terça-feira, 30 de julho de 2013

OPINIÃO
A visita do Papa Francisco

Não exagero ao afirmar que o carioca se assemelha a nós baianos, em muitas coisas. Esta observação faz sentido, sobretudo se a gente retroagir na história e observar que, ao virem escorraçados de Portugal diante da ameaça de invasão das tropas napoleônicas, D.João VI e toda a Corte desembarcaram na velha Bahia de Todos os Santos. Depois de algum tempo por lá, ao virem para o Rio de Janeiro, uma parcela considerável de baianos os seguiram. Assim, caríssimos, de certa forma, houve uma influência na cultura e no comportamento do carioca.
Eu tenho um amigo nascido aqui no Rio que gosta de brincar comigo dizendo o seguinte: "Já pensou se tivesse um jeito de pegar o Espírito Santo e transformá-lo numa ilha?" E ele mesmo responde: "a aproximação geográfica entre a Bahia e o Rio seria uma jóia né mesmo meu rei ?!"
Desde quando visitei o Rio pela primeira vez na qualidade de componente do grupo vocal Os Tincoãs, pude observar como nós, baianos, nos identificamos com os cariocas e como somos bem recebidos, até nas gozações. Acolher bem ao visitante não deixa de ser um exercício de paciência e tolerância, um traço marcante de cariocas e baianos.Na minha Cachoeira, na Bahia ( faço sempre esta ressalva porque este blogger vem sendo acompanhado não apenas por baianos), já se dizia que, "tomar banho no Caquende e comer uma moqueca de petitinga (aqui é manjubinha), o sujeito tá ferrado; não vai mais embora! "
Durante a realização da Jornada Mundial da Juventude, o Rio hospedou mais de dois milhões de pessoas, um público enorme que causaria transtornos em qualquer metrópole do mundo. Guardadas as devidas proporções, lembrei dos primeiros anos da Feira do Porto com aquela "invasão" de turistas e uma cidade sem qualquer infra estrutura  mas, conforme testemunha ocular do cantor Moraes Moreira, "ninguém matava, ninguém morria / nas trincheiras da alegria /  o que explodia, era o amor !"
Logo na chegada do Papa, aconteceu um problemão: o Pontífice ficou engarrafado na Avenida Presidente Vargas ! O Papa ficou na dele, sorridente, solícito, enquanto a segurança entrava em pânico.
Assisti, também, a doutora Dilma discursando em nome de todo o país, (naturalmente orientada pelos formidáveis marqueteiros e "çabios" palacianos) equivocadamente partidularizando a sua fala enaltecendo os avanços produzidos nos dez anos de governo petista. Salvo melhor juízo, a "presidenta" não deveria ter feito aquele discurso eleitoreiro. O Papa, que é um dos homens mais bem informados do mundo, não esboçou qualquer reação mas, com certeza deve ter pensado : "do que, afinal, os jovens brasileiros estão protestando?"
Na sua fala dirigida aos jovens Sua Santidade disse que "é essencial que o jovem seja inconformado e isso é muito lindo!"
No dia seguinte fui naturalmente ao trabalho. Ao retornar, de metrô, por volta das 15 h. saltei na estação central a fim de passar para a linha um. Pretendia, como de costume, vir até a estação Siqueira Campos em Copacabana onde moro. De repente, galera, a composição parou. O condutor, veio com o mesmo aviso de sempre: "estamos aguardando a liberação da plataforma à frente!"   
Depois de meia hora ele mudou de discurso: "os nossos técnicos estão reparando um pequeno dano nos cabos transmissores de energia elétrica!"
Dentro da composição, a precária iluminação e a falta de refrigeração levou algumas pessoas a passarem mal.
Por fim, a voz do condutor pedindo calma e informando que a composição seria evacuada de "forma ordeira e coordenada pelo pessoal do metrô". Passaram-se duas horas de sofrimento. Andei sobre os trilhos até a estação presidente Vargas sob a precária iluminação dos modernos telefones celulares.
Pegar um ônibus vazio na presidente Vargas àquelas alturas do campeonato, véi, não foi mole para o locutor que vos fala. Mas,cheguei em casa são e salvo e com a certeza que não arredaria mais os ´pés de casa. Chega de filas dee metrô, ônibus superlotados, taxista cobrando no "tiro"...
No domingo pela manhã, apesar do frio, o sol apareceu. resolvi dar um pulinho até a orla, absorver um pouco daquela energia positiva dos jovens peregrinos, uma beleza para um bairro que concentra o maior número de idosos do país, o verdadeiro Jurassic Park do qual fazemos parte.
Pude perceber que as falhas apresentadas foram tiradas de letra pela turma. Pensei com os meus botões: " na Copa não será assim; torcedores alemãs e ingleses vão frequentar boates, encher a cara de cerveja e vão dar muito trabalho!"
Por fim, amigos, como todos devem ter ouvido e lido as reportagens acerca das falas do Papa Francisco, como o carioca não perde uma chance para uma piada, circulou aqui a seguinte:
O Papa informou que já estava sentindo saudades e que retornará em 2017, exatamente quando Eduardo Paes não será mais prefeito. A segunda, é que não haverá problema na escolha da casa do próximo pobre que ele visitará; será a do Eike Natista, no bairro de Cosme Velho.












Nenhum comentário:

Postar um comentário