sexta-feira, 25 de julho de 2014

CAUSOS'” VERÍDICOS
O passeio de recreio a Itaparica
A CACHOEIRA, foi, nos meus tempos, a mais festeira das cidades da Bahia. Festejavam-se um vasto calendário interno e, também, nas terras dos outros. Eram os bons tempos das fábricas de charutos, quando "doto mundo trabalhava, trabalho humilde mas era trabalho" conforme cantou o doutor Clodomir Soares, o Dikal.
Eram raros os chamados "passeios de recreio" ferroviários para Feira de Santana, São Gonçalo ou  Cruz das Almas, por exemplo, enquanto os fluviais, sobretudo os promovidos pela filarmônica Minerva eram realizados todos os anos para localidades como Salinas das Margaridas, S.Roque, Maragojipe, Madre de Deus e Itaparica. 
Em Maragojipe, nas festas de São Bartolomeu, acontecia uma coisa que eu jamais vi em cidade alguma: a hospitalidade do povo maragojipano. Assim que o vapor Paraguaçu atracava na ponte de desembarque da Navegação Bahiana, os cachoeiranos eram convidados insistentemente para almoçarem em suas casas, enquanto a diretoria e os músicos da filarmônica eram recepcionados pela Terpsícore local na pessoa do seu presidente, Paranhos. E só pra encher a boca de água de vocês, os pratos servidos invariavelmente eram camarões, camarões pistola, como aquelas moquecas do restaurante do Betuca quando eu ia visitar os saudosos amigos o violonista e compositor Didi da Bahiana e o poeta Osvaldo Sá, na sempre lembrada Terra das Palmeiras.  
 Lembro-me, ainda, de um passeio da Minerva para Itaparica. Quando lá chegamos, procurei logo conhecer os pontos principais da ilha, incluindo, claro, a fonte onde tomei in natura, a Água Mineral de Itaparica.
A praia propriamente dita era pequena e logo ficou cheia dos passeantes. Alguém me chamou a atenção para o sapateiro Bernardino, prateleiro da filarmônica. Ele, coitado, ao vestir o short, inadvertidamente utilizou a colhoneira como se fosse um suspensório, formando aquele papo no peito!
Também na praia, uma linda moça me chamou  atenção, estava conversando com um amigo. Leopoldo era o seu nome, nome fictício, claro.
Por volta das duas da tarde, Leopoldo, cujo nome germânico significa"ousado em favor do povo",estava sendo ousado em proveito próprio e não sei como não foi preso por atentado ao pudor: carícias avançadas e beijos hollywoodianos com língua e tudo!
Ao encontrá-lo na rua, no dia seguinte, quis saber dele se o romance iria acabar em casório e ele me esclareceu:
- Seu Brito, você não sabe o que aconteceu; já ali na praia eu estava planejando dar uma escalifada boa na volta, aproveitando um canto escuro do vapor. E não deu outra. Quando o navio atracou eu perguntei pra ela:

-  Marlene, como faço pra lhe encontrar você mais tarde, amor ? 
E ela tranquila:
-  Naquela casa que tem a luz vermelha na porta, junto a casa de Gaguinha!
Foi aí, galera, que a ficha caiu, e o pobre Leopoldo enfim compreendeu que estava quebrando podre, e. sobretudo   porque Osvaldo Caruru e Poporrô, dois dos mais assíduos frequentadores do brega cachoeirano passavam por ele e não escondiam o sorriso.



 

 
 
