sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Arnol, o cineasta esquecido

Até mesmo os que o conhecia não sabiam que aquele caboclo modesto nascido na Cachoeira e morador na Ponta da Calçada, havia participado como ajudante ou assistente de câmera de filmes famosos como "Barravento" (Gláuber Rocha), "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (Bruno Barreto) "A Tenda dos Milagres" (Nelson Pereira dos Santos) e o premiadíssimo "O Pagador de Promessas" onde ele, inclusive participou como figurante. (Anselmo Duarte)

Foto: Revista Panorama Bahia
Arnol Conceição (foto), de andar malemolente pelas ruas da cidade, portava sempre a sua máquina fotográfica, ávido por encontrar algo digno de registro. 
Vivia de fotografar casamentos, festividades religiosas etc. As primeiras fotos profissionais em cores do meu filho caçula, Tinho Brito, foram tiradas por ele que também colaborava com o jornal A Ordem que eu era diretor e editor.
Arnol era extremamente modesto, não andava "se cartando" porém, tinha a experiência dos grandes diretores da cinematografia nacional e,por isso mesmo, mantinha em sua mente e no seu coração o desejo de produzir o seu próprio filme. Como fazê-lo, enfim, sem os recursos e incentivos que se destinam apenas aos que têm nome consagrado?
"Com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", no dizer de Gláuber Rocha, o nosso conterrâneo partiu para realizar o seu  filme documentário para homenagear o Paraguaçu com o nome de "O Rio da Vida".
Esperava contar com o apôio do governo, da Odebrecht ou qualquer outra empreteira do consórcio ou da própria Desenvale.
Da minha parte, devido ao conhecimento obtido com o mensário Desenvale Notícias
tentei "vender" o projeto de Arnol. Infelizmente estava prestes a mudar o comando da empresa e ele não deve ter conseguido grandes coisas.
Cheguei a ver na residência de Arnol o chamado "copião" do seu filme. Lindas imagens! Quanta sensibilidade !
Hoje, volvidos mais de vinte e cinco anos, pergunto a quem sabe: o filme ficou inconcluso ?  Está no poder de quem? A Votorantim, que está  no controle operacional da barragem de Pedra do Cavalo interessar-se-ia pelo filme que engloba aspectos da construção do complexo?
Acredito que haja tempop, ainda, de se preservar essa obra única de um sonhador, o único cineasta cachoeirano, o meu amigo Arnol Conceição.

Um comentário:

  1. Estive olhando seu blog e li algumas de suas reportagens que me chamaram muita a atenção e fiquei mais impressionada foi com seu acervo fotográfico riquíssimo.
    Meu nome é Nilda Torres, ou uma pedagoga e atualmente estou concluindo minha segunda graduação em Museologia na UFRB, e temos uma disciplina em que temos que montar uma exposição. Minha turma escolheu falar sobre o Cine Teatro Cachoeirano, e gostaria de saber se o senhor conhece algumas histórias sobre o local e algumas fotografias.
    Procuramos no acervo da Biblioteca Municipal da Cachoeira, mas o arquivo está sendo restaurado e nossa entrada no local foi barrada, ainda estamos procurando nas bibliotecas de São Félix e de Muritiba.
    Nossa exposição será divindade em dois turnos: O primeiro será sobre a cachoeira e a construção do cinema, e o segundo será de relatos pessoais que frequentavam o local e o que mais elas gostava no ambiente do Cine Teatro.

    Agradeço sua atenção,
    Nilda Torres

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