terça-feira, 30 de dezembro de 2014

FALECIMENTO
Raimundo Barbosa – Caçulinha      
A CACHOEIRA CONQUISTOU no domingo passado, em Santa Luz, o seu oitavo título de futebol amador do estado.  Uma bela conquista que os jornalistas da terrinha atribuem aos Orixás, diminuindo o trabalho de organização de toda uma Diretoria ao longo do campeonato local, convocação de atletas, treinos,etc.
Estava acabando de redigir este texto a fim de parabenizar a diretoria da Liga Cachoeirana de Futebol e todos os envolvidos na importante conquista esportiva quando o telefone tocou; era o meu irmão, Erione, de Salvador, comunicando-me a infausta notícia do falecimento do amigo comum, Raimundo Barbosa, o Caçulinha.
Eu o conheci, - como todos os rapazes da época -, frequentando o Bar Regina, e, portanto, amigo do também amigo Renato Queiroz.
Caçulinha formou-se em Fisioterapia, sendo contratado como preparador físico do time do Vitória da capital do estado.
MEMÓRIA
Na década de sessenta, apesar da enorme enchente do rio Paraguaçu, - a maior de todas -, a Cachoeira era uma cidade turisticamente atraente, com um calendário de eventos diversificado, o que levava dezenas de turistas para conhecer o Museu das Alfaias, a Festa da Ajuda, o cardápio da Gruta Azul, a Boa Morte, as matinais do Cine Glória em benefício da Casa dos Velhos e o animadíssimo campeonato com as filiações do Comercial de Muritiba e de a Colônia Esportiva Cachoeirana.
Erione lembrou-me de um jogo em que o Cruzeiro venceu a Colônia perdeu por 2 a 1. Na segunda-feira seguinte, os torcedores do "time de Morenito" , tendo a frente o nosso irmão, Roque, providenciaram um "desfile fúnebre" enterrando o time da Colônia. Tome mundo de paletó. Roque ia à frente do caixão tocando um bumbo. 
Meses depois a Colônia deu o troco. Caçulinha tinha uma facilidade muito grande de fazer paródias bem-humoradas. Compôs, então, uma paródia em cima de uma música do Jair Rodrigues de muito sucesso à época chamada "Tristeza":
Cruzeiro !
Por favor vá embora,
Já chegou sua hora,
É melhor descansar...
Seu timezinho,
Tá todo cheio de velharia,
Já é demais o seu penar,
Ressuscitei daquele enterro
do outro dia,
Agora vou lhe enterrar...
Lá, lá, lá, lá....
Agora vou lhe enterrar.
Era o apogeu do futebol cachoeirano e, naquele ano de 1966, com o time da Colônia conquistando o campeonato em 1966, a cidade ascendia no cenário futebolístico do estado.
Estive com Caçulinha na última vez em que estive na minha terra natal. Eu o encontrei na porta do sobrado da professora Dede Onofre. Quando informei pra ele que Erione tinha vindo, fomos conversando até a casa da minha mãe na Rua da Feira. Naquele encontro, eles relembraram de tanta coisa...dos matinais do Cine Glória quando eles com Mateus formaram um trio (que fez um sucesso enorme) e se exibiram naquele show em que eu era o animador. Erione lembrou várias paródias de autoria de Caçulinha que ele nem lembrava mais. Foram momentos agora inesquecíveis.
Com esta singela homenagem deste blogger, quero apresentar aos familiares o meu profundo pesar.


