sexta-feira, 21 de março de 2014

RECORDAÇÕES
O mestre Renato Queiroz /  final
Moralmente e intelectualmente respeitado na comunidade, Renato recusou o convite feito pelo prefeito eleito Julião Gomes dos Santos para assumir a secretaria geral da prefeitura da Cachoeira. E olha que, nos quadros de a Coligação que elegeu Julião e derrotou o deputado doutor Públio, figuravam elementos do quilate dos irmãos Melo (Egberto e Laudílio), os doutores Artur Marques e Aurelino Serafim, o cirurgião Dentista Apolinário das Candeias, Zeca Mascarenhas, Edgar Rocha, os irmãos Andrade (Francino e Jonga), Ubaldo Porto, Evangivaldo, Jaime Abdala, Fernando Álem (Alacrim), Carlito Melo,Lourival Alves, Zeca Santana e muitos outros.
De uma conduta de vida irreprochável,  Renato Queiroz  era uma espécie de figurinha carimbada para presidir uma seção eleitoral. Era, também, secretário perpétuo da Junta Apuradora. Eu secretariei alguns pleitos eleitorais sob a sua presidência no Capoeiruçu.  Lembro-me que ele criou vários controles para que tudo desse certo na elaboração da ata final com número de votantes da seção e os em separado (fiscais,candidatos etc), Ele não parava nem pra almoçar! Não foi uma vez nem duas que eu fui apanhar uma garrafa de Quente & Frio (térmica) de café no bar do seu irmão, Bebé. Renato sabia que o menor vacilo daria motivos para comentários desabonadores, críticas e gozações.
No plebiscito realizado para a escolha do regime brasileiro entre parlamentarismo, presidencialismo ou monarquia, já com a urna devidamente lacrada, ata encerrada, ele me chamou para dar uma saidinha e "tomar um ar fresco lá fora!" Fez a seguinte solicitação a Antônio Dias:
- Antônio, você dá uma arrumadinha, depois faz um embrulho com tudo!
Quando retornamos Renato levou um susto com o tamanho do pacote:
- Antônio que diabo é isto?!
E ele na maior calma:
- Você não mandou empacotar tudo?
E Renato foi abrindo o pacotaço que continha poeira, pontas de cigarro, palitos de fósforo, papel, cédulas rasgadas, lixo...
Renato balançou a cabeça e disse pra mim, sorrindo:
- Já pensou se esta zorra fosse aberta na hora da apuração?
O fato é que ele não achava que fosse burrice, achava que era um complô para desmoralizar a sua pessoa.
Ao final, como ele era vezeiro metonímico, ou seja, mestre em empregar um termo no lugar de outro, havendo estreita afinidade ou relação de sentido entre ambas, ao comentar o fato no retorno à  Cachoeira, disse uma coisa que não me lembro mais. Sei que a gente riu pra caramba.
Dotado de uma rara abnegação ao magistério, amado pelos seus alunos, dono de uma inquebrantável vontade, empenhou-se com ardor na preparação ao vestibular sendo aprovado nas primeiras colocações na Faculdades integradas da professora cachoeirana Olga Pereira Mettig onde também fez a sua pós-graduação conforme vemos na foto abaixo.


