sábado, 17 de agosto de 2013

Félix de Brito, o bom Samaritano
                                                                   Francisco José de Mello (CHIQUINHO MELO)

CHIQUINHO MELLO
Félix Manoel de Brito, partiu !  Há um dito popular no qual se diz que "se reconhece os méritos do indivíduo, depois que ele morre!" Mas, Félix Brito não foi assim, pois, sua vida foi um livro aberto. Poucos podem reunir tantas virtudes, tantas qualidades a um só tempo!
Espírita convicto, jamais negou sua ajuda fraterna a aqueles que o procuravam, mesmo se tratasse de pessoas que divergiam da religião que professava.
Em todos que lhe procuravam, ele via, apenas, o irmão que precisava da sua ajuda.
Ele era como o Samaritano da parábola do Evangelho de São Lucas, capítulo 20 versículos 25 a 27.
Conhecedor perfeito dos ritos maçônicos foi, também, um estudioso incansável da doutrina espírita, primando pela tolerância e anti-radicalismo. 
Sua vida foi um exemplo de dignidade.
Profissional excelente, bom chefe de família, pai extremoso e bom amigo.
Aliada às suas qualidades morais, era portador de um senso de equilíbrio extraordinário. Jamais perdia a serenidade, e era incapaz de elevar a voz para quem quer que fosse.
Sua moderação se refletia até na sua maneira de falar e andar compassado...sem pressa.
Lembro-me que, depois do seu primeiro enfarte ele me disse: "Recebi ajuda do Alto, deixando que minha vida física se prolongasse mais um pouco e que eu ganhasse algum tempo em benefício do meu processo de resgate".
Sua evolução era tão acentuada que, nas crises que sequenciaram seu primeiro enfarte, jamais vimos, nele, qualquer gesto de amargura. Muitas vezes, mesmo quando sua fala desaparecia, víamos aquele sorriso brando, próprio daqueles que aceitam o sofrimento como uma bênção.
Acredito que o desprendimento do seu perispírito foi rápido. Deve ter ocorrido durante o estado de como, ao qual seu organismo foi submetido. Isto porque Félix Brito estava preparado para um desencarne suave, sem atribulações, tal era a sua evolução espiritual.
Seu espírito, com o seu sorriso manso, assistiu as homenagens fúnebres que foram prestadas pelos seus irmãos e amigos, e com a humildade que lhe caracterizava, deve ter tentado dizer aos presentes: "Nada fiz para merecer homenagens, pois, desencarnei, ainda, com muitas dívidas a resgatar"
Félix Manoel de Brito, um homem justo e perfeito. Sua vida foi útil e fecunda, mercê da sua extraordinária capacidade de doação.
(Publicado no jornal A Ordem - agosto de 1988)

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