FUTEBOL CACHOEIRANO

CACHOEIRA TRICAMPEà
 Desde a inauguração do estádio do Fluminense cachoeirano, no ano de 1965, tivemos os seguintes times como campeões: Colônia (1966), Cruzeiro (1967), Nacional (1969) e Tororó (1970).
A seleção da Cachoeira, bicampeã, só entraria na disputa do Intermunicipal nas quartas de finais. A reinauguração do estádio com a implantação de melhorias e do alambrado, conforme dissemos em postagem anterior, se daria no dia 12 de outubro de 1971, então, o técnico Miranda, com o apoio do presidente da Liga deputado Raimundo Rocha Pires, Pirinho, teve a oportunidade de convocar os jogadores e realizar uma série de amistosos a saber: 
Cachoeira 4 a 1 Conceição da Feira
Cachoeira 6 a 0 Estrela de Março
Cachoeira 8 a 1 Guarani (Salvador)
Cachoeira 2 a 2 Feira de Santana
Cachoeira 1 a 1 Torre Eiffel (Salvador)
Cachoeira 3 a 0 Botafogo (Salvador)
Cachoeira 1 a 1 Ideal (Santo Amaro)
Cachoeira 3 a 1 Leônico (Salvador)
Cachoeira 7 a 0 Fluminense (cachoeirano)
Cachoeira 1 a 0 Vitória (Salvador)
Para a campanha do tricampeonato Miranda convocou os seguintes jogadores filiados à Liga Cachoeirana de Futebol:
Iberê, Inha, Careca, Zé Roberto, Deca, Roque, Balaio, Pavão, Sacramento, Paiva, Marrom, Calazans, Augusto, Mimiu, Bruno, Bebeu, Chico, Mario Codorna, Caçulinha,Tião, Judinho,Humberto, Naguerete, Belisco, Passarinho, Carlyles, Juracy e Ainho.
No domingo, dia 10 de janeiro (1971), no estádio Arlindo Rodrigues, em São Félix, a seleção cachoeirana dava um passo importante ao empatar com o selecionado local por 1 a 1, gols de Bebeu (Cachoeira) e Nicolau para os locais.
Cachoeira atuou com: Iberê, Calazans, Balaio, Sacramento. Deca, Mimiu, Bruno, Tião, Judinho, Bebeu e Telmo.
No jogo seguinte, no estádio 25 de Junho, o selecionado cachoeirano aplicou um verdadeiro chocolate em Itapetinga: 8 a 0 !  Ainho, Judinho, Chico e Tião, dois gols cada.
Cachoeira jogou com: Iberê (Inha), Calazans, Balaio, Sacramento e Deca. Mimiu e Bruno (Chico). Tião, Judinho, Bebeu e Ainho.
Finalmente, no domingo dia 28 de fevereiro (1971), no estádio 25 de Junho, na Cachoeira, o selecionado cachoeirano conquistava o tricampeonato ao derrotar os tradicionais adversários sanfelixtas por 3 a 1, gols de Bebeu, Telmo e Judinho, enquanto Orelha de Coelho marcava para os sanfelixtas.
Antes do início do jogo, eu prestei uma homenagem ao jogador Alberto Reina, Bebeu, que não obstante ter nascido em São Félix (anos depois foi eleito prefeito), defendia as cores da Cachoeira, oferecendo-o um quadro que eu pintei dele (foto)
No jogo da conquista do tricampeonato a seleção cachoeirana jogou assim: Iberê, Calazans, Pavão, Balaio, Deca, Mimiu, Chico (Juracy), Naguerete, Judinho, Bebeu, Ainho (Telmo)
O juiz da partida foi o árbitro da Federação sr.José Gomes dos Santos.
O jogo do enfaixamento foi uma espécie de revanche com o time profissional do Vitória da capital, o o "Decano" aplicou uma goleada de 5 a 1 e, ainda por cima, contratou o goleiro Iberê.
A derrota dos cachoeiranos foi atribuída por muitos ao juiz da partida, o cachoeirano Evandro Pretinho, que inverteu faltas e acabou expulsando o astro do time: Tião Maravilha.
Cachoeira jogou o amistoso com Iberê, Calazans, Balaio, Sacramento,(Pavão),Deca (Helinho), Mimiu, Chico(Bruno),Tião, Judinho, Bebeu, Ainho e Telmo.


 
NÃO É SACANAGEM

DUNGA ESTÁ DE VOLTA !   

DEPOIS do fiasco da seleção canarinho, a CBF partiu para executar o projeto "revitalização do futebol brasileiro" Para executar tal tarefa, pedindo licença para a Branca de Neve, trouxe Dunga de volta!
Foi ele, Dunga, quem implantou no futebol brasileiro o meio de campo cheio de cabeças de bagre, os tais "volantes de contenção"
Nos tempos dos armadores talentosos, (Didi, Gerson, Zito, Rivelino etc), a turma inventou uma "pegadinha".  "Pegadinha", crianças, era uma brincadeira que consistia de inventar uma mentira qualquer e quando o interlocutor duvidasse a gente arrematava com uma rima de sacanagem. 
Certa feita,vinha eu pela praça Dr.Milton quando vinha saindo dos Correios o meu saudoso compadre Valdir de Gegeu e eu pensei: vou pegar Valdir. Aproximei-me dele e falei:
- Compadre, sabe de uma mais nova? Zagallo dispensou Gerson e convocou Cristóvão !!!!
E ele já com a cara amarrada:
- Que-que-que Cristóvão, com-com-compadre?
E eu fechando a "pegadinha":
- Aquele que lhe empurrou até os ovos!
E ele;
- Pu-pu-puta merda...Vocês não res-res-respeitam nem a seleção bra-bra-brasileira!
Mas, vocês acham que Valdir ia deixar de graça? Lá saiu ele na entrega das correspondências e ia pegando quem ele ele encontrava pela frente: Fernando Cara Curta, Landinho Amarelo, Domingão, Beline, Waldo Azevedo na Suerdieck e Adauto Sales na Fábrica Ônix, no Curiachito.
Em questão de horas, ninguém mais na Cachoeira caía na tal "pegadinha".

