assim:Ação Noxal.
 

Curiosidades da Bíblia
Hoje em dia é comum chamar-se cristãos aos que professam  naturalmente o cristianismo independentemente de dogmas.Foi,no entanto,na Antióquia que os apóstolos e seguidores foram chamados pela primeira vez conforme lemos em Atos 11 capítulos 25 e 26:
"E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo (Paulo); tendo-o encontrado,levou-o para Antioquia.E, por todo um ano, se reuniram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos".

sábado, 8 de junho de 2013

A degradação do acervo arquitetônico cachoeirano 
não é coisa nova.

RECEBEMOS várias manifestações depois da publicação em DATAS CACHOEIRANAS da demolição da Igreja de Nossa Senhora do Amparo,sob a alegação de construirem-se,ali,uma Maternidade.
Houve,sim,a anuência da Arquidiocese de Salvador,no entanto,é de se ressalvar que a Igreja não dispunha de dinheiro para as obras de restauração e o templo estava em completa ruína.como permanecem até hoje as igrejas de Santiago do Iguapé e o Seminário/Igreja do São Francisco do Paraguaçu,sem falarmos nas ruínas de dezenas de casas e sobrados. Paradoxalmente a  cidade é considerada, por decreto presidencial, como Patrimônio Nacional !
Em sua edição de 5 de março de 1969, há 44 anos passados,portanto,a revista Veja publicou uma matéria intitulada "Um tesouro perdido no meio do Sertão" (sic),dando enfase  à capela  da Ajuda e igrejas da Ordem Terceira e Convento do Carmo.
Sobre a capela da Ajuda que o poeta cachoeirano Waldemar Menezes descreveu como "a capelinha da Ajuda,uma jóia que não muda / inquebrantável que é", a reportagem encontrou um Crucifixo do século dezoito (foto), e "castiçais e candelabros empoeirados,amontoados e escurecidos nos fundos da capela",mais exatamente na Sacristia (foto abaixo) 
 















"A fim de evitar furtos" - prossegue a revista - ," o Cristo de marfim,com as chagas em rubi,pregado numa cruz de quase um metro,de valor inestimável,quando chega algum turista,a única guardiã da capela o leva para a casa de uma professora local".
Na Igreja da Ordem Terceira,a reportagem encontrou a seguinte situação: "arcos trabalhados em ouro" mas, "a mesma indiferença",pois, "Elza de 19 anos e Edla de 16,duvidam do valor das peças que elas guardam sem receber remuneração alguma". 
Ainda na Ordem Terceira, a Veja anotou a existência de uma "Via Crucis e uma Mater Dolorosa esculpidas em madeira na época da construção da igreja",e,"ao lado do altar,seis quadros portugueses da segunda metade do século XVIII". "Nas paredes e no teto,catorze afrescos de Teófilo de Jesus,artista do século XVIII". "Nas colunas,faisões ,uvas e flores esculpidas em espiral". "Ao lado do coro,na antiga sala de reuniões,um armário também do século XVIII,de influência oriental com telhados japoneses e pássaros de olhos puxados"




Quando a reportagem entrou na Igreja e Convento do Carmo anotou o seguinte:
"Nela (Igreja e Convento),o descaso do Brasil para com suas relíquias é ainda mais nítido: as peças originais e os altares foram retirados pelos próprios padres carmelitas,para evitar a destruição,não estão mais em Cachoeira". "As partes superiores da Igreja e do mosteiro já desabaram há muito tempo.E,nas catacumbas,  (foto acima) moram Tibúrcio e Rinaldo,dois velhos. Não pagam nada para morar,não ganham nada para tomar conta dos destroços".
Lembramos que,a Igreja do Carmo foi transformada num Centro de Convenções sem praticidade alguma.
A revista Veja observou que,"em outras casas de Cachoeira,tombadas pelo Patrimônio Histórico,os desabamentos se sucedem de ano para ano,geralmente depois das enchentes".
Volvidos 44 anos da publicação da reportagem,o que encontraria a Veja se resolvesse dar um pulinho na Cidade Heroica?





