sexta-feira, 18 de julho de 2014

COMENTANDO

A FeliCopa
 TODO O MUNDO já falou, todo mundo já escreveu sobre a Copa do Mundo a "Felicopa" realizada no Brasil. De nossa parte começamos a fazer anotações acerca dos jogos envolvendo o selecionado brasileiro embalados nas declarações da Comissão Técnica de que "estávamos com uma mão na taça" e as reportagens e entrevistas ufanistas com destaque para o Galvão Bueno. Aha! Uhu ! No fundo,eu era um torcedor cauteloso.
Esperei ansioso a abertura da competição e eu não gostei. O tal padrão FIFA foi contratar um coreógrafo belga e um diretor italiano!!!  Foi tão fraca como a partida de abertura em que o juiz deu uma moral marcando um penalti em Fred que só ele viu. Resultado: Brasil 3, Croácia 1.
Da referida abertura ainda ecoa a vaia dada na presidente Dilma. A vaia é uma forma legítima de se protestar mas, o xingamento com palavras de baixo calão atenta contra os padrões de educação e respeito para com a mais alta autoridade do país.
O jogo entre brasileiros e mexicanos só não foi pior do que Irã e Nigéria e o resultado só poderia ser aquele: zero a zero!
Realmente o goleiro mexicano pegou tudo, ninguém contava com a astúcia dele que veio com a camisa predileta do Zagallo: 13 !
Quem acabou marcando um golaço foi a Polícia Federal que prendeu no Galeão o traficante mexicano José Rojas, procurado pela Interpol.
A partida considerada a mais fácil da fase classificatória era contra Camarões mas, mesmo assim, o nosso meio da campo continuava sem funcionar, as armações das jogadas se resumiam as chutões da defesa. E Fred, de bigode, marcou o seu único gol. Dava pra todo o mundo ver que a seleção dependia do talento do Neymar. E quando não se pudesse contar com ele? A Copa já vinha desmistificando  ídolos como o Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo, que marcou um golzinho só, assim mesmo quando Portugal já estava arrumando as malas de volta. Balotelli, o ídolo italiano também não veio para a Copa, idem,idem para os então campeões espanhois. 
Os uruguaios marcaram presença com o seu Vampiro de Montevideu, o centravante Suárez que imitou um pitbull mordendo um defensor italiano que, não obstante o haver perdoado, foi punido severamente pela FIFA.
Brasil e Chile era a partida que Felipão e sua Comitiva mais temia, então, com tamanha insegurança, o time todo jogou mal, os chutões da defesa ligando ao inoperante ataque e a gente pensando: como é que um time pode jogar sem um armador, um homem de criação? O Cruzeiro Cachoeirano que, filiado à Liga Sanfelixta de Futebol ganhou vários campeonatos, tinha Didi Zoião e dois pontas velozes,Geraldino e Vaduca e centravante Binoca.
Lembrei-me das transmissões da Radiovox de Muritiba na voz de Eulivaldo Cunha, reportagens de Raimundo Melo e comentários de Erivaldo Brito (depois Zé Domingos) quando a gente falava da excelência do meio de campo do selecionado de futebol cachoeirano: Mario Codorna, Badaró, Zé Melo, Chico, Mimiu, Bruno...
1- Didi Zoião   2- Mario Codorna   3- Badaró    4- Zé Melo  5 -Chico    6-Mimiu    7 Bruno

Voltando ao jogo: o Chile deu um banho, dominou o jogo todo e um 1 a 1 ficou de graça, sobretudo quando aquela bola no finalzinho da prorrogação bateu na trave. Em se considerando o que estava por vir, antes tivesse sido gol!
E fomos para os penaltis. Como a gente diz aí na Bahia, com o coração na boca e o forever na mão: haaaaaaaja coração !
Enquanto os jogadores canarinhos oravam, outros não controlavam as emoções e choravam copiosamente, e o goleiro Júlio César teve seu dia de herói defendendo dois e um, para variar, bateu na trave!
 A partida com a Colômbia era tida com a mais fácil e nós ganhamos apertado com aquele golaço de falta marcado pelo zagueiro David Luiz. O que nenhum torcedor brasileiro jamais irá esquecer foi aquela criminosa entrada pelas costas do troglodita colombiano Zúñiga no menino Neymar. O que todo mundo temia aconteceu: Neymar fora da Copa! E poderia ter sido pior. Ah! lembraram-se de que havia acontecido com Pelé e surgiu o Amarildo. É...mas naqueles tempos tínhamos Garrincha