sexta-feira, 30 de maio de 2014

FUTEBOL CACHOEIRANO

A campanha do bi-campeonato 
Já falamos das várias modalidades esportivas praticadas na cachoeira tais como, remo, tênis, corrida de cavalo, basquetebol, voile, dando ênfase, naturalmente, ao preferido da maioria, o futebol, retroagindo aos tempos em que e jogava bola na Praça Maciel, tornando-se popular depois que dois filhos do deputado Ubaldino de Assis trouxeram o América do Rio de Janeiro para jogar na Cachoeira. Os dois filhos de Ubaldino jogavam no time carioca. 
Tomando como base as entrevistas que fizemos para o extinto jornal "A Ordem", quando ouvimos os pioneiros do chamado esporte bretão (porque foi inventado pelos ingleses), Adriano Barbeiro, Evangivaldo Borges e Silva, Walter Gavazza e Waldo Azevedo (pai), da disputa entre Democrata e Paraguaçu no campeonato sanfelixta, falamos da inauguração do campinho de futebol denominado Ubaldino de Assis (dia 19 de junho de 1930), do primeiro jogo noturno de futebol no interior do estado que foi no referido campo em a noite de 21 de agosto de 1931, do Cruzeiro Cachoeirano filiado à Liga Sanfelixta, campeão tantas vezes incrementando mais e mais  a rivalidade entre as duas cidades, a briga generalizada no campo de Belém da Cachoeira com a torcida de Santo Amaro, de desfiliação do Cruzeiro que veio participar do "Torneio do Povo" idealizado por Evangivaldo com o apoio do empresário Carlos Menezes, a concretização do sonho de Antônio Costa o Toninho Yuistrick com a inauguração do campo do Fluminense, no Calabar, em 15 de novembro de 1965, e, finalmente, na postagem passada, a conquista do primeiro título intermunicipal de futebol amador do estado da Bahia.
Muitos dirigentes, atletas e torcedores,aqueles que participaram e foram testemunhas oculares, poderiam dar depoimentos preciosos, cederem recortes de jornais,fotografias etc para, quem sabe, um Museu do Futebol Cachoeirano. Os recursos modernos para utilização de áudio e imagens é praticamente acessível a todo o mundo, bastando, portanto, que haja um planejamento e uma coordenação.
Além dos atletas, depoimentos como o de Salustiano Araújo (Salu), seria maravilhoso. Ele, Salu, nos dias de jogos da seleção, tinha de se deslocar até Muritiba a fim de convencer seu Osvaldo a deixar o goleiro Vadinho jogar. Ambos pertenciam à Maçonaria. Seu Osvaldo fazia "chantagem" de só deixar se Vadinho tirasse notas boas no curso de medicina. Vadinho formou-se em medicina e está clinicando há bastante tempo. Aliás, o goleiro que substituiu Vadinho, Iberê, também formou-se em medicina.
Foram três os jogos contra Jequié para a conquista do primeiro título (1967 concluído em 1968) pela seleção cachoeirana no campo da Graça, em Salvador a que nos reportamos no artigo anterior.
Pela ordem:Eu,um não identificado,Gavazza e Evangivaldo
O primeiro jogo, no Estádio do Fluminense Cachoeirano verificou-se um empate. No domingo seguinte, 24 de novembro de 1968, em Jequié, mais de 90 ônibus fretados saíram da Cachoeira. Foram todos recebidos à entrada da cidade pelo pelotão do Tiro de Guerra local,comandado pelo sargento Idelfonso que já havia sido instrutor do Tiro de Guerra 114 da Cachoeira.
Quando eu entrei no Estádio Valdomiro Borges ouvi uma voz familiar me chamando aos berros: era Walter Gavazza, meu querido e saudoso amigo, tido e havido como não muito certo do juízo. Ladeado por dois cachoeiranos filhos de Alberto Bastos, um deles gerente-geral da agência local do Banco Econômico e o outro diretor do DERBA. Gavazza me desafiou: "Ei, cadê você seu frouxo? Você é canário de prego...vem pra cá torcer no meio desta putada!  Limitei-me a olhar e esboçar um sorriso temerário.

O estádio de Jequié, igual ao da Cachoeira, não possuía alambrado.  Na metade do segundo tempo a torcida foi invadindo, a área do campo reduzindo,reduzindo,afunilando,afunilando,então Cachoeira,quase ao final do tempo regulamentar marcou um gol legítimo e o juiz da partida, o muritibano Anivaldo Magalhães (foto), considerado o melhor árbitro do futebol da Bahia à época, tomou a decisão salomônica de anulá-lo. Ele próprio, tempos depois, confessara a amigos comuns que seria uma verdadeiro massacre a validação daquele gol, e todos corriam perigo de morte.
A decisão do XI Torneio Intermunicipal reuniu os selecionados da Cachoeira e Miguel Calmon. Cachoeira venceu os seus jogos e Jequié foi eliminado por desistência, enquanto Miguel Calmon desclassificou Juazeiro e Feira de Santana. Para ficar com o títulos, havia a necessidade da realização de duas ou três partidas, ou seja, o vencedor teria de somar quatro pontos. 
De acordo com o Regulamento e mediante sorteio, a primeira partida foi realizada na Cachoeira onde as duas seleções empataram. A segunda partida seria realizada na distante Miguel Calmon, muito longe mesmo, em se considerando a localização geográfica da Cachoeira. Assim, uma dezena de carros particulares, se tanto, se deslocaram até la. Eu estava presente.
As dimensões do campo eram exageradamente grandes, o terreno irregular e pouquíssima grama, era areia pura ! Com a enorme torcida de Miguel Calmon que jogava em casa incentivando, a zaga cachoeirana formada por Balaio e  Zé Fernandes teve de se desdobrar enquanto Tião Maravilha (foto) era impiedosamente marcado com faltas que o juiz fingia não ver. O placar estava favorecendo Miguel Calmon. Quase ao final do jogo o goleiro Albino, já de posse da bola, pressionado pelo atacante Penedo, deu-lhe um soco na cara! Penalti à favor da Cachoeira. Cachoeira conseguiu arrancar um empate naquele domingo, dia 29 de dezembro de 1968 e que levaria à "negra" à partida decisiva em campo neutro, no caso o campo da Graça em Salvador.
Naquele jogo em Miguel Calmon, a única emissora baiana presente (devido à distância e os parcos recursos da época) foi a Radio Cruzeiro com Alvaro Martins narrando e eu comentando através de uma rádio amador.
Na próxima postagem a gente vai falar da partida mais importante, a decisiva no campo da Graça em Salvador, um jogo eletrizante com a massa da torcida cachoeirana presente e o gol do lateral Paiva

