sexta-feira, 8 de novembro de 2013

FUTEBOL CACHOEIRANO

O Cruzeiro de Morenito
ERA assim que o rime do Cruzeiro cachoeirano era conhecido: O Cruzeiro de Morenito !
O castroalvense Herudilho da Silva Bastos, Morenito, radicado na Cachoeira desde a década de 40, quando veio trabalhar na Padaria Suissa (era assim mesmo, grafada com dois esses), não foi ele o fundador do clube,e,sim, o sanfelixta Manoel Nonato, filho de “Maneca da Brasileira”.
Então, amigos,um dos mais famosos times de futebol da Cachoeira, foi fundado por um sanfelixta, filiado à Liga de Futebol de São Félix e tinha como técnico e dirigente um filho da cidade de Castro Alves!
Em 1954, já disputando o campeonato sanfelixta, os jogos do Cruzeiro, em sua maioria, por causa do bairrismo de grande parte dos torcedores, sempre terminavam em tumulto. Francamente não sei como não houve uma tragédia.
No domingo, dia 28 de julho de 1956, ao golear o Botafogo por 5 a 2 (dois gols de Binoca,dois de Santinho e um de Vaduca), o Cruzeiro dava um passo muito importante para conquistar o campeonato, o que efetivamente acabou ocorrendo quando o Flamengo derrotou o 2 de Julho.
Eu era garoto,ainda,não tinha noção do perigo das pedradas. Ao sairmos do Estádio Arlindo Rodrigues, fomos pelo caminho arrancando pés de mamona usando-os como “estandarte”. O único instrumento foi um tambor que o engraxate Osvaldo Rodrigues, mais conhecido como “Sapo” havia levado.
Sapo” era um folião nato. Saia nos embalos da festa da Ajuda em dupla com Felinho,ambos fantasiados de cão ! Eu tinha um verdadeiro pavor! Mas,naquele domingo, “Sapo” batia o seu tambor: Tum! Tum! Tum! E, a patuleia dentro do compasso: “O Cruzeiro é phoda!” “Sapo” batia: Tum! Tum! Tum” “O Cruzeiro é phoda!”
No dia seguinte, “Sapo” foi até a cidade de São Félix resolver alguma coisa. Sabendo da sua presença, o delegado mandou prendê-lo. Como não existia “direitos humanos”, a autoridade policial naturalmente para humilhar, mandou que o pobre “Sapo”, acompanhado de um soldado, carregasse latas de água para lavar as dependências do presídio. A lata estava furada ! Na décima viagem, “Sapo” já estava encharcado e a delegacia enxuta!
De repente o vigilante soldado deu um vacilo. “Sapo” que não era burro, jogou a lata no chão e se mandou numa carreira nunca vista e jamais superada pela ponte que separa as duas cidades.
Quando “Sapo” faleceu, eu comprei da sua família a cadeira de engraxate e dei de presente a Hansen Bahia que sonhava ter uma para recordar-se da velha Bahia.
No domingo dia 10 de maio de 1959, ao vencer o Canto de Muritiba por 3 a 2, novamente o Cruzeiro levantava a taça de campeão. O centroavante Binoca marcou os três gols, enquanto Paulo e Rafael marcaram para o Canto.
O Cruzeiro sagrou-se campeão com a seguinte equipe:
Rozí,João Marreteiro, Moacir Tinoco, Bise, Hugo Mascarenhas, Miranda, Carlyles, Fernando Come e Dorme, Binoca, Didi Zoião e Diquinha.
No ano seguinte, no domingo 17 de janeiro, ao vencer o seu maior rival, o 2 de Julho, por 3 a 2, (gols de Alírio, Carlyles e Béu,contra) enquanto Kid e Orelha de Coêlho para o 2 de Julho, o Cruzeiro sagrava-se campeão com a seguinte formação:
Ceguinho, Moacir Tinoco, Cláudio, Miranda, Come e Dorme, Hugo Mascarenhas, Carlyles, Dú, Diquinha, Didi Zoião e Alírio.
Por ocasião da entrega da taça, jogando amistosamente com o time profissional do Leônico da capital do estado, o Cruzeiro perdeu por 5 a 3, marcando Binoca, Come e Dorme e Carlyles para o Cruzeiro que jogou assim:
Ceguinho, João Marreteiro, Moacir Tinoco, Miranda (depois João Garrido), Hugo Mascarenhas, Baú (Renatinho), Carlyles, Come e Dorme (depois, Diquinha),Binoca (Didi Zoião), Mario Codorna (Alírio),Toinho9 (Passarinho).
No ano de 1963, havia um campeonato que se disputava no campo da Avenida Ubaldino de Assis com o Bahia (do qual fui presidente e o goleiro era o meu compadre Hugo Rocha), o Nacional, o Bangu e o Flamenguinho que foi o campeão ao vencer o Bahia por 1 a 0, levando a “Taça Nely Rocha”
Finalmente, no ano de 1965, o veterano desportista Evangivaldo Borges e Silva, contando com o apoio de Carlos Menezes, desfiliava o Cruzeiro da Liga Sanfelixta organizando o “Torneio do Povo” que foi ganho pelo próprio Cruzeiro por 2 a 1, gols de Quequita e Badú (a “arma secreta” de Morenito), enquanto Baú mrcou para o Flamenguinho, cujo presidente e treinador era o tricolor Roque Pinto !
Os dois times atuaram assim:
Cruzeiro – Vando, João Marreteiro, Porrão, Bussuçu, Tito, Didi Zoião, Quequita, Badú, Carlyles, Orelha de Coêlho, Zé Melo e Onildo.
Flamenguinho – Ceguinho, Vitor, Baú, Hugo Mascarenhas, Dito, Siri, Mario Codorna, Caçulinha, Valdir, Diquinha e Pequenininho.
A gente volta a falar no assunto,abordando a célebre pancadaria no campo de Belém quando a torcida de Santo Amaro incitada por um deputado criou o maior tumulto.
O Cruzeiro com uma das suas melhores formações;
 Em pé da esquerda para a direita: Gesi (diretor), Chiquinho, Edinho, Sandoval, Bié, Evandro, Didi Zoião, Bise, Edésio, "Sapo' (torcedor) e Cláudio.
Em baixo, agachados: Morenito (técnico), Geraldino, Hilbernont, Luiz Aranha, Santinho e Vaduca.

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