sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

 RECORDAÇÕES
O mestre Renato Queiroz /3
QUANDO eu estou envolvido num projeto como este em que o protagonista foi um fraterno amigo, conselheiro e vizinho, mesmo durante a madrugada quando invariavelmente me levanto para atender aquela necessidade fisiológica inerente aos idosos, demoro em reconciliar o sono.  Então, fico tentando encontrar em alguma gaveta  do meu cérebro, algum episódio relevante para ser relembrado e que a minha mente cansada teima em travar.
 Renato tinha um comportamento muito reservado, sobretudo sobre a sua vida sentimental. Então, quando ele tornou público o seu namoro com a sua competente colega e futura companheira de magistério, os que faziam parte do seu círculo de amizade concluíram: "Ih, vai dar casamento!" E foi o que de fato acabou acontecendo porque eles formavam um casal perfeito. Até as naturais incompreensões que existem em qualquer relacionamento eles tiravam de letra sem que ninguém tomasse conhecimento. E olha que eu fui vizinho de ambos durante muitos anos. Renato e Neide tiveram um casal de filhos: Renatinho e Renê.
Seu Claudionor, pai de Neide, morava com a família na Rua da Feira numa casa térrea junta a uma igreja protestante hoje de propriedade da empresária e vereadora Angélica Sapucaia. Ele era funcionário da Rede Ferroviária Federal (na ocasião Leste Brasileira), era pai de Nilton, Juracy,Vilma e Neide. Lembro-me de que ele foi o inventor de um equipamento que mereceu os mais altos elogios por parte de diretores e engenheiros pela sua praticidade e segurança nas manobras das locomotivas e demais composições. Não tenho notícias se tal invento foi devidamente patenteado.
Voltando o relógio do tempo, concluído o que se chamava "ginasial", Renato foi fazer o curso de magistério em Salvador, indo hospedar-se por recomendação de alguns amigos cachoeiranos numa "república" no Largo da Mariquita.
Já contei num dos meus livros alguns episódios que me foram relatados pelo próprio Renato, como aquele em se queixava das mordidas de pulgas e os outros faziam pouco:
- Ora, Renato, você está mal acostumado com o conforto de sua casa em Cachoeira !
Renato, então, vindo pra casa num final de semana, teve o trabalho de encher um frasco com pulgas de um velho cachorro do sobrado. Ao retornar, vupt! nas cobertas "Dorme Bem" dos nosso conterrâneos que zombaram dele e ficou no aguardo dos acontecimentos. Não demorou e o pessoal começou a se coçar até que um deles chiou:
- É, Renato, hoje tá danado !
E ele sem esboçar o sorriso sequer:
- Não estou sentindo nada, acho que já estou me acostumando!
Lembrei-me agora de dois episódios que deixaram Renato impactado conforme ele relembrava. O primeiro é sobre um companheiro que dividia o quarto com ele. Renato era cuidadoso na limpeza do aposento, a roupa de cama era trocada sistematicamente todas as semanas. Tentou conscientizar o companheiro sobre a necessidade de compartilhar na limpeza. Não deu certo. Renato, então, dividiu o quarto ao meio. A sua parte ele cuidava, varria, encerava com Cera Cachopa, era tudo bem cuidado. O "território" do vizinho era sujo, pontas de cigarro no chão, garrafas, jornais  e revistas, roupas, um lixo.
