sábado, 30 de novembro de 2013

A historia de Os Tincoãs/9

Se não estou enganado, naqueles tempos existiam quatro emissoras de televisão no Rio de Janeiro. A TV Rio era na Avenida Atlântica pertinho da praia de Copacabana onde eu estava ainda a pouco sentado com meu caderninho de anotações.
A referida emissora apresentava aos domingos o programa “Noite de Gala” de enorme audiência. Os Tincoãs não conseguiram agendar nenhuma apresentação, o mesmo ocorrendo com a TV Excelcior, canal 9.
O primeiro programa televisivo que Os Tincoãs participaram no Rio foi o “Almoço com as Estrelas” de Aerton Perlingeiro e sua esposa Lolita Rodrigues na TV Tupi.
PROGRAMA"ALMOÇO COM AS  ESTRELAS"

O programa se desenrolava num cenário de um restaurante com mesas postas, garçons, refrigerantes e refeição enquanto Aerton (foto) batia papo e fazia entrevistas com os convidados.
Duas mesas próximas a nossa estavam conhecidos e festejados jogadores de futebol que atuaram pela seleção brasileira na Copa de 50 e perderam afinal para o Uruguai em pleno Maracanã. Lembrei-me de ter ouvido na retransmissão pelo alto falantes A Voz do Norte, e presenciado a euforia dos torcedores que assistiam a uma partida do campeonato cachoeirano no Ubaldino de Assis, quando Friaça marcou o gol brasileiro.

O GOL DE FRIAÇA PARA O BRASIL
naturalmente o mais importante, mesmo volvidos dez anos, porque ele foi acusado de ter levado um frango! Ele disse na ocasião que não esperava que o atacante uruguaio Gigia fosse chutar para o gol, daquela posição quase sem ângulo, quando o certo seria fazer um cruzamento. Ele até especulou que o cruzamento não deu certo e a bola acabou entrando rente à trave.
Lembrei-me que ouvia do meu pai, (vascaino roxo),a defesa de Barbosa, que ele havia feito partidas memoráveis e que justificaram a sua convocação e titularidade.
Barbosa desabafou em sua entrevista que já não aguentava mais falar daquele jogo que sempre voltava nas noites de seus pesadelos.
Contou de um fato interessante que aconteceu na sua carreira. Foi assim: durante toda a semana as emissoras de rádio e os jornais cariocas noticiavam sobre um problema no seu joelho direito e que provavelmente o afastaria do jogo entre o Vasco e o América, um grande clássico na época.
Para surpresa geral o goleiro vascaino entrou para jogar com o seu joelho direito devidamente protegido por uma vistosa joelheira.
Crianças, naqueles tempos o goleiro não era intocável, podia ser “chargeado”, ou melhor dizendo, ser empurrado dentro do gol na cobrança de um escanteio. E valia o gol !
O centroavante do América era o impetuoso Alarcon e veio com a determinação de tirar o Barbosa do jogo. E ele não perdia chance. Na primeira subida ele...pau ! No primeiro escanteio ele nem foi na bola, foi direto no joelho direito de Barbosa.
Quando terminou a partida, segundo Barbosa, ele se aproximou do atleta do América, abraçou-o e disse mais ou menos o seguinte:
BARBOSA EM AÇÃO
- Meu filho; você é novo e naturalmente recebeu instruções do seu técnico para me tirar do jogo. Diga pra ele, e que isso sirva de lição pra você também, que o meu joelho lesionado não é o direito, o que eu coloquei a joelheira, é o esquerdo !
A TV Continental ficava nas Laranjeiras. Os Tincoãs estiveram num musical onde a estrela principal era Cauby Peixoto que na ocasião havia retornado ao Brasil após uma excursão vitoriosa aos EUA.
A televisão brasileira estava engatinhando, não havia recursos tecnológicos disponíveis, videotaipe, programas ao vivo...reinava,então, o famoso jeitinho brasileiro.
Cauby deu um verdadeiro show de mobilidade, de jogo de cena quando todos os artistas cantavam estáticos. E ele cantou,cantou,cantou:
- Tarde fria/ sozinho espero/ Só você que não vem/ eu quero... 
- Se o amor é uma pérola clara / Se tem o ardor de um rubi / Se estão nesse amor que devoto a ti / A gema rara e o rubi...
Cauby tem um ouvido privilegiadíssimo. Naquele programa da TV Continental ele apareceu com uma técnica exclusiva da cantora norte-americana Ella Fitzgerald. É a seguinte: quando o cantor interpreta a primeira e a segunda parte da melodia, a orquestra transporta o tom a fim de fazer o seu arranjo,e,logo à seguir. Volta ao tom natural do cantor(a). Cauby, um ou dois tempos antes entrou cantando! Não sei se hoje tem algum cantor(a) tem essa capacidade.
Quando retornamos para casa inquiri a companheiro Dadinho:
- Magnata você prestou a atenção o que o Cauby fez antes de a orquestra passar a tonalidade pra ele voltar a cantar?
E ele me respondeu com um ditado da época:
- Matou de cipó e tapa!
 