A MORTE DE DOIS “IMORTAES “ 

A intelectualidade brasileira perdeu em menos de quinze dias, dois grandes baluartes: João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) e Ariano Suassuna (1922-2014).
O primeiro, nosso coestaduano da Ilha de Itaparica, possuía um estilo literário voltado para o contexto social, escrevia com uma ironia invulgar além de um humor sofisticado como em Viva o Povo Brasileiro, Sargento Getúlio e O Sorriso do Lagarto.  
A vasta obra de João Ubaldo foi traduzida para vários idiomas. Vou sentir falta dos seus saborosos artigos dominicais de O Globo.
Ariano Suassuna, também nordestino, (era natural de João Pessoa, na Paraíba), deixou, também, um enorme legado enriquecendo a literatura mundial com seus livros. Embora de cultura acadêmica,Ariano era um defensor intransigente da cultura nordestina, assim como o era João Ubaldo.
Com livros e artigos publicado em vários países, Suassuna tornou-se celebridade depois da adaptação de O Auto da Compadecida para o cinema e a televisão.
Duas perdas lamentáveis.

 

  
 MANIFESTAÇÃO DE UM LEITOR
O meu Correio Eletrônico está sempre lotado, se alguém compartilha uma foto, faz um comentário, pedidos para jogos, tudo cai no tal e-mail. Então,meus caros, por vezes eu cometo indelicadezas indesculpáveis como uma mensagem recebida do meu querido conterrâneo Danilo Magalhães, ou melhor, "Danilo Secundino de Oliveira" como eu o chamava,brincando.
Danilo,querido: embora você não tivesse lido,falei,sim, da papel desempenhado por Toninho Yuistrick na construção do estádio de futebol da Cachoeira. Reveja as postagens anteriores. Um grande abraço e desculpas pela demora em lhe dar a atenção merecida.


From: magalha10@hotmail.com
To: magalha10@hotmail.com
Subject:
Date: Sat, 31 May 2014 13:55:35 +0000
Caro Erivaldo Já a algum tempo tenho acompanhado seu blog jornal ontem e hoje(sensacional). incusive informo aos cachoeiranos para que também tenham conhecimento pois  muitos como eu não temos o conhecimento das memorias da velha CACHOEIRA
  O motivo desta mensagem é corrigir um fato histórico que talvez tenha sido esquecido e por uma questão de justiça temos o dever de homenagear o verdadeiro heroi (sim heroi)
Antonio da Costa -Yustrich pois vivi  e vi como o mesmo foi tratado por grande parte de cachoeiranos que o chamava de maluco quando o mesmo teve a ideia de  que no calabar poderia ser contruido um estadio .Poucos cachoeiranos o ajudaram no seu sonho, cito os verdadeiros, como Tinga,Severino da carne.Sr. Bébé da oficina, Evangivaldo ,Sr Edgar Rocha Hugo Rocha e mais alguns dos quais não me recordo ,mais os citados sempre acreditaram no MALUCO YUSTRICHC. Quero tambem corrigir a data verdadeira da inaguração do Estadio 25 de Junho, se deu uma semana antes da citada em uma das suas postagens.
Vale a pena contar pois Yustrchi aborrecido com tanta gente que o havia taxado de maluco estava querendo aparecer depois da obra pronta, então em uma reunião no Bar Regina Toninho solicitou a Hugo Rocha(filho de Sr Oscar) que o mesmo preparasse uma equipe para a inauguração, pois na epoca o melhor time que jogava no campo da manga era o BAHIA de Cachoeira  time no qual Hugo era  o presidente e tambem goleiro.o que foi aceito por Hugo , Toninho só fez uma exigencia e disse agora é que vão dizer que eu sou MALUCO o campo teria que ser inaugurado não com o Bahia, mas pelo FLUMINENSE DE CACHOEIRA( Time do coração Yustrich) Hugo então disse  Toninho como? se não existe este time em Cachoeira Toninho respondeu  prepare o time  pois eu tenho um jogo de materal completo  e o meu time existe. E asim foi feito (O Fluminense era uma Homenagem ao seu time de coração o Fluminense do RJ)
Hugo então preparou o time para a inauguração jogo que seria contra o melhor time amador de todo o reconcavo o Esporte clube Mecanicos da cidade de Feira de Santana.
que tinhas varios jogadores que depoi se profissionalizaram, como os irmãos Porto(Gilson e Edson) Mundinho(pai de Junior  Bahiano) Pinheirinho.Freitas etc...
O FLUMINENSE DE CACHOEIRA FORMADO POR HUGO ROCHA FOI:
                                                   HUGO
MARCELO ( DE SÃO FELIX)-  BEU GRANDE (DE SÃO FELIX) -PURRÃO BRANCO(FILHO DE ARUÁ) E BUTE
                             CARLOS LABORDI (Filho de Lamartine Almeida)
                             CARLOS CIRNE- ITALIANO (Filho de sr Tranzzilo dda padaria Suissa)
DANILO( Filho de Severino Almeida) - BIBITA - ORELHA DE COELHO- JURACY ROCHA
a inauguração foi festiva com as filarmonicas Minerva e Lyra
A mensagem foi longa, mais com sua capacidade e inteligencia juntando sua veia jornalistica poderá sintetizar fazendo uma bela postagem ,se precissar mais detalhes
talves Hugo tenha mais detalhes, Infelizmente não temos registro Fotografico.
Em tempo o Flu de Toninho foi derrotado por 1x0
Abraços  
                 Danilo Almeida e Juracy Rocha

