sexta-feira, 25 de julho de 2014

CAUSOS'” VERÍDICOS
O passeio de recreio a Itaparica
A CACHOEIRA, foi, nos meus tempos, a mais festeira das cidades da Bahia. Festejavam-se um vasto calendário interno e, também, nas terras dos outros. Eram os bons tempos das fábricas de charutos, quando "doto mundo trabalhava, trabalho humilde mas era trabalho" conforme cantou o doutor Clodomir Soares, o Dikal.
Eram raros os chamados "passeios de recreio" ferroviários para Feira de Santana, São Gonçalo ou  Cruz das Almas, por exemplo, enquanto os fluviais, sobretudo os promovidos pela filarmônica Minerva eram realizados todos os anos para localidades como Salinas das Margaridas, S.Roque, Maragojipe, Madre de Deus e Itaparica. 
Em Maragojipe, nas festas de São Bartolomeu, acontecia uma coisa que eu jamais vi em cidade alguma: a hospitalidade do povo maragojipano. Assim que o vapor Paraguaçu atracava na ponte de desembarque da Navegação Bahiana, os cachoeiranos eram convidados insistentemente para almoçarem em suas casas, enquanto a diretoria e os músicos da filarmônica eram recepcionados pela Terpsícore local na pessoa do seu presidente, Paranhos. E só pra encher a boca de água de vocês, os pratos servidos invariavelmente eram camarões, camarões pistola, como aquelas moquecas do restaurante do Betuca quando eu ia visitar os saudosos amigos o violonista e compositor Didi da Bahiana e o poeta Osvaldo Sá, na sempre lembrada Terra das Palmeiras.  
 Lembro-me, ainda, de um passeio da Minerva para Itaparica. Quando lá chegamos, procurei logo conhecer os pontos principais da ilha, incluindo, claro, a fonte onde tomei in natura, a Água Mineral de Itaparica.
A praia propriamente dita era pequena e logo ficou cheia dos passeantes. Alguém me chamou a atenção para o sapateiro Bernardino, prateleiro da filarmônica. Ele, coitado, ao vestir o short, inadvertidamente utilizou a colhoneira como se fosse um suspensório, formando aquele papo no peito!
Também na praia, uma linda moça me chamou  atenção, estava conversando com um amigo. Leopoldo era o seu nome, nome fictício, claro.
Por volta das duas da tarde, Leopoldo, cujo nome germânico significa"ousado em favor do povo",estava sendo ousado em proveito próprio e não sei como não foi preso por atentado ao pudor: carícias avançadas e beijos hollywoodianos com língua e tudo!
Ao encontrá-lo na rua, no dia seguinte, quis saber dele se o romance iria acabar em casório e ele me esclareceu:
- Seu Brito, você não sabe o que aconteceu; já ali na praia eu estava planejando dar uma escalifada boa na volta, aproveitando um canto escuro do vapor. E não deu outra. Quando o navio atracou eu perguntei pra ela:

-  Marlene, como faço pra lhe encontrar você mais tarde, amor ? 
E ela tranquila:
-  Naquela casa que tem a luz vermelha na porta, junto a casa de Gaguinha!
Foi aí, galera, que a ficha caiu, e o pobre Leopoldo enfim compreendeu que estava quebrando podre, e. sobretudo   porque Osvaldo Caruru e Poporrô, dois dos mais assíduos frequentadores do brega cachoeirano passavam por ele e não escondiam o sorriso.



 

 
 

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