 
Quando vivencio tanta tecnologia nos tempos de hoje, penso que ele não iria desperdiçar de jeito nenhum. Ele estaria usando swartphone, e-mail, teria seu blogger e daria pitacos neste que você está lendo agora, sem abandonar o seu estilo de encarar o aluno olho no olho.
Depois de mais de dois anos da encampação do antigo Banco da Bahia pelo Bradesco, alguns funcionários foram considerados "caros" pela nova diretoria, em Osasco São Paulo. Todos era optantes e foram gradativamente dispensados. Eu fui um deles. Infelizmente.
Fui procurado pelo então gerente da fábrica de papelão Tororó, Belarmino, que eu tinha em conta de amigo. Ele, que era cliente do banco, falou que eu podia prestar um bom serviço cuidando de tais assuntos. Passei pra ele a minha carteira profissional, na confiança, sem qualquer acordo salarial. Dia seguinte, cedinho, lá estava eu no Tororó. E assim se passaram dois meses e eu sem função alguma, "enfiando peido em cordão" como se dizia na época. Recebi um recado para que eu substituísse o funcionário do almoxarifado que havia pedido demissão. Belarmino havia desaparecido. Uma ou duas vezes, já trabalhando no almoxarifado o vi passando pisando nos calcanhares como uma alta patente militar.
Enfim, companheiros, numa bela segunda-feira, Creuza, funcionária do setor de pessoal mandou um recado para que eu me apresentasse à gerência. Fui. Depois de uma longa espera fui recebido. Cumprimentei-o com um "bom dia" sem resposta. Ele foi logo me inquirindo com rudeza:
- Por que o senhor não veio trabalhar ontem? 
"Ontem" era um dia de domingo. Ele empalideceu com a minha resposta:
- Eu quero dizer ao senhor que não venho trabalhar mais dia nenhum, sobretudo porque o senhor é um mau caráter e prepotente. E saí porta a fora.
Renato era o que se pode chamar de amigo-irmão, não só pelas suas atitudes, senão, também, em demonstrações de solidariedade. Achou que eu até aturei demais e não  o mandei à merda! Todas as noites a gente conversava e ele falava das dificuldades de absorção do mercado para ex-bancários.
Num final de semana apareceu na porta da  minha casa um Corcel vermelho. Era o deputado Raimundo Rocha Pires, amigo de longas datas.  Pirinho chegou dizendo que todos ficaram surpresos na chácara com a visita de Renato Queiroz que bem ao jeito dele disse mais ou menos o seguinte:
- Pirinho, o nosso amigo comum, Erivaldo Brito, depois de usar gravata foi trabalhar usando tamanco no Tororó!  Um belo exemplo, sem dúvida, mas o gerente fez de tudo para o humilhar.  Não deve ter vindo lhe procurar porque está fumando um cigarro e guardando a brefa (guimba) para fumar depois..."
Resumo: Pirinho me levou até o então ex-governador ACM, na Rua Julival Pinheiro, na Graça. O pensamento inicial era retornar a uma agência bancária qualquer. O Baneb esperava-se o Dr.Clériston Andrade, (que faleceu num acidente aéreo) o Econômico ofereceu-me um salário de inicial de carreira que não dava nem pra pagar uma pensão em Salvador, e eu fui esbarrar em Valéria, numa Pedreira do mesmo nome pertencente ao Grupo Odebrecht, até o advento de Pedra do Cavalo. Fui admitido nos quadros da Desenvale, depois Embasa onde permaneci como operador de subestação até a minha aposentadoria pelo serviço considerado periculoso.
Então, amigos, após anos de afetiva convivência, fui surpreendido com a decisão de Renato de mudar o seu domicílio para Salvador. Lá estava, já, grande parte da sua família e ele adquiriu uma casa do bairro da Saúde. Coincidentemente a sua saúde é que não estava nada boa mas ele conseguia esconder. Há anos ele já levava para sala de aula uma garrafinha contendo leite. Era como aliviava os problemas gástricos.
Juntamente com o meu irmão Erione fomos visitá-lo. Bem a seu jeito, falou que a sua nova casa permitia vislumbrar o fundo logo na chegada!  Erione o fez feliz quando declinou um verbo em francês.
Na festa do Rosário daquele mesmo ano, Renato esteve na Cachoeira. Acho que foi a última vez. Depois da missa, ao sair da igreja, o vi na janela do sobrado. Ele deu com a mão indicando que iria descer. Nos abraçamos. Ele vestia uma camisa social de manga comprida. Conversamos bastante.
Era um dia de meu plantão na subestação quando recebi um telefonema sobre o falecimento do meu amigo. Lourival Melo estava organizando uma caravana. Não tinha como deixar a subestação acéfala. Passei um telegrama fonado para Neide.
Na festa da Ajuda, deparei-me no adro da igreja com a professora Mara, sobrinha de Renato. Ela, como os demais familiares, sabia das parcerias no "Terno da Críticas". A gente se abraçou sem dizer uma só palavra e choramos copiosamente.
Até hoje, neste momento em que ponho um ponto final nestas recordações, punge-me o coração de enternecida saudade.