 
 

 
  

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

POLÊMICA
Clássicos em debate:
O que é que a baiana tem” e “A Jardineira”   

Lemos em O Guarany em sua última edição, um comentário do ilustrado mestre Pedro Borges dos Anjos acerca de um debate ocorrido durante a FLICA deste ano, quando os participantes da Mesa procuraram desqualificar a informação da saudosa sacerdotisa cachoeirana Gaiaku Luiza (foto)  em o seu livro de memórias afirmando que a composição "O que é que a baiana tem" de Dorival Caymmi foi inspirada nela. Não havia por que a famosa ialorixá ter mentido.
O debate em questão teve como mediadora Mira Silva e como componentes Marielson Carvalho e uma neta do próprio compositor, Stela Caymmi.
Outro assunto polêmico referente a música aconteceu no carnaval de 1939, nos tempos das marchinhas. Benedito Lacerda e Humberto Porto registraram com de autoria deles "A Jardineiro" que alcançou o maior êxito:
"Ó Jardineira
por que estás tão triste?
mas o que foi que te aconteceu?
- Foi a camélia que caiu do galho,
deu dois suspiros e depois morreu!
Vem Jardineira,
vem meu amor...
não fiques triste
que este mundo é todo teu,
tu és muito mais bonita]que a Camélia que morreu."
O renomado pesquisador da musicografia popular brasileira, Edgar de Alencar, em sua obra intitulada "O carnaval carioca através da música", Livraria Francisco Alves Editora - 1980 -, às páginas 272, evoca um testemunho de peso:
"Almirante, nesse mesmo 1939, no seu admirável programa Curiosidades Musicais, na Rádio Nacional, falou exaustivamente sobre o assunto.Se não se trata de cantiga folclórica, parece que o autor legítimo é o velho Candinho das Laranjeiras, fundador em 1896 do Cordão Flor ou Filhos da Primavera".
"Depois disso (é o Almirante que ainda fala), houve vários aproveitadores do motivo poético e da melodia".
O poeta Sabino de Campos (foto), autor da letra do Hino da Cachoeira,, em seu livro "A voz dos Tempos" 2º volume - Editora Pongetti - Rio de Janeiro - 1971 -  fala que esteve na Cachoeira no ano de 1948 e, em visita "ao dileto amigo Amando Sobral, doublé de comerciante e cantor-violonista" foi informado pelo mesmo que, "o talentoso compositor, cantor e violonista gago, Henrique de Freitas era o verdadeiro autor da canção A Jardineira, popularizada no carnaval do Rio de Janeiro, em nome de outro!"
Enquanto a composição de Caymmi "O que é que a baiana tem" não existe dúvida de sua autoria, "A Jardineira" pode ter sido de um cachoeirano!  Até que apareça alguma prova documental para pacificar o assunto, galera,  a polêmica continuará.