sexta-feira, 18 de julho de 2014

COMENTANDO

A FeliCopa
 TODO O MUNDO já falou, todo mundo já escreveu sobre a Copa do Mundo a "Felicopa" realizada no Brasil. De nossa parte começamos a fazer anotações acerca dos jogos envolvendo o selecionado brasileiro embalados nas declarações da Comissão Técnica de que "estávamos com uma mão na taça" e as reportagens e entrevistas ufanistas com destaque para o Galvão Bueno. Aha! Uhu ! No fundo,eu era um torcedor cauteloso.
Esperei ansioso a abertura da competição e eu não gostei. O tal padrão FIFA foi contratar um coreógrafo belga e um diretor italiano!!!  Foi tão fraca como a partida de abertura em que o juiz deu uma moral marcando um penalti em Fred que só ele viu. Resultado: Brasil 3, Croácia 1.
Da referida abertura ainda ecoa a vaia dada na presidente Dilma. A vaia é uma forma legítima de se protestar mas, o xingamento com palavras de baixo calão atenta contra os padrões de educação e respeito para com a mais alta autoridade do país.
O jogo entre brasileiros e mexicanos só não foi pior do que Irã e Nigéria e o resultado só poderia ser aquele: zero a zero!
Realmente o goleiro mexicano pegou tudo, ninguém contava com a astúcia dele que veio com a camisa predileta do Zagallo: 13 !
Quem acabou marcando um golaço foi a Polícia Federal que prendeu no Galeão o traficante mexicano José Rojas, procurado pela Interpol.
A partida considerada a mais fácil da fase classificatória era contra Camarões mas, mesmo assim, o nosso meio da campo continuava sem funcionar, as armações das jogadas se resumiam as chutões da defesa. E Fred, de bigode, marcou o seu único gol. Dava pra todo o mundo ver que a seleção dependia do talento do Neymar. E quando não se pudesse contar com ele? A Copa já vinha desmistificando  ídolos como o Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo, que marcou um golzinho só, assim mesmo quando Portugal já estava arrumando as malas de volta. Balotelli, o ídolo italiano também não veio para a Copa, idem,idem para os então campeões espanhois. 
Os uruguaios marcaram presença com o seu Vampiro de Montevideu, o centravante Suárez que imitou um pitbull mordendo um defensor italiano que, não obstante o haver perdoado, foi punido severamente pela FIFA.
Brasil e Chile era a partida que Felipão e sua Comitiva mais temia, então, com tamanha insegurança, o time todo jogou mal, os chutões da defesa ligando ao inoperante ataque e a gente pensando: como é que um time pode jogar sem um armador, um homem de criação? O Cruzeiro Cachoeirano que, filiado à Liga Sanfelixta de Futebol ganhou vários campeonatos, tinha Didi Zoião e dois pontas velozes,Geraldino e Vaduca e centravante Binoca.
Lembrei-me das transmissões da Radiovox de Muritiba na voz de Eulivaldo Cunha, reportagens de Raimundo Melo e comentários de Erivaldo Brito (depois Zé Domingos) quando a gente falava da excelência do meio de campo do selecionado de futebol cachoeirano: Mario Codorna, Badaró, Zé Melo, Chico, Mimiu, Bruno...
1- Didi Zoião   2- Mario Codorna   3- Badaró    4- Zé Melo  5 -Chico    6-Mimiu    7 Bruno

