sexta-feira, 9 de maio de 2014

                             DIA DAS MÃES
"Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração". Assim começava o famoso soneto Ser Mãe de autoria de Coelho Neto (1864-1934), nascido em Caxias, aqui no Rio de Janeiro. Estava na "aurora da minha vida" como disse Casimiro de Abreu, outro poeta carioca, quando declamei o "Ser mãe" e ainda hoje sei de cor.
Fui um sujeito de sorte porque tive quatro mães. Por isso mesmo, o domingo que vem vai ser muito complicado pra mim. Meus parabéns para todas as mães e avós que acompanham nosso blogger e as que não o são mas possuem vivas suas progenitoras.
Vou explicar a história das quatro mães. A minha mãe biológica, Ester de Souza Brito (foto) a vida toda uma mulher humilde, sem muita escolaridade, porém, tinha um coração generoso e solidário. Viúva ainda moça, dedicou-se à criação de uma prole enorme. Uma verdadeira guerreira que deu conta do recado.
Conforme afirmei algumas vezes, eu fui criado no seio da família Soares. Meus pais moravam no Curiachito, onde eu nasci, numa casa térrea que dava os fundos para o sobrado onde eu era deixado para que a minha mãe pudesse trabalhar destalando fumo na fábrica de seu Júlio Borba. Não havia Creches,então eu fui ficando,ficando,ficando...
Guiomar, chamada na intimidade por Guigui, era viúva, então, por influência de sua filha única, Luizinha,eu passei a chamá-la de mãe. Luizinha era minha irmã
 As outras duas "mães" eram a minha madrinha Laura Soares e uma cria da casa chamada Cândida, carinhosamente chamada de Iaiá.
Foram elas as responsáveis pela minha existência porque eu fui um menino com uma saúde muito debilitada. Foram dias e sobretudo noites mal dormidas devido a uma asma que me tirava o ar como se tivesse sendo afogado. Levantavam quando ouviam os chiados do meu peito, esquentavam leite, faziam gemada, passavam enxúndia de galinha morna no meu peito...Velavam, coitadas, na cabeceira da minha cama. Eu dei muito trabalho,cara!
Casado em  primeiras núpcias com Lêda Margarida, da nossa união uma tropa de elite formada por quatro mulheres e dois homens. A minha avaliação de Lêda como mãe é positiva, sem reparos, uma mãe desvelada. Acredito que no "feice" a turma vai postar lindas mensagens. Ela merece.
A minha segunda esposa, Luiza Maria, de quem estou viúvo, foi também uma mãe admirável. Na edição do jornal "A Ordem" do més de junho de 1987 ela escreveu o seguinte:
"DIA DAS MÃES
Tive a suprema felicidade de ser mãe. Mãe por duas vezes. A primeira, de um filho maravilhoso, hoje homem feito, casado, brilhante na carreira que abraçou, com um futuro muito bonito, mercê de Deus. Nos amamos muito apesar da distância que hoje nos separa.
Quando não mais pensava ser agraciada pelo Senhor com o dom da maternidade, ei-nos que surge o meu caçulinha, que faz a alegria do meu lar, sobretudo quando retruca ao chamá-lo de "papa-jaca" dizendo "mamã, papa xangó!"
Gostaria, caros leitores, não de ser homenageada como mãe e avó que sou mas, poder dizer neste espaço a mim reservado da minha felicidade de tê-los como filhos".
Coincidentemente, ela foi homenageada pela Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro  20 anos depois que escreveu a crônica acima (vide foto abaixo).


 



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