Algum tempo depois que retornamos à Bahia, a TV Continental transferiu seus estúdios para o Boulevard 28 de Setembro em Vila Isabel, um prédio com um auditório com mais de setecentos lugares. A TV Continental faliu e Sílvio Santos adquiriu os equipamentos. No local veio a funcionar a Rádio Boas Novas onde curiosamente fomos diretor comercial e de programação e demos uma entrevista para a Emissora Radiovox (foto) no programa da minha amiga jornalista Alzira Costa falando exatamente de Os Tincoãs.
A narrativa vai continuar. Obrigado por terem nos acompanhado até aqui.
Datas Cachoeiranas
 
Fatos ocorridos no passado durante a primeira quinzena do mês de dezembro que nós vivenciamos ou lemos em algum jornal:
Dia 01 (1935) Era inaugurada na rua Ruy Barbosa, antiga Rua das Lojas, uma agência especializada em conserto e venda de máquinas de costura cujo proprietário era o senhor Afonso António Ferreira.
Dia 02 (1956) – O Cruzeiro Cachoeirano, disputando o campeonato sanfelixta onde era filiado, conseguia espetacular vitória de 4 a 3 sobre o Ferroviário após estar perdendo por 3 a 0, Os gols cachoeirano foram marcados por Alírio (dois), Futrica e Vaduca.
Dia 03 (1956) – Avolumaram-se as águas do rio Paraguaçu que invadiram as ruas da cidade, causando estragos de sempre enquanto a garotada (foto) se diverte alheia aos prejuízos.
À esquerda da foto aparece a ruína da casa que os antigos diziam que morava Joãozinho da Goméia,seguindo-se a residência do deputado Augusto Públio. Na janela do sobrado, o adovogado Furtunato Dórea.
Dia 04 (1907) – A filarmónica Minerva Cachoeirana anunciava através da imprensa local a chegada do novo fardamento vindo da Europa. Que luxo, hein?
Dia 05 (1969) – Encontrava-se armado na praça Maciel o Circo Berlim apresentando um espetáculo variado que vinha agradando ao público.
Dia 06 (1989) – O velho e incansável jornalista Felisberto Gomes (foto abaixo), anunciava não ser mais possível continuar mantendo em circulação o semanário A Cachoeira, que teve sua última edição (a de número 2.603) em 1º de novembro.
A Cachoeira era de propriedade da família Vacarezza e sua redação era na Rua Virgílio Damásio, tendo como dirigente o doutor Augusto Públio. Do corpo redacional ao longo dos anos, destacamos as figuras do doutor Artur Marques, Augusto de Azevedo Luz, Durval Cajazeira, Francisco Andrade de Carvalho, António Loureiro de Brito (Jessé) e Sapucaia Sobrinho.
A Felisberto, carinhosamente chamado de Briô, não obstante alguns deslizes tidos como “politicamente incorretos”,deve-se-lhe a Cachoeira e os cachoeiranos a tenacidade de manter um jornal deficitário durante mais de 30 anos, fazendo história, registrando fatos, nascimentos, casamentos, batizados, falecimentos etc.

Merecia, sem qualquer sombra de dúvidas, figurar no rol dos cachoeiranos ilustres.
Dia 07 (1931) – O cidadão Eduardo Santos, morador do Caquende, em plena via pública, atirou contra o próprio peito suicidando-se. Os motivos permaneceram desconhecidos.
Dia 08 (1961) – Era inaugurado festivamente um coreto no adro da igreja de N.S. Da Conceição do Monte. A minha turma ficou desolada. O local era a nossa área de lazer onde jogávamos os nossos babas ! Registro o fato ainda com uma certa decepção mesmo volvidos tantos anos.
Dia 09 (1851) – Nascia na Cachoeira Renério Martins Ramos, empresário, exportador de fumo e grande capitalista.
Quando ele faleceu, na Europa, deixou parte de sua fortuna para a sua terra natal o que foi anulado pela sua viúva, uma francesa, e pelos bons advogados que ela constituiu.
Há alguns anos passados debrucei-me pesquisando em jornais da época a fim de entender sobre o caso, mas alguns pontos ficaram obscuros até pelo meu desconhecimento das leis internacionais da época.
Dia 10 (1972) – Fazendo a sua estreia no 15º Torneio Intermunicipal de Futebol, a seleção cachoeirana goleava a de Nazaré das Farinhas por quatro a zero.
Dia 11 (1936) – O Instituto de Música da Bahia, secção da Cachoeira, dirigido pelas professoras Amélia Fróes e sua filha Stela, realizavam nos salões da Desportiva do Paraguaçu novos exames do alunado.
Dia 12 (1948) – No prédio da antiga,Escola Industrial da Cachoeira (foto),era criada a Cooperativa do Ginásio da Cachoeira, sendo eleito presidente o Dr. Marques.
Dia 13 (1921) – As chuvas de verão nas regiões onde se localizam os tributários do rio Paraguaçu constituem num longo histórico de enchentes que de certa forma contribuíram para a decadência económica da cidade.
Dia 14 (1920) – Era aprovada a planta da rede telefónica ligando Cachoeira à capital do estado e as cidades de São Félix, Santo Amaro da Purificação e São Francisco do Conde.. Um enorme progresso, na época.
 












Dia 15 (1915) Infelizmente temos novo registro de grande cheia do rio Paraguaçu causando grandes prejuízos à fábrica de tecidos São Carlos. Anos depois, seria instalada ali a fábrica de papéis e papelão Tororó.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Expressões Jurídicas

Quando algum ricaço bate as botas, - para ser mais educado -, vai para a Glória, os herdeiros já sentem o gostinho da herança. Agora, galera,o que é herança jacente?
Na linguagem jurídica, herança jacente é quando o morto não possui herdeiros conhecidos.
Jacente é um adjetivo que significa jaz (morto).