 
O meu saudoso irmão, Roque, funcionário da Caixs Econômica Federal, lotado em Brasília, qualquer oportunidade que tinha, sobretudo em junho para tocar na banda marcial do Colégio Estadual, ele aparecia na Cachoeira, até que, - sabe-se lá como conseguiu -, permutou com um colega e foi transferido para Ca...Camamu !  Não era o ideal, claro, mas era bem mais perto. rsrsrs
E ele tanto insistiu que eu e a minha saudosa Luiza resolvemos passar um final de semana em Camamu.
Era uma sexta-feira por volta das 10 horas quando fomos esperar o tal ônibus no mercado municipal. Tomei um mingau de milho verde que Madá vendia acompanhado de uma lambada de requeijão a fim de forrar a barriga, a viagem era longa.
Ficamos na porta do bar de Agnaldo quando passou César Ostênio, filho de Pedro Celeaclá e nos cumprimentou:
- Vai viajar, filho de Jessé?
Diante da minha afirmativa e a localidade ele falou:
- Ih! Se preparem para o atraso.
Sentenciou com conhecimento de causa. A previsão de Agnaldo era que o ônibus chegasse "umas dez e pouco". Faltavam dez para o meio-dia quando o ônibus chegou e logo saiu,não demorou,eram poucos os passageiros. O diabo é que ele parou em S.Félix (Carlão gostava de papo), Muritiba, Governador Mangabeira, Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus...Uma verdadeira maratona que os baianos chamavam de "operação cata corno!"
Temos,cada um de nós, um lado brincalhão e nessas horas eu gosto de exercitar ao invés de ficar amuado,puto da vida. Comecei a prestar a atenção ao que pudesse acontecer de interessante, de bem humorado. E não demorou. Anotei a conversa entre o motorista e o cobrador. O motorista falou:
- Vão pagar,amanhã,uma mixaria.
- Vão, é ?!
Vão. o pior é que a negada tá dura e vai receber...Se todo mundo fosse igual a mim, mandava fazer uma rolha.
- E se a empresa chegar na Justiça e metê um abe copo?
- É...não pensei nisso...Aí lenha tudo!
E a viagem prosseguia com o ônibus lotado. Desciam passageiros mas subiam mais carregados de bagagem. Fiquei a imaginar que o ônibus se transformou numa Arca de Noé.
De repente começou a chuviscar e o motorista - sempre ele -, deu uma de gaiato:
- Com esta chuvinha, a noite promete pra quem tem alguma costela dormindo ao lado.
Uma voz lá do fundo do ônibus  concluiu:
- Então durma com o cobrador!
Eu atribuí a um magricela com voz efeminada e jeito de viado que falou. Ele vinha ouvindo um radinho de pilha e cantarolando alto, fazendo de tudo para ser notado, para aparecer,uma das características existente no DNA da espécie.
De repente, não mais do que de repente, uma senhora grávida começou a reclamar de um sujeito de chapelão segundo ela se aproveitando da lotação pra "fazer terra".
E ela reclamou:
- O senhor está me incomodando...chega pra lá,por favor, o fundo do carro está vazio...Por favor!
Estão pensando que o sujeito saiu de mansinho? O grosseirão virou-se para a senhora e falou grosso:
- Sapato, caixão e vela pra você seu bagulho. Tá tirando uma de gostosa? Você já é um bagulho e prenha então...
O jornalista e frasista famoso que se assinava Barão de Itararé escreveu que "de onde menos se espera é daí que não sai nada mesmo!" Porém, galera,aconteceu o contrário; uma voz máscula se ouviu em defesa da indefesa senhora:
-  Eu,hein!
Exatamente quem você estão pensando: o gay !  E ele falou com autoridade:
- Você não tem vergonha na cara, sujeito? Não tem irmã, mãe,mulher? Uma senhora desacompanhada, grávida e você abusando, se aproveitando pra roçar?
E sob aplausos de quase todos os passageiros deu o seu veredicto:
- Motorista, para o carro no acostamento pra esse cara descer!
Dito e feito. Depois, o motorista tentando justificar a sua omissão:
- Eu já tinha apanhado a chave de roda e ia dar uma cacetada nos cornos daquele vagabundo pra ele nunca mais esquecer e deixar de putaria.

 
 
