sexta-feira, 9 de maio de 2014

Retrato a óleo  - Escola Politécnica UFRJ

A MORTE MISTERIOSA DE ANDRÉ REBOUÇAS
Dentre os filhos notáveis da Cachoeira,  dois irmãos engenheiros, Antônio e André, tiveram em vida seus talentos reconhecidos, sobretudo o segundo. Pois bem; há 126 anos passados, no dia de hoje (9 de maio), André (foto ao lado com facsimile da assinatura)veio a falecer no exterior em face do seu exílio voluntário após a queda do regime monárquico. O que de fato teria ocorrido? De concreto a lealdade, e o devotamento do cachoeirano para com a Família Imperial.
O renomado historiador e professor Pedro Celestino da Silva, no seu inestimável trabalho intitulado Galeria Cachoeirana, publicado na Revista do Instituto  Histórico e Geográfico da Bahia  n° 68 do ano de 1942 diz o seguinte sobre a morte de Rebouças:
"...mas, passou a residir na cidade de Funchal, capital da Ilha da Madeira, onde triste e solitário pois termo em seus dias suicidando-se". Foi enfático, portanto, o renomado historiador: suicídio !
O engenheiro Sydney M.S. dos Santos pesquisou a fundo sobre a vida do seu colega, contando com os arquivos da Biblioteca Nacional e sobretudo da Escola Politécnica UFRJ . Eu estava secretário da prefeitura na primeira gestão do prefeito Ariston Mascarenhas quando recebi uma carta sua pedindo subsídio para a publicação do seu livro André Rebouças e seu tempo". Ganhei a obra autografada. Eis a versão do doutor Sydney:
"Em maio de 1898, foi encontrado morto junto ao mar, ao pé de um penedo, em cujo cimo passava uma alameda do hotel. Nunca se soube se foi acidente ou suicídio".  Das duas hipóteses, a única certeza é uma dúvida!
O festejado historiador contemporâneo  Eduardo Bueno, o autor que mais vende livros de história na atualidade, fala-nos da solidão e do corpo estendido sobre uma grande pedra, em frente ao mar, no seu recente Brasil uma história - cinco séculos de uma país em construção:
"Morreu solitário, sobre uma grande pedra, em frente ao mar, na Ilha da Madeira. Estava só e amargurado. O exílio, porém, era voluntário".
Bom, amigos, aí a coisa complicou: estava descansando sobre a tal grande pedra em frente ao mar quando de repente passou mal e veio a falecer? Teria sido um infarto violento?
O jovem historiador cachoeirano Jadson Luiz dos Santos no seu livro Cachoeira III Séculos de História e Tradição, assegura que, "não aceitando a proclamação da República, exilou-se na Europa, falecendo afogado no Funchal, Ilha da Madeira".
Temos, então, uma morte por afogamento. Não sabemos se Rebouças estava pescando ou nadando.
 O jornalista, professor, historiador e acadêmico Antônio Loureiro de Souza no seu livro Notícia Histórica da Cachoeira escreveu:
"Volta-se, exclusivamente ao estudo e ao trabalho, e, em maio de 1898, na Europa, quando em viagem de aperfeiçoamento, veio a falecer". Vocês estão acompanhando o meu raciocínio? Agora, Rebouças estava viajando quando se deu o óbito inesperado.
Continuando nas minhas pesquisas, fui encontrar na obra da saudosa historiadora pernambucana Joselice Jucá intitulada André Rebouças - Reforma & Utopia no contexto do Segundo Império um farta documentação manuscrita:
"O 15 de novembro de 1889 foi crucial para Rebouças". E a autora explica o verdadeiro sentimento que levara Rebouças ao exílio voluntário, primeiro para a Europa com a Família Imperial, mais tarde para a África do Sul e a Ilha da Madeira, "como forma de protesto contra a queda da Monarquia".
"Em sua estada em Lisboa" - afirma a historiadora-, "Rebouças tentou persuadir Joaquim Nabuco (que havia ficado no Brasil) a juntar-se a ele em defesa da restauração da monarquia".
O exílio o levou a enfrentar problemas de ordem financeira. O seu irmão mais moço, José, seu sobrinho André Veríssimo e amigos fraternos como Joaquim Nabuco e o Visconde de Taunay apelaram que que retornasse ao Rio onde seu emprego estava garantido. O jornalista José Carlos Rodrigues ofereceu uma colocação no prestigioso Jornal do Comércio e ele agradeceu justificou da seguinte forma:
"Os sofrimentos vão-se agravando, principalmente à noite, de modo que amanheço exausto e sem forças para a produção intelectual".
Qual seria a origem de tais sofrimentos? Em carta a amigo Rangel Couto ele é mais explícito:
"A moléstia que sofro é de caráter crônico: uma irritação de intestino, principalmente, impede o uso dos medicamentos necessários a requerer o meu organismo".Não tenho capacitação para fazer qualquer diagnóstico mas existe uma grande possibilidade de ter sido câncer.
Quanto à morte misteriosa de André Rebouças, vamos encontrar, finalmente, a resposta mais plausível, sobretudo por tratar-se de um depoimento de Maria Carolina Rebouças, filha de Antônio, portanto sobrinha de André:
"Meu tio, André, (foi encontrado morto), junto ao mar, perto de um rochedo de sessenta metros de altura. Nada deixou escrito que confirmasse a idéia de suicidio. Nas suas últimas carta queixava-se de doloroso agravamento de moléstia do aparelho digestivo que adquirira na guerra do Paraguai e também de dificuldades financeiras. Ele, porém, sofria com tanta resignação, com tal espírito cristão que não posso convencer-me de que se tenha suicidado.
Disseram que ele costumava passear acima do lugar em que foi encontrado. Enfraquecido pela moléstia, poderia uma vertigem ter-lhe causado a morte".
Fico com o raciocínio da sobrinha de o morto André Rebouças. O resto é especulação, elucubração ou invencionice. 

 

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