sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A HISTÓRIA DE
                            Os Tincoãs / 2
 
 A escolha do nome, por sorteio, conforme dissemos, era exatamente o que eu desejava, uma lenda amazônica, quando nós temos, no paraguaçu, uma lenda muito bonita que é a de Pedra do Cavalo.
Vamos, então, contar a lenda amazônica: um indígena tuxaua navegava em águas tranquilas de um rio.  De repente ele percebeu  que estava avançando em direção a uma queda de água de despencava de uma altura enorme.
O índio começou a remar com todas as suas forças para alcançar a margem. Esforço inútil.  E ele remava e o barulho aumentava. O ruído ensurdecedor o deixava em pânico. Apavorado, num relance, percebeu que um pássaro voava acima da sua cabeça. Entre lágrimas implorou:
- Pássaro ! Empresta-me as tuas asas para que eu possa escapar com vida e chegar são e salvo à minha tribo !
O pássaro (foto) mergulhou no rio e a embarcação do tuxaua conseguiu atingir a margem. 
Finalmente ele chegou à sua tribo. Em lá chegando, encontrou toda a comunidade em festa. Era por causa de um guerreiro desconhecido que se achava presente. Era um sujeito bonito e de porte atlético. Quem seria o guerreiro desconhecido pra ele e que, ainda por cima despertava atenção especial da sua noiva?   Pensou em partir pra cima mas, conteve os seus impulsos e acabou sendo expulso acusado de covardia. Bateu em retirada. Quando estava de volta à sua canoa, percebeu que estava sendo seguido e perseguido pelos homens da sua própria tribo
Se fosse pego seria morto. De repente ouviu-se um estrondo assustador: era o som da cascata.  Os índios que o perseguia entraram em pânico. Um pássaro apareceu de novo acima da sua cabeça cantando:
- Tincoã!  Tincoã !
A noite desceu de repente, tudo escureceu. Os perseguidores foram tragados pelas águas do rio, enquanto o guerreiro tuxaua criava asas e seguia em busca de novas paragens.
Gostaram? É essa a lenda do pássaro amazônico que deu origem ao trio vocal cachoeirano
 Os Tincoãs 
 A bem da verdade, amigos, não tínhamos qualquer pretensão, qualquer pensamento em criarmos uma estrutura profissionalizante. Éramos jovens, fazíamos música no intuito de mostrar a nossa arte, pelo simples prazer de fazê-la, uma coisa simplesmente amadora. A gente amava a música romântica vocalizada e buscávamos um aperfeiçoamento através de incessantes ensaios.
Numa noite de ensaio, no "Expresso Bahiano" onde Dadinho trabalhava, falei com ele e Heraldo que tínhamos a necessidade de criar um estilo a fim de que, quando nos ouvissem cantar pudessem distinguir-nos de outros trios como ocorria com os trio Nagô, Iraquitan, Los Panchos, Esperança, etc. 
Joselito Bras apareceu com um elepê que emprestou a Dadinho intitulado "Tuia" com o Trio Los Tres Diamantes, um trio pouco conhecido no Brasil e mais antigo do que o Los Panchos  Pronto! Era a "matriz"  que todos os artistas iniciantes necessitam para se firmarem no meio artístico.
Dias depois, o Cine Glória exibiria um filme da Pelmex chamado "Serenata em Acapulco" onde Los Tres Diamantes cantavam o bolero "Vereda Tropical"  Voltamos a estudar o disco com todo o afinco. Vimos da necessidade de exercícios respiratórios, de dividirmos as sílabas ao mesmo tempo e de cantarmos uníssono, quando necessário, sem que um se destacasse do outro.
Por fim, ensaiando no Hotel Colombo, parou para escutar-nos o engenheiro de nome Raimundo, o homem que implantou a televisão na Bahia. Ele  estava ali hospedado vez que, era noivo de Gerda Shinquie (não sei se escrevi corretamente. Era irmã da esposa do saudoso Hermano Martfeld que acabou sendo contratado como Câmera Men da emissora. Gerda era uma moça linda. Morava em São Félix num sobrado que acabou pegando fogo.
Raimundo então fez a proposta:
- Vocês querem participar de um programa na TV Itapoan? É um concurso de calouros. Vocês vão dia tal, eu apresento vocês ao produtor do programa e vocês vão cantar essa música "El Reloj".
Viajamos no dia marcado, véspera do programa. Fomos num ônibus da Empresa de Transporte Odália, de propriedade do amigo e empresário Carlos Menezes, o Carlito do Bicho. Esclarecemos que, naquela época, o Jogo do Bicho não era contravenção na Bahia. Foi liberado pelo então Governador Juracy Magalhães e os impostos era destinados às Instituições da Caridade
Em Salvador, ficamos hospedados num velho sobrado que aparece na cena final do filme "Dona Flor e seus dois maridos", no largo da Palma, onde eram pensionistas muitos cachoeiranos que estudavam ou trabalhavam na capital.
O programa era apresentado por Murilo Neri e chamava-se "Escada para o Sucesso".
Os Tincoãs naquela noite conseguiram a classificação para a final: primeiro lugar !
Quando retornamos à Cachoeira, era o assunto de que todos falavam. Uma coisa extraordinária aparecerem na telinha da grande novidade eletrônica da época  aqueles meninos filhos de Totonho Cabeçorra, Jessé e seu Aurélio do Hotel Colombo!
E vamos que vamos para a finalíssima. Na próxima postagem a gente continua.
 
 

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