sábado, 8 de junho de 2013

A degradação do acervo arquitetônico cachoeirano 
não é coisa nova.

RECEBEMOS várias manifestações depois da publicação em DATAS CACHOEIRANAS da demolição da Igreja de Nossa Senhora do Amparo,sob a alegação de construirem-se,ali,uma Maternidade.
Houve,sim,a anuência da Arquidiocese de Salvador,no entanto,é de se ressalvar que a Igreja não dispunha de dinheiro para as obras de restauração e o templo estava em completa ruína.como permanecem até hoje as igrejas de Santiago do Iguapé e o Seminário/Igreja do São Francisco do Paraguaçu,sem falarmos nas ruínas de dezenas de casas e sobrados. Paradoxalmente a  cidade é considerada, por decreto presidencial, como Patrimônio Nacional !
Em sua edição de 5 de março de 1969, há 44 anos passados,portanto,a revista Veja publicou uma matéria intitulada "Um tesouro perdido no meio do Sertão" (sic),dando enfase  à capela  da Ajuda e igrejas da Ordem Terceira e Convento do Carmo.
Sobre a capela da Ajuda que o poeta cachoeirano Waldemar Menezes descreveu como "a capelinha da Ajuda,uma jóia que não muda / inquebrantável que é", a reportagem encontrou um Crucifixo do século dezoito (foto), e "castiçais e candelabros empoeirados,amontoados e escurecidos nos fundos da capela",mais exatamente na Sacristia (foto abaixo) 
 















"A fim de evitar furtos" - prossegue a revista - ," o Cristo de marfim,com as chagas em rubi,pregado numa cruz de quase um metro,de valor inestimável,quando chega algum turista,a única guardiã da capela o leva para a casa de uma professora local".
Na Igreja da Ordem Terceira,a reportagem encontrou a seguinte situação: "arcos trabalhados em ouro" mas, "a mesma indiferença",pois, "Elza de 19 anos e Edla de 16,duvidam do valor das peças que elas guardam sem receber remuneração alguma". 
Ainda na Ordem Terceira, a Veja anotou a existência de uma "Via Crucis e uma Mater Dolorosa esculpidas em madeira na época da construção da igreja",e,"ao lado do altar,seis quadros portugueses da segunda metade do século XVIII". "Nas paredes e no teto,catorze afrescos de Teófilo de Jesus,artista do século XVIII". "Nas colunas,faisões ,uvas e flores esculpidas em espiral". "Ao lado do coro,na antiga sala de reuniões,um armário também do século XVIII,de influência oriental com telhados japoneses e pássaros de olhos puxados"




Quando a reportagem entrou na Igreja e Convento do Carmo anotou o seguinte:
"Nela (Igreja e Convento),o descaso do Brasil para com suas relíquias é ainda mais nítido: as peças originais e os altares foram retirados pelos próprios padres carmelitas,para evitar a destruição,não estão mais em Cachoeira". "As partes superiores da Igreja e do mosteiro já desabaram há muito tempo.E,nas catacumbas,  (foto acima) moram Tibúrcio e Rinaldo,dois velhos. Não pagam nada para morar,não ganham nada para tomar conta dos destroços".
Lembramos que,a Igreja do Carmo foi transformada num Centro de Convenções sem praticidade alguma.
A revista Veja observou que,"em outras casas de Cachoeira,tombadas pelo Patrimônio Histórico,os desabamentos se sucedem de ano para ano,geralmente depois das enchentes".
Volvidos 44 anos da publicação da reportagem,o que encontraria a Veja se resolvesse dar um pulinho na Cidade Heroica?





 

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