 
Memória
NO TEMPO DOS ALMANAQUES   
HOUVE um tempo meninos e meninas, que todos os finais de ano a Farmácia Régis distribuía aos almanaques de Bristol e Capivarol. A minha tia Odete Loureiro Brito, - tia Ném-, trabalhava na referida farmácia - que se escrevia "pharmácia" -, não se esquecia de guardar pra mim e eu adorava ler.
O que traziam tais publicações? As datas das fases da lua, previsão de eclipses, as festas religiosas móveis, conselhos agrícolas, as marés, anedotas, charadas, as invenções, as curiosidades...era realmente uma fonte preciosa para os meninos da minha época, antes dos modernos sites de buscas. Hoje basta uma "googlada" e pronto!
Eu guardei não sei por quanto tempo as estampas Eucalol e os Almanaques Capivarol. Não tenho idéia onde foram parar devido as mudanças de domicílio que tive de fazer.
O único almanaque que me resta, com a preciosa dedicatória do poeta maragojipano Osvaldo Sá, datada de 27 de setembro de 1998 é uma edição facsimilada do Almanach anno de 1845 - Bahia" (foto).
Dentre as curiosidades da referida publicação, encontramos na secção "Correio Geral da Bahia" a partida dos correios do interior da Província e a forma das suas relações.
"Cidade da Cachoeira
Recebe a correspondência da Capital pelos Vapores e expede para a Feira e Maragogipe, todas as segundas-feiras por Estafetas, e também para o Rio de Contas no 1° e 15 de cada mez. 
Villa de Feira de S. Anna 
Recebe a correspondência conduzida por Estafetas da Cachoeira, e expede por outros para a Jacobina no 1° a 15 de cada mez.
Villa de Maragogipe
Recebe a correspondência conduzida pelos Estafetas da Cachoeira, e da capital pelos barcos da carreira, e expede do mesmo modo para a Cachoeira e Capital".
Como vocês perceberam eu obedeci a grafia da época.
Na publicação que contém mais de 450 páginas, o saudoso poeta anotou às páginas 219, entre os proprietários de lojas de louças e vidros da capital, situada na Rua das Louças n°28 o comerciante Francisco Gonçalves Meirelles:
"Meu bisavô, linha materna".
Certa feita, numa roda de antigos cachoeiranos, alguém teceu elogios ao esportista Evangivaldo que demonstrava ter uma cultura acima da média. Osvaldo Caruru não concordou dizendo:
- Quem! "Evangivardo"?  A "curtura" dele é de "armanaque!"

 
NA FOTO ACIMA feita no ano de 1910, a Cachoeira era ainda iluminada pelos velhos lampeões instalados em 7 de setembro de 1847.
Os geradores a Diesel surgiram em 1913 e foram instalados na Usina Vitória, ponte D.Pedro II, Telégrafo e no Cine Teatro Cachoeirano.
A instalação da luz elétrica gerada pela Usina de Bananeiras se deu no dia 9 de fevereiro de 1930, sendo Intendente (Prefeito) Cândido Cunegundes Barreto.
RELIGIÃO
O Evangelho e os apócrifos
Foi o imperador romano,Constantino, convertido ao cristianismo que promoveu a primeira conferência de caráter ecumênico dos bispos, em Nicéia, no ano de 325. De tais reuniões fez-se a escolha dos quatro evangelhos que compõem a Bíblia atual, deixando de lado um grande número existente o que foi aceito pelas igrejas católicas, anglicanas, ortodoxa e pelas principais igrejas protestantes. Renomados historiadores e pesquisadores das Sagradas Escrituras olham com desconfiança as intenções políticas do recém-convertido imperador romano. Será que ele não agiu politicamente em seu favor? O que do considerado apócrifo é verdadeiro? É num documento apócrifo que ficamos sabendo que José era viúvo,tinha filhos do seu primeiro matrimônio, Jesus foi o primogênito de Maria que era virgem porém teve outros filhos como pode ser constatado no Evangelho de Mateus, capítulo 12 versículo 46:
"Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos (o grifo é nosso) estavam do lado de fora, procurando falar com ele. E alguém lha disse: tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te!" 
Com um poder de oratória inigualável, as pregações de Jesus arrastavam uma verdadeira multidão. 
Dentre os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus esta Judas Iscariotes que gozava de inteira confiança do grupo pois era quem cuidava das finanças.
Judas fazia parte de um grupo judaico chamado de zelote. Tal grupo pregava a vinda do Messias como um comandante guerreiro que iria expulsar de Jerusalém os romanos pela força das armas.
No ano de 1983, no Egito, um fazendeiro encontrou numa caverna um papiro denominado de "Evangelho de Judas", incendiando-se, assim as discussões, as teses acerca da traição de Judas, mesmo porque foi o próprio Mestre que o incentivou- "Vá e faça o que deve ser feito!"
O episódio da isenção de Pilatos também causa controvérsias. O governo romano não media esforços para punir e castigar qualquer judeu. Jesus não seria uma ex cessão.
A Bíblia, mesmo que venham novos achados arqueológicos, em muitas questões ficará indecifrável porque tudo é e continuará sendo para sempre uma questão de fé.