Certo dia, perguntou ao vizinho se não iria trabalhar naquele dia. Ele respondeu que "estava de atestado médico". Quando Renato chegou de volta levou um susto danado. Seu companheiro de quarto estava deitado na sua cama vestindo o seu pijama, o rádio da cabeceira ligado e uma jovem sentada com a mão dada com ele e a ele foi apresentada:
- Renato, esta é a minha noiva !
Disse isso e lançou aquele olhar de clemência e piedade que Renato captou e tratou de cair fora para não cair na tentação de desmascará-lo. Pediu licença e retirou-se. Antes de fechar a porta, ainda ouviu o cochicho:
- Gosto dele mas é como eu disse a você; é um tanto quanto relaxado. Veja só como o lado que ele ocupa está sujo! Eu é que não vou bancar o empregado!
O outro episódio - também inédito porque eu não contei antes -, aconteceu com um jovem que estava preparando uma comemoração na "república" e teve o cuidado de convidar a todos os que lá  moravam. O rapaz comprou alguns engradados de cerveja e refrigerantes da Fratelli Vita. Na padaria em frente deu encomenda de pastéis e empadas, comprou pão de forma, queijo, presunto, patê de fígado e sardinha para fazer pastinhas. Estava tudo preparado para a comemoração do primeiro aniversário que ele comemoraria longe da sua família que era de Ipiaú.
No tão aguardado dia, para alguns que se apressaram em abraçá-lo antes da sua saída para o trabalho, ele ratificava o convite:
- Procure chegar cedo, quero compensar a ausência da família com o calor da presença dos novos amigos daqui da capital.
Quando Renato retornou, já era grande a movimentação na "república", inclusive com pessoas estranhas. Levou o maior susto quando foi informado de que o aniversariante havia sido atropelado na Praça da Sé e estava hospitalizado no Pronto Socorro.
Em lá chegando, Renato e o grupo que o acompanhava levou o maior susto quando uma enfermeira informou:
- O rapaz teve um traumatismo craniano e dançou !
Foram todos ao necrotério e constataram a infausta e surpreendente ocorrência.
Era madrugada na Bahia e ninguém na "república' havia conseguido dormir. Grupos se formavam nos quartos e o assunto era sempre o mesmo. Alguns lembravam como o conheceram, a sua chegada, que era um rapaz educado, alegre, que havia inclusive planeja comemorar o aniversário e faleceu exatamente no dia !  Morrer é uma beleza, gente, todos os defeitos vão sepultados juntos. Aflora apenas as virtudes.
De um dos quartos alguém lembrou das bebidas na geladeira, das empadas, pastéis, sanduíches, pastinhas...De repente um deles falou:
- Olha, gente, fulano queria festejar a vida não era? A fatalidade não vai nos impedir de cumprir a sua vontade ! Vamos fazer isso em sua memória.
Sorrateiramente, pé entre pé, as primeiras garrafas de cerveja foram apanhadas na geladeira. Pastéis, empadas, sanduíches, pastinhas de patê de fígado e de sardinha foram consumidos.
De repente, para repúdio de Renato, - que se indignava ao contar muitos anos depois do episódio -, a porta da geladeira era batida sem a menor cerimônia, ruido de garrafas de batendo, correria no corredor, um inferno. Renato estrilou:
- Gente, o que é que isto?!
Uma voz não identificada mas que não passaria num teste de bafômetro sentenciou:
- Quem morreu é que se fodeu!
Na próxima postagem a gente fala do mestre Renato o grande e inesquecível professor de uma geração, inclusive dos meus irmãos Erione, Roque e Rafael.
A Lan Hause onde digito as coisas deste blogger vai fechar para o carnaval. Divirtam-se. Até a próxima.







sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

RECORDAÇÕES

O mestre Renato Queiroz /2

O GINÁSIO ESTADUAL DA CACHOEIRA, tornou-se conhecido pela excelência comprovada do ensino, os alunos ali formados alcançavam as primeiras posições em vestibulares e concursos diversos. Isso fazia com que grande parte do alunado fosse das cidades circunvizinhas e até da capital do estado. Dentre esses alunos, destacava-se o jovem Rui Cafezeiro. Ele acabou liderando um grupo em contraposição ao de Renato. Os grupos não disputavam apenas as melhores notas. Lembro-me, como exemplo, que o cachoeirano José de Freitas Mascarenhas, que foi secretário de estado na primeira gestão de ACM e atual presidente da Federação das indústrias da Bahia tirou,uma nota nove (vejam bem,NOVE) e chorou copiosamente quando recebeu a prova!
O Rui Cafezeiro era, além de inteligente, muito observador e astuto. Renato, como toda e qualquer pessoa, tinha algumas manias, como usar as calças bem arriadas, quando acendia um cigarro ficava com o palito de fósforo rolando entre as mãos, e, finalmente intercalar os seus diálogos com aquele barulhinho característico de que algum resíduo se encontra preso entre os dentes. Rui criou "o tic-tac do Renatiê !" Recortava relógios de revistas e escrevia a frase" "O tic-tac do Renatiê!" espalhando-os nas dependências do Ginásio.
A resposta de Renato veio numa quadrinha: 
Quando Rui veio ao mundo,
No Cartório a Escrivã 
 Cometeu um erro fatal: 
Esqueceu de colocar o  "eme" final ! 
A grande mania dos cachoeiranos naquela ocasião era colecionar figurinhas. Renato criou "As aventuras do Rui" com a nossa colaboração e de Gerson Torres. A figura que simbolizava o Rui era inspirada naquele bonequinho que faz a crítica dos filmes com a colocação de uma capa e as botas, elementos que Rui não deixava de usar.(vide figuras acima)
Os desenhos eram reproduzidos em nankin e Renato se incumbia de espalhar no colégio. O mais incrível é que muita gente, até pela força do hábito, começou a colecionar, e, como em todas as coleções, a figurinha mais difícil, a que ninguém conseguiu encontrar foi "Rui estudando"! 
Depois de formado, Rui Cafezeiro teve um destino trágico: morreu afogado na Lagoa do Abaeté, em Salvador, fato que deixou todo mundo consternado na cidade Heroica.
Na Cachoeira daqueles tempos, todo mundo conhecia o Coquetel (mingau de tapioca) do Bar 7 Portas, o picolé de côco de seu Urbano, o refresco de limão do Night, e o refresco de cajá do Bar Regina. Que saudade daquele refresco de cajá!
Como o cinema local não passava uma semana sem exibir um filme de Durango Kid, Renato resolveu batizar o seu refresco com o nome do "Cavaleiro Mascarado" 
Renato dominava com muita habilidade os projetos de construção. Foi dele o projeto da Casa Paroquial da Cachoeira e a sua própria casa. Ele defendia o uso de azulejos nas fachadas à moda portuguesa.
O grande sonho dos cachoeiranos era possuir o seu estádio de futebol. Existia o campo da avenida Ubaldino de Assis mas não era um estádio com acomodações sentadas, vestiário etc. De quatro em quatro anos, durante o período da eleição, o assunto, claro, voltava em tom de promessa.
A turma de esportistas que frequentavam o Bar Regina pediram que Renato fizesse um layout de um estádio de futebol. Ele fezs e ficou exposto na vitrine da Farmácia Régis. Meninos, pra quê?! O pessoal ligado ao deputado Dr.Públio esteve o Bar Regina pra fazer uma comunicação impostante: "O homem vem procurar você hoje!"
De reconhecida incapacidade de amoldar-se aos caprichos dos poderosos, /renato vistiu a uma calça remendada, suja, uma camisa também surrada e faltando botões e os sapatos com barbante ao invés dos cadarços. O próprio Renato,quando lembrava do episódio sorria do detalhe,de "o sujeito amarrando o calçado com cordão é o cúmulo de pobreza!"
Era noitinha quando a comitiva do deputado Públio Pereira adentrou o recinto do Bar Regina. Algum puxa-saco da comitiva se apressou em fazer a apresentação: "Foi ele, doutor, que fez aquele trabalho maravilhoso da planta do estádio de futebol"
O político colocou o cigarro na boca e estendeu a mão para Renato que o cumprimentou sem dar uma palavra.
Um vereador da cidade também deu o ar da sua graça: "Sabe, doutor, o Renato precisa ser aproveitado!"
Renato detestava patacoada, a subserviência, o servilismo e muito menos aceitar a tudo sem questionar. E ele retrocou mais ou menos assim:
"Deputado; quem está em dificuldade é uma pessoa extremamente fragilizada, necessitando, portanto, de demonstrações de respeito. Ao homem se dá oportunidade, o que se aproveita é uma roupa de um irmão para o outro, o que sobrou de um pedaço de um lombo para colocar ovos mexidos, e assim por diante.
Já naquele tempo, quem não era da "corrente" se fedia! Naquela noite Renato havia assinado a sua sentença; jamais teria qualquer oportunidade ou seria aproveitado na política no que ele estava se lixando. A história não para por aqui, a gente vai prosseguir. Leiam abaixo algumas opiniões acerca da primeira postagem, além das dezenas de compartilhamentos e "curtidas":