CURIOSIDADES DA BíBLIA


O meu saudoso amigo Pedro Tomás Pedreira, grande pesquisador e historiador,autor de livros e artigos em livros e jornais até fora do país, possuía em sua residência, em Santo Amaro, uma coleção notável de jingles antigos. Não sei que fim levou.
Quando eu era menino conhecia e canta de cor vários jingles: 
- Pilulas de Vida do doutor Ross, faz bem ao fígado de todos nós!
- Talco Ross muitas vezes mais fino, Talco Ross muitas vezes melhor...
- Coca Cola,Coca Cola, oi me faz um bem,Coca Cola,Coca Cola oi, o pra mim também, que pureza que sabor Coca Cola tem, nós queremos Coca Cola, Coca Cola faz um bem !

- Melhoral, Melhoral, é melhor e não faz mal!
Mesmo depois que surgiu aquele comprimido que tomou e a dor sumiu, jamais esqueci o Melhoral.
Mas, queridos, a Bíblia nos fala de uma pessoa que morreu de dor de cabeça, sabia? Foi a filha da mulher de Suném. Está em Segundo Livro dos Reis, capítulo 4, versículos 19 e 20. 

 

Entre “aspas”
O que disseram os amigos do nosso blogger através do e-mail britopatriarca@gmail.com:
Inácio Tadeu Gonçalves SilvaSOBRE MORENITO:
"Um personagem marcante na historia do futebol da Cachoeira , nos seus tempos bons."
Adilson Gomes
: "Concordo Tadeu. Só não entendi a questão da água benta da Ordem Terceira do Carmo /OTC."
Inacio Tadeu Goncalves Silva : "Porque quando eu era pequeno se dizia que agua era milagrosa e ao mesmo tempo era boa."
Liga Cachoeirana de Futebol :
"Bela história do saudoso Morenito"
Renato Queiroz (filho) escreveu: "Com certeza Mestre Jorginho! MÉRITO! Em tempo, o Cruzeiro primeiro que conheci foi em Cachoeira... no futebol um time de grandes histórias. Guardei uma matéria de 2011 de UFRB, me permita compartilhar... O Cruzeiro (re)vivia... Com certeza vc e o Tio Erivaldo, colecionam esse momento das antigas... http://www.ufrb.edu.br/reverso/2011/12/19/esporte-clube-cruzeiro-de-cachoeira-investe-na-divisao-de-base/Aql abc"
Antonio Moraes Ribeiro TROTE TELEFÕNICO
"Seu Aurelio recebia muitos trotes."
Dila Castro Lemos : "sr.Aurélio Bouzas,grande sujeito,conheci,"
Gil Carvalho -= OS TINCOÃS
"tenho saudade,muito bom."
Tinho Brito escreveu: "coisa boa lembrar de fatos que nem sequer vivenciei! Te amo Erivaldo Brito, meu pai!"
Luíz Dias - RECORDANDO SHOWS DO CINE GLÓRIA
escreveu: "Erivaldo Brito é uma das poucas pessoas que testemunharam coisas pitorescas da Cachoeira e soube interpretá-las com maestria. Ontem, eu vi num telejornal alguma coisa a respeito do cantor Cauby Peixoto e lembrei de uma estória dele aqui em Cachoeira. Certa feita, Cauby fez um show no Cine Teatro Cachoeirano, que na época era Cine Glória. A Praça 25 de Junho estava apinhada de gente querendo vê-lo sair do Hotel Colombo, onde estava hospedado, para o teatro citado, que fica um em frente ao outro. Não dava para sair, os seguranças eram poucos, de modo que o artista corria perigo. No entanto, tendo que forçosamente sair, Cauby encontrou uma bela saída, caminhando em direção ao teatro cantando a música Conceição - Con...cei...cããããoooo! O povo foi ao delírio. E Cauby cantava e dizia, "obrigado, meus fãs, minha cabeleira é toda sua!
Lembrei também de Eurico, que residia na casa de dona Dedé Onofre. Ele ficou famoso porque beijou os lábios de Ângela Maria no mesmo palco onde cantou Cauby Peixoto, no CTC. E também Felinho, que tocou pandeiro com ela. Mas o mais legal foi o do meu amigo Maciste. Num show de Agnaldo Timóteo, ele achou de subir ao palco e cantar, o que Timóteo anuiu. Ai ele mandou ver: "librêêêêê, assim como a brisêêêêê!". Ficou nos anais anedóticos cachoeiranos.
Lembro de Virgínia Lane cantando nas escadaria da Câmara de Vereadores. Ficou registrado na minha memória suas belas coxas e seu maiò rosa cheio de lantejoulas, o chapeu cheio de pluma, seu sorriso e rebolados. Foi fantástico. Foi num cívico 25 de junho.
Erivaldo Brito seria
Dalvaci Santiago : "Adoro essas histórias antigas...Beijos!" a pessoa a escrever essas coisas.

RESPOSTA:
Amigo Cacau: Por causa de Heraldo, velho amigo e companheiro de Os Tincoãs, sendo ele filho do dono do Hotel Colombo, estivemos no quarto onde Cauby se encontra hospedado . No meio da conversa ele perguntou quem era o mais gaiato cachoeirano que poderia estar no show. Unanimemente surgiu um nome de tresponsa, na época: Santaninha!
Cauby pediu que,antes dele entrar em cena,ainda na coxia,apontassem quem era o tal de Santaninha. No meio do show, Cauby saiu do palco, pegou Santaninha pelo braço e foi dançar com ele. O público foi ao delírio.