Voltando ao jogo: o Chile deu um banho, dominou o jogo todo e um 1 a 1 ficou de graça, sobretudo quando aquela bola no finalzinho da prorrogação bateu na trave. Em se considerando o que estava por vir, antes tivesse sido gol!
E fomos para os penaltis. Como a gente diz aí na Bahia, com o coração na boca e o forever na mão: haaaaaaaja coração !
Enquanto os jogadores canarinhos oravam, outros não controlavam as emoções e choravam copiosamente, e o goleiro Júlio César teve seu dia de herói defendendo dois e um, para variar, bateu na trave!
 A partida com a Colômbia era tida com a mais fácil e nós ganhamos apertado com aquele golaço de falta marcado pelo zagueiro David Luiz. O que nenhum torcedor brasileiro jamais irá esquecer foi aquela criminosa entrada pelas costas do troglodita colombiano Zúñiga no menino Neymar. O que todo mundo temia aconteceu: Neymar fora da Copa! E poderia ter sido pior. Ah! lembraram-se de que havia acontecido com Pelé e surgiu o Amarildo. É...mas naqueles tempos tínhamos Garrincha, Vava, Zagalo, Didi, Zito, Nilton Santos...
A próxima partida era a quartas de final e o adversário a Alemanha e não tínhamos o Neymar. Felipão fez mistério e armou um time que foi pra cima dos germânicos. Em menos de meia hora Júlio César levou cinco gols e, depois, mais dois, tornando-se o goleiro mais vazado da Copa. Não levou uma medalha porque não existe tal premiação. Alemanha 7, Brasil 1 !  Apesar da humilhação, as piadas correram soltas na rede.
No dia seguinte o Rio não amanheceu cantando. Acordou triste, perplexo, triste e humilhado, tendo de suportar as gozações dos hermanos argentino, raça de gente chata, futebolísticamente falando.
Sou testemunha ocular de um ato radical mas perfeitamente  compreensível devido a raiva dos torcedores; dezenas de camisas amarelas foram jogadas no lixo !   Bem melhor do que atos de vandalismo, não é verdade?
Os alemães se foram muito bem aí na Bahia, o que não é novidade para o pessoal da minha geração. Empresários alemães movimentavam a economia de toda a região, notadamente São Félix e Cachoeira até pouco tempo depois da Segunda Guerra Mundial e eles e seus familiares foram taxados de "Quinta Colunas".
No Brasil, Plínio Salgado fundou o Integralismo, alinhado à Alemanha e países do Eixo, e, na Cachoeira, o chefe do partido era o cidadão Joaquim Falcão. Os integrantes do partido usavam uniformes verdes e passaram a serem chamados de "galinhas verdes"
Falcão era tão fanático que podia ser confundido com um louco. O saudoso amigo Francisco José de Mello, em seu livro Crônicas Memoriais lembrou que, ele, Joaquim Falcão, dizia pra todo o mundo que, "se a Alemanha dominasse o mundo, ele iria lavar as mãos no sangue dos cachoeiranos que eram contra".
Segundo Chiquinho no seu livro citado acima, "o mais curioso é que esse cidadão de idéias tão sanguinárias, assistia missa, confessava e comungava todos os dias".
Ao término da Guerra, no dia 8 de maio de 1945, um grupo liderado pelo estivador Manoel Casaca Vermelha foi até a Pitanga, local onde morava Falcão mas não o encontrou em casa, avisado que foi pelo seu empregado Sebastião. Quebraram a casa toda, assim como, segundo relatos que eu ouvi quando menino lá em casa, jogaram dois pianos do Clube Alemão no rio paraguaçu.
Vida que segue. Vamos disputar o terceiro lugar e tentar apagar a inesquecível derrota de sete a um. Quem sabe não foi apenas um pequeno acidente de percurso, o chamado "apagão de seis minutos" que Felipão falou?  Mas,meus amigos, a Holanda deitou e rolou; 3 a 0 !
Claro que, lá em casa, torcemos todos para a Argentina não ganhar. Ninguém iria aguentar los hermanos chuetando, cartando, botando zoação com a gente.
Para finalizar, uma das melhores piadas que eu li na Internet sobre a seleção brasileira foi a que segue:
"Eu era mais feliz quando Bernard, Dante eWilliam era jogadores de vôlei; Oscar,de basquete,Luiz Gustavo era ator, Jô entrevistador, Hulk, super-herói e Fred era Flinstone".
Acreditem: Eu também!



