quinta-feira, 5 de junho de 2014

FUTEBOL CACHOEIRANO

Seleção da Cachoeira é campeã intermunicipal pela segunda vez

O BICAMPEONATO ganho pelo selecionado cachoeirano aconteceu no domingo, dia 5 de janeiro de 1969 no Estádio da Graça, em Salvador, numa partida das mais emocionantes e disputadas graças ao equilíbrio das duas equipes. 
Para a seleção de Miguel Calmon bastava o empate. O Estádio da Graça foi pequeno para abrigar o enorme público que se fez presente (foto). A grande maioria, claro, era a de cachoeirano devido a pequena distância que separa a cidade da capital do estado.
Nesta foto no meio da torcida, eu apareço assinalado


        
  Eram 15h30m sob um forte calor de 36 graus quando foi dado o pontapé inicial. Os calmonenses mostraram, nos momentos iniciais, uma supremacia técnica indiscutível, compensado pelo espírito de luta e o talento individual dos atletas cachoeiranos.
Ao término da etapa complementar, a prorrogação foi disputada com muito mais disposição por ambas as equipes. O atacante Passarinho teve a melhor chance de golear mas a bola não entrou, parou numa poça d'água pra sorte do goleiro Albino.
O lance decisivo  da partida se deu aos 35 minutos da prorrogação quando Tião Maravilha sofreu uma falta na intermediaria. A falta foi cobrada no abafo pra dentro da área de Miguel Calmon. Subiram vários jogadores. A bola passou por toda a extensão da pequena área e foi ao encontro do lateral Paiva que arrematou de primeira e estufou a rede . Faltavam ainda 5 minutos. A euforia tomou conta da torcida cachoeirana. Miguel Calmon perdia a sua invencibilidade de oito jogos e o título.
O jogador Paiva no exato momento em que a bola ia em sua direção e ele arremataria para o gol.
Paiva, o jogador  que deu o título para Cachoeira, disputou o campeonato cachoeirano pela equipe do Cruzeiro do qual era filiado. Ele era assessorista do edifício Cidade do Crato, em Salvador.  Santamarense de nascimento, fez vários amigos na Cachoeira. Recebeu, além da gratificação pelo título, vários presentes para o seu enxoval de casamento.
 As duas seleções jogaram assim:
CACHOEIRA
Vadinho, Deca, Zé Fernandes, Balaio e Paiva. Zé Melo e Maro Codorna. Tião Maravilha, Penedo (Passarinho), Antonivaldo (Naguerete) e Coqueiro.
MIGUEL CALMON
Albino, Bebeto, Hamilton, Froillan e Papel. Toinho e Birrinho. Bia, Frances, Canarinho (Joaninho) e Lucinho.
Os atletas da seleção cachoeirana perfilados antes do início do jogo no campo da Graça. 
O juiz da partida foi o muritibano Anivaldo Magalhães, o melhor árbitro do estado, na ocasião, que apitou com serenidade e disciplina. Foi auxilado pelos bandeirinhas Wilson Paim e José Gomes.
O mais curioso é que, Anivaldo, quando jogador do Canto de Muritiba, no campeonato sanfelixta, era indisciplinadíssimo, brigão e foi expulso várias vezes de campo!

Após o apito final o gramado foi invadido pelos torcedores da Cachoeira. Jogadores foram abraçados, carregados em triunfo com a festa se prolongando até o vestiário (foto acima)
Passavam, já, das 23 horas. Milhares de pessoas se acotovelavam no trajeto entre a praça Maciel e a Rua Ana Nery. O barulho ensurdecedor do foguetório fazia com que as pessoas falassem mais alto. Os sinos da Matriz repicavam alegremente.  Quando os atletas carregados pelos torcedores mais entusiasmados  entraram na igreja sob aplausos e vivas delirantes, naquele "transe inaudito" com que o poeta escreveu o hino da cidade, eu "viajei" em pensamento transportando-me ao momento sublime do Te-Deum de 1822.
No dia seguinte, uma segunda-feira, dia 6 de janeiro, sem que houvesse sido nada programado, a Charanga da Minerva saiu às ruas e como disse o poeta, "tome, tome, tome gente!"
Surgiu  na multidão a idéia de formar-se uma carreata  com destino a Muritiba a fim de homenagear o goleiro Vadinho. Não exagero em dizer que poucos foram os carros da cidade que ficaram na garagem. Até a caçamba de prefeitura serviu para transportar a Charanga e os torcedores de uma forma geral. Dezenas de bicicletas subiam pela ladeira velha.
Chegando na cidade serrana, a Emissora Radiovox veio transmitir ao vivo a passeata. Não sei como mais vários foguetes e "adrianinos" espocaram no ar.
Quando retornamos de Muritiba, (eu estava na rural de Terezinha Suzart) a confusão estava formada na praça em frente à igreja do Senhor São Félix. Vi quando Valdê, funcionário do extinto Banco Econômico deu um soco na cara de Ari Mascarenhas que era presidente da Câmara Municipal. Vários torcedores e jogadores da seleção começaram a revidar as pedradas atirando "dogues" de ferro. Já era tardinha e as pedras zuniam e tiravam centelhas nas longarinas da ponte.  Realmente um milagre ninguém sair ferido!
De repente, já do lado da Cachoeira, nas proximidades do Posto Texaco (hoje Rodoviária), vi quando arrancaram um tubo condutor de água de mais de quatro metros jogando-o no rio!!!  E improvisaram uma paródia: "Ei! S.Félix está sem água / Jogaram o tubo nágua!"
Eu sabia que tal gesto impensado seria enquadrado como ato terrorista, sobretudo naqueles tempos de regime militar.
Soube, depois, que o pessoal que seguiu pra Muritiba com a Charanga na caçamba provocou alguns torcedores que estavam no adro da igreja do Senhor São Félix. Depois, me contaram que o ferroviário Totó foi chamado pra depor no Comando do Quarto Exército, em Salvador. Posso asseverar que o ferroviário Totó não estava à frente de tal insanidade momentânea.
No dia da inauguração do asfaltamento da Rua da Feira pelo então governador Juracy Magalhães, o ferroviário Totó aparece assinalado - FOTO BERNARDO

 








 

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