terça-feira, 24 de setembro de 2013

MEMÓRIA
  Padre Fernando Carneiro
O DIA 25 DE SETEMBRO foi, durante longos anos, a data social mais importante da cidade da Cachoeira, porque era o dia do aniversário do padre Fernando,(foto) Vigário da Paróquia.
Ainda adolescente,aproximei-me dele pelo simples fato da fazer parte do Grupo Coral criado pela dinâmica professora Zezé Magalhães,e,pouco depois, dar uma canja na locução do serviço de alto-falantes "A Voz da Assistência Social da Cachoeira", cujo titular era o amigo Gilberto Braga.
Na equipe que se formou para viabilizar a construção da Casa Paroquial da Cachoeira fiz parte de vários shows.
Quando da aquisição do terreno junto à casa de Betinho Álém, escrevi numa tabuleta:  "Aquí, mercê de Deus, será construída a Casa Paroquial da Cachoeira".
A meu pedido, o talentoso professor Renato Queiroz fez a planta e a fachada do prédio como hoje pode ser visto.
O padre Carneiro, embora aparentemente conservador não era homofóbico, tolerava as crenças alheias, cultuava respeito pelas Irmãs da Boa Morte, era esportista nato, muito contribuindo na construção do estádio cachoeirano, acompanhando pessoalmente aos jogos da seleção cachoeirana onde quer que jogasse.
Extremamente popular, raramente cobrava pelos serviços religiosos porquanto tinha o apoio financeiro da sua progenitora dona Beatriz, era funcionário do estado (chegou a assumir a direção do Ginásio da Cachoeira) e Capelão do Juliano Moreira, em Salvador.
A sua popularidade era tão grande que, seria imbatível se postulasse, por exemplo, o cargo de prefeito. Decidiu-se em apoiar abertamente a campanha de Julião Gomes dos Santos. Isso lhe custou uma campanha sistemática do semanário "A Cachoeira". Depois, como colorário da campanha, no dia da festa do Rosário, o padre Fernando ao avistar o deputado Augusto Publio em pé, na porta de entrada, saiu do altar e foi convidar o político a sentar-se num local destinado às autoridades. Inexplicavelmente o experimentado político recusou-se acintosamente. A vitória de Julião, foi, na época a mais consagradora da história política da Cachoeira.
Algumas vezes peguei carona com ele para Salvador. Maroto e Armando, dois muritibanos, eram os seus motoristas preferidos.
Certo dia entramos a pé no Juliano Moreira. Uma interna aproximou-se de nós chamando o clérigo de "padre Bahia":  Padre Bahia!  Padre Bahia!
O padre Fernando parou a fim de atendê-la. Ela, batendo as mãos na batina que ele usava perguntou: "O senhor tá tomando Postafen?"
Postafen era um remédio que se tomava para engordar, você lembra?
De outra feita, no mesmo Juliano Moreira, de dentro de uma cela, uma interna perguntou: "Padre, padre ! Cadê aquele chofer de zoi freteiro?"
Padre Fernando virou-se para Maroto e disse: "Misericórdia seu Maroto: Armando não respeita nem doida !!!"
O dia 25 de setembro nos meus tempos saudosos da Cachoeira era o dia do aniversário do padre Fernando de Almeida Carneiro. Discursos, a presença da Minerva (padre Fernando foi presidente da filarmônica), alunos das professoras Ursulina e Esmeralda Actis, o Ginásio,e,sobretudo gente do povo. 
Creio amigos que, até hoje, nenhuma figura pública da Cachoeira conseguiu chegar próximo do que eram as manifestações daquela época.


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