segunda-feira, 15 de julho de 2013

ANEDOTÁRIO CACHOEIRANO
Um pequeno e fundamental detalhe

ERIVALDO BRITO
Chamava-se Valdir Marques de Cerqueira, ou melhor; Valdir de Gegeu Seus amigos, contemporâneos de farra e pagodeiros o chamava de "Pinga", cuja origem, acredito, não carece de maiores explicações.
Ele fazia parte da turma de canoagem da Desportiva nos áureos tempos das regatas do rio Paraguaçu. Foi, também, pioneiro no futebol e na implantação do basquete e do voilebol.  Era, portanto, o que se pode considerar um verdadeiro esportista.
Já coroa, Valdir "convocou" um time de Casados para enfrentar os Solteiros no jogo preliminar na inauguração do campo do Calabar. Aliás, do Fluminense Cachoeirano, depois 25 de Junho, depois Paulo Souto e hoje,,,Sabe que eu não sei ?!
Perto do início da preliminar, Valdir resolveu "reforçar o seu time" chamando Edno, gerente da agência da Caixa Econômica local que alegou não ter se preparado convenientemente, inclusive havia almoçado...mas era um "fominha de bola" e foi pro jogo.
Quinze minutos, se tantos, Edno foi amarelando, passou a suar frio, aquele "gosto de guarda-chuva velho na boca"...pediu pra sair quando não conseguia mais controlar o vômito. O jogo foi interrompido e o jogador foi atendido pelo prático da farmácia Salustiano Coelho de Araújo, o popular Salu da Farmácia que fez o diagnóstico tranquilizador:
- Poderia ter sido muito pior se ele não tivesse vomitado ! Poderia ter dado uma congestão e ficado com sequelas.
Foi então que Valdir resolveu entrar em cena. Com um graveto na mão mexeu no vômito, virando-se, depois, para o pessoal da arquibancada com o dedo polegar para baixo e fazendo cara de surpresa:
- Co-co-como é que-que se diz?! Só-só-só tem fei-fei-feijão ! Car-car-carne que é bom...
Foi uma gargalhada geral!
Valdir era o carteiro mais divertido da cidade. Ele e Jorge da Arara faziam uma dupla dinâmica e sempre bem humorada.
VALDIR À FRENTE DA BANDA DO GINÁSIO
Nomeado para dar aulas de educação física no então Ginásio da Cachoeira, Valdir tornou-se instrutor da Banda Marcial (foto ao lado) que foi (não sei se continua sendo), o ponto alto dos desfiles do 25 de Junho, data magna da histórica cidade baiana, nos tempos em que não havia Drag Queen, Reggae e outras viadagens.
Meus irmãos Erione e Roque tocaram na banda. Meus filhos Dico, Rosinha  e Lerinho, também. Este último, ainda no primário, sob a regência do professor Rogério, tocou como "mascote".
Meu compadre Valdir tinha sempre uma anedota pra contar e todo mundo ria, mesmo que a piada fosse já conhecida porque ele tinha um jeito especial de fazer as pessoas rirem, mesmo abusando da linguagem desbocada e o palavrão soava como a coisa mais natural do mundo. Pelo menos para nós, baianos.
Nos ensaios da banda, cada um dos componentes queria se exibir para as namoradas e insinuavam roteiros diferentes. Valdir acabava a discussão à sua maneira:
- Quem man-man-manda nes-nes-nesta po-po-porra sou eu, cam-cam-cambada de sa-sa-sacana !
A turma toda o adorava. Todo e qualquer jovem da cidade e da vizinha São Félix queria tocar na banda, O barbeiro conhecido pela alcunha de Palito, um sujeito boa praça, contou com o lobby de alguns alunos da turma:
- Valdir ! Ô Pingareu ! Arruma um lugarzinho para o colega Palito tocar...Qualquer galho Palito quebra !
- Ele pode tocar bumbo !
E Valdir retrucou:
- Pa-pa-palito to-to-tocar o quê?! Com a-a-aquele fí-fí-físico de jogar ba-ba-barandão?!
E a turma insistia:
- Ele pode tocar trompete, Pingareu !
E ele, surpreso:
- Pistom ?!  Se-se-seria um fra-fra-fracasso igualzinho a Bussuçu !
Valdir então relembrou dos tempos idos, quando Marinho, primogênito da Família Lobo criou no trompete o toque original que se usa até hoje usando os primeiros acordes do Hino da Cachoeira. E deu a sua palavra final:
- Man-man-manda Pa-pa-palito pa-pa-palitar o c* da mãe !
Um antigo componente da banda que passou a residir em São Paulo, onde trabalhava e estava noivo, vindo matar a saudade da terrinha, veio munido com aquele gravador enorme. Ah, todos iriam ouvir em São Paulo aquela banda que ele participara e sempre falava ! Todos iriam ouvir o toque maravilhoso e inigualável da banda do Ginásio da Cachoeira.
Em lá retornando, o coleguinha reuniu as famílias (dele e da noiva) em volta do gravador. Com a mão trêmula, mal disfarçando a emoção ele ligou o equipamento. Ele fazia gestos de um maestro. De repente mostrou um dos braços:
- Veja, gente, como é que eu fiquei arrepiado !
De repente uma voz inaudível, encoberta pelo som dos tambores foi ficando audível. Era a voz inconfundível do seu amado professor Valdir de Gegeu:
- Se-se-segura o ri-ri-ritmo cam-cam-cambada de sa-sa-sacana !
E mais adiante:
- Po-po-porra ! Ca-ca-caralho!
E antes do nosso personagem desligar o gravador, sem saber onde enfiar a cara envergonhada, ainda houve tempo de se ouvir:
- Tá tá tá tá rebocado quem dei-dei-deixar a ba-ba-baqueta ca-ca-cair de novo !  Se-se-segura esta po-po-porra fir-fir-firme. Pa-pa-parece que estão ba-ba-batendo pu-pu-punheta !
Como era corriqueiro, o nosso amigo esqueceu-se de um pequeno e fundamental detalhe; palavrão dito por Valdir fazia parte do seu comportamento de legítimo baiano.








Um comentário:

  1. Meu padrinho, Waldir. Que figura! E a dupla com você, painho, então, impagável. Só me lembro do caso do tubo, na festa de n Sra do Rosário... Fica a dica pra recontar este. Bjs

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