 
OPINIÃO
Que venha 2015!
"
"Adeus Ano Velho,
Feliz Ano Novo!"   

Dizia assim uma antiga canção de fim de ano. Realmente foi um gênio o sujeito que inventou o tal de "ano novo" como se os problemas do "velho ano" se extinguissem num passe de mágica.
Procuro manter a esperança, no entanto, como eu sou um sujeito mais ou menos informado fico cauteloso diante os acontecimentos que apontam um 2015 de grandes dificuldades de ordem financeira, que o escândalo da Petrobras colocará o nosso país no ranking de o mais corrupto do planeta, de que o que  foi roubado do seu,do meu,do nosso dinheiro quase nada será repatriado.
Empresários estão vendo o sol nascer quadrado e já foi divulgada uma lista com políticos envolvidos em propina, graças à atuação do Ministério Público, Polícia Federal e um moço destemido chamado Sérgio Moro, Juiz Federal que dignifica a função que exerce, porque os chefões não sabiam de nada, decisões que deram prejuízos de bilhões assinadas em relatório considerado "falho", e-mails mandados por uma alta funcionária da empresa sem nenhuma providência por não serem claros,não serem explícitos!
O que me deixa mais irritado é ouvir a desculpa tipo "sempre foi assim, todo mundo fez!" com o objetivo de deixar o público confuso e os mais esclarecidos até entediados.
Sinceramente,galera,gostaria de, nesta última postagem do ano, esbanjar otimismo porém,tudo indica que a novela será longa, uma história sem fim,  sobretudo porque acionistas americanos estão ajuizando ações e a rapaziada de lá não aceita prejuízos nem por um decreto. Aqui, quem sabe de tudo não sabia de nada, aliás desde o mensalão, hoje,diante da petroroubalheira virou uma merreca.
O ex-diretor da empresa petrolífera nacional que está em cana,  em sua "delação premiada" afirmou o que já se suspeitava: a roubalheira existe também nas construções de rodovias, hidrelétricas,aeroportos,portos, usinas, enfim, onde pinte dinheiro público para ser roubado e o povão que se lasque. É estarrecedor!
Teremos um 2015 de enormes dificuldades financeiras com o aumento das tarifas públicas, a volta da inflação, talvez a volta da CPMF, um novo pibinho... 
Os aposentados do INSS, achatados ano após ano enquanto ex-governadores, ex-políticos, viúvas e afins recebem polpudos vencimentos vitalícios já aprovados.
Se a Justiça agir com rigor e punir TODOS os envolvidos, para mim, 2014 não foi de todo ruim e há esperança ainda para 2015.
Obrigado a todos e a todas que acompanham e prestigiam este blogger e que se deram ao trabalho de enviar-me votos de boas festas. Em janeiro a gente volta.

 

 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

 FALA, GALERA !
Luis Claudio Dias Do Nascimento·Meu amicíssimo amigo e irmão Erivaldo Brito, caixa e eventualmente gerente do Banco da Bahia, tinha umas tiradas legais quando trabalhávamos, no início da década de 1970, na agência 3011 daquele banco que agora é Bradesco, em Cachoeira. Eu tinha 18 anos. Erick, como tratávamos carinhosamente, é de uma inteligência rara. Certa feita ele me perguntou se eu me importaria em ficar cego se eu fizesse algo mirabolante do tipo a Quinta Sinfonia de Beethoven. Beethoven escreveu a referida peça quase surdo. Eu ri, mas guardei como uma questão profundamente filosófica. Estou só em casa escutando Bossa Nova na Sky e organizando minhas coisas de pesquisa. Parei para escrever isso porque me lembrei de Erick, que é musicista virtuoso e adora essas coisas.  Sei que vou escrever uma puta tese de doutorado. Desde garoto pesquiso o meu objeto de pesquisa que vou defender no doutorado. Tenho que ter um limite senão não pararei de escrever, porque é muita coisa, muito documento, muita entrevista, muita lembrança. Aí fico pensando que escreverei algo que em toda a minha vida me dediquei só a isso: estudar o Recôncavo, o povo do Recôncavo, o ar do Recôncavo, eu. Então, Erick, respondo a sua questão formulada num dia qualquer de 1971-72, não lembro, mas foi nesse período: eu não me importo em ficar cego, nem morrer.
OS DOIS POETAS Ana Lessa Boa lembrança! ! Pensei nesse poema ontem. Mas não estou com meus livros. Só lembrava do título do poema. Obrigada prof Erivaldo Brito! !

