sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O primeiro selecionado cachoeirano de que tenho notícia foi formado no ano de 1948, quando muitos de vocês não havia nascido ainda. Eu, o blogueiro matusalênico era menino,ainda. O jogo classificatório foi no campinho da Graça, em Salvador, no dia 8 de maio do referido ano. O vencedor representaria o estado da Bahia na "Segunda Olimpíada Operária do Brasil". Erem diretores da Liga Cachoeirana dois grandes esportistas: o fabricantes de calçados Firmino Leite e o sindicalista Francelino Cabral Moraes.
A seleção cachoeirana com jogadores da qualidade de Didi Zoião, Natinho e Nilton, venceu Jequié por 3 a 0, porém, na disputa final, perdeu na decisão de cobrança de penaltis para o selecionado da capital.
No ano seguinte, voltou a se formar uma seleção cachoeirana de futebol. Consegui fragmentos de jornais da época que anotei nos meus velhos cadernos. O primeiro um amistoso na cidade de Conceição da Feira contra o time do Ipiranga local. Os cachoeiranos venceram folgadamente por 5 a 2, marcando Pelado (3), Natinho e Libânio. 
Sandoval (Natinho), primo do atual diretor de programações da CBF Virgílio Elísio, jogou profissionalmente pelo Esporte Clube Bahia da capital, pelo Vasco da Gama e Portuguesa, ambos do Rio de Janeiro.
O time cachoeirano,naquele amistoso,jogou com Deco, Briô, Neves, Didi Zoião, Parrudo, Russo, Dedé, Libânio, Pelado, Natinho e Jajá.
O outro jogo foi no Ubaldino de Assis, na Cachoeira, contra uma das equipes mais famosas de época, o Ideal de Santo Amaro da Purificação onde jogavam Acaçá e Edgar, esse último os santamarenses consideravam ter sido melhor do que Pelé que eu vi jogar várias vezes na Fonte Nova e no Maracanã ,Edgar eu não vi, portanto gozo do benefício da dúvida, até porque na Cachoeira ele não conseguiu aparecer porquanto os gols do Ideal foram marcados por Rubinho e Garcia e a goleada dos cachoeiranos se deu com dois gols de Nilton, Esquerdinha,Ferreirinha e Bebé de Ursecino: 5 a 2 !
Seleção cachoeirana  atuou com : Lourival Fracasso (Moqueca), Bahiano, Santinho, Ioiô, Futrica, Sirino, Binoca, Nilton, Bebé, Ferreirinha e Esquerdinha (Simões).
Com o campeonato seguindo seu curso na campo Ubaldino de Assis, a Cachoeira habilitou-se a disputar o Campeontao Intermunicipal. O enviado da Federação Baiana vistoriou o local do jogo e descartou os jogos alí, por falta de segurança e  por causa das dimensões do campo.
Evangivaldo Borges e Silva e Carlos Menezes (*Carlito do Bicho) dentre outros, apelaram para a Federação que tinha como um dos diretores o advogado cachoeirano Carlos Antonio  Souza Onofre da Silva (Cacá), irmão do saudoso padre Tontom. Cachoeira disputaria seus jogos na área nas proximidades da Igreja de Belém (Cachoeira), local que daria para dois campos e meio para a prática do futebol.
Na realização do sorteio, o primeiro jogo seria disputado na cidade de Santo Amaro da Purificação, o que efetivamente acabou acontecendo no domingo, dia 25 de outubro de 1964, registrando-se um empate de 3 a 3 graças à atuação do goleiro Carlinhos . Bau (2) e Gil  marcaram para os cachoeiranos.
Aquela partida em Santo Amaro foi muito tumultuada, a torcida local estava inconformada, muitos cheios de manguaça ameaçavam dar porrada nos visitantes e nem a polícia local conseguiu livrar muitos torcedores de levarem borduadas. Marquinho Gottschal,que era um torcedor abusado, tomou um empurrão e só não caiu porque se segurou no alambrado e só não levou muita porrada porque Edi de Gegéu (forte pra caramba) se meteu no meio. Encarar Edi...
Então, galera, a segunda partida foi em Belém, aquele clima de revanche, onde não havia nenhum controle de entrada de torcedores, sem proteção de alambrado, área margeada pela estrada do referido distrito para a cidade...uma temeridade.
A Federação designou  o árbitro Valter Gonçalves para dirigir a partida.