 

sexta-feira, 14 de março de 2014

 RECORDAÇÕES
O mestre Renato Queiroz / 4
NÃO TIVE O PRIVILÉGIO de ter sido aluno de Renato. Tudo o que sei foi o que ouvi ao longo dos anos, até do próprio Renato.  Ele não foi um professorzinho de ginásio qualquer. Em matéria de ensino, quer da língua francesa,do vernáculo ou de outra disciplina qualquer, ele desenvolveu uma técnica de comunicação que tornava as suas aulas movimentadas, recheadas de generosas doses de bom humor, incentivando, também, a pesquisa em casa sobre a temática abordada em aula. Merecia ter uma escola municipal com o seu nome. Fica a sugestão.
Certa feita, recebi um recado dele. Fui procurá-lo. Ele dava aula num colégio de ensino fundamental nas proximidades do cemitério. Ele queria a minha ajuda para confeccionar um boneco que seria queimado como Judas, no Rosarinho. E ele me disse brincando: "Souza (irmão dele), providenciou tudo... só falta o Judas!"
Fiquei esperando o término da aula. Era o dia 20 de julho de 1969. Renato falava para a garotada sobre a chegada do homem à lua, da Apolo 11, do astronauta Neil Armstrong. Como era do seu feitio prosseguia  a aula com a seguinte pergunta: "Já pensaram se fosse um astronauta brasileiro?"  E ele mesmo respondia: "A Charanga da Minerva estaria na rua e o povo cantando o Tonho e o Zé já foram à lua, aê-pá-pá-pá!" Deu por finda a aula com muita propriedade dizendo que as grandes descobertas, as mais espetaculares invenções da humanidade, não passavam de simples utopias antes que fossem efetivamente concretizadas.
São muitos os "causos" do Renato professor do Colégio da Cachoeira. Ah! ía esquecendo: foi ele o autor do escudo que até hoje os alunos carregam nas camisas até hoje.  Por uma questão de espaço, ficarei apenas com dois. O primeiro, aconteceu num dia de prova mensal. Renato chegou em sala de aula perguntando se alguém tinha dúvida sobre a matéria. Fingiu que ía distribuir as provas. Dirigiu-se então para a turma e fez uma proposta que poderia adiantar a matéria se todos estivessem seguros. Dirigiu-se ao primeiro e perguntou: "Você estudou? Que nota você esperava tirar?" O aluno foi modesto: esperava uma nota seis! Renato pegou a caderneta e anotou. Meninos, dali pra frente ninguém esperava nota menor do que nove! Quando toda a classe foi atendida, Renato deu aula normalmente.
No final do ano, Renato chegou na sala de aula e anunciou: "Turma, vocês vão vibrar de alegria. O assunto da prova é aquele mesmo que todo o mundo tirou nota boa!" Resumo: a classe inteira foi pra recuperação.
O outro caso requer uma explicação para os mais jovens. Naqueles tempos, o papel pautado da prova era pago pelo aluno. Uma aluna alegou que não tinha dinheiro no momento e ele disse que aquilo não era motivo pra ela não fazer a prova. Quando chegou o dia da entrega com o resultado, a aluna percebeu que tinha tirado nota três e quando Renato perguntou pelo dinheiro ela deu uma enrolada. Renato não entregou a prova dela. Quando cobrava o dinheiro do papel pautado a moça dizia é hoje,é amanhã...Já de saco cheio, Renato abriu a sua pasta e falou pra moça: "Não vai pagar?" Rap! rap! rap! e vupt! atirou na cesta do lixo.
No final, ao ver no boletim a nota três, a moça, juntamente com o seu pai, foram reclamar na diretoria. A moça dizia que tinha tirado nota oito, que Renato rasgou a prova porque ela não havia pago o valor do papel pautado. O pai, indignado, encarou Renato dizendo "como é que o senhor faz uma coisas dessas por causa de míseros centavos?!" Meteu a mão no bolso e pagou. Renato, fazendo cara de surpresa falou calmamente que estava achando impossível de ele ter feito aquilo. Abriu a pasta e a prova estava lá com a nota três! Renato havia rasgado uma folha de papel qualquer. Tentar fazê-lo de besta era uma tarefa dificílima.
Quando o Colégio Estadual implantou o Curso Madureza, (atual Supletivo do 2º grau), Renato ficou responsável  por uma das turmas. A mais problemática, por sinal. Como a aula era no turno da noite, grande parte da turma enchia a caveira no Bar de Aldovandro que ficava bem em frente ao estabelecimento de ensino. O locutor Betinho Braga ao ser chamado ao quadro negro virou-se para a carteira vazia e perguntou: "Você que me derrubar? Eu vou passando e você bota a perna preu cair?!"
O outro aluno de destaque era o "major" Pereira que inclusive morava na mesma rua. O "major" já havia arrumado uma discussão com Aldérico, professor de Geografia e concluiu dizendo que enquanto o professor conhecia só por causa do livro, ele iria visitar tudo pessoalmente. E o fez, enviando ao professor cartões postais dos locais visitados.
Conversando comigo, Renato falou que fazia de tudo para ajudar o "major" mas estava ficando difícil. Na prova, ele pedia ajuda aos colegas em voz alta. O colega respondia e ele não conseguia ouvir. O colega então mandava a pesca por escrito e ele não conseguia ler!
A todos Renato recomendava o hábito da boa leitura. Afirmava que era burrice quem usa da própria experiência para assimilar o conteúdo das matérias quando a lógica recomendava valerem-se, também, das experiências de outros colegas.
Um bom final de semana. Na próxima postgem a gente encerra o assunto.
 



