quinta-feira, 21 de novembro de 2013

HISTORIA
ERIVALDO BRITO
O golpe militar de 1889
REBOUÇAS (PAI)
A amizade do imperador D. Pedro II com os engenheiros cachoeiranos André e Antônio Pereira Rebouças Filho, deu-se em consequência de serem filhos do maragojipano Antônio Pereira Rebouças, o advogado que redigiu a histórica ata do 25 de Junho de 1822, deputado e conselheiro do Império, falecido em 1880.
REBOUÇAS FILHO
O engenheiro Antônio Pereira Rebouças Filho, diferentemente do seu irmão André, decidiu seguir sua carreira profissional em Curitiba onde implantou a Ferrovia Curitiba – Paranaguá. Faleceu prematuramente no ano de 1874.

ANDRE REBOUÇAS
André Rebouças, patrono dos engenheiros do Brasil, estabeleceu-se no Rio de Janeiro onde desenvolveu vários projetos na então capital do império. Dotado de uma inteligência privilegiadíssima desenvolveu estudos e projetos sobre o desenvolvimento da região amazónica e a implantação da reforma agrária.

Falando fluentemente o inglês britânico, o francês e o latim, gozava da simpatia do imperador com quem sempre batia animados papos.
Quando o monarca brasileiro esteve na Cachoeira, terra natal dos seus amigos engenheiros e dos Tostas, Marquez e Barão de Muritiba, no dia 5 de novembro de 1859, anotou o seguinte no seu Diário da Viagem ao Norte do Brasil:
A cidade é quase toda calçada pelo modo antigo do Rio de Janeiro”.
Falou, também, da realização de uma solenidade religiosa como de praxe:
...houve Te Deum na matriz, que é um bom templo com o teto pintado e azulejos até meia altura quase das paredes,mas frequentado pelos morcegos”.
E sobre o padre da Paróquia:
O vigário consta-me que é capaz, mas parece que é ignorante e no Te Deum leu deseris”.

Por isso mesmo é que o imperador (foto) adorava papear com André Rebouças.
Contam que, no famoso baile realizado em a noite de 9 de novembro de 1889, (dez dias antes do golpe militar que derrubou o regime monárquico), festividade realizada para homenagear oficiais e marinheiros chilenos, André aproximou-se de uma dama da Corte convidando-a para dançar, A moça arrumou uma desculpa a fim de disfarçar o seu preconceito racial.
Percebendo o mau-estar, o sempre atento conde d'EU de braços dados com a princesa Isabel aproximou-se do engenheiro cachoeirano e disse:
Doutor Rebouças; o senhor pode nos conceder o privilégio de dançar com a minha esposa?”
E começaram a bailar. O imperador os aplaudiu e, claro, palmas gerais irromperam no salão.
Reinava absoluta tranquilidade no Rio de Janeiro na véspera do golpe, 14 de novembro. O monarca havia visitado a Imprensa Oficial e rumado para Petrópolis onde a família imperial passava os dias do verão carioca. Enquanto isso, Benjamim Constant, o jornalista Quintino Bicaiuva e o advogado Ruy Barbosa conspiravam. O militar chegou a detalhar num manuscrito todas as ações a serem desenvolvidas em caso de reação.
O marechal Manoel Deodoro da Fonseca (foto) tinha ressentimentos do imperador, mas era considerado “Um velho, doente e um republicano não ideológico”. Apenas por questões hierárquicas seria o comandante do levante, embora os que foram visitá-lo o consideraram visivelmente “debilitado”.

Manhã do dia 15. O conde d'Eu passeava tranquilamente com os filhos pela então praia de Botafogo. Ao retornar para o Paço da Cidade por volta das 10 horas da manhã, encontra um esbaforido barão de Ivinhema (Francisco Pereira Pinto) e o visconde da Penha (João de Sousa da Fonseca Costa) falando que, no distante (na época) Campo de Santana, a 2ª Brigada havia se revoltado.
Os boatos alarmantes continuavam chegando quando adentraram ao Paço os cachoeiranos,engenheiro André Rebouças e Manoel Vieira Tosta, o barão de Muritiba.
Sem perder a serenidade, acostumado desde menino a ouvir as narrativas do seu velho pai sobre os épicos e heróicos acontecimentos de 25 de junho de 1822, escritos até do próprio punho no que ele intitulou de “Recordações Patrióticas”, André Rebouças sugeriu e sentou-se para elaborar um plano de resistência armada.
Primeiramente a estratégia consistia em uma retirada para Petrópolis e, dali, rumariam para Minas Gerais e Bahia. Havia, também, necessidade de algumas mudanças em cargos do governo, sobretudo de pessoas reconhecidamente que eram antipáticas ao marechal Deodoro.
ISABEL,CONDE D'EU E FILHOS
O conde d'EU e a princesa Isabel estavam de pleno acordo. Ela inclusive tentara a todo o custo um contato telefónico com o seu pai, em Petrópolis, para onde os seus filhos foram enviados.
Dom Pedro tomou conhecimento dos fatos através de um telegrama e acabou tomando uma posição contrária aos planos de André Rebouças e veio de trem para o Rio.
Velho e naturalmente enfadado do trono, sem disposição para resistir, já no Paço, não obstante os pareceres da sua filha, do seu genro e do seu amigo engenheiro, virou-se e disse calmamente:
Conheço os brasileiros; isso não vai dar em nada, é fogo de palha!”
Não foi fogo de palha. Se o imperador tivesse dado ouvidos aos cachoeiranos André Rebouças e Manoel Vieira Tosta a história estaria sendo contada de outra forma.
Capa do livro do jornalista e historiador Jorginho Ramos
Ao celebrarmos aqui no Rio o Dia da Consciência Negra, foi o que nós pensamos e registramos aqui. Negros cachoeiranos que se impuseram como cidadãos notáveis como a dizer que a cor da pele não significa nada.
Lembremos os irmão engenheiros André Pinto Rebouças (1838-1898), Antônio Pereira Rebouças(1839-1874) e o grande maestro Manuel Tranquilino Bastos (1850-1935) cujo talento musical é reconhecido ainda hoje na Alemanha.


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