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A historia de Os Tincoãs/8


A boa notícia do início da semana era que a temporada de encerramento das atividades do Teatrinho Jardel iria prolongar-se um pouco mais. Estava, pois, garantida a grana para pagamento das mensalidades na “república”. Éramos quatro, afinal, Carlinhos Monteiro apesar do esforço, da boa-vontade e da pose de empresário, era calvo e andava de terno,não dispunha de grana para de fato empresariar, promover uma viagem do trio ao exterior como havia acontecido com o Trio Irakitan.
Os Tincoãs na Rádio Globo. Monteiro de terno e gravata.
No Teatrinho Jardel, um dos integrantes da equipe tirado a compositor andava importunando Dadinho. Esse é um tipo de problema que todos os artistas enfrentam e têm de administrar.
Enquanto Dadinho estava afinando o violão ele atacou: “Solta um Ré grande ai, baiano !” E começou a cantar a sua nova composição:
Só no bambolê / É no bambolear / Menina me diga se é no bambolê / Que você mexe todo o dia / Dia e noite sem parar./ Na praia de Copacabana / Minha nega me chamou pra ver o bambolê / Meteu-se dentro do troço / E a dona do troço zangou pra valer / E uma turma de curiosos fez logo uma roda / E aplaudiu como o quê / Só no bambolê / É no bambolear...” (etc)
O compositor chamava-se Pedro (não lembro mais de que) e morava na Mangueira. De tanto insistir, e como ele providenciou um carro, lá fomos nós até lá certa noite depois do espetáculo. Recebemos um tratamento especial e, no meio de sambistas, cantamos os nossos “bolerins” sob o olhar atento de um senhor com um nariz de coloração esquisita a que Dadinho comparou com o do flautista Menininho, que nos acompanhava no Coral do Monte, filho do maestro Tranquilino Bastos. O cidadão era o Cartola! (foto acima
Devido à recepção ao que sugerimos que o comediante Colé (foto ao lado),  fizesse em cena, ele próprio perguntou-me se tinha uma outra ideia. Disse pra ele que poderia fazer alguma coisa. No dia seguinte levei o script e ele aprovou. Era mais ou menos assim:
A cena se desenrolava num consultório médico. Os personagens era ele (doutor Cláudio) e uma atriz boazuda de nome Cláudia (a enfermeira Cláudia) que nutria por ele uma paixão enorme mas ela a tratava com o maior respeito: “dona Cláudia!”
Aquele mulheraço de um metro e oitenta, popozuda, rebolante e ele “dona Cláudia “ pra lá, “dona Cláudia” pra cá...
De repente ele sai de cena com uma recomendação:
- Dona Cláudia, a senhora manda buscar o prontuário, telefona para o laboratório pedindo os exames e apronta os atestados que tenho de assinar
E ela cheia de charme:
- Xá comigo doctor !
Logo depois ela se dirige ao público:
- Meu Deus, sou gamada por esse homem e ele nem tchum ! Não tenho ideia do que possa fazer para chamar a atenção dele...
Ai uma pessoa do teatro infiltrada no meio da plateia gritava:
- Tira a roupa !
E ela incentivando o apelo e fingindo inocência:
- Vocês acham que vai dar certo ?
Aí a plateia vinha abaixo:
- Tira a roupa! Tira a roupa! Tira a roupa!
E ela manhosamente começava a fazer o que as mulheres sabem fazer muito bem, ao som de uma música francesa. E ia tirando peça por peça, sem pressa até ficar apenas de calcinha e sutiã. E a turma querendo mais!
Quando terminava o strip, Dr. Cláudio (Colé) entre em cena cobrando as tarefas da enfermeira sem perceber que a moça estava quase despida. E ela vai forçando a barra, anda em volta dele, rebola, senta-se à mesa, cruza as pernas retira os óculos, balança a cabeça e ele a interrompe?
- Dona Cláudia!
E ela virando-se para a plateia:
- Até que enfim, graças a Deus!
E ele com voz de gay :
- Como a senhora ficou diferente sem óculos !
A participação de Os Tincoãs no espetáculo era cantar o bolero Serenata,e, ao final do espetáculo, junto com todo o elenco, cantar uma nova versão de Praça Onze, feita pelo próprio autor, João Roberto Kely (foto):
Esta é Bananal do Tito Manso / De exaltar eu não me canso / Terra boa como o quê / Venha, que Bananal fica tão perto / Espera de braços abertos / Uma visita de você / Aqui não passa avião / Aqui não passa lotação / Aqui é sempre carnaval / Pois a alegria é geral !”
Alguém teve uma ideia e lá fomos nós procurar o comediante Zé Trindade, baiano de Maragojipe. Parece-me que foi na Mayrink Veiga. Era um programa de variedade ao vivo. Fiquei impressionado com o potencial vocal de Jamelão (foto) cantando “Folhas Mortas” acompanhado pela orquestra regida pelo maestro Cipó.
Depois do show, encontramo-nos com o comediante Zé Trindade. Ele comentou que estava concluindo os trabalhos ´para inaugurar um restaurante de sua propriedade e cuja especiaria seria comida baiana. Se a gente quisesse aparecer pra dar uma canja...
Em busca de apadrinhamento, encontrei-me com os rapazes do Trio Nordestino que também havia gravado um disco: “Na Bahia tem / Inaugurou já tem / Televisão de baiano / Não é janela de trem!” e mais; “Tu tá cumeno vidro? / Não, pai, tô chupando pedra d'água...”
Eles me disseram que foram procurar Luiz Gonzaga e o rei do baião foi curto e grosso: “Meu filho: estou procurando quem me ajuda!”
O comediante Zé Trindade
A vida artística, gente, embora pareça fascinante, o cara tem de ralar e ter uma boa dose de sorte. Sou testemunha de muita gente de talento que não foi pra canto nenhum.
Na volta a gente conta como conhecemos Hebe Camargo (que não dava selinho, ainda) na extinta TV Tupi, o diretor artístico Gilvan Chaves, a TV Continental e o “Almoço com as Estrelas”.
                                                  A CLT Setentona              
Carteira de Trabalho de Vargas