Devido mesmo à proximidade das duas cidades, os santamarenses compareceram seu selecionado em grande número porém inferiores numericamente.
Tendo à frente o então deputado estadual Egídio Tavares, a torcida santamarense não se encolheu. Pelo contrário: com garrafas da cachaça tomada no gargalo, quando o placar estava 2 a 2, começaram a ameaçar o bandeirinha que atuava naquele lado. O juiz da ´partida foi até lá e recebeu a maior vaia. O delegado de polícia, Benedito do Açougue, com apenas quatro soldados dirigiu-se até o local e foi empurrado, só não levou muitos tapas porque o doutor Claudiano partiu em seu socorro. Como um Príncipe Etíope, Dr.Claudiano acabou chefiando a reação dos cachoeiranos e aí moirmão o couro comeu!
Numericamente inferiores, os santamarenses tiveram de se enfiar mato adentro, outros tantos debandaram pela estrada e os que ficaram apanharam muito.
O locutor da Rádio Subaé falava ao microfone sobre "a covarde agressão dos torcedores cachoeiranos o que denegria os foros de civilidade..."  Valter Gavazza, surgindo do nada, arrebentou o cabo de transmissão da emissora e partiu pra enfiar a porrada no locutor sendo impedido por Zeca Mascarenhas,seu amigo. 
Gavazza, contido, gritava para o assustado locutor:
- Respeite a Cachoeira, seu vagabundo ! Você é de fritar bolinho seu cabeça de azeitona!
As duas seleções jogaram assim:
Cachoeira: Carlinhos, Vitor, Pavão, Lázaro, Miranda, Badaró, Mario Codorna, Zé Melo, Bau, Orelha de Coelho (Caxangá) e Vicente.
S.Amaro : Raimundo, Augusto, Agnaldo, Galdino, Ivo, Elísio, Valter, Jailton, Cecildo, Carlos e Antonio.
Naquele mesmo ano de 1964, o presidente do Fluminense Cachoeirano era Antonio José da  Costa, o Toninho Yuistrick, um cidadão progressista e de boas idéias. Vizinho do topógrafo Divaldo Sales, convenceu-o a medir o terreno do antigo Calabar. Eu fui como auxiliar de Divaldo. Era possível, sim, construirem-se, alí, um campo com medidas oficiais e até uma quadra polivalente ao final, contanto que os moradores cedessem parte dos seus quintais. Yustrick tinha certeza que a briga seria boa, afinal os quintais foram invadidos ao logo dos anos.  Mas, ele não era homem de desistir de suas convicções. 
O Fluminense tinha sua sede na parte térrea de um sobrado onde moravam as irmãs Jambeiro,  na Rua 25 de Junho, onde funcionou o Bar de seu Urbano. Toninho Yuistrick(ele que havia atuado como goleiro do 2º quadro) havia sido reeleito presidente tendo na diretoria Severino Machado (Severino da Carne de Porco), Valdete Leite (Ferrolho) e Lourival Santos (Tinga Alfaiate).
A solenidade estava sendo transmitida por um  serviço volante. Não lembro de era da Radiovox ou de Tonho Monteiro. 
O diretor Severino pegou o microfone e começou a elogiar Toninho. Lá pro meio saiu-se com essa:
- Indígno presidente !
AssustadoToninho perguntou:
-  Vossa Excelêncio disse o quê?
Severino repetiu:
- Indígno presidente !
E Toninho falou tão alto que nem precisou de microfone para se escutar na rua:
- Indígno é a puta que o pariu !
Foi um quieta e acomoda até que alguém interpretou que o "indígno" na verdade Severino queria dizer "mui digno"! 
Não acredito que foi obra do acaso mas, naquele exato momento, Valdir de Gegeu apareceu com um telegrama endereçado a Antonio Costa, Toninho Yuistrick com o seguinte teor:
"Ministério da Marinha 2º Distrito Naval - Capitania dos Portos
Autorizo ao Fluminense Futebol Clube da cidade da Cachoeira, a construir sua praça de esportes na área pertencente à Marinha de Guerra do Brasil.
Carlos Eugênio Osório Paiva - Capitão de Corveta"
Ai, galera, foi palmas como o diabo e o clima de euforia tomou conta de todos e a cevejada comeu solta. Não era para menos.
A gente volta ao assunto na próxima.





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