sábado, 28 de dezembro de 2013

A historia de Os Tincoãs/13 

Os Tincoãs com Dadinho,Heraldo e Mateus

CONFORME eu disse no capítulo passado, a minha saída do trio para a entrada de Mateus Aleluia Lima em nada prejudicou a qualidade vocal do grupo. O lançamento do segundo disco veio ratificar o que eu havia garantido aos que me procuravam a fim de fazer fofoca. O grande problema viria acontecer tempos depois, quando Heraldo desistiu e preferiu ficar em sua terra natal,Cachoeira, embora o seu pai já houvesse vendido o Hotel Colombo pra Carlito Muquibão. A mulher de Heraldo, Raimunda, já estava tocando pra frente o antigo Foto Manolo. Ali, fui visitá-lo algumas vezes, levando uma vitrola portátil  e uns discos de vinil de boleros que ele adorava. A sua aparência não era saudável; pele e olhos amarelados parecendo que houve derramamento de bílis.

Certa feita, - sem que eu tivesse perguntado -, ele disse que "pra mim não deu mais, Erickson, porque o trio tomou um rumo diferente". Em assim sendo, Dadinho e Mateus tiveram de enfrentar a realidade e partiram em busca de um novo segunda voz, tarefa não muito fácil, mesmo contando com o apoio do experiente produtor e radialista Adelson Alves, "o amigo da madrugada".

Numa curta temporada que o trio fez no Teatro Castro Alves, em Salvador, Mateus e Dadinho vieram à Cachoeira. Encontrei-me com Dadinho na praça Maciel. Ficamos sentados no balaustre e conversamos bastante. Fui almoçar com ele na casa de uma irmã dele ( mãe de João Nildo Rodrigues (Balaio) e Balainho) que ele tinha por ela amor filial, a única pessoa de que eu ouvi Dadinho dizer que sentia saudade.

Ouvi atentamente o novo disco, o vocal estava irrepreensível. Sugeri que o estilo requeria uma voz menos romântica e "aboleirada" e o ideal seria colocar Mateus como crooner. A sugestão não foi aceita conforme o tempo (e as gravações) mostraram.

Com alguma frequência ele falou da Marron (Alcione), deixando na minha mente deturpada pelo machismo que ele estava pegando a famosa cantora. Depois ele justificou  a não inclusão do meu nome nas duas músicas (Capela da Ajuda e Sabiá Roxa) e que a minha parte dos direitos autorais da venda de "Meu último bolero" fora absorvida nas despesas do grupo na estadia no Rio de Janeiro. Assim, da minha passagem como fundador de Os Tincoãs, apenas as recordações porque até o disco que eu tenho (cópia pirata), foi-me ofertado pelo meu irmão Erione.

Quanto à substituição de uma pessoa para fazer a segunda voz no trio, ele confirmou a versão de Heraldo (falecido em 1977), que foi uma decisão tomada pelo próprio Heraldo que ficou irredutível em não retornar mais.

Agepê

Dadinho me disse, na ocasião, que o cantor Agepê chegou a dar alguns ensaios para fazer a segunda voz, porém, resolveu seguir carreira solo e se deu bem ao lançar o "Moro onde não mora ninguém" Então, eles, (Dadinho e Mateus), descobriram Badú, que acabou sendo o componente da última formação do trio e até tem alguma semelhança física com o Agepê, não acham?

Por falar em Agepê, lembrei-me, agora, de uma apresentação que ele fez no Programa  Flávio Cavalcante. Todas as emissoras do Brasil tocavam o seu grande sucesso: "Moro, onde não mora ninguém / Onde não passa ninguém / Onde não vive ninguém / É lá onde eu moro / E me sinto bem / Moro onde moro "

Todos os jurados deram nota dez. Quando chegou a vez do Zé Fernandes (não era o zagueiro da seleção cachoeirana e que foi ex-prefeito da Cachoeira) mas aquele jurado mal-humorado e antipatizado pela platéia. O programa era ao vivo. Então, o jurado foi enfático: "Zero ! "   O apresentador tirava os óculos, botava os óculos e dizendo "não é possível!" pediu "nossos comerciais,por favor!"

Quando voltaram, Flávio Cavalcante quis saber a razão do  "Zero" e o jurado explicou: " Ora, ele diz que mora onde não mora ninguém, onde não passa ninguém, para que ele quer um  cachorro magro amarrado,,, Só pode ser perversidade manter um animal preso e morrendo de fome, portanto,zero"

Nosso comerciais por favor e até a próxima postagem!


 

 


 

 

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