PRA BALANÇAR O CORETO Nea Gonçalves obrigado por estas lembranças .
Carmen Barros Em São Felix também! Muita saudades!
Para mim foi horrível, eu est.ava grávida de 9 meses e o Hospital de São Felix em baixo d´água

OS TRÊS GOLEIROS (CEGUINHO,VADINHO e IBERÊ)
Miriam Mascarenhas Concordo com você Roberval.
Nea Gonçalves ceguinho,com certeza.
Antonio Oliosvaldo Menezes Todrs excelentes, mas convenhamos(Tata toxe ta topitata to ar) de acord com Dayube

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Antes da chegada do  Natal chegou o verão aqui no Rio. E chegou pra arregaçar, a sensação térmica, segundo li nos jornais é de cinquenta graus! Calor de maçarico. 
Fazer compras na SAARA, - o maior centro comercial a céu aberto - sobretudo no dia de hoje, véspera do Natal, é coisa de doido mas, o movimento foi enorme.
A coisa mais interessante, galera, é que uma enquete realizada entre a garotada, 90% considera a festa como sendo do Papai Noel !!!  E o Grande Aniversariante? Os Natais mudaram ou mudou eu?
A FIGURA DO PAPAI NOEL
Não sei até que idade eu cria no "Bom Velhinho". Eu não escolhia presentes mas o Papai Noel me dava sempre cornetas, tambores, realejos...Eu adorava!  então, foi o meu amigo de infância, Sócrates, mais conhecido como Tó, filho do professor Salvador, com aquela voz fanha que falou pra mim: 
- Deixa de ser besta, que papai Noel que nada! Sabe quem é que bota o seu presente enquanto você dorme? É Laurinha!
Engraçado é que ainda hoje eu fico aborrecido.rsrsrs
A origem do papai Noel vem da Ásia Menor. No século quarto, um bispo chamado Nicolau, clérigo muito piedoso,costuma distribuir alimentos, roupas e agasalhos aos necessitados da sua paróquia durante a época natalina.
A figura do Papai Noel era emblemática. Como o conhecemos hoje, se deveu a uma bem sucedida peça publicitaria de uma famosa marca de refrigerante.
Quando eu morava na Vila Residencial de Muritiba, na Bahia, o Papai Noel era meu amigo e frequentava a minha casa. Chamava-se Evandro, mais conhecido como Evandro Papai Noel (foto) Gostava de declamar versos sobretudo de cordel e tinha um repertório enorme de anedotas. Saudades!
CARTÕES DE NATAL
O Google me informou que foram inventados por um inglês chamado Henry Cole, nos idos de 1843 e foram aparecer no Brasil apenas na d´cada de cinquenta.
Este ano, até agora, só
 recebi um!  É que meu irmão, Erione, tradicionalista da gema, não aderiu à moda dos cartões eletrônicos.
OS PRESÉPIOS
 NOS DIAS ATUAIS poucas famílias se dão ao trabalho de armar presépios. Quando estive secretário de educação da cidade de Muritiba,na Bahia, na primeira gestão do prefeito Epifânio Sampaio, mais conhecido pela alcunha de Babão,com a colaboração das professoras Selma e Vaninha, promovemos um Concurso de Presépios mas a receptividade foi quase nula.
O pessoal, hoje, prefere a comodidade de ÁRVORES DE NATAL prontas, bolas inquebráveis e não mais aquelas de aljofre  que quebravam atoa e pisca-pisca de origem asiática quase de graça.
Na foto acima a minha neta, Luiza, na papelaria que fica na parte terra do prédio onde moramos.
Quando eu era criança, praticamente em todas as casas da minha Cachoeira se armavam presépios, enfeitados com casinhas feitas por Eduardo, mais conhecido como Sangue Azul, as figuras de barro confeccionadas pelo pai de Tamba, areia da barra, conchas, o ananás, musgos e folhas de são gonçalinho jogados pelo chão. Ah! os presépios dos meus tempos de menino. Era uma festa democrática e social as famílias se visitarem. Levado pela minha madrinha visitava várias casas. Lembro-me, porém, do presépio do sobrado de seu Mota e dona Naninha, o de dona Delcina na rua Ruy Barbosa e o de Douglas de Pipoca na rua dos Artistas.
AMIGO-SECRETO
Eu trabalhava na obra de Pedra do Cavalo quando surgiu a novidade. Cada participante tirava um papelzinho dobrado com o nome de seu "amigo-secreto" que só seria revelado no dia das comemorações natalinas.
Foi então que aconteceu um fato interessante; Lima, que trabalhava na administração andou pelos quatro cantos se queixando;
- Que merda! Fui tirar logo o nome de um desgraçado puxa saco da chefia, dos engenheiros...
Ao ouví-lo, cheguei a aconselhá-lo:
- Olha,Lima,sei que você não me tirou porque já falou várias vezes eu estando presente, agora, se você me ouvir, pare de se queixar, se você tinha restrições a algum nome, não entrasse.
E ele:
- Eu não pensei, Brito, que eu fosse dar o azar !
No dia da festa, salão de festa lotado, sentia-se no ar aquele ar de apreensão. Quando chegou a hora de Lima ele abriu um sorriso e com o seu presente na mão aproximou-se do microfone. Eu pensei; será que ele deu o jeito de trocar o nome do seu detestável amigo-secreto? Aguardei ansioso. Ele anunciou:
- O meu amigo secreto é uma pessoa muito querida, muito amável, sempre disposto a ajudar aos outros. Meu amigo-secreto (e foi se aproximando dele) é o chefe de administração...Antônio Borges !
E levou o maior empurrão. Borges berrou:
- Meta seu presente no cu, quem é safado e puxa-saco dos engenheiros e você!!!