 





  

Dicário
À TOA e À-TOA. Você ainda lembra qual é a diferença entre elas? Vamos relembrar dee forma simples.

O primeiro, (à toa), é uma locução adverbial de modo). O exemplo de que estou a lembrar, no momento, é a música "A Banda":
"Estava à toa na vida/ O meu amor me chamou/Pra ver a banda passar/Tocando coisas de amor"
No segundo caso, (à-toa) deve vir,sempre,acompanhado de um Substntivo,como n o exemplo abaixo:
Ele não passa de um sujeito à-toa.
 
Curiosidades da Bíblia
Dois personagens da Bíblia, Barnabé e Paulo foram apelidados com nomes de planetas. Barnabé foi chamado de Júpiter e Paulo de Mercúrio. Está em Atos capítulo 14 versículo 12:
"A Barnabé chamavam Júpiter e a Paulo de Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra". 
 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

 "CAUSOS" VERÍDICOS
Assombração no Monte
PROVAVELMENTE deve passar aí na Bahia a propaganda em que um dos protagonistas é o Compadre Washington  garantindo que "sabe nada,inocente", que um bom negócio é desapegar. Desapegar,como, Compadre? Desde menino, quando deixei de fazer xixi nas calças vou guardando jornais, fotografias, recortes,anotações,idéias para contar novo "causo",um inferno.
Outro dia, alguém publicou no "feice" uma fotografia do mestre Machado. Comecei a remexer os meus alfarrábios e nada encontrei naquela zona literalmente falando.  Ih, rapaz lembrei: meu amigo Cacau (Luiz Cláudio Nascimento) no seu excelente livro Bitedô - Onde moram os Nagôs, faz alusão ao velho artífice cachoeirano. Vamos ver? Encontrei! Segue abaixo:
"Porém, certa ocasião, fui interceptado na rua por Manoel Eugênio Machado, que me convidou à sua casa para ma falar algumas coisas que me interessavam. Em sua residência, mestre Machado, como era conhecido, me ofereceu uma pasta contendo papéis com anotações,poemas,jornais..."
Eu usava calças curtas, ainda, quando brincava com outros garotos da minha idade no adro da igreja do Monte. Ali era o meu habitat. Ali  as famílias Mascarenhas, Neves, Pinheiro, Bastos, Martins, Neiva etc formavam uma só família. Ali morava um motorista, - que na época todo mundo chamava de "chauffeur de praça" - de nome Abílio cognominado Abílio Miserinha. Não faço idéia do porquê disso. Então, galera, naquela verdadeira mansão que começa no Monte e dá acesso ao Curiachito, confrontando com o quintal da atual residência do doutor Pina, foi morar o mestre Machado e sua primeira esposa cujo nome que está na minha cabeça é Elvira, isso porque todo mundo a chamava de "Vizinha". Vizinha era uma pessoa boníssima, aparentava ter uma saúde frágil. Lembro-me de haver frequentado a casa nos carurus de São Cosme. Vizinha faleceu e o mestre Machado casou-se em segunda núpcias com a professora Zuleica.
Artesão realmente versado na arte da marcenaria. A sua tenda funcionava na parte térrea de um sobrado localizado no adro da igreja da Ajuda. Ele fabricava móveis de qualidade em madeira de lei. Na Escola Industrial, ele e Antônio Porto eram titulares na disciplina de artes manuais. Mestre Machado prosseguiu dando aulas no antigo Ginásio da Cachoeira. A turma inteira já sabia do seu amor para com o Flamengo, de sorte que, antigos trabalhos feitos em compensado eram lixados, pintados, colocando-se uma figura de passar com o escudo do seu clube do coração pra tirar nota dez!
Numa certa tarde que longe vai, a turma estava na maior zona na sala de aula enquanto ele não chegava. Heraldo Bouzas, (ele mesmo, meu saudoso companheiro de Os Tincoãs), e Pedro Jorge, dentre outros, começaram a pegar pequenos pedaços de compensado para jogar uns nos outros, outros no um... De repente, Pedro Jorge, exagerando na dose pegou no chão um pedaço de madeira e atirou em direção de Heraldo que se abaixou milagrosamente enquanto a tábua ia em direção à porta que se abriu de repente aparecendo quem? Tchan-tchan-tchan-tchan!  Isso, isso, isso: o mestre Machado!  Um silêncio sepulcral se fez ouvir, sobretudo porque o projétil atingiu em cheio o supercílio do mestre e o sangue começou a jorrar. Ele entrou na sala cerrando a porta atrás dele. Sentou-se. Apanhou no bolso do paletó um lenço encardido,e, deu-se conta de que estava sangrando. Sangrando muito porque porradas no supercílio...
Aparentando calma passou a olhar para cada um dos alunos. A turma permanecia silente. Levantou-se e disse:
- Tenho certeza que ninguém vai apontar quem foi o bandido, - falou pousadamente -, o bandido que tirou sangue de mim! 
Até então ninguém sabia que ele era conhecedor de tantos palavrões e tinha tamanha disposição para soltá-los. E ele desabafou:
- Cambada de cornos! Filhos da puta! Quem atirou o pau que me atingiu, quando chegar em casa, digo mesmo pra ofender, levanta a saia da mãe e pan!  Joga a madeira naquele lugar, bem naquele lugar!
A explosão de gargalhada poderia ser ouvida na praça Maciel.
Foi num dia de maio, o mês das flores, das noivas e de Maria, como a gente anunciava no serviço volante do Néia Magazine que aconteceu um drama de grande comoção na cidade inteira, no albor daquela manhã tão linda, com a notícia do súbito falecimento da bela Salete, uma jovem ginasiana que estava completando o curso, era muito bem relacionada e estava por casar, era noiva.  Foi acometida de um ataque cardíaco fulminante. 
A nave da igreja do Monte recebeu um ataúde mais alvo que a neve. Era intenso o fluxo. A juventude em flor não entende, se apavora diante da morte. Murmúrios, lamentações e choros convulsivos. Foi grande a histeria quando da saída do cortejo fúnebre.
Duas horas depois, se tanto, vizinhos do Cemitério da Piedade começaram a escutar gritos de socorro abafados, batidas de madeira. O boato se espalhou como o rastilho de pólvora. A autoridade policial, acompanhada de um mundo de gente compareceu ao cemitério, a moça poderia ter sido vitima de um ataque e ter sido enterrada viva!
Aberta a sepultura, aberto o caixão, o corpo da jovem Salete permanecia na mesmíssima posição em que fôra enterrada, infelizmente.
Por livre e espontânea vontade, tomei por encargo bolar uma coisa nova para a coroação da Virgem na última noite do mês Mariano. Ocorreu-me a lembrança de que o mestre Machado, além de ter confeccionado o mobiliário da Irmandade e a charola de São Benedito, uma corbelha enorme onde N.S. da Conceição surgia entre flores. Conversei com meu compadre Valdir logo depois do enterro a fim de a gente ir buscar a tal da corbelha. Não poderia ser muito cedo senão o elemento surpresa da coroação seria conhecida, perderia a graça.
Eram 10h da noite, mais ou menos quando eu, meu compadre Valdir de Gegeu e os dois Roque, o meu irmão e o genro dele fomos até o Monte. Valdir já estava de posse da chave da sacristia por onde entramos. De posse de um isqueiro Valdir encontrou o quadro de interruptores de luz e mandou brasa: acendeu tudo, inclusive as lâmpadas da fachada da igreja! Isso acabou por chamar a atenção de alguns moradores, o corpo da moça que havia  "ressuscitado" foi velado ali ! De repente a rua ficou cheia.
Lá dentro, comentei com Valdir que a corbelha era demasiadamente grande, não passaria facilmente pela porta da sacristia. E disse:
- Compadre, não adianta a gente perder tempo, vamos sair pela porta da frente.
Como era do seu costume ele arguiu com aquela sua maneira peculiar de falar:
- Pu-pu-pu-puta que pa-pa-pa-pariu, Erivaldo, - como é que se diz? - vo-vo-vo-você é cheio de si-si-si-simetria...
Dirigimo-nos ao local. Sem qualquer aviso, Valdir deu um pulo felino ao mesmo tempo em que arriava o grande ferrolho metia os pés na porta:     
PRÁÁÁÁÁÁ 
Foi uma correria enorme das pessoas que estavam reunidas na rua, ninguém estava esperando aquele desfecho. 
Lembro-me apenas de um ferroviário que desceu ladeira abaixo com uma capa colonial embaixo do braço e ficou parado espiando no passeio da fábrica Leite Alves, e, de Dilcéia, esposa de Claudinho que mesmo estando prestes a ganhar neném, com aquele barrigão, passou na frente de muita gente e ficou olhando, apavorada, da porta da sua casa.

 


 




 
 
Deixem que digam, que pensem, que falem...