 

 








 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

 MEMÓRIA
É inerente ao ser humano colecionar coisas,por vezes inusitadas e bizarras. O meu amigo Alberto Antar, Beto, gostava de se gabar do número de namoradas que havia conquistado. Por onde anda o amigo Beto Antar?
 Colecionar figurinhas e de jogadores de futebol, por exemplo, é um fenômeno cíclico, ocorre nas Copas do Mundo. Este ano aqui no Rio não foi diferente. Li que a previsão da Editora foi a de mais de 8 milhões e meio saíram às compras dos envelopes contendo cada cinco figurinhas ao preço de um real.
Para completar as 80 páginas do album, eram necessários 649 cromos mas, o diabo são as duplicatas. Observamos, então, uma verdadeira multidão de marmanjos na Uruguaiana na operação troca-troca de figurinhas atrapalhando o fluxo dos pedestres e dos que desejavam pegar o metrô. Dezenas de cambistas com bolos enormes de duplicatas e um deles vendo álbuns de Copas passadas, completos, pelo valor de 26 mil reais! 
A minha irmã de criação. Luizinha, possuía o album Hollandeza. Não lembro se estava completo. Quanto valeria hoje?
 Os primeiros cromos que caíram no gosto popular em todo o Brasil foram as Estampas Eucalol que vinham acompanhando o sabonete do mesmo nome.
 As referidas estampas duraram um bom tempo e o distribuidor era a Farmácia Régis, no tempo em que Farmácia era escrito com "PH".
A minha tia, Odete Loureiro Brito, Tia Nem,(foto) trabalhava na Farmácia Régis, então, por seu intermédio, consegui conhecer algumas estampas. 
Ainda quando eu era menino apareceram as Balas Seleções e as figuras colecionáveis vinham acompanhadas de um caramelo insosso, açúcar puro! 
Homens, mulheres, velhos e moços, todo o mundo na Cachoeira passou a colecionar as Balas Seleções que eram vendidas no Bar 7 Portas.
Os garotos não estavam preocupados em colar as figurinhas, a gente brincava de "tatá", um jogo em que exigia uma certa habilidade, uma certa técnica ao bater no bolo de figurinhas com a mão em forma de concha. As figuras que se encontravam viradas de cabeça pra baixo teriam de ser reviradas com um único golpe para pertencer ao batedor.
A tal Balas Seleções deixou muita gente na mão, inclusive o meu pai porque ninguém conseguiu encontrar a Ave do Paraíso (foto).
Lembro-me das Balas Leão do Norte vendidas no Armazém do major Ursecino Primitivo dos Santos. A Leão do Norte eram miniaturas do dinheiro da época, existia uma tabela de troca e a garotada não queria saber de juntar para fazer jus a um prêmio maior,quem sabe. O filhos de seu Ursecino, Souza, Toninho e Bebé ficavam doidos com as constantes trocas da balas por caixas de passas, petecas,  bolas de borracha etc. 
Embora não houvesse duplicata, os valores menores eram uma constante, de sorte que, juntar para trocar por um ventilador ou uma máquina de costura era quase impossível para a turma que queria resultados imediatos.
 Quando Dadinho abriu o Bar O Sucesso, ele foi o representante de um album (distribuído gratuitamente) e de figuras em policromia maravilhosa: animais, aves, plantas etc. Embora não tivessem figurinhas difíceis (a coleção era completa facilmente), havia as figuras carimbadas que davam prêmios e Dadinho era quem controlava, segundo Carlito do Bicho descobriu. Com aquela voz anasalada Carlito chiou:
-  Dadinho você é phoda! (usando o PH de farmácia para disfarçar), um verdadeiro Amigo da Onça. Eu já comprei centenas de envelopes e você nunca liberou um presente pra mim. Como eu estava presente ganhei um dominó!
Das coleções particulares, Júlia, prima de Lêda gostava de chaveiros. Eu mesmo arrumei alguns. Era uma boa coleção.
Da Cachoeira daqueles tempos, a coleção mais famosa a de bonecas internacionais  era da hoje advogada Sônia Lôbo, filha do saudoso casal Manoel da Silva Lôbo e dona Piedade.
Por fim, eu próprio estive envolvido na compra de cartões telefônicos. Posso dezenas deles guardados em caixas de sapatos. Com essa geração de celulares, poucos sabem o que são os cartões telefônicos.





