sexta-feira, 1 de novembro de 2013

DIA DE FINADOS

Quando se deu a fusão da primitiva igreja cristã com o Estado romano, devido a sua enorme extensão territorial, crenças e culturas houve um processo de adaptação, como, por exemplo, o de se rezar por quem já morreu. Quando eu era menino existiam várias senhoras que ganhavam alguns trocados com o ofício de rezadeiras.
No século dez, segundo me informou o Google, um abade beneditino francês instituiu anualmente na sua paroquia o Dia de Finados e a ideia ganhou corpo na Igreja Católica.
Lembro-me que a Santa Casa de Misericórdia da minha cidade não descuidava do cemitério para a comemoração da data. O terreno do fundo das valas comuns era capinado, árvores era podadas, mausoléus limpos, carneiras caiadas era todo um cuidado porque poderia ser explorado politicamente.
Certo Dia de Finados, em pleno auge da campanha política de Julião Gomes contra o grupo do então deputado Augusto Públio Pereira, quando o padre Fernando foi celebrar a Missa na capela do cemitério, como era de costume, o portão encontrava-se fechado ! O padre (que era declaradamente simpático à candidatura de Julião) foi à forra: excomungou o Provedor da Santa Casa, responsável pela administração do cemitério, o empresário do ramo de panificação e pecuarista Osvaldo Cortes de Oliveira, mais conhecido pela alcunha de Mamá !
O fato inusitado teve enorme repercussão em todo o estado. O excomungado ficou privado de participar de atos da Igreja e muito menos vestir a capa da Irmandade. Anos depois, o próprio vigário o perdoou.
Crendo ou não que possamos nos comunicar com quem já morreu ou com outros crentes que acreditam na ressurreição no Dia do Juizo Final, o Dia de Finados existe. Este ano é pena que caiu num tremendo sábado !

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