Os queridos leitores deste blogger comentam sobre os diversos assuntos abordados aqui através do e-mail  britopatriarca@gmail.com
O MESTRE RENATO QUEIROZ
Maria do Socorro Santos de Souza : "Gostei do retrato de tio Renato"
O DIA DAS MÃES 
Ana Laura escreveu: "Saudades mesmo. Lulu sempre foi um amor comigo me dando muito carinho. Sei que onde ela está ainda olha por mim" 
 Tinho Brito : "Que saudade..."
 Andre Brito: "Tia Lita, seu querido "Indio" sente muito sua falta, muitos conselhos na velha rede na vila de Muritiba...
 Sthenia Saba : "Dona Ester, grande mulher"
 Luciana Ferreira: "D. Ester... saudades !!!!!"
 Nelson Brito : "Pois é! Apesar ser amigo de sua filha Ridalva há mais de 44 anos, só conheci sua mãe no ano de 2012. Uma grande figura."
 Cidamaia Corbacho: "Dona Ester...!' 
Dinho Cesar  "Não era minha mãe mas, gostava mesmo assim (tia Ester) 
Miriam Mascarenhas : "Lembro-me muito de D. Ester."
 Cléo DAvila: "Uma guerreira Ester!"
Carla Cunha: "Gratidão é lindo de se ver e muito raro. Deus continue abençoando você, que sabe ser grato às suas 4 mães.
Celeste Aida Batista : "Obrigada Erivaldo! Com certeza vou passar o dia das mães maravilhoso! Saudades de Ester ...
MATINAIS EM BENEFÍCIO DA CASA DOS VELHOS
Luíz Dias "Lembro, Erivaldo Brito, daqueles programas matinais domingueiros no Cine Glória, quando você fazia o papel de Flávio Cavalcante, e de um dia das mães em que meu amigo Maciste cantou aquela cantiga interpretada - aliás, maravilhosamente - por Agnaldo Timóteo. O programa daquela dia era, evidentemente, dedicado às mães, mesmo às mães omissas, às péssimas mães, que são muitas, por isso acho uma imbecilidade tanta pieguice e forçação comercial com a invenção do dia das mães (como somos idiotas!).
Aí você anunciou o cantor, que cantaria, portanto, uma cantiga alusiva à mãe: Com vocês, Alfredo, que apresentará o número "Mamãe". E você deve estar visualizando a chiada de Alfredo, o nosso Maciste. Ele empunhou o microfone, aqueles microfones prateados em formato de maçã que dava choques na boca (Seu Elias Paco-paco invertia os fios lá no aparelho para o microfone dar choque, impedindo que quando ele se distraisse os moleques pegasse o microfone e sacaneassem com ele, gritando seu nome com voz afeminada: eliiiaaaasssss!). Mas ele esquecia de desinverter os fios, de modo que o incauto cantor recebia um descarga elétrica nos lábios.
Maciste deu o tom a Seu Porto, o violinista, e atacou: Mamãe estou tão feliz/porque voltei pra você/alguma coisa me disse, mamãe, e hoje eu volto a dizer. A plateia não vaiou nem aplaudiu, mas fez uma algazarra incontralável, uma gargalhada generalizada por causa da pose e da tentativa de Maciste imitar Agnaldo Timóteo. Na verdade o "mamãe estou tão feliz soou "mã...mã'stou tã filiz...".
O número musical não deu prosseguimento; ficou no "mã...mã'stou tão filiz". Você se esforçou para ser ético, imparcial, mas não conseguiu. Eu nunca esqueci. Quando a gente trabalhava no Banco da Bahia e ele era vigilante na nossa agência, eu lembrava a ele esse episódio. Ele dizia que você foi quem impediu o sucesso dele, por pura inveja.
MUSEU DAS ALFAIAS
Luíz Dias "Me conte outra, Erivaldo Brito. O ladrão das Alfaias é conhecidíssimo!"
SELEÇÃO CACHOEIRANA CAMPEÃ INTERMUNICIPAL Antonio Brandão "Obrigado amigo Erivaldo por ter me dado esta oportunidade de rever esta foto da seleção cachoeirana campeã. Agradeço muito por este fato "
O 13 DE MAIO 
Renato Queiroz: "Querido Tio Erivaldo, o seu blog cada vez melhor! Fico na expectativa... Eh de fato um excelente livro, mais uma pérola do Mestre Jorginho."
 "Viva a jaca! Jaca mole ou jaca dura, alimenta e ainda cura!"
Liga Cachoeirana de Futebol escreveu: "Novamente, Sérgio Porto, Diretor da Liga, entrega a Rute do Rosário, moradora do Iguape, brinde oferecido por LOCADORA BOA PRAÇA, promoção válida pelo SEGUNDO FESTIVAL DE PRÊMIOS do Campeonato Cachoeirano 2014, no intervalo do jogo Flamenguinho 1 x 0 Bangu, ontem, dia 18 de maio de 2014
 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sua majestade a Jaca   
O jornal O Globo, edição de 12 do corrente, em a coluna "Gente Boa", enfoca a gaúcha Roberta Sudbrack, proprietária de um restaurante na avenida Lineu de Paula Machado, no Jardim Botânico, e que integra a lista dos 100 melhores restaurantes do mundo. Ela incluiu no cardápio do famoso restaurante de uma iguaria cujo fruto existe em profusão na minha querida e saudosa cidade de Muritiba: a jaca !
 Saboreando a iguaria rara, a jornalista Luciana Fróes, crítica gastronômica do aludido jornal carioca disse que, "Roberta é genial!"
O tão apreciado cardápio que breve estará circulando pelo mundo, é constituído de "picles de jaca com gelatina de caqui, semente de jaca com caldo de galinha e cenoura com chá de jaca".
O fruto de aparência rústica e sabor exótico de tudo se aproveita,conforme vimos. Oriundo da Ásia, a jaqueira prolifera na bela cidade serrana, inclusive o nome da cidade se originou da grande quantidade de insetos (moscas) que se reuniam em torno dos frutos que caíam a fim de sorverem o suculento néctar. Mas, isso, amigos,é um assunto para o amigo historiador Nelson Brito conforme detalhou no seu precioso trabalho.
 
