sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Patrimônio Abandonado

Cuidar do acervo arquitetônico da cidade da Cachoeira, na Bahia, terra empapada de história e de varões ilustres (Teixeira de Freitas, Ana Nery, Os irmãos Rebouças...),sempre foi relegado  ao completo descaso, quer seja por parte de seus proprietários, familiares, herdeiros,e,também,governos ,municipal,  do estado e federal, uma vez que o município foi considerado Patrimônio Nacional.
O órgão federal incumbido de fiscalizar e executar intervenções protecionistas alega a falta de recursos para fazê-lo, restringindo-se a fazer escoramentos com caibros de fachadas totalmente destruídas. 
O quadro que se nos apresenta é desolador, perfeito para filmagens cujo roteiro englobe destruição, guerras... Para quem teve o privilégio de conhecer a Cachoeira há uns quarenta anos atrás...
Na realidade, minos e minas, nós, os baianos, não possuímos a consciência preservacionista dos mineiros, por exemplo. Comparem, mesmo em fotografias, as cidades das Minas Gerais e vejam se não é covardia.
Alguns companheiros do "feice", outro dia, comentaram sobre a fachada do prédio da agência Bradesco, esquecendo-se do da Caixa Econômica Federal que poderia ter sido bem melhor do que o que está.
Na década de quarenta eu estava ainda um menino, mas, lembro-me da existência do Banco de Administração que funcionava na Rua das Lojas (Ruy Barbosa), no local onde foi (não sei se ainda é), a Funerária de dona Nita e Francisco Elias, o Chiquinho do Caixão.
Pois bem; ao ser encampado pelo Banco da Bahia, cujo vice-presidente era o doutor 
Fernando Góes, que havia sido delegado de carreira, na Cachoeira, recebeu a doação por parte da prefeitura do terreno onde funcionava o Curral do Conselho (foto) local destinado a colocarem-se os animais soltos na rua, sobretudo nos dias de feira livre.
O doutor Fernando Góes apresentou a planta que foi aprovada e elogiada pelos cachoeiranos da época pois o terreno era baldio com muros e portões em completa ruína.
No dia 21 do mês passado, em São João del Rei, a doutora Dilma anunciou que, o governo federal vai investir um bilhão e novecentos milhões em obras de restauração do patrimônio histórico nos próximos três anos.
Então, turma, além de uma linha de crédito para financiamentos para restauro de imóveis particulares, a União vai disponibilizar recursos para os prédios históricos. Claro que será necessária a elaboração de projetos junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de o  preenchimento de um catatau de documentos exigidos pela emperrada burocracia nacional a fim de que as obras sejam licitadas.
Se os cachoeiranos dormirem de touca, se derem uma de Zé Ruela, ficaremos de fora do aludido programa. 
Vamos acordar, gente !

Um comentário:

  1. Prezado Erivaldo,

    Dei-me ao trabalho de verificar quais os investimentos previstos no chamado PAC das Cidades Históricas.
    Na Bahia foram contempladas, dentre outras, Salvador, Itaparica e Maragogipe. Salvo minha miopia não tenha permitido ver direito, para Cachoeira, não está destinado nem um mísero real.
    É assim que se preserva e se incentiva turismo?

    Carlos França Melo de Morais

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