sexta-feira, 30 de maio de 2014

FUTEBOL CACHOEIRANO

A campanha do bi-campeonato 
Já falamos das várias modalidades esportivas praticadas na cachoeira tais como, remo, tênis, corrida de cavalo, basquetebol, voile, dando ênfase, naturalmente, ao preferido da maioria, o futebol, retroagindo aos tempos em que e jogava bola na Praça Maciel, tornando-se popular depois que dois filhos do deputado Ubaldino de Assis trouxeram o América do Rio de Janeiro para jogar na Cachoeira. Os dois filhos de Ubaldino jogavam no time carioca. 
Tomando como base as entrevistas que fizemos para o extinto jornal "A Ordem", quando ouvimos os pioneiros do chamado esporte bretão (porque foi inventado pelos ingleses), Adriano Barbeiro, Evangivaldo Borges e Silva, Walter Gavazza e Waldo Azevedo (pai), da disputa entre Democrata e Paraguaçu no campeonato sanfelixta, falamos da inauguração do campinho de futebol denominado Ubaldino de Assis (dia 19 de junho de 1930), do primeiro jogo noturno de futebol no interior do estado que foi no referido campo em a noite de 21 de agosto de 1931, do Cruzeiro Cachoeirano filiado à Liga Sanfelixta, campeão tantas vezes incrementando mais e mais  a rivalidade entre as duas cidades, a briga generalizada no campo de Belém da Cachoeira com a torcida de Santo Amaro, de desfiliação do Cruzeiro que veio participar do "Torneio do Povo" idealizado por Evangivaldo com o apoio do empresário Carlos Menezes, a concretização do sonho de Antônio Costa o Toninho Yuistrick com a inauguração do campo do Fluminense, no Calabar, em 15 de novembro de 1965, e, finalmente, na postagem passada, a conquista do primeiro título intermunicipal de futebol amador do estado da Bahia.
Muitos dirigentes, atletas e torcedores,aqueles que participaram e foram testemunhas oculares, poderiam dar depoimentos preciosos, cederem recortes de jornais,fotografias etc para, quem sabe, um Museu do Futebol Cachoeirano. Os recursos modernos para utilização de áudio e imagens é praticamente acessível a todo o mundo, bastando, portanto, que haja um planejamento e uma coordenação.
Além dos atletas, depoimentos como o de Salustiano Araújo (Salu), seria maravilhoso. Ele, Salu, nos dias de jogos da seleção, tinha de se deslocar até Muritiba a fim de convencer seu Osvaldo a deixar o goleiro Vadinho jogar. Ambos pertenciam à Maçonaria. Seu Osvaldo fazia "chantagem" de só deixar se Vadinho tirasse notas boas no curso de medicina. Vadinho formou-se em medicina e está clinicando há bastante tempo. Aliás, o goleiro que substituiu Vadinho, Iberê, também formou-se em medicina.
Foram três os jogos contra Jequié para a conquista do primeiro título (1967 concluído em 1968) pela seleção cachoeirana no campo da Graça, em Salvador a que nos reportamos no artigo anterior.
Pela ordem:Eu,um não identificado,Gavazza e Evangivaldo
O primeiro jogo, no Estádio do Fluminense Cachoeirano verificou-se um empate. No domingo seguinte, 24 de novembro de 1968, em Jequié, mais de 90 ônibus fretados saíram da Cachoeira. Foram todos recebidos à entrada da cidade pelo pelotão do Tiro de Guerra local,comandado pelo sargento Idelfonso que já havia sido instrutor do Tiro de Guerra 114 da Cachoeira.
Quando eu entrei no Estádio Valdomiro Borges ouvi uma voz familiar me chamando aos berros: era Walter Gavazza, meu querido e saudoso amigo, tido e havido como não muito certo do juízo. Ladeado por dois cachoeiranos filhos de Alberto Bastos, um deles gerente-geral da agência local do Banco Econômico e o outro diretor do DERBA. Gavazza me desafiou: "Ei, cadê você seu frouxo? Você é canário de prego...vem pra cá torcer no meio desta putada!  Limitei-me a olhar e esboçar um sorriso temerário.

O estádio de Jequié, igual ao da Cachoeira, não possuía alambrado.  Na metade do segundo tempo a torcida foi invadindo, a área do campo reduzindo,reduzindo,afunilando,afunilando,então Cachoeira,quase ao final do tempo regulamentar marcou um gol legítimo e o juiz da partida, o muritibano Anivaldo Magalhães (foto), considerado o melhor árbitro do futebol da Bahia à época, tomou a decisão salomônica de anulá-lo. Ele próprio, tempos depois, confessara a amigos comuns que seria uma verdadeiro massacre a validação daquele gol, e todos corriam perigo de morte.
A decisão do XI Torneio Intermunicipal reuniu os selecionados da Cachoeira e Miguel Calmon. Cachoeira venceu os seus jogos e Jequié foi eliminado por desistência, enquanto Miguel Calmon desclassificou Juazeiro e Feira de Santana. Para ficar com o títulos, havia a necessidade da realização de duas ou três partidas, ou seja, o vencedor teria de somar quatro pontos. 
De acordo com o Regulamento e mediante sorteio, a primeira partida foi realizada na Cachoeira onde as duas seleções empataram. A segunda partida seria realizada na distante Miguel Calmon, muito longe mesmo, em se considerando a localização geográfica da Cachoeira. Assim, uma dezena de carros particulares, se tanto, se deslocaram até la. Eu estava presente.
As dimensões do campo eram exageradamente grandes, o terreno irregular e pouquíssima grama, era areia pura ! Com a enorme torcida de Miguel Calmon que jogava em casa incentivando, a zaga cachoeirana formada por Balaio e  Zé Fernandes teve de se desdobrar enquanto Tião Maravilha (foto) era impiedosamente marcado com faltas que o juiz fingia não ver. O placar estava favorecendo Miguel Calmon. Quase ao final do jogo o goleiro Albino, já de posse da bola, pressionado pelo atacante Penedo, deu-lhe um soco na cara! Penalti à favor da Cachoeira. Cachoeira conseguiu arrancar um empate naquele domingo, dia 29 de dezembro de 1968 e que levaria à "negra" à partida decisiva em campo neutro, no caso o campo da Graça em Salvador.
Naquele jogo em Miguel Calmon, a única emissora baiana presente (devido à distância e os parcos recursos da época) foi a Radio Cruzeiro com Alvaro Martins narrando e eu comentando através de uma rádio amador.
Na próxima postagem a gente vai falar da partida mais importante, a decisiva no campo da Graça em Salvador, um jogo eletrizante com a massa da torcida cachoeirana presente e o gol do lateral Paiva

 





  

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