Imperdível, - pelo menos para o meu gosto -, a visita que fizemos ao Museu da República situado no antigo Palácio do Catete a fim de curtir a exposição cuja mostra engloba questões inerentes às relações trabalhistas de meados do século dezanove até os dias presentes, a fim de assinalar a passagem dos 70 anos da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT.
A amostra auxilia o visitante a refletir as lutas enfrentadas pelos trabalhadores para o reconhecimento dos seus direitos, as reivindicações recentes acerca das mulheres no mercado de trabalho, os efeitos dos meios de comunicação como a Internet e da globalização, o trabalho informal,e, por fim, a exploração da mão de obra infantil, tema que abordamos em nossa monografia e obtivemos uma nota surpreendente.
A reunião de todas as leis inerentes à relação capital e trabalho então existentes, foram reunidas (consolidadas) e promulgadas pelo presidente Vargas no dia 1º de maio de 1943 passando a vigorar a partir de 10 de novembro do mesmo ano.
A exposição reúne um acervo maravilhoso de documentos e objetos pessoais que pertenceram ao presidente e trabalhadores anônimos; medalhas, flâmulas, fotografias raras de operários na linha de produção, livros, artigos e jornais da época.
Pra mim foi show, valeu!
COMENTANDO

                                                          O Mensalão      

Erivaldo Brito
A Ação Penal 470 mais conhecida como mensalão acabou sendo partidarizada conforme pude observar nas doutas opiniões dos advogados conterrâneos Paulo Lobo, João Figueiredo e do renomado professor e poliglota Pedro Borges, dentre outras.
A corrupção no Brasil é supra-partidária e muitos escândalos surgiram envolvendo os maiores partidos. Assim, não consigo acolher a tese de que os envolvidos no mensalão são vitimas de perseguição política,que são presos políticos, afinal, o PT está no governo há 11 anos, Lula e Dilma é quem nomeou a maioria dos atuais ministros do STF.
Assisti a todas as sessões do STF ao vivo, pela Globo New. Concordo com a maioria dos brasileiros que o ministro Joaquim Barbosa foi intransigente e em parte,o grande responsável pelo desfecho do processo, mas o ministro Lewandowski em sua argumentação técnica não foi menos brilhante, se bem que antipático para a maioria dos brasileiros.
Eu cheguei a me levantar para aplaudir o ministro Gilmar Mendes quando defendeu a celeridade de julgamento pela Corte; “...a que ponto nós estamos chegando. Nós estamos beirando o ridículo!”
O recém nomeado ministro Barroso, um dos constitucionalistas mais festejados do país disse o seguinte: “para ir preso no Brasil é preciso ser muito pobre e muito mal defendido, (porque) o sistema é seletivo, é um sistema de classe, quase um sistema de castas.”
Com o início do cumprimento das penas, corrigindo-se os que têm o direito ao regime semiaberto, sinceramente não sinto pena dos que sujaram as suas biografias, enriqueceram, tramaram contra o sistema democrático e querem agora dar uma de heróis da pátria!
Fui escrivão de polícia durante um bom tempo em minha cidade e nunca vi nenhum preso assumir a culpa. Todos eram inocentes.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

HISTORIA
ERIVALDO BRITO
O golpe militar de 1889
REBOUÇAS (PAI)
A amizade do imperador D. Pedro II com os engenheiros cachoeiranos André e Antônio Pereira Rebouças Filho, deu-se em consequência de serem filhos do maragojipano Antônio Pereira Rebouças, o advogado que redigiu a histórica ata do 25 de Junho de 1822, deputado e conselheiro do Império, falecido em 1880.
REBOUÇAS FILHO
O engenheiro Antônio Pereira Rebouças Filho, diferentemente do seu irmão André, decidiu seguir sua carreira profissional em Curitiba onde implantou a Ferrovia Curitiba – Paranaguá. Faleceu prematuramente no ano de 1874.

ANDRE REBOUÇAS
André Rebouças, patrono dos engenheiros do Brasil, estabeleceu-se no Rio de Janeiro onde desenvolveu vários projetos na então capital do império. Dotado de uma inteligência privilegiadíssima desenvolveu estudos e projetos sobre o desenvolvimento da região amazónica e a implantação da reforma agrária.

Falando fluentemente o inglês britânico, o francês e o latim, gozava da simpatia do imperador com quem sempre batia animados papos.
Quando o monarca brasileiro esteve na Cachoeira, terra natal dos seus amigos engenheiros e dos Tostas, Marquez e Barão de Muritiba, no dia 5 de novembro de 1859, anotou o seguinte no seu Diário da Viagem ao Norte do Brasil:
A cidade é quase toda calçada pelo modo antigo do Rio de Janeiro”.
Falou, também, da realização de uma solenidade religiosa como de praxe:
...houve Te Deum na matriz, que é um bom templo com o teto pintado e azulejos até meia altura quase das paredes,mas frequentado pelos morcegos”.
E sobre o padre da Paróquia:
O vigário consta-me que é capaz, mas parece que é ignorante e no Te Deum leu deseris”.