MEMÓRIA
O assalto que acabou por fechar o Museu das Alfaias

Vamos voltar o relógio do tempo há 27 anos passados, portanto uma quarta-feira, dia 6 de maio de 1987. Precisamente às 15h30m. usando do pretexto de visitarem o Museu das Alfaias, um casal de forasteiros ameaçou de morte a recepcionista Ana Mércia Moura Almeida que, ouvida pela reportagem de A Ordem, jornal cachoeirano que circulava à época, assim falou:
"O cara era mulato, forte, e, a mulher era morena, trajava uma blusa amarela e calça jeans."
E prosseguiu: " ele retirou uma cédula de cem cruzados (padrão monetário da época) para ter acesso ao museu. Como eu não tinha troco,não cobrei. Subi a escada conversando com eles. Quando chegamos ao local onde se encontravam as jóias (parte superior da sacristia) fui ameaçada de morte. A  mulher ficou empunhando um revólver enquanto o homem ia quebrando os vidros e levando tudo!"
O "tudo" relatado pela recepcionista era representado por grande quantidade de jóias, brilhantes, esmeralda, safiras, pratas e o terço de ouro que pertencia à Padroeira da cidade. 
O barulho do vidro se estilhaçando acabou por chegar aos ouvidos do zelador da igreja, Claudionor de Jesus que se achava fazendo um conserto na iluminação do altar-mor.  Ele declarou que, através de uma portinhola viu a ação dos bandidos mas achou prudente, temendo pela vida da recepcionista, usar o telefone (não existiam os celulares modernos) para avisar a polícia. 
O padre Hélio,na época,junto a duas imagens do museu - Foto A ORDEM
O titular da paróquia, padre Hélio Vilas-Boas (foto) chegou primeiro. Encontrou o zelador apavorado e a recepcionista numa crise nervosa e chorando muito. Resumo da ópera: a polícia chegou, interditou o local, colheu impressões digitais etc. Francamente não lembro mais se alguma coisa foi recuperada. De concreto, por absoluta falta de segurança, o fechamento do museu o que é profundamente lamentável para uma cidade vocacionada para o turismo mas com poucas opções para visitação.

 
HISTÓRIA
                         O Treze de Maio
Não tive notícias se houve alguma festividade em minha terra natal pela passagem dos 126 anos da data epigrafada, quando se deu a abolição do elemento servil em nosso país. Nem mesmo tive conhecimento se a filarmônica Lira Ceciliana (que também aniversaria) desfilou pelas ruas da Cidade Heróica, empapada de glórias, tradições e filhos ilustres, dentre esses os engenheiros Antônio e André Rebouças., ambos declaradamente abolicionistas. Na Cachoeira o movimento libertário era muito forte; jornais como O Abolicionista e O Guarany, instituições religiosas notadamente a da Boa Morte e figuras de renome como o consagrado maestro Tranquilino Bastos faziam parte da campanha.
Então, galera, naquele 13 de maio de 1888, assim que chegaram as notícias da capital de província, uma grande massa se concentrou em frente à casa do renomado maestro dando vivas à liberdade. Organizou-se uma passeata. O jornalista e historiador Jorginho Ramos no seu precioso livro "O Semeador de Orquestras nos conta o seguinte:
Capa do livro de Jorginho Ramos
"Foi inspirado nesse e em outros ideais que Tranquilino Bastos fundou a Euterpe Ceciliana. Os músicos era em sua maioria negros e mulatos. Os dirigentes, sócios e meros adeptos da filarmônica eram simpatizantes e até mesmo engajados, de alguma forma na luta contra a escravidão. A Euterpe Ceciliana era uma instituição atrelada ao movimento e o próprio Tranquilino Bastos  colocou  seu talento a serviço da causa, ao criar diversas composições inspiradas na luta pela libertação dos negros".
A data, portanto, - como foi até quando eu era menino,-  figurava no calendário como uma das mais importantes da cidade. Devemos ter em mente que a Cachoeira não foi construída pelos Adornos ou outro figurão que a história oficial registra. Quem deu o duro, quem pegou no pesado nas construções  foram os nossos irmãos africanos. Muito devemos ao homem da roça, o lavrador do Iguape, São Francisco, Capoeiruçu e Belém, das charuteiras, quituteiras, do pai de santo e do povo do candomblé perseguidos pela polícia, dos vaqueiros, do pessoal da matança, dos saveiristas, dos embarcadiços quando éramos um formidável entreposto comercial, das putas que vendiam o seu corpo e o dinheiro circulava na praça. Foi essa gente humilde que construiu a Cidade Monumento Nacional.
 