 
FUTEBOL CACHOEIRANO

O ESTÁDIO 25 DE JUNHO
 JÁ FALAMOS, aqui, de quando o futebol foi implantado na Cachoeira, minha terra natal, cujo campo de jogo era na Praça Maciel, depois no campinho da Avenida Ubaldino de Assis, inaugurado em 19 de junho de 1938, e, finalmente, no local conhecido como Calabar, graças aos esforços do esportista Antonio Costa, Toninho Yuistrick, inaugurado em o dia 15 de novembro de 1965, com a realização do jogo entre o Galícia da capital e o selecionado cachoeirano, campeão intermunicipal de 1968 e bicampeão no ano seguinte. Toninho era rubro negro, torcedor do Flamengo, mas, na sua terra natal, foi goleiro do Fluminense, depois seu presidente, daí o estádio passou a chamar-se de estádio do Fluminense.
A idéia da realização do torneio intermunicipal de futebol amador, que foi a de revelar novos valores tornou-se, por conta do bairrismo verdadeiras "guerras" entre as cidades onde se disputavam os jogos. A Federação Bahiana, então, decidiu que, os jogos só seriam programados em cidades onde tivessem alambrados. Cachoeira não tinha. Perderia, então, o chamado "mando de campo" Foi então que foi eleito presidente da Liga o deputado Raimundo Rocha Pires, - Pirinho -, para suceder o vereador Francisco Alves da Silva, o Chico da Padaria, que estava de mudança para a capital,
 Pirinho era uma pessoa muito dinâmica e com um poder fora do comum para fazer amigos.  O prefeito Julião Gomes dos Santos, (irmão de Poporrô) ofereceu o alambrado mas, mesmo assim, havia a necessidade de obras para aumentar as dimensões do campo, a construção de muros em toda a área de vizinhos ao estádio, a construção de um radier para sustentar o alambrado e dois lances de arquibancadas.
Pirinho tinha bons amigos e apareceram as ajudas espontâneas. Para a construção das arquibancadas, várias foram as doações obtidas por antigos ferroviários, destacando-se o velho goleiro do Cruzeiro Cachoeirano e do Real, Lourival Fracasso, a quem devemos o sucesso da construção.
Não tenho condições de nominar a tantos quanto ajudaram. Lembro-me de dois episódios engraçados: o primeiro, quando grande parte do alambrado já estava instalado pela equipe chefiada pelo guarda-linhas dos Correios, seu Astrogildo, Gildo Lobo comentou com o seu colega bancário Fernando Bastos que o alambrado não estava bem esticado. Astrogildo ia passando e ouviu. Na mesma hora meteu a mão e arrancou todo o alambrado reiniciando, no dia seguinte, o seu trabalho.
O outro caso também envolveu seu Astrogildo. Alguém falou com Pirinho que estava faltando zarcão. Pirinho mandou apanhar na loja de construção de Gottschal. Adolfo abriu uma conta que eu nem sei se foi perdoada, uma doação da sua parte.
Meninos, quando o portador chegou com a lata, Astrogildo que já havia percebido que estava faltando o zarcão foi apanhar um galão em sua. , e, quando viu a cena, girou a lata como se fosse um turíbulo  jogando-a no rio, quase atingindo o cais da vizinha cidade de São Félix!
Em uma das reuniões da Liga, apresentei a idéia de utilizarmos toda a área do muro que estava sendo construído para pintura de publicidade. Saímos, eu e Pirinho  e fizemos os primeiros contratos: Opalma, Loja 3 Américas, Opalma, Camurujipe e Pimentel.
A equipe de publicitários contou com os pintores Waldomiro Pequenininho, Miranda, Ciro e o locutor que vos fala. O resultado foi maravilhoso.
Então, amigos, coroando os esforços de muita gente sob a liderança de Pirinho, o estádio do Fluminense foi reinaugurado em o dia 12 de outubro de 1969 com o nome de Estádio 25 de Junho, com o jogo amistoso entre o Fluminense de Feira de Santana, campeão baiano e a seleção da Cachoeira, bicampeã do Intermunicipal, registrando-se um empate de dois a dois, marcando Bebeu e Antonivaldo Belisco para os cachoeiranos, Adilson e João Daniel para o Fluminense.
As duas equipes atuaram assim:
CACHOEIRA 
Caçulinha (Careca), Deca, Roque Minha Rola, Pavão (Sacramento),Balaio (Paiva), Tião, Judinho (Passarinho), Antonivaldo, Juracy, Mimiu e Bebeu.
FLUMINENSE
Renato, Ubaldo, Sapatão, Mario Braga, Nico, Merrinho, Delorme, Robertinho, João Daniel, Quincas, Marco e China (Pinheirinho).



