sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MEMÓRIA
 
Então, é Natal ?

QUANDO EU ERA MENINO, em quase todas as casas cachoeiranas se armavam presépio, cada qual mais criativo, cada qual mais visitado, afinal, os donos das residências faziam questão de acolher quem chegava, numa demonstração de um verdadeiro espírito fraterno cristão.
Lá no meu sobrado, pegavam-se os caixotes guardados no mezanino e que continham casinhas, (algumas feitas em casa, outras tantas adquiridas de um senhor por nome de Eduardo Sangue Azul), conchas, areia da barra, musgos, papeis de jornais pintados para fingir montanhas, figuras variadas em celuloide (não existia, ainda, a matéria plástica no Brasil), e as tradicionais figuras de barro (foto ao lado)  feitas pela família de Cândido Xavier, o Tamba, que se tornou o mais famoso deles.
Quando estou digitando esta memória, lembrei-me de alguns presépios que eu tive oportunidade de ver quando menino: o de Douglas da Pipoca na Rua dos Artistas, o de dona Delcina na Rua das Lojas e o do velho Francelino Ferreira Mota, na Praça da Aclamação.
Quase sempre, de ano para ano, o pessoal caprichava mais com as novidades de bonecos articulados, as tais "vaquinhas de presépio" mas, o ponto alto era a manjedoura do Menino Jesus, chamada de "Piana" !
Quando ainda não morava no Rio de Janeiro, em viagem de férias, encontrava as vitrines das lojas e as árvores das ruas com os troncos envoltos em centenas de multicoloridas lâmpadas. Uma beleza. Hoje, apenas na Lagoa, a Árvore de uma determinada instituição bancária que atrai milhares de pessoas, congestiona o trânsito e é aquele sufoco para se entrar e sair.
Na SAARA, que dizem ser o maior shopping a céu aberto da América Latina, pude observar um fenômeno que vem se repetindo: árvores natalinas confeccionadas de variados matérias e cores, guirlandas brancas e cor-de-rosa, Papais Noéis de pijama verde, que tocam instrumentos variados,
A tradição do presépio permanece apenas na minha mente cansada. Deixou de ser a figura central como a razão de ser do Natal que é o Aniversariante.
Aliás, a prefeitura mandou armarem-se alguns presépios na cidade. No que estava no Viaduto de Madureira, um bandido furtou o Menino Jesus!  Só pode ser algum mal elemento da Grei do Capiroto.
Embora eu seja um intransigente defensor da modernidade, lamento que algumas "novidades" acabem por aviltar a boa tradição natalina. No mais...

 

 




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