FUTEBOL

A primeira conquista gloriosa 

O dia 18 de maio de 1987 caiu coincidentemente num domingo. Naquele dia, toda a cidade da Cachoeira amanheceu num clima de tensão porque no velho campinho da Graça, em Salvador, o selecionado local, invicto até então, estaria disputando o X Campeonato Intermunicipal de futebol amador enfrentando o escrete da cidade de Jequié.
Com um gol de Passarinho aos 28 minutos da etapa final, Cachoeira sagrou-se campeã invicta, para delírio da enorme torcida que esteve presente.
Naquela oportunidade, o selecionado cachoeirano jogou com Vadinho, Deca, Zé Fernandes, Balaio, Paiva, Badaró, Mario Codorna, Tião, Marivaldo, Passarinho e Coqueiro.(foto abaixo)
 O time de Jequié atuou com Edmílson, Zé Augusto, Hugo, Raimundo, Potó, Bajau, Bara, Tanajura (Zé do Bife), Paulinho e Marcos.
Para a conquista de tão glorioso título, a seleção realizou os seguintes jogos: Cachoeira 3 x 2 Maragojipe (Um jogo tumultuadíssimo porque o juiz, Mouri, apitou um penalti discutível no final da partida, depois, torcedores que saíram do jogo na caçamba da prefeitura derrubaram as bandeirolas de uma festa religiosa e foi a gota d'água para uma pancadaria generalizada) Cachoeira 2 x 1 Narazé das Farinhas, Cachoeira 1 x 1 Santo Antônio de Jesus,Cachoeira 3 x 0 Cruz das Almas, Cachoeira 2 x 2 Maragojipe (Muita confusão e muita pancadaria entre torcedores), Cachoeira 5 x 0 Naraze das Farinhas, Cachoeira 4 x 0 Santo Antônio de Jesus, Cachoeira 1 x 0 Cruz das Almas, Cachoeira 5 x 1 S.Francisco do Conde, Cachoeira 2 x 1 S.Francisco do Conde. A decisão do grupo entre Cachoeira e Feira de Santana foi emocionante, sobretudo a partida realizada no Jóia da Princesa, em Feira, quando se verificou um empate de 1 x 1. O goleiro Ceguinho pode dar um depoimento valioso sobretudo quanto aos minutos finais. No dia 14 de maio de 1968 verificou-se um novo empate dessa vez por 2 x 2, e, finalmente,um categórica vitória dos cachoeiranos por 3 x 1.
A disputa do título ficou entre Cachoeira e Jequié. Nas duas primeiras partidas um empate sem abertura do placar. Finalmente o jogo da consagração, em Salvador a que nos reportamos acima. 
Foram convocados e inscritos na Federação Bahiana os seguintes atletas: Orelha de Coelho, Mario Codorna, Deca, Emanoel, Careca, Balaio, Coqueiro, Kid, Naguerete, Carlyles, Vadinho, Luciano, Nica, Babão, Tião, Cal, Badaró, Caçulinha, Marrom, Zé Fernandes, Marivaldo, Rabicó, Passarinho, André, Cueca, Paiva, Z´Melo, Sacramento, Roque, Ceguinho, Penedo, Curió e Juracy.
Comissão Técnica: Cabo Cipó (preparador físico), Morenito e Gérson Duarte (técnicos), José Ranulfo  e Carlos Claudiano (médicos), Salu (assistente), Seu Bó (massagista), Vava e Zé (roupeiros) 
A diretoria  era assim composta: Francisco Alves (Chico da Padaria) era o presidente, Mourivaldo Batista, Joeraldo Fraga, José Leoni,Gildo Lobo, Roque Ferreira Pinto, Ivan Rodrigues e Hugo Rocha compunham a diretoria da Liga Cachoeirana de Futebol.
Da esquerda para a direita: Chico da Padaria,Julião(prefeito) e o padre Fernando
Foi constituida uma Comissão a fim de angariar recursos para o bom êxito da campanha; Adolpho Gottschal, Carlos Menezes, Francisco Cruyz, padre Fernando Carneiro, César Tomas da Silva, Antônio Costa, Antônio Chonjinsk e Edgar Teixeira Rocha.
A presença de uma Charanga composta por músicos da Minerva era um enorme sucesso sobretudo pela adaptação do samba "Colher de Chá" feita pelo ritmista Xendengo:
"Este ano não vai ter colher de chá / Pois Cachoeira está de arrasar / (bis) - Pega a bola Coqueiro/ Passa para Tião / Foi Passarinho que fez o gol da Seleção ! / Este ano não..."
A chegada dos atletas que estiveram em ação naquele jogo decisivo  foi uma festa inesquecível pela mobilização geral. Da Praça Maciel até em frente à Matriz da Nossa Senhora do Rosário não cabia mais de gente. Os sinos da igreja repicando, fogos explodindo no ar, o público delirando. Um espetáculo emocionante e inesquecível a entrada dos jogadores carregados em triunfo.
 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Retrato a óleo  - Escola Politécnica UFRJ