Deu trabalho para o quieta-acomoda e a festa terminou sem brilho.
Feliz Natal,galera, obrigado por prestigiar o nosso trabalho aqui neste blogger.



 
 




Os dois quadros acima pertencem à paróquia da Cachoeira estão expostos na sacristia da igreja da Matriz de Nossa Senhora do Rosário. O seu autor é o pintos soteropolitano chamado José Theophilo de Jesus (1758-1847). Ele gozou de enorme prestígio e é reconhecido até hoje como um grande nome do barroco brasileiro.
Lamentavelmente na enchente de 1960, as águas atingiram os dois quadros.   Não tomamos conhecimento se houve alguma interferência a fim de restaurar-se tal acervo de valor inestimável.
A foto acima é de 1911, mais ou menos. A praça chamava-se Largo do Hospital, o povão chamava-a de Praça dos Tamarineiros, depois Praça da Regeneração, e, atualmente, Praça Dr.Milton.
  Poesias Natalinas   

DOIS POETAS contemporâneos: um maragojipano, OSVALDO SÁ, amigo de saudosa memória (foto acima,colorida) e o outro, cachoeirano,CLÓVIS ALBERTO ALVES MACIEL (foto em preto e branco), meu primo carnal, também falecido. Ambos produziram sonetos maravilhosos.
Osvaldo Sá publicou mais de uma dezena de livros e centenas de artigos publicados em jornais pelo Brasil afora, inclusive em um jornal que se publicava pela Academia Brasileira de Letras. 
No ano de 1973, Osvaldo Sá publicava o seu primeiro livro, "A Conspirata dos Galos", pela Editora Arpoador da capital do estado. E, é desse primeiro livro, dessa antologia de sonetos que extraímos o que segue:
Na Missa do Galo
Bimbalham sinos. Festas no arraial.
De longe chegam bandos de matutos
a saborear cachimbos ou charutos,
nessa alegria ingênua do Natal.

