sexta-feira, 25 de abril de 2014


INFLUENCIADA pelos filmes de faroeste, a turma da minha geração adorava brincar de "artista" Empunhando um revólver de brinquedo (os meninos de pais mais abastados Papai Noel dava revólveres de espoleta) e a maioria com pedaço de madeira e um prego servindo de "gatilho", "montando" cavalos-de-flecha e a brincadeira estava feita. Era um tal de "calmoniboy!" pra lá, "calmoniboy!" pra cá...
Na brincadeira apenas um era o "mocinho", muitos teriam de ser "bandidos" e um tal de "João Branco" era o fora de lei preferido. Eu explico: o nome de João Branco aparecia em quase todos os filmes porque ele era quem fazia as legendas em português!
Certa tarde a minha madrinha e eu fomos a uma festa na pensão da dona Lulu que funcionava no sobrado onde presantemente mora a família da minha amiga Stênia. Quando chegamos já estavam por lá muitos amigos. Começamos então a brincar de "artista" improvisando revólveres com pedaços de madeira. Eu saí em perseguição de Valter, mais conhecido como "capitão". Ele se escondeu por trás de uma porta e eu falei: Calmoniboy!  "Capitão" teve uma reação inesperada; bradando "eu não me rendo!" e atirou a sua "arma" na direção da minha testa: pô!  Atingiu em cheio o meu supercilio esquerdo e o sangue jorrou pra valer!  A minha madrinha Laura e Nini de dona Lulu vieram em meu socorro e deram um jeito do sangue estancar sem ser necessário levar pontos. Dali pra frente eu desisti de brincar de "artista".
Pelo que sei os meninos de hoje não brincam mais de "artista",de mocinho e bandido. Os "de menor" em grande e considerável parte são bandidos de verdade, empunham armas de verdade, assaltam, assassinam, cometem atrocidade cientes da quase impunidade devido à legislação vigente.
Na minha Bahia, antes cantada em prosa e verso como a "terra da felicidade" a qualquer momento pode-se deparar em plena luz do dia com um assalto à mão armada, meliantes levando dinheiro do caixa de estabelecimentos comerciais, marginais de bicicleta arrancando o celular de alguém, sujeitos vendendo drogas tranquilamente. A crueldade dos marginais é tanta que já ouvi vários depoimentos de vitimas que davam graças a Deus por terem escapado com vida!
A situação chegou a tal ponto que não existe nenhum lugar no país que a gente possa classificar de seguro e tranquilo. Até mesmo na minha Cachoeira natal, chegam-me notícias de locais como o antigo Virador e o monte Mangabeira no local onde funcionou o Hospital das Crianças tonarem-se regiões dominadas por facções e boca de fumo!!!
A situação que vivemos é muito delicada e exige uma reflexão e um cuidado maior de toda a sociedade. Longe vai os tempos do "calmoniboy" da minha geração.

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