A MORTE MISTERIOSA DE ANDRÉ REBOUÇAS
Dentre os filhos notáveis da Cachoeira,  dois irmãos engenheiros, Antônio e André, tiveram em vida seus talentos reconhecidos, sobretudo o segundo. Pois bem; há 126 anos passados, no dia de hoje (9 de maio), André (foto ao lado com facsimile da assinatura)veio a falecer no exterior em face do seu exílio voluntário após a queda do regime monárquico. O que de fato teria ocorrido? De concreto a lealdade, e o devotamento do cachoeirano para com a Família Imperial.
O renomado historiador e professor Pedro Celestino da Silva, no seu inestimável trabalho intitulado Galeria Cachoeirana, publicado na Revista do Instituto  Histórico e Geográfico da Bahia  n° 68 do ano de 1942 diz o seguinte sobre a morte de Rebouças:
"...mas, passou a residir na cidade de Funchal, capital da Ilha da Madeira, onde triste e solitário pois termo em seus dias suicidando-se". Foi enfático, portanto, o renomado historiador: suicídio !
O engenheiro Sydney M.S. dos Santos pesquisou a fundo sobre a vida do seu colega, contando com os arquivos da Biblioteca Nacional e sobretudo da Escola Politécnica UFRJ . Eu estava secretário da prefeitura na primeira gestão do prefeito Ariston Mascarenhas quando recebi uma carta sua pedindo subsídio para a publicação do seu livro André Rebouças e seu tempo". Ganhei a obra autografada. Eis a versão do doutor Sydney:
"Em maio de 1898, foi encontrado morto junto ao mar, ao pé de um penedo, em cujo cimo passava uma alameda do hotel. Nunca se soube se foi acidente ou suicídio".  Das duas hipóteses, a única certeza é uma dúvida!
O festejado historiador contemporâneo  Eduardo Bueno, o autor que mais vende livros de história na atualidade, fala-nos da solidão e do corpo estendido sobre uma grande pedra, em frente ao mar, no seu recente Brasil uma história - cinco séculos de uma país em construção:
"Morreu solitário, sobre uma grande pedra, em frente ao mar, na Ilha da Madeira. Estava só e amargurado. O exílio, porém, era voluntário".
Bom, amigos, aí a coisa complicou: estava descansando sobre a tal grande pedra em frente ao mar quando de repente passou mal e veio a falecer? Teria sido um infarto violento?
O jovem historiador cachoeirano Jadson Luiz dos Santos no seu livro Cachoeira III Séculos de História e Tradição, assegura que, "não aceitando a proclamação da República, exilou-se na Europa, falecendo afogado no Funchal, Ilha da Madeira".
Temos, então, uma morte por afogamento. Não sabemos se Rebouças estava pescando ou nadando.
 O jornalista, professor, historiador e acadêmico Antônio Loureiro de Souza no seu livro Notícia Histórica da Cachoeira escreveu:
"Volta-se, exclusivamente ao estudo e ao trabalho, e, em maio de 1898, na Europa, quando em viagem de aperfeiçoamento, veio a falecer". Vocês estão acompanhando o meu raciocínio? Agora, Rebouças estava viajando quando se deu o óbito inesperado.
Continuando nas minhas pesquisas, fui encontrar na obra da saudosa historiadora pernambucana Joselice Jucá intitulada André Rebouças - Reforma & Utopia no contexto do Segundo Império um farta documentação manuscrita:
"O 15 de novembro de 1889 foi crucial para Rebouças". E a autora explica o verdadeiro sentimento que levara Rebouças ao exílio voluntário, primeiro para a Europa com a Família Imperial, mais tarde para a África do Sul e a Ilha da Madeira, "como forma de protesto contra a queda da Monarquia".
"Em sua estada em Lisboa" - afirma a historiadora-, "Rebouças tentou persuadir Joaquim Nabuco (que havia ficado no Brasil) a juntar-se a ele em defesa da restauração da monarquia".
O exílio o levou a enfrentar problemas de ordem financeira. O seu irmão mais moço, José, seu sobrinho André Veríssimo e amigos fraternos como Joaquim Nabuco e o Visconde de Taunay apelaram que que retornasse ao Rio onde seu emprego estava garantido. O jornalista José Carlos Rodrigues ofereceu uma colocação no prestigioso Jornal do Comércio e ele agradeceu justificou da seguinte forma:
"Os sofrimentos vão-se agravando, principalmente à noite, de modo que amanheço exausto e sem forças para a produção intelectual".
Qual seria a origem de tais sofrimentos? Em carta a amigo Rangel Couto ele é mais explícito:
"A moléstia que sofro é de caráter crônico: uma irritação de intestino, principalmente, impede o uso dos medicamentos necessários a requerer o meu organismo".Não tenho capacitação para fazer qualquer diagnóstico mas existe uma grande possibilidade de ter sido câncer.
Quanto à morte misteriosa de André Rebouças, vamos encontrar, finalmente, a resposta mais plausível, sobretudo por tratar-se de um depoimento de Maria Carolina Rebouças, filha de Antônio, portanto sobrinha de André:
"Meu tio, André, (foi encontrado morto), junto ao mar, perto de um rochedo de sessenta metros de altura. Nada deixou escrito que confirmasse a idéia de suicidio. Nas suas últimas carta queixava-se de doloroso agravamento de moléstia do aparelho digestivo que adquirira na guerra do Paraguai e também de dificuldades financeiras. Ele, porém, sofria com tanta resignação, com tal espírito cristão que não posso convencer-me de que se tenha suicidado.
Disseram que ele costumava passear acima do lugar em que foi encontrado. Enfraquecido pela moléstia, poderia uma vertigem ter-lhe causado a morte".
Fico com o raciocínio da sobrinha de o morto André Rebouças. O resto é especulação, elucubração ou invencionice. 

 
                             DIA DAS MÃES
"Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração". Assim começava o famoso soneto Ser Mãe de autoria de Coelho Neto (1864-1934), nascido em Caxias, aqui no Rio de Janeiro. Estava na "aurora da minha vida" como disse Casimiro de Abreu, outro poeta carioca, quando declamei o "Ser mãe" e ainda hoje sei de cor.
Fui um sujeito de sorte porque tive quatro mães. Por isso mesmo, o domingo que vem vai ser muito complicado pra mim. Meus parabéns para todas as mães e avós que acompanham nosso blogger e as que não o são mas possuem vivas suas progenitoras.
Vou explicar a história das quatro mães. A minha mãe biológica, Ester de Souza Brito (foto) a vida toda uma mulher humilde, sem muita escolaridade, porém, tinha um coração generoso e solidário. Viúva ainda moça, dedicou-se à criação de uma prole enorme. Uma verdadeira guerreira que deu conta do recado.
Conforme afirmei algumas vezes, eu fui criado no seio da família Soares. Meus pais moravam no Curiachito, onde eu nasci, numa casa térrea que dava os fundos para o sobrado onde eu era deixado para que a minha mãe pudesse trabalhar destalando fumo na fábrica de seu Júlio Borba. Não havia Creches,então eu fui ficando,ficando,ficando...
Guiomar, chamada na intimidade por Guigui, era viúva, então, por influência de sua filha única, Luizinha,eu passei a chamá-la de mãe. Luizinha era minha irmã
 As outras duas "mães" eram a minha madrinha Laura Soares e uma cria da casa chamada Cândida, carinhosamente chamada de Iaiá.
Foram elas as responsáveis pela minha existência porque eu fui um menino com uma saúde muito debilitada. Foram dias e sobretudo noites mal dormidas devido a uma asma que me tirava o ar como se tivesse sendo afogado. Levantavam quando ouviam os chiados do meu peito, esquentavam leite, faziam gemada, passavam enxúndia de galinha morna no meu peito...Velavam, coitadas, na cabeceira da minha cama. Eu dei muito trabalho,cara!
Casado em  primeiras núpcias com Lêda Margarida, da nossa união uma tropa de elite formada por quatro mulheres e dois homens. A minha avaliação de Lêda como mãe é positiva, sem reparos, uma mãe desvelada. Acredito que no "feice" a turma vai postar lindas mensagens. Ela merece.
A minha segunda esposa, Luiza Maria, de quem estou viúvo, foi também uma mãe admirável. Na edição do jornal "A Ordem" do més de junho de 1987 ela escreveu o seguinte:
"DIA DAS MÃES
Tive a suprema felicidade de ser mãe. Mãe por duas vezes. A primeira, de um filho maravilhoso, hoje homem feito, casado, brilhante na carreira que abraçou, com um futuro muito bonito, mercê de Deus. Nos amamos muito apesar da distância que hoje nos separa.
Quando não mais pensava ser agraciada pelo Senhor com o dom da maternidade, ei-nos que surge o meu caçulinha, que faz a alegria do meu lar, sobretudo quando retruca ao chamá-lo de "papa-jaca" dizendo "mamã, papa xangó!"
Gostaria, caros leitores, não de ser homenageada como mãe e avó que sou mas, poder dizer neste espaço a mim reservado da minha felicidade de tê-los como filhos".
Coincidentemente, ela foi homenageada pela Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro  20 anos depois que escreveu a crônica acima (vide foto abaixo).


