sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Saudades !
O meu professor Aloísio Souza (Escola Duque de Caxias na ladeira do Monte), dava suas aulas utilizando-se da Crestomatia, um livro grosso, na realidade uma coletânea notável de passagens literárias.
Ele costumava dizer, com exagerada dose de ufanismo, que a palavra "saudade" não tinha concorrente em nenhuma língua do mundo! Há controvérsia, naturalmente.
Se você acessar o Goolge e colocar a palavra "saudade", em fração de segundos vão aparecer na telinha milhares de definições, frases, poemas, o escambau.
O meu caçula e xará Tinho Brito, reclamava pra caramba que nós nunca tínhamos musicalmente feito nada juntos. Bem, eu estou "enferrujado" mas, diante dos apelos (quase escrevi imposição), falei: "Vamos fazer?"  Ele correu, apanhou o violão, feriu um tom e eu comecei a solfejar alguma melodia esquecida num cantinho da minha memória;O tema, qual foi? Isso, isso,isso! Saudade !
 "Saudade, quem ti trouxe aqui ?! / Nas cores da minha aquarela / Dos sonhos que sonhei com ela / Daria um tema de novela / Recordo...tenho guardado na lembrança / Que desde os tempos de criança / O meu amor, foi ela ! "
E por ai vai, galera.
Como saudade não tem uma definição perfeita, porque é um sentimento abstrato que sentimos do passado (ninguém sente saudade do presente e muito menos do futuro), hoje eu acordei com saudades, no plural conforme aparece em letras garfais no título.
Saudades de quê?!  Calma, gente curiosa, vou listar:
- Do bombocado e do aponã de dona Lalu, uma das grandes doceiras da minha infância.
- Do bombom de jenipapo que Jorge da Arara vendia. Não sei se era fabricação própria.
- Do Lero-lero (mingau de tapioca) e da Lambreta (doce de leite) do Bar 7 Portas.
- Do mingau de milho verde de Madá, na porta do mercado municipal, acompanhado de uma lambada de requeijão.
- Do acarajé de Matildes, no passeio do Solis Bar do saudoso Domingão.
- Da feijoada e da maniçoba de dona Loló na parte interna do citado mercado.
- Da moqueca de petitinga de Nair.
- Da casquinha de siri e da carne do sol de dona Lourdes da Gruta Azul.
- Do refresco de cajá do Bar Regina, um especialidade do sempre lembrado amigo professor Renato Queiroz.
- De licor de jenipapo do também saudoso amigo Roque Pinto (foto)
- Do picolé de côco de Nadinho Viramundo.
- Idem, idem de umbú do bar de Brito na Rua da Feira.
- Do pão sovado, das bolachas  Adelina e Paciência da Padaria do Povo de Deoredo Mascarenhas.
- Dos banhos do banheiro do Caquende, depois de dar uma passadinha do Alambique de Edgard Teixeira Rocha.
- Do cheiro de maresia formado pela nebolização das águas do meu Paraguaçu durante as chamadas marés de "malço".
- Do cheiro acre-doce da fábrica Leitalves.
- Do apito do navio Paraguaçu quando apontava na Pedra da Beleia.
- Do filme "Carmen" que eu assisti na inauguração do Cine Glória.
- Dos babas que eu joguei no adro da Igreja do Monte.
- Das piadas e imitações do saudoso Didi da Bahiana.
- Das serenatas que Os Tincoãs faziam quase todos os finais de semana a fim de homenagear as garotas da cidade.
A lista é interminável. Quem vivenciou pode curtir ou partilhar e, naturalmente,acrescentar as suas saudades pessoais.


 
 

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