sexta-feira, 4 de julho de 2014

NO DIA 23 de junho de 1935, o jornal cachoeirano O Social, trazia a manchete que encima esta matéria. Pela vez primeira, a Cidade Heróica, - cujo cenário vem sendo utilizado para tantos filmes e documentários-,  estava sendo filmada.
O prefeito da cidade era o doutor Durval de Miranda Motta (foto) que conseguiu do governo do estado a liberação de parte dos custos para a realização das filmagens "não somente dos panoramas da cidade que os temos admiráveis mas, também, tudo que se relacione com o glorioso passado desta terra legendária e heróica".  Vemos, portanto, que o acervo arquitetônico não havia sofrido os danos irreparáveis do presente.
E segue a matéria em apreço: "a Cachoeira há de se tornar, por certo, a cidade desejada pelos turistas, pelos que admiram as tradições, pelos que amam a história dos nossos antepassados, os lances de heroísmo da nossa gente brava".
A empresa contratada foi a Continental Film, cuja equipe técnica com a presença do próprio diretor-proprietário Eurico Oliveira ficaram hospedados na cidade enquanto duraram as filmagens.
Da referida película, há mais de 30 anos passados, consegui do saudoso amigo Telmo, proprietário do Cine Real, alguns fotogramas, que ilustram este artigo.  O filme já estava estragado dentro de uma lata enferrujada! Não temos notícia de haver alguma outra cópia.





 COMENTANDO
O QUADRO DE PARREIRAS
O pintor Antônio Parreiras
Governava o estado da Bahia o doutor Vital Henrique Batista Soares quando foi contratado o renomado pintor  Antônio Diogo da Silva Parreiras (1860-1937) a fim de retratar "O primeiro passo para a Independência da Bahia".
A tela em apreço, que relembra o ato heróico da resistência dos cachoeiranos de antanho às tropas lusitanas, encontra-se no acervo do Palácio Rio Branco, na capital do estado.
O notável pintor nitoriense (RJ), munido de documentos históricos, hospedou-se na Cachoeira, no próprio cenário onde se desenrolaram os acontecimentos, valendo-se, também, de apontamentos do "Livro de Aforamento do Convento do Carmo", produzindo mais de quarenta desenhos e croquis, recriando personagens e dando o devido tratamento pictórico.

No dia 10 de novembro de 1928, sendo prefeito municipal da Cachoeira o coronel Cândido Cunegundes Barreto contratou Parreiras pela quantia de cinquenta contos de reis (padrão monetário da época), dizendo que, "a Cachoeira não poderia deixar de possuir tão magistral trabalho artístico".(foto)
A concepção artística é maravilhosa. Com um simples golpe de vista observa-se toda a dramaticidade de uma cena ricamente movimentada, fixando-se, naturalmente, na figura do tambor-mor Manoel da Silva Soledade. 
A cerimônia da inauguração da tela que permanece em a sala das sessões da edilidade cachoeirana se deu em a tarde do dia 25 de junho de 1931, há 83 anos passados, em solenidade presidida pelo prefeito Dr.Cândido Elpídio Vacarezza tendo em vista que o titular, Cunegundes Barreto havia falecido no dia 20 de março do referido ano.


 
 
História

NO DIA oito de junho de 1754, há 260 anos volvidos, portanto,D.João VI destinava a importância de oito mil cruzados (padrão monetário da época) destinados à construção do altar-mor da capela de N.S.do Rosário,atual matriz da cidade da Cachoeira,na Bahia.
 
Curiosidades da Bíblia 
Himeneu e Alexandre, foram dois contemporâneos a quem o apóstolo Paulo entregou para Satanás castigá-los. Está na chamata Primeira Timóteo, versículo vinte. 
  
DICARIO 
Quem é que não ficou em dúvida quando empregar o A ou o ? 
Examine a frase seguinte: acredito que a seleção brasileira chegará às finais daqui A ou uma semana ? 
Quando escrevemos HÁ, estamos nos referindo ao Verbo Haver, e que só pode ser usado quando já aconteceu, a um tempo transcorrido. Exemplo:
Há quantos dias não atualizamos esta página, não é verdade?
Em se tratando de uma coisa que vai acontecer, quando o tempo for o futuro, o correto é escrever a preposição A.  Exemplo:
O campeonato brasileiro retornará daqui a quinze dias.
 Quando a idéia for de distância, usa-se, também, a preposição A.  Exemplo:
Residimos a uns trinta quilômetros do Maracanã.
Não esqueça: (tempo passado),  A (tempo futuro).