sexta-feira, 16 de maio de 2014

MEMÓRIA
O assalto que acabou por fechar o Museu das Alfaias

Vamos voltar o relógio do tempo há 27 anos passados, portanto uma quarta-feira, dia 6 de maio de 1987. Precisamente às 15h30m. usando do pretexto de visitarem o Museu das Alfaias, um casal de forasteiros ameaçou de morte a recepcionista Ana Mércia Moura Almeida que, ouvida pela reportagem de A Ordem, jornal cachoeirano que circulava à época, assim falou:
"O cara era mulato, forte, e, a mulher era morena, trajava uma blusa amarela e calça jeans."
E prosseguiu: " ele retirou uma cédula de cem cruzados (padrão monetário da época) para ter acesso ao museu. Como eu não tinha troco,não cobrei. Subi a escada conversando com eles. Quando chegamos ao local onde se encontravam as jóias (parte superior da sacristia) fui ameaçada de morte. A  mulher ficou empunhando um revólver enquanto o homem ia quebrando os vidros e levando tudo!"
O "tudo" relatado pela recepcionista era representado por grande quantidade de jóias, brilhantes, esmeralda, safiras, pratas e o terço de ouro que pertencia à Padroeira da cidade. 
O barulho do vidro se estilhaçando acabou por chegar aos ouvidos do zelador da igreja, Claudionor de Jesus que se achava fazendo um conserto na iluminação do altar-mor.  Ele declarou que, através de uma portinhola viu a ação dos bandidos mas achou prudente, temendo pela vida da recepcionista, usar o telefone (não existiam os celulares modernos) para avisar a polícia. 
O padre Hélio,na época,junto a duas imagens do museu - Foto A ORDEM
O titular da paróquia, padre Hélio Vilas-Boas (foto) chegou primeiro. Encontrou o zelador apavorado e a recepcionista numa crise nervosa e chorando muito. Resumo da ópera: a polícia chegou, interditou o local, colheu impressões digitais etc. Francamente não lembro mais se alguma coisa foi recuperada. De concreto, por absoluta falta de segurança, o fechamento do museu o que é profundamente lamentável para uma cidade vocacionada para o turismo mas com poucas opções para visitação.

 

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