Por isso mesmo é que o imperador (foto) adorava papear com André Rebouças.
Contam que, no famoso baile realizado em a noite de 9 de novembro de 1889, (dez dias antes do golpe militar que derrubou o regime monárquico), festividade realizada para homenagear oficiais e marinheiros chilenos, André aproximou-se de uma dama da Corte convidando-a para dançar, A moça arrumou uma desculpa a fim de disfarçar o seu preconceito racial.
Percebendo o mau-estar, o sempre atento conde d'EU de braços dados com a princesa Isabel aproximou-se do engenheiro cachoeirano e disse:
Doutor Rebouças; o senhor pode nos conceder o privilégio de dançar com a minha esposa?”
E começaram a bailar. O imperador os aplaudiu e, claro, palmas gerais irromperam no salão.
Reinava absoluta tranquilidade no Rio de Janeiro na véspera do golpe, 14 de novembro. O monarca havia visitado a Imprensa Oficial e rumado para Petrópolis onde a família imperial passava os dias do verão carioca. Enquanto isso, Benjamim Constant, o jornalista Quintino Bicaiuva e o advogado Ruy Barbosa conspiravam. O militar chegou a detalhar num manuscrito todas as ações a serem desenvolvidas em caso de reação.
O marechal Manoel Deodoro da Fonseca (foto) tinha ressentimentos do imperador, mas era considerado “Um velho, doente e um republicano não ideológico”. Apenas por questões hierárquicas seria o comandante do levante, embora os que foram visitá-lo o consideraram visivelmente “debilitado”.

Manhã do dia 15. O conde d'Eu passeava tranquilamente com os filhos pela então praia de Botafogo. Ao retornar para o Paço da Cidade por volta das 10 horas da manhã, encontra um esbaforido barão de Ivinhema (Francisco Pereira Pinto) e o visconde da Penha (João de Sousa da Fonseca Costa) falando que, no distante (na época) Campo de Santana, a 2ª Brigada havia se revoltado.
Os boatos alarmantes continuavam chegando quando adentraram ao Paço os cachoeiranos,engenheiro André Rebouças e Manoel Vieira Tosta, o barão de Muritiba.
Sem perder a serenidade, acostumado desde menino a ouvir as narrativas do seu velho pai sobre os épicos e heróicos acontecimentos de 25 de junho de 1822, escritos até do próprio punho no que ele intitulou de “Recordações Patrióticas”, André Rebouças sugeriu e sentou-se para elaborar um plano de resistência armada.
Primeiramente a estratégia consistia em uma retirada para Petrópolis e, dali, rumariam para Minas Gerais e Bahia. Havia, também, necessidade de algumas mudanças em cargos do governo, sobretudo de pessoas reconhecidamente que eram antipáticas ao marechal Deodoro.
ISABEL,CONDE D'EU E FILHOS
O conde d'EU e a princesa Isabel estavam de pleno acordo. Ela inclusive tentara a todo o custo um contato telefónico com o seu pai, em Petrópolis, para onde os seus filhos foram enviados.
Dom Pedro tomou conhecimento dos fatos através de um telegrama e acabou tomando uma posição contrária aos planos de André Rebouças e veio de trem para o Rio.
Velho e naturalmente enfadado do trono, sem disposição para resistir, já no Paço, não obstante os pareceres da sua filha, do seu genro e do seu amigo engenheiro, virou-se e disse calmamente:
Conheço os brasileiros; isso não vai dar em nada, é fogo de palha!”
Não foi fogo de palha. Se o imperador tivesse dado ouvidos aos cachoeiranos André Rebouças e Manoel Vieira Tosta a história estaria sendo contada de outra forma.
Capa do livro do jornalista e historiador Jorginho Ramos
Ao celebrarmos aqui no Rio o Dia da Consciência Negra, foi o que nós pensamos e registramos aqui. Negros cachoeiranos que se impuseram como cidadãos notáveis como a dizer que a cor da pele não significa nada.
Lembremos os irmão engenheiros André Pinto Rebouças (1838-1898), Antônio Pereira Rebouças(1839-1874) e o grande maestro Manuel Tranquilino Bastos (1850-1935) cujo talento musical é reconhecido ainda hoje na Alemanha.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

DATAS  CACHOEIRANAS


Segundo semestre do mês de novembro em curso

Dia 16 (1970) – O velho e lendário rio Paraguaçu voltava a apavorar a população cachoeirana, sobretudo os moradores de ruas de nível mais baixo conforme podemos observar na foto abaixo.
No dia seguinte,no entanto,o Paraguaçu voltava ao seu leito normal.
 