Chicão Brito  escreveu: "foi meu professor de francês!"
Aurenice Sena: "Relembrar é viver. Saudades desta época."
Maze Cachoeira: "Aprendi muito com ele!"
Nelson Aragão Filho : "tenho muitas boas lembranças do meu professor de francês Renato " a lua brilha no céu"
João Matos Figueiredo: "Aragão:" La lune brille le ciel".
Antonio Moraes Ribeiro: "Eu também fui aluno do grande professor de francês Renato Queiroz. Ele também era um excelente professor de português."
Julio Motta: "ESTE E O MEU MIGO E MESTRE RENATO. Abraco"
Renato Queiroz (filho) escreveu: "Obrigado, Tio Erivaldo por este momento. .. Sempre encontro alunos e amigos do meu querido pai... com carinho e admiração, contando suas histórias. Muitos. Sinto orgulho! Meu querido primo Raimundinho Raimundo Coêlho de Souza Jr.. me conta várias fala da sua iluminada inspiração, prodigiosa inteligência, afabilidade um extremo gozador. Inclusive do seu pragmatismo atlético, rsrsr, e fala sempre de vc e Erione, amigos queridos. Sempre rio, e reflito muito, fico feliz!"

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

"CAUSOS" VERÍDICOS
Os ratinhos do Tarcílo 

QUANDO EU FUI nomeado para trabalhar na prefeitura, na primeira gestão do prefeito Julião Gomes dos Santos, (meu primeiro emprego formal), saído da adolescencia, eu era um cara abusado, chegado a uma esculhambação, a uma "molequeira sadia" no dizer do meu saudoso compadre Valdir de Gegeu.
E fui encontrar na Prefeitura antigos e rabugentos funcionários, fora um senhorzinho também de cabelos grisalhos chamado Tarcílo, pai de Guiguiu, músico da filarmônica Minerva e Osmar que dirigiu a ambulância da Santa Casa, lembram?
Naquele ambiente taciturno da Prefeitura daquela época, Tarcilo fazia a diferença com o seu bom humor e eu, levado por ele, naturalmente, aprontei tantas que o secretário da prefeitura, João Gualberto de Carvalho Filho (Jonga), já que não podia me demitir  (a minha madrinha, Laura, era a primeira dama do município), resolveu desfazer a dupla dinâmica com a minha transferência para a Delegacia como Escrivão ad-hoc.
Sempre feliz da vida, Tarcilo adorava tirar onda com outros dois antigos funcionários: Genobaldo Farias e dona Odília Marques. Com Genobaldo, ficava palpitando em tudo, sobretudo no  de jogo do bicho.  Várias vezes Genobaldo chiava: "Vá pra merda, Tarcilo ! Por que você não joga?" E ele ironicamente respondia: "Porque eu não sou tesoureiro!"
Certa feita, ao brincar mais um vez com Genobaldo, Tracilo ouviu o seguinte: "Hoje eu não tô pra bincadeiras, tô com a cabeça inchada de problemas!" Na saída, quando Genobaldo tentou enfiar o chapéu na cabeça o danado não entrou de jeito nenhum!  É que Tarcilo encheu o forro do chapeu com jornal e na maior cara de pau disse: "É, Genó, agora eu acredito que a sua cabeça está inchada mesmo!"
Genobaldo caiu na asneira de dizer para dona Odília que necessitava tomar algum remédio para esquecimento, e Tarcilo providenciou acelerar o processo, escondendo coisas que o pobre coitado havia deixado em determinado lugar, como o guarda chuva, por exemplo.
Dona Odília também se queixava de precisava tomar algum fortificante. Eu ví Tarcilo apanhando muitas pedras roliças usadas para prender papel e colocar na capa de chuva da pobre coitada. Desprevenida, ao apanhar a capa...pumba! Bateu forte no assoalho enquanto Tarcilo, sorrindo, dizia: "É. Odília, você tá fraquinha que dá gosto!"
Dona Odília mantinha um sapato na repartição sob a alegação que "detestava calçado molhado!"  Retirava o que vinha da rua colocando-o para enxugar próximo à janela. Eu a vi reclamando que seus sapatos não estavam enxugando e o autor eu já havia deduzido até que o flagrei com um canequinho dando o seu jeitinho.