 






  • Com as nossas desculpas aos que nos honram com a sua leitura e participam com suas opiniões, estamos,hoje,atualizando a pauta
Jorginho Ramos escreveu: "Foi Inocêncio Boaventura e a morte dele aconteceu no Plenário da Câmara, em 1926 !"
Adilson Gomes e: "Eu já sabia ... Morreu amando a cidade. Pouco sabemos do Dr. I.B. Seria bom que o Historiador nato, Erivaldo Brito, apresentasse o que tem, e o que sabe sobre o mesmo. Os cachoeiranos agradecem.
* Meu caro professor Adilson: Vamos ver o que conseguimos,tá certo?
Nilda Torres: Estive olhando seu blog e li algumas de suas reportagens que me chamaram muita a atenção e fiquei mais impressionada foi com seu acervo fotográfico riquíssimo.
Meu nome é Nilda Torres, ou uma pedagoga e atualmente estou concluindo minha segunda graduação em Museologia na UFRB, e temos uma disciplina em que temos que montar uma exposição. Minha turma escolheu falar sobre o Cine Teatro Cachoeirano, e gostaria de saber se o senhor conhece algumas histórias sobre o local e algumas fotografias.
Procuramos no acervo da Biblioteca Municipal da Cachoeira, mas o arquivo está sendo restaurado e nossa entrada no local foi barrada, ainda estamos procurando nas bibliotecas de São Félix e de Muritiba.
Nossa exposição será divindade em dois turnos: O primeiro será sobre a cachoeira e a construção do cinema, e o segundo será de relatos pessoais que frequentavam o local e o que mais elas gostava no ambiente do Cine Teatro.
Agradeço sua atenção,
* No Goolge,se você acessar o meu nome e solicitar fotos, vai aparecer um monte do que já publicamos. Eu já respondi pra você e vamos ver no que posso ajudá-la.
Mundão Souza : "Parabéns primo, pela atitude histórica e heroica, alias como é o codinome da nossa Cachoeira. "
Fernando Cândido escreveu: "Adora sua historia e como vc se orgulha com que nós saibamos dele. Grande abraço meu amigo!"
Clovis Sacramento da Silva: "Fase negra da nossa história no qual presenciei a tortura e prisão de diversos amigos.
Nelson Brito "Erivaldo. Uma amigo de infância fez a seguinte postagem. José Carlos Silveira Lima Cachoeira já celebrou o maior São João da Bahia, Oseas dentro do possível gostaria que pesquisa-se sobre o Hotel Brasil que tinha seu prédio frente ao ancoradouro onde o Navio Paraguaçu aportava, a proprietária era Lulu tia da minha mãe, irmã de Louro barrigudo lá de Muritiba. Esse Hotel fornecia a melhor refeição da redondeza. Salve Cachoeira.
* Meu querido escritor Nelson: Frente à ponte de embarque e desembarque dos navios ficava a “Pensão Paraguaçu”, depois um consultório do doutor Aurelino, hoje apenas ruínas A dona Lulu (não sei se a mesma que era a sua tia), montou pensão num sobrado no Largo dos Amores hoje pertencente à família de Stênia e do amigo Heraldo Cachoeira. A dona Lulu, mãe de Didi Zoião,teve pensão,depois,no sobradão da praça da Aclamação com rua Ana Neri,e,finalmente,onde presentemente é a sede do Cruzeiro, o restaurante que ela colocou o nome de Gruta Bahiana.
Renato Queiroz (filho) escreveu: "Tio Erivaldo, fiquei bastante honrado com a homenagem ao meu saudoso e querido Pai, a quem guardo no peito pela sua personalidade ímpar, afetuosa e pelos seus nobres exemplos. Minhas palavras, Tio, são singelas frente as suas brilhantes e bem humoradas publicações, permeadas pela sua extrema consideração, pelo o seu carinho e pelo seu admirável talento literário, também admirado por muitos. Sabemos que ele se orgulhava de tê-lo como um verdadeiro Amigo. Inesquecível! Emocionado, lhe agradeço me despedindo como ele me respondia quando lhe pedia a bênção: Deus lhe abençoe
e lhe faça feliz!!"
Linda Sapucaia escreveu: "Concordo com Nilda Sapucaia. O n° 4 é de nosso pai Helvécio Vicente Sapucaia Filho, falecido em 9 de agosto de 1962. E o 2 é do primeiro marido de nossa mãe o Professor e Advogado Aloiso de Souza falecido no final da década de 60."