sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

RECORDAÇÕES

O mestre Renato Queiroz /2

O GINÁSIO ESTADUAL DA CACHOEIRA, tornou-se conhecido pela excelência comprovada do ensino, os alunos ali formados alcançavam as primeiras posições em vestibulares e concursos diversos. Isso fazia com que grande parte do alunado fosse das cidades circunvizinhas e até da capital do estado. Dentre esses alunos, destacava-se o jovem Rui Cafezeiro. Ele acabou liderando um grupo em contraposição ao de Renato. Os grupos não disputavam apenas as melhores notas. Lembro-me, como exemplo, que o cachoeirano José de Freitas Mascarenhas, que foi secretário de estado na primeira gestão de ACM e atual presidente da Federação das indústrias da Bahia tirou,uma nota nove (vejam bem,NOVE) e chorou copiosamente quando recebeu a prova!
O Rui Cafezeiro era, além de inteligente, muito observador e astuto. Renato, como toda e qualquer pessoa, tinha algumas manias, como usar as calças bem arriadas, quando acendia um cigarro ficava com o palito de fósforo rolando entre as mãos, e, finalmente intercalar os seus diálogos com aquele barulhinho característico de que algum resíduo se encontra preso entre os dentes. Rui criou "o tic-tac do Renatiê !" Recortava relógios de revistas e escrevia a frase" "O tic-tac do Renatiê!" espalhando-os nas dependências do Ginásio.
A resposta de Renato veio numa quadrinha: 
Quando Rui veio ao mundo,
No Cartório a Escrivã 
 Cometeu um erro fatal: 
Esqueceu de colocar o  "eme" final ! 
A grande mania dos cachoeiranos naquela ocasião era colecionar figurinhas. Renato criou "As aventuras do Rui" com a nossa colaboração e de Gerson Torres. A figura que simbolizava o Rui era inspirada naquele bonequinho que faz a crítica dos filmes com a colocação de uma capa e as botas, elementos que Rui não deixava de usar.(vide figuras acima)
Os desenhos eram reproduzidos em nankin e Renato se incumbia de espalhar no colégio. O mais incrível é que muita gente, até pela força do hábito, começou a colecionar, e, como em todas as coleções, a figurinha mais difícil, a que ninguém conseguiu encontrar foi "Rui estudando"! 
Depois de formado, Rui Cafezeiro teve um destino trágico: morreu afogado na Lagoa do Abaeté, em Salvador, fato que deixou todo mundo consternado na cidade Heroica.
Na Cachoeira daqueles tempos, todo mundo conhecia o Coquetel (mingau de tapioca) do Bar 7 Portas, o picolé de côco de seu Urbano, o refresco de limão do Night, e o refresco de cajá do Bar Regina. Que saudade daquele refresco de cajá!
Como o cinema local não passava uma semana sem exibir um filme de Durango Kid, Renato resolveu batizar o seu refresco com o nome do "Cavaleiro Mascarado" 
Renato dominava com muita habilidade os projetos de construção. Foi dele o projeto da Casa Paroquial da Cachoeira e a sua própria casa. Ele defendia o uso de azulejos nas fachadas à moda portuguesa.
O grande sonho dos cachoeiranos era possuir o seu estádio de futebol. Existia o campo da avenida Ubaldino de Assis mas não era um estádio com acomodações sentadas, vestiário etc. De quatro em quatro anos, durante o período da eleição, o assunto, claro, voltava em tom de promessa.
A turma de esportistas que frequentavam o Bar Regina pediram que Renato fizesse um layout de um estádio de futebol. Ele fezs e ficou exposto na vitrine da Farmácia Régis. Meninos, pra quê?! O pessoal ligado ao deputado Dr.Públio esteve o Bar Regina pra fazer uma comunicação impostante: "O homem vem procurar você hoje!"
De reconhecida incapacidade de amoldar-se aos caprichos dos poderosos, /renato vistiu a uma calça remendada, suja, uma camisa também surrada e faltando botões e os sapatos com barbante ao invés dos cadarços. O próprio Renato,quando lembrava do episódio sorria do detalhe,de "o sujeito amarrando o calçado com cordão é o cúmulo de pobreza!"
Era noitinha quando a comitiva do deputado Públio Pereira adentrou o recinto do Bar Regina. Algum puxa-saco da comitiva se apressou em fazer a apresentação: "Foi ele, doutor, que fez aquele trabalho maravilhoso da planta do estádio de futebol"
O político colocou o cigarro na boca e estendeu a mão para Renato que o cumprimentou sem dar uma palavra.
Um vereador da cidade também deu o ar da sua graça: "Sabe, doutor, o Renato precisa ser aproveitado!"
Renato detestava patacoada, a subserviência, o servilismo e muito menos aceitar a tudo sem questionar. E ele retrocou mais ou menos assim:
"Deputado; quem está em dificuldade é uma pessoa extremamente fragilizada, necessitando, portanto, de demonstrações de respeito. Ao homem se dá oportunidade, o que se aproveita é uma roupa de um irmão para o outro, o que sobrou de um pedaço de um lombo para colocar ovos mexidos, e assim por diante.
Já naquele tempo, quem não era da "corrente" se fedia! Naquela noite Renato havia assinado a sua sentença; jamais teria qualquer oportunidade ou seria aproveitado na política no que ele estava se lixando. A história não para por aqui, a gente vai prosseguir. Leiam abaixo algumas opiniões acerca da primeira postagem, além das dezenas de compartilhamentos e "curtidas":

Chicão Brito  escreveu: "foi meu professor de francês!"
Aurenice Sena: "Relembrar é viver. Saudades desta época."
Maze Cachoeira: "Aprendi muito com ele!"
Nelson Aragão Filho : "tenho muitas boas lembranças do meu professor de francês Renato " a lua brilha no céu"
João Matos Figueiredo: "Aragão:" La lune brille le ciel".
Antonio Moraes Ribeiro: "Eu também fui aluno do grande professor de francês Renato Queiroz. Ele também era um excelente professor de português."
Julio Motta: "ESTE E O MEU MIGO E MESTRE RENATO. Abraco"
Renato Queiroz (filho) escreveu: "Obrigado, Tio Erivaldo por este momento. .. Sempre encontro alunos e amigos do meu querido pai... com carinho e admiração, contando suas histórias. Muitos. Sinto orgulho! Meu querido primo Raimundinho Raimundo Coêlho de Souza Jr.. me conta várias fala da sua iluminada inspiração, prodigiosa inteligência, afabilidade um extremo gozador. Inclusive do seu pragmatismo atlético, rsrsr, e fala sempre de vc e Erione, amigos queridos. Sempre rio, e reflito muito, fico feliz!"

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