Chateada por estar fazendo muitos empenhos para os festejos do Carnaval, dona Odília reclamava e chegou a discutir com Tarcilo sobre o "dinheiro jogado fora para um bando de moleques ficarem pulando com o bucho cheio de cachaça" e acrescentava: "não se brinca mais como antigamente, detesto carnaval!"
Para surpresa geral, ao término do expediente, quando dona Odília foi saindo para o almoço e abriu a sua sombrinha, milhares de "confetes", pedaço de papel retirados dos perfuradores cobriram a sua cabeça enquanto ele esbravejava: "Velho palhaço!"
E Tarcilo, feliz d vida: "Você não disse que não gostava de carnaval?"
Carlinhos Monteiro apareceu no Expresso com uma novidade trazida de Salvador: um cocô de massa!  Tão perfeito que até aparecia alguns caroços de feijão. Levei emprestado para pegar Tarcilo, na prefeitura. Cheguei cedo, peguei o falso cocô e coloquei no segundo lance que dá acesso à prefeitura com o pedaço de papel higiênico e um pouco de água para fingir urina. Quando ele avistou a cena, soltou um muxoxo e foi apanhar a vassoura e um apanhador. Quando ía iniciar  a "limpeza" eu abaixei dizendo, "passa pra cá o meu cocô!"  Da surpresa inicial, aquela passou a ser a brincadeira favorita de Tarcilo. Colocou no salão da Câmara para aporrinhar dona Naná e Zinho, na gaveta de Genobaldo, e no salão do Juri dizendo para Sinô: "Acho que foi o doutor Franklin!".  Doutor Franklin de Souza Carneiro, irmão do senador Nelson Carneiro, era Juiz de Direito da Comarca.
Certa feita eu estava no gabinete quando Tarcilo entrou com uma bandeja do cafezinho. Ficou em pé esperando, esperando, enquanto o prefeito, Julião, conversava com a xícara na mão. E Tarcilo impaciente: "Toma jogo,Julião!"  E o prefeito na dele, já conhecia Tarcilo. Depois que ele se afastou, Julião comentou: "Tarcilo pens que eu sou idiota! Depois que eu reclamei que o café estava frio, ele só me trás depois de ferver até a xícara!"
Eu já estava trabalhando na delegacia quando fui fazer um visita a ele, na Prefeitura, não obstante de quando em vez, juntamente com Adilson Nascimento ir até à residência dele pra jogar dominó. Encontrei o velho Tarcilo discutindo com  dona Odília. Ela, pedindo a minha atenção, afirmava: "Velho mais idiota, fica trazendo resto de comida de casa, segundo ele pra dar aos ratinhos!"
E ele, com aquele sorriso irônico: "Se os ratos grandões estão soltos por ai e ninguém persegue, deixem em paz os meus ratinhos!"
Tarcilo, um personagem inesquecível.





 
Minerva Cachoeirana - 136 anos !
A ARTE MUSICAL na Cidade Heróica deve-se, sobretudo, às suas filarmônicas como a centenária Minerva, que nasceu com o nome de Comércio, fundada pelo maestro Eduardo Mendes Franco.
Falar da Minerva Cachoeirana é relembrar dirigentes ilustres como Américo Palma de Santana, Bráulio Marques, Ursecino Antônio dos Santos, Cândido Mecenas Vacarezza, Franacelino Mota, Carlos Vieira, João da Mata Figueiredo,Carlos Viera,Juvenal Paim, Ricardo Pereira, Aurelino Serafim dos Anjos, Artur Marques, Monsenhor Fernando Carneiro e Manoel Martins Gomes (Manoelzinho), e de regentes do quilate de João Camelier, Fraancisco Cardoso Fróes, Esmeraldo São Bernardo, Pedro Bezerra, Manoel Cristiano Silva (Engenheiro) e Felisberto Silva (Ganso).
Na foto abaixo de 1929, aparecem vários dos antigos baluartes da Minerva como Bráulio Marques (de terno escuro) e Ursecino (de gravata borbleta) por trás de umas senhorinhas de sombrinha.