 

O ESPORTE CACHOEIRANO
                                       O futebol (parte 2)

Os aficionados do novo esporte,considerados como" moleques",ganhou enorme popularidade pelo simples fato de qualquer menino podia fazer a sua bola usando uma meia velha.A garotada que morava na Ponta da Calçada,fazia uma bola usando bexiga de boi enrolando nela camadas de  barbante,uma beleza para se jogar os tradicionais babas. Uma breve explicação para os que não nasceram na minha terra:babaé a mesma coisa que pelada que na minha terra é mulher despida e racha...pula essa,xapralá ! 
O futebol naqueles tempos era recheado de palavras inglesas e a rapaziada foi dando o seu jeitinho:
FOOTBAL (Futibó),GOALKEPER (gouquipe,goleiro),HALF (Raufo),FALLBACK (Fubeque),BACK (Beque) ,CENTER HALF (Centreraufo),CENTER FORWARD (Centre fó),HAND (Render),CORNER Corne,escanteio),OFF SIDE oFISAIDE,IMPEDIMENTO).
De um modo geral o esporte foi se personalizando,se abrasileirando,inclusive no modo de praticá-lo com a anexação da ginga,na malandragem da capoeira,do drible,graças,sobretudo,à contribuição dos nossos avós africanos.
Na década de 20,havia se formado a Liga Intermunicipal de Desportos  Terrestres que,no dia 27 de janeiro de 1924 empossa a sua nova diretoria tendo como presidente o coronel Manuel Brás. Augusto Azevedo Luz e Genuíno Araújo como Conselheiros.
Na mesma data,a Liga programou um festival com a presença da filarmônica Lira Ceciliana para a entrega dos trofeus aos campeões: DEMOCRATA(campeão de 1920),PARAGUAÇU (bicampeão 1921/22),e o FLAMENGO (1923).
O Democrata (de São Félix) e o  Paraguaçu (da Cachoeira),arrebatavam os corações dos habitantes das duas cidades acirrando-se o bairrismo até de quem pouco entendia do esporte conforme escreveu o saudoso memorialista Chiquinho Mello na crônica intitulada "O Pênalti"  originalmente publicada no jornal A Ordem,e,depois,no seu livro "Coquetel Literário" (2004),Radami Editora Gráfica.
Com a decadência do time do Paraguaçu,no dia 25 de abril de 1931,era fundado o SPORT CLUB CORINTHIANS CACHOEIRANO,sendo eleita a seguinte Diretoria:
Presidente - Henrique Guimarães
Vice dito     - Esmeraldo Paulino
1º Secretário - Paulo Menezes
2º  Idem - Aníbal Carvalho
Tesoureiro - Firmino Leite
Procurador - Cleto Cazuquel
Diretor de Esporte - Pedro Burgos
Comissão de Sindicância - Cândido Melo,Joaquim Pinto e José Pimenta.
Comissão de Contas - Jacks Rocha,Ângelo Silva e Urbano Barreto.
O jogo inicial do Corinthians Cachoeirano aconteceu no dia 7 de junho do mesmo ano,e,no dia 2 de agosto,jogando amistosamente na cidade de Feira de Santana,aplicou uma goleada de 8 a 2 no Feirense Futebol Clube. 
No dia 21 de agosto de 1931 o engenheiro Gastão Pedreira,diretor da Companhia de Energia Elétrica da Bahia, mandou instalar na área do campo de jogo da praça Maciel possantes refletores,realizando-se,na referida data a primeira partida de futebol noturno do interior do estado.Não temos,infelizmente,mais nenhuma notícia da partida,do seu resultado.Apenas garimpamos nos jornais de época que "jogaram dois escretes com os melhores jogadores da Bahia".
O domingo,dia 5 de julho de 1931 foi um dia festivo. No campo de praça Maciel jogavam pelo campeonato o Ipiranga e o Paulista com o comparecimento de duas torcidas apaixonadas,registrando-se um empate de 1 a 1.O time do Ipiranga jogou com o seguinte plantel:
Bartolomeu,Alemão,Didi,Carlos,Badaró,Osmundo,Waldir,Ioiô,Servilho,Novesinho e Bertinho.
O Paulista atuou com;
Antônio,BemHur,Toninho,Lapinha,Manequim,Aníbal,Ubaldo Marques,Bacafusada,
Vasinho,Nelsinho e Raimundo.