Dia 17 (1889) – Acompanhando o Imperador D.Pedro II e sua família para o exílio, em face da mudança de regime, seguia voluntariamente o engenheiro cachoeirano André Rebouças,(foto) numa prova de sua fidelidade.
Dia 18 (1941) – O Rotary Clube cachoeirano realizava em sua sede social, a Assembleia de Clubes Rotáricos da Bahia, com a presença ilustre do então governador do Distrito, doutor Arlindo Luz que compareceu acompanhado de elementos representativos do Rotary Internacional.
Dia 19 (1943) – Era solenemente batida a pedra inaugural do prédio onde presentemente está instalado os Correios e Telégrafos com as presenças do prefeito Augusto Régis, o promotor público Joaquim Gouveia, o tenente Rosalio Noblat, o chefe da repartição José Câmara e do engenheiro construtor Arésio Fonbeca.
Dia 20 (1825) – O Imperador D.Pedro II aprovava o projeto de construir-se na Cachoeira um “monumento para perpetuar os feitos épicos de 1822 mas...”desde que as despesas decorrentes sejam feitas pelos habitantes”. Porreta ! (risos)
Dia 21 (1913) – De propriedade do advogado cachoeirano José Rabelo, vinha à lume o jornal “O Norte”.
José Rabelo foi, depois, Ministro do STF.
Dia 22 (1854) – Mais um jornal cachoeirano era publicado à partir da referida data: o “Apóstolo Cachoeirano”, de propriedade de Joaquim Tavares da Gama.
Dia 23 (1958) – A recolherem-se a procissão de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade, o cidadão Né Gottschal encostou involuntariamente a tocha acesa que levava na carreta. As chamas apareceram de súbito. Com a ajuda dos que se encontravam por perto as partes inflamáveis foram atiradas fora e a imagem não sofreu qualquer dano.
Dia 24 (1854) – O advogado Joaquim Tibério Gama tomava posse na Comarca da Cachoeira sendo, portanto, o primeiro Promotor Público.
Dia 25 ( 1942) – Era reorganizada a Liga Cachoeirana de Futebol, uma iniciativa do artífice sapateiro Firmino dos Santos Leite.
Nesta mesma data, no ano de 1987, a cidade era abalada com o acidente que envolveu o atirador do Tiro de Guerra conhecido pela alcunha de “Ratinho”. O referido moço, ao tentar fazer uma brincadeira com o seu colega de turma, de nome Florisvaldo, o fuzil disparou causando a sua morte instantânea.
O sargento instrutor interditou a área comunicando aos superiores a infausta ocorrência.
O corpo do jovem foi transladado para a capital do estado onde foi instaurado um inquérito para a apuração dos fatos e a devida necrópsia.
Dia 26 (1938) – Considerado como um grande benefício para o povo das duas cidades, era abolida a cobrança de pedágio para veículos e pedestres na ponte D.Pedro II.
Nesta mesma data, no ano de 1960, falecia o cachoeirano Augusto Públio Pereira.
Filho de dona Georgete Mota Pereira e de Ricardo Vieira Pereira, Augusto Públio nasceu no dia 21 de janeiro de 1907.
Formado em medicina aos vinte anos de idade, instalou o seu consultório médico em sua terra natal.
Casado com dona Regina Vacarezza de família de industriais e políticos, o Dr. Públio já em 1927 fazia política, elegendo-se prefeito de 1939 a 1945. Elegeu-se deputado estadual e,depois, deputado federal.
Assumiu o governo do estado 2m 29 de agosto de 1960. Três meses depois, no dia 26 de novembro de 1960 (completam-se,agora,53 anos) e, coincidentemente aos 53 anos, em decorrência de um câncer pulmonar veio a falecer. Era tabagista inveterado.
Dia 27 (1929) – Era fundado o Club de Regata Paraguassu (era grafado antigamente com dois “esses”). No facsimile, a proposta de sócio (antes da fundação do clube) do Dr. Augusto Públio Pereira.
O clube, depois, passou a ser chamado de Desportiva do Paraguaçu.
 




Dia 28 (1973) – O professor e historiador cachoeirano António Loureiro de Souza tomava posse na Academia de Letras da Bahia.
Uma comitiva e a Minerva Cachoeirana abrilhantaram o evento.

Dia 29 (1846) – Falecia em Salvador o maestro cachoeirano José dos Santos Barreto, autor do “Hino ao 2 de Julho”
“Nasce o sol, a 2 de Julho / Brilha mais que o 1º / É sinal que nesse dia/ Até o sol, até o sol é brasileiro...”
Dia 30 (1702) – O frei António de Santa Maria doava várias glebas de terras ao lado norte do Convento para a Irmandade da Ordem Terceira do Carmo.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A historia de Os Tincoãs/7

  Quando me propus a escrever sobre a formação original de Os Tincoãs, de como tudo começou, estava plenamente consciente de que estava fazendo uma autobiografia. Com os dois companheiros já falecidos, a minha liberdade de expressão esbarrou na privacidade e no respeito à memória deles.Posso asseverar para vocês, sem nos aprofundarmos em detalhes mundanos, guardadas as devidas proporções, sem sermos um Justin Bieber da vida, as garotas faziam de tudo para namorar a gente. É verdade que as moças do meu tempo não davam. Algumas encubadas davam,sim, no entanto, jamais fizemos orgia, sexo grupal, drogas, homossexualismo etc. Quando a Gravadora Continental deixou de arcar com as nossas despesas de hospedagem no Hotel Brasil, fomos nos alojar numa “república” para homens num sobrado de dois andares e um terraço amplo, no final da Rua dos Andradas. A proprietária era uma senhora antipática de origem portuguesa.