Falar da Minerva Cachoeirana é relembrar que a sociedade sempre esteve ao lado da família deste blogueiro, nos momentos de tristeza e de alegria.
Falar da Minerva Cachoeirana que hoje completa 136 anos de fundação, é recordar dos meus tios Edgar e Deocleciano (Dió), de saudosos amigos como Luiz Soares da Cruz (seu Lula), João Rodrigues (Balaio), Clarício Marques, e o pessoal da percussão, o chamado "pessoal da cozinha", Cassemiro Conceição (Caçote), Indio, Xendengo, Mundinho, Munda...Saudades!
Na foto histórica, abaixo, de 1929, frente à sede social, o corpo musical onde aparecem os músicos Bernardino (prateleiro tendo ao seu lado o então tesoureiero João da Mata Figueiredo (de terno e chapéu de palhinha), e mais atrás João Balaio e Luiz Soares da Cruz (seu Lula).

Parabéns,Minerva!


 
MEMÓRIA
Inauguração da luz elétrica
Foi esta a grande manchete dos jornais cachoeiranos da época em o dia 6 de fevereiro de 1930, volvidos, pois, 84 anos passados.
A energia elétrica era gerada pela Barragem de Bananeiras, situada nos municípios de São Félix e Cachoeira, hoje submersa pela barragem de Pedra do Cavalo em terrenos desmembrados para a criação do município de Conceição da Feira.
O prefeito da Cachoeira era o pecuarista Cunegundes Barreto e a solenidade contou com a presença do governador do estado Dr.Góes Calmon. O orador foi o jornalista Augusto Azevêdo Luz.
A foto histórica foi tirada de São Felix, que viria a gozar de tal benefício tres anos depois.
 
DICÁRIO
Todo o mundo já disse ou ouviu falar a seguinte sentença: "Hoje eu não estou AFIM ou A FIM?
AFINS, são pessoas de pensamentos iguais, pessoas que possuem as mesmas afinidades, inclusive de parentesco. O correto, portanto,é A FIM, ou seja, com o propósito de.
 "Hoje eu estou a fim de ir à praia!"
"Estou a fim de arrumar uma paquera!"

Curiosidades da Bíblia
A vinda do Senhor é referida 1.845 vezes na Bíblia, sendo 1.527 no Antigo Testamento e 318 no Novo Testamento.
 
OPINIÃO
Retrocesso civilizatório
Getúlio Vargas já dizia que "o Rio de Janeiro é o tambor do Brasil", pelos simples fatos de as coisas acontecerem por aqui e terem ressonância em todo o Brasil. Aconteceu por aqui, no bairro do Flamengo, de um garoto menor de idade ser aprisionado a um poste depois de barbaramente espancado pelos autodenominados "justiceiros".  É notório que, quem comete qualquer sorte de delito deve ser punido após julgamento por parte do Estado. É assim que funciona o estado democrático de direito, nada de se fazer justiça pelas próprias mãos.
Quando li e assisti a reportagem, recordei-me de haver lido quando menino (já não sei se ouvi contar lá em casa), de um sujeito acusado de um furto (ladrão de galinha), ter sido amarrado a um poste na Rua da Feira, na minha cidade natal, Cachoeira, na Bahia,o que causou pública indignação ao   jornalista e advogado provisionado Alexandre Alves Maciel Júnior (foto).
Estou plenamente de acordo que existem falhas gritantes na legislação, que existe incompetência policial mas, nada disso justifica o que ocorreu, um enorme retrocesso civilizatório.