sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A historia de Os Tincoãs/1

  Havendo sido contratado (jamais em minha vida pendei em ser bancário), a minha permanência no trio prejudicada, mesmo assim, as apresentações noturnas na televisão ou locais próximos eu poderia honrar. Uma delas foi durante o mês de junho no programa “Ao pé da Fogueira” comandado por Gilvan Chaves que se tornou um amigo fraterno e cujas composições incorporamos às nossas apresentações, como o “Zé de Báia” que eu fiz uma adaptação e era, sem dúvida, ao lado de “Lua de mel em Porto Rico” as músicas mais solicitadas.  

No “Zé de Báia”, eu era o narrador da história de um pescador que saia para o mar levando jangada e sua rede mas retornava à praia com o samburá vazio. Todo mundo na praia queria saber o que houve. Dadinho (que fazia o pescador) explicava que ouviu uma voz que o chamava pro fundo do mar. No dia seguinte, (eu prosseguia narrando), ele volta à pescaria bem cedinho quando ouve de novo a voz o chamando: (Heraldo) - Pescador, ô pescador !

(Dadinho- com voz trêmula) – O que é arma penada !
(Heraldo) – Tu quere ficá rico, pescador ?
(Narrador) – Zé de Báia encheu-se de coragem, encheu o peito de vento e disse..(Dadinho) – QUERO !
(Heraldo) – Intão vai trabaiá sô fi duma égua !!!!!
O show de Os Tincoãs passaram a ser variados, eu contava meus “causos”, poutpourri contendo sambas, baiões, cha´-chá-chá etc, deu-me a certeza de que era chegada a hora de uma mudança de género musical, apesar da resistência de Dadinho argumentando que “Roberto Carlos cantava boleros disfarçados” de nada adiantando orientá-lo que a roupagem utilizada com apoio de Laffayete (RC - 7) com órgão e guitarras era bem diferente.
Comecei a trabalhar algumas melodias já consagradas em toda a região nas chamadas chulas, dos embalos populares, resultando nas letras de “Capela d'Ajuda” e “Sabiá Roxa” que acabaram fazendo parte do segundo disco. Aquele estilo de música acabou sendo cooptado por Luís Caldas.
Uma das últimas apresentações que eu estive como componente do trio foi exatamente num show em benefício da festa de N.S. da Conceição do Monte, cujo cachê foi um par de meia para cada um de nós ! Mesmo assim foi um show inesquecível para mim.
Depois da exibição do filme, era a vez da apresentação de Os Tincoãs. Meninos e meninas, quando eu me aproximei do microfone levei um porradão de um choque elétrico e o microfone bateu com força na minha boca. Não sei como é que eu consegui me controlar pra não soltar aquele palavrão (hoje tão corriqueiro) que nós, os baianos, adoramos.
E a microfonia comendo solta: Pi ! Pi !Piiiiiiiiiiiiiiiii ! De repente, não mais do que de repente, saindo da coxia, aparece no meio do palco Elias Cardoso de Jesus, proprietário do serviço de alto-falantes “Vozes da Primavera”. A galera não perdoou e começou a gritar o apelido que Elias detestava:
- Paco-paco ! Paco-paco !
Mas,a coisa era sincronizada. Um gritava “paco” e outro complementava “paco” !
Dadinho estava cinza de raiva e apreensão e eu o tranquilizava dizendo que, de certa forma, o show havia começado.
Então Elias (foto) se aproximou do microfone. Cara...como se tivesse um regente foi aquele “uhhhhhhh!” e um silêncio sepulcral se fez ouvir. Elias argumentou mais ou menos assim:
Foi sabotaije de Mundin...Eu não sou curpado se o arto-falante deu bronca 
Mundinho havia sido locutor de a “Vozes da Primavera”, saiu, brigou e torne-se inimigo de Elias, inclusive sairam na porrada na boca da ponte.
E ele saiu do palco enquanto o trio permanecia imóvel com Dadinho fazendo alguns acordes no violão. Dei com a mão pedindo silêncio. Graças a Deus fui atendido,afinal,em termos de esculhambação eu tinha diploma de doutor. Falei que, para benefício de todos, o silêncio seria vital para a realização do espetáculo devido a precariedade da amplificação. Como não poderia deixar de ser, comecei a contar meus “causos” e cantamos números variados com o infalível “Zé de Báia”, encerrando com “Meu Último Bolero” .A galera chiou: “Lua de Mel em Porto Rico! Que propositadamente eu havia deixado de fora !
As minhas atividades artísticas, galera, não me rendiam nada em termos pecuniários. Cantava no Coral e acabei assumindo as funções de animador do “Show de Calouros” nas matinais do Cine Glória em benefício da Casa dos Velhos da Cachoeira.
Dos calouros de que estou a me lembrar no momento, destacavam-se o menino Guiba, um rapaz de São Félix chamado Tamba que andava de muletas e imitava Agnaldo Timóteo, Bebetinho e “Os Pequenos Cantores da Cachoeira” composto pelo meu irmão Erione, Caçulinha e Mateus Alelúia.
Meteus e sua irmã, Luiza Lima eram componentes do Coral da Matriz do qual eu fazia parte. Ambos eram seguríssimos e afinadíssimos nas vozes que faziam em complicadíssimas passagens nas Missas de antigamente. A entrada de Mateus em meu lugar, portanto, foi a substituição mais acertada e teve meu total apoio inclusive nos ensaios iniciais.
Voltem na próxima !

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