sábado, 17 de agosto de 2013

MEMÓRIA
O SUICÍDIO DE VARGAS
ERIVALDO BRITO
Estava, como disse o poeta Casimiro de Abreu, "na aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais", naquela manhã de 24 de agosto de 1954, quando ouvi, assustado, uma gritaria assustadora, um alarido histérico; eram as operárias da fábrica Leite & Alves. O que teria acontecido? Qual teria sido a razão de tamanha gritaria? A minha madrinha, Laura, deu-nos a todos no sobrado a resposta:
- Getúlio se matou ! Deu agorinha mesmo no Repórter Esso ! 
A gritaria se misturava com lágrimas, com lamúrias em altos brados. Corri à janela e vi a rua completamente cheia de gente, mulheres gritando com os cabelos desalinhados, desvairadas pelas calçadas onde muitas desmaiaram. Balbino, sobrinho de Iaiá (criada desde pequena na família Soares) informou que o hospital da Santa Casa estava "entupido de gente!!!" 
Getúlio Vargas governou o país de forma ditatorial durante 15 anos, depois fôra eleito democraticamente para um mandato de cinco anos. Sofria implacável oposição capitaneada pelo então jornalista Carlos Lacerda.
Então, na madrugada do dia 5 de agosto, Gregório, o chefe da guarda pessoal do presidente planejou um atentado a fim de eliminar Lacerda que estava na Rua Toneleiro aqui no Rio de Janeiro, acompanhado de Rubens Vaz, oficial da Aeronáutica que acabou morrendo. 
Interior da fábrica Leite & Alves com as operárias trabalhando
Os ataques aumentaram de forma assustadora com o apoio das Forças Armadas que passaram a pedir a renúncia de Vergas. Acuado no Palácio do Catete, Vargas tomou uma decisão que  ninguém, muito menos a oposição esperava: suicidou-se !  Deixou uma Carta Testamento que emocionou o Brasil. O golpe que estava se delineando tivera de ser protelado por mais dez anos.



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