Parece até, no campo, um carnaval,
- Não se vêem cores de pesar e lutos
As caboclinhas fazem cocurutos
e calçam as chinelas muito mal!

Ouvem-se os cavaquinhos e as tiranas;
lendas de Boitatás e da Caipora;
namoros de Pepedos com Joanas.

E, na capela, rezas quase à tôa
enquanto, lá no altar, Nossa Senhora
sorri das tranças de uma tabaroa.

A Cachoeira, terra natal de Clóvis Maciel produziu vários nomes de prestígio e renome nas letras baianas. Ele, infelizmente, até movido pela modéstia teve poucos trabalhos publicados na imprensa local, e, assim, o seu real valor intelectual ficou desconhecido até hoje.
Fui testemunha ocular de vê-lo em plena atividade intelectual. Lia, não gostava e atirava na lata do lixo de onde "salvei" o poema que publiquei no meu primeiro livro, "Oradores e Poetas da Cachoeira" e transcrevo abaixo:
 "É mais fácil entrar um camelo no fundo de uma agulha de que um rico no Reino do Céu!"
Poema de Natal
Cristo, quando na terra te encarnaste,
foi uma estrela a luminosa trompa
que anunciou ao mundo que chegaste,
- Deus, mas tão simples, o Senhor, sem pompa.

Filho de humildes, entre humildes criado,
deste exemplo de amor e singeleza;
não foi teu companheiro o potentado,
mas o anônimo filho da pobreza.

Contra os ricos pregaste, destemido
e em prol dos pobres, ó desassombrado;
para estes foi teu Reino construído,
àqueles o teu Reino foi vedado.

 Contra o orgulho, a ambição, o fausto, o egoísmo
teu Verbo se elevou, desceu tua ira.
A caridade, o amor, o pacifismo,
eis as achas da tua santa pira.

A tua pregação igualitária,
de um só rebanho sob um só pastor,
quer povos sem nababos, mas sem párias,
sem escravos, sem dono, sem senhor.

Mestre te chamam e bem o mereces,
pois aliaste à palavra o grande exemplo,
ensinaste que ao céu não bastam preces,
e limpaste a vergastas o teu templo.

Por isso, ante o teu verbo - sem flagício -,
sacerdotes venais, ricos e nobres,
levaram-te ao supremo sacrifício
para conter a religião dos pobres.

Hoje, porém, transatos dois mil  anos,
nos quais ficou de pé tua doutrina,
o mundo vive os mesmos desenganos
sem aplicar tua santa medicina.

Embora com teu nome batizada,
a nossa pseudo civilização,
de teus ensinamentos não tem nada,
o homem segue a esmagar o seu irmão.

Faz-se mister, portanto, ó Cristo amigo,
que ao mundo tornes - se não ele cai -,
para mostrar, sob o teu doce abrigo
que somos todos filhos de um só Pai !

Eu gostaria de ver outras produções de Clóvis sendo publicadas. O seu nome, post mortem,  o levariam a brilhar entre os escritores e poetas da Bahia. Talvez a sua esposa, Mari, ou algum dos seus filhos tenham guardado alguma coisa. Eu mesmo tenho um acróstico que ele fez a meu pedido. Eu estava apaixonado por uma garota que estudava nas Sacramentinas e quis impressioná-la fazendo versos com o seu nome.,rsrsrs