Naquela “república” residiam cerca de trinta rapazes de várias partes do Brasil que vinham tentar a sorte no Rio de Janeiro. Um alagoano de nome Ruberval e um outro do Piauí chamado Brígido formado em contabilidade eram os dois mais próximos.
Ruberval certa feita apareceu com uma carteira de cigarros da China. Dadinho se interessou. Eu pensei que, quem sabe, pudesse adquirir um realejo moderno.
Era noitinha quando fomos até a praça Mauá. Fomos andando porque a “república” ficava pertinho.
Em lá chegando, vinham pela calçada dois marujos cujo navio estava fundeado na baía da Guanabara. Ruberval os cumprimentou num inglês caricato com sotaque nordestino parecendo o comediante Falcão.
De repente meus amigos,tchan,tchan,tchan ! Saindo do nada, apareceu um fusquinha preto com aquela luz vermelha piscando no teto e a tenebrosa sirene; era a polícia!
Mostramos a Carteira de Ordem dos Músicos e do nosso interesse de intercambiar cartões postais, não havia nada de contrabando. Como a Rádio Nacional estava ali pertinho, a região era frequentada por artistas, o gentil policial liberou-nos porém, com o “desconfiômetro” de todo o policial, acompanhou-nos à distância com as luzes apagadas, até à entrada da “república”
O outro amigo mais chegado, o Brígido, era formado em contabilidade. Rapaz...o cara era o sósia prefeito do ex-presidente da República General Eurico Gaspar Dutra! Feio pra cacete! Mas tinha o coração bondoso. Tinha um apetite da zorra porém o seu paladar era nulo a ponto de não reclamar o açúcar que a gente colocava no resto de feijão e sal no doce de abóbora e ele vupt! E nem chiava!
Finais de semana na “república” era um drama. A proprietária fechava a porta de entrada do salão de refeições que dava acesso aos banheiros. Sem que houvesse combinação prévia, o mictório passou a ser os vasos de planta que ela tanto amava. Enquanto isso, providenciaram cópia da chave e a portuguesa não teve outro jeito senão deixar a porta da copa aberta com o cuidado de cercar a geladeira com correntes grossas e quatro cadeados Pado que nem o famoso mágico Houdini abririam!
Os nossos finais de semana, quando não tinham apresentações, começaram a ser preenchidos com convites dos conterrâneos radicados no Rio. Estivemos em várias residências. Lembro-me que passamos um domingo na casa da família de China, funcionário dos Correios da cidade de São Félix. Carlinhos Monteiro foi noivo de uma irmã de China quando ela foi telefonista em São Félix. Matamos a saudade da boa feijoada baiana.
Outra visita muito agradável passamos no seio da família Estrela. O patriarca, Arlindo Estrela, de boa memória, recordava da Cachoeira, dos seus amigos, da sua padaria que levava o nome da família e onde ele mandou colocar uma estrela no passeio.
O velho Arlindo falou de um filho que não estava presente: Edgar ! Um cachoeirano que foi o primeiro a regulamentar o trânsito da Cidade Maravilhosa.
Margarida Duarte, lembrou-se dos tempos em que ela cantava no coral da igreja da Matriz e cantou ladainhas e tantum ergo porém,quando quis cantar a Jaculatória de N.S.do Rosário a voz embargou e ela se debulhou em lágrimas.
Lembro-me também que foi abordado na ocasião a doação do Solar Estrela para a Paróquia da Cachoeira o que efetivamente ocorreu.
A convite de Waldir Azevedo e para divulgar o disco, fomos a um programa que ele tinha na Rádio Mundial que ficava na Rua Chile, uma transversal da Avenida Rio Branco.
Fui apresentado e bati um papo com o dono da emissora Alziro Zarur, fundador da “Legião da Boa Vontade”
De baixa estatura, fala mansa, olhar penetrante, fiquei com a impressão de que estava tentando adivinhar os meus pensamentos. Ainda bem que ele não conseguiu porque em dado momento eu fiquei pensando que, na Bahia, a turma chamava a kombi de “Jesus está chamando!” frase que ele sempre pronunciava em seus programas de evangelização.
Estivemos num programa de grande audiência da Rádio Globo (FOTO) 


e no maior programa de auditório do Brasil na ocasião: o “Programa César de Alencar”!
CESAR DE ALENCAR
No referido programa cantamos o bolero “Dolores”, de Jair Amorim,que estava em segundo lugar nas paradas de sucesso.
Naquele programa, nos bastidores, presenciei Elen de Lima ficar puta da vida com Orlando Dias, (“minha serás eternameeente/ será só teu o meu amor”) um sujeito cheio de pantomina que a beijou na boca quando ela entrou no palco!
VICENTE CELESTINO

Vicente Celestino conversava com João Dias, um cara que apareceu imitando Francisco Alves. O autor de “O Ébrio” falava entusiasmado com a reação do público cachoeirano onde esteve se exibindo em duas sessões!
E prosseguimos no lobby, “catituando” como se dizia antigamente o disco. Numa tarde, fomos nos apresentar no Country Club para um grupo de mulheres norte-americanas com ajuda de um intérprete. Era uma apresentação chamada de “preliminar” porque o artista principal era Jorge Veiga
Quando eu era menino cansei de ouvir Jorge Veiga, chamado de “o caricaturista do samba” cantando nos alto-falantes de “A Voz da Cachoeira”. Tê-lo ali ao vivo, parecia um sonho. Ele era simpaticíssimo. Contou-me que, havia se apresentado certa feita em Nova Friburgo no Sanatório Militar, uma unidade para internamento de pessoas que sofrem de qualquer deficiência respiratória. Os promotores do show ficaram preocupados porque não tinham contratado um apresentador. Jorge Veiga então falou: “Não se preocupem, eu mesmo me apresento!”

Quando as cortinas se abriram ele atacou como de praxe: “Atenção aviadores do Brasil! Vós que estáis voando nos céus do Brasil ! Aqui quem vos fala é Jorge Veiga direto do Galeão” e coisa e tal. E ao terminar o blá-blá-blá ele se dirigiu ao público presente: “Boa noite senhores tuberculosos!” Foi uma silêncio danado. Ele fingiu que não havia dito nada e começou a cantar.
Naquela “preliminar”, sabendo de antemão que era para um público estrangeiro, programamos “Adeus Amor” (uma adaptação de um estudo de Chopin), “Serenata” (tema de Schubert) e, para finalizar, “Sobre o arco-íris” (Over the Rainbow) muito aplaudido e bisado porque a melodia por demais conhecida porque fazia parte da trilha sonora do filme “O Mágico de Oz” estrelado por Judy Garland. Acertei em cheio.
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