 
 
 

quarta-feira, 12 de março de 2014

                                                          Cachoeira 
e  
 Santo Amaro
177 anos de elevação aos foros de Cidade

Sonhavam os nossos avós cachoeiranos com a elevação da então pungente Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira aos foros de cidade. E bem o mereciam. Naqueles tempos, diferentemente de hoje, não era fácil, entretanto. Basta dizer que, vindo visitar a Cachoeira o mau humorado Imperador D. Pedro I no dia 18 de Abril de 1828, as autoridades entregaram-lhe uma bem fundamentada petição, inclusive numa puxada de saco violenta, propunham mudar o nome da nova cidade para Petrópolis!!! Não deu certo. Felizmente.
Volvidos 31 anos, quando da visita do seu filho D. Pedro II, a Lei nº 43 de 13 de Março de 1837 já havia completado 22 anos. Entre o pedido original feita a Pedro I e a sanção do então governador da Província Francisco Prisco de Souza Paraízo, havia se passado nove anos.
 
No referido Decreto (cópia facsimilada abaixo), Cachoeira ficou com a denominação de “Heroica Cidade da Cachoeira” e dia 25 de Junho "Festividade Nacional".

Santo Amaro da Purificação de “Leal Cidade de Santo Amaro
Por ocasião dos festejos do sesquicentenário no ano de 1987, (volvidos, hoje, 27 anos), provavelmente pelo fato de ter reativado o jornal A ORDEM e ser o seu Redator Chefe, fui convidado para ser o orador oficial. Trabalhamos na pesquisa durante um bom tempo. A repercussão foi nenhuma. Quase ninguém (a não ser os que estavam no coreto armado em frente da prefeitura) escutou alguma coisa, por causa da evolução ruidosa feita pelas bandas marciais. 
 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Memória Carnavalesca
NESTA QUARTA-FEIRA de cinzas, o Rio ainda amanheceu cantando e as ruas da Cidade Maravilhosa cheia de encantos mil coberta de lixo devido a greve dos garis que não botou o seu bloco nas ruas. E eu que gostava tanto de você, carnaval, no rescaldo dos festejos, cheguei a praia para ver o sol nascer com a minha cadeirinha debaixo do braço e o inseparável bloquinho de anotações. É nele que eu rascunho o que me vem à mente. Tudo rapidinho enquanto não aparecem os retardatários. Breve tudo estará dominado pelas pernas, coxas, peitos e bundas, enquanto os vendedores de tudo não dão sossego:
- Coca Cola, Mate Leão, Guaraviton!
-  Empada, Queijo Coalho, Picolé da Moleka. Criança não paga...quem paga é o pai da criança!
Nas asas da minha imaginação, voltei aos tempos em que eu adorava o carnaval da minha terra natal, Cachoeira, na Bahia. Revivi o primeiro trio elétrico, um dos pioneiros do interior do estado, num palanque armado em frente da Barbearia de Vardinho (depois Cabana do Pai Tomás), na gestão do prefeito Stênio Henrique de Burgos. O grupo era composto por Caruso, Didi da Bahiana e Zé Cândido (violões e cavaquinho eletrificados), e os barbeiros Chiquinho e Chocolate na percussão.
Me lembrei que a gente ficava rodeando o jardim em frente ao Hotel Colombo ouvindo o alto-falante Vozes da Primavera, jogando lança perfume nos peitinhos virgens das meninas.  Na molecada a gente jogava no olho. Quem não usava óculos de galalite, (percursor da matéria plástica), tava ferrado.
Recordei dos blocos ensaiados pelo meu tio, Belini, do Trança Fitas, do Samba de Roda  de Dalva, da Batucada de Osvaldo (Sapo Engraxate) e de foliões como Sangue Azul e Trator com aquelas fantasias exóticas utilizando papelão e folhagens. De dois camaradas que vinham de Muritiba. Um deles dava um show especial equilibrando uma garrafa de cerveja na cabeça e o outro era seu Olavo, o professor Pardal da Região com o seu carro de pau.
Me lembrei de haver desfilado com a minha namorada usando camisas iguais.Eram brancas com uma vistosa fita rigor do lado esquerdo. Ou direito? Não vem ao caso.
Recordei as minhas irmãs Lilita e Dira fantasiadas de índias. Lindas. Participei, também de um bloco chamado Superstição com Nelsonita, Carmitinha, Luiz, Arlindo Tinoco e Valfredo Sales. Desenhei ferraduras, trevos, pé de coelho etc que eram recortados no feltro e costurados nas camisas. Nunca mais saí em bloco nenhum, só de careta no Terno das Críticas na festa da Ajuda.
Rememorei a feliz iniciativa das diretorias da Desportiva e da Atlética de São Félix permitindo que seus associados frequentassem seus bailes, e do assoalho da Desportiva que trepidava perigosamente e ninguém parecia se preocupar com um fatal acidente. Do bloco da pesada formado por Zeca Santana, Lourival Melo, Domingão, Salu e doutor Claudiano que impedia a aproximação de intrusos na pequena área onde brincavam as suas esposas. Os doutores Aurelino Serafim e Agnaldo Sampaio a tudo assistiam em mesas reservadas.
BAILE DE CARNAVAL NA DESPORTIVA - Na foto,Lourival Melo, Poli e Manoelzinho


Recordei da Orquestra de Amâncio cujo crooner era Morenito. Escondidinho num canto com o microfone na mão, cantava a tristeza da Jardineira, da perna de pau do pirata, Alalaôôôô, das duas polegadas a mais da Marta Rocha, da cabeleira do Zezé,...Se a canoa não virasse ele chegava lá e pedia um dinheiro aí! Mas, o  salão pegava fogo quando corria, corria a lambretinha para ver o meu amor.
Eu lembrei do maior porre que eu tomei na vida. Era um licor de umbu. Havia brigado com a minha namorada, pedi bandeira branca,amor e ela nem tchum!  A Turma do Funil que eu resolvi acompanhar me levou até o banheiro do Caquende e eu acabei apagando no jardim ao lado da prefeitura e acordei na pensão da dona Lulu que ficava naquele sobradão da praça da Aclamação com a rua Ana Neri. Acordei a noitinha. Nini me contou, sorrindo, que Judite, uma velha devassa que dizia palavrão, me deu banho e vestiu em mim um calção de Didi Zoião.
Eu lembrei da caretice da Desportiva que impedia o ingresso de rapazes que usassem o short dois dedos acima do joelho, mas o pessoal usava uma toalhinha de rosto para enxugar o suor e, disfarçadamente, cheirar lança perfume. Nunca trive coragem. Os namorados eram vigiados. Beijo na boca nem pensar.
Uma semana depois, quando seu Antonio porteiro do cinema trazia a revista O Cruzeiro a gente ficava frustrado ao ver aquelas mulheres gostosas com as coxas de fora, trepadas no cangote dos homens no baile do Municipal. Aquilo é que era carnaval no meu enfoque de adolescente cheio de tesão.
No mais amados e amadas, guardo na memória a serpentina que ela me atirou, e o confete colorido da saudade, e a Colombina que eu amei e fui correspondido.


 

 

 

 
 
CURIOSIDADES DA BÍBLIA
Deve-se ao apóstolo Paulo os ensinamentos do Senhor Jesus ter chegado até nós,gentios, vindo, inclusive de encontro com os apóstolos Pedro e Tiago. Quem foi o professor de Paulo? Chamava-se Gamaliel. Está em Atos, capítulo 22 versículo 3.


DICÁRIO
Como você completaria a frase abaixo:
Sem problemas porque o seu pedido vem (ao encontro ou de encontro) as nossas aspirações. O correto é ao encontro. Por quê? Ao encontro é o mesmo que de conformidade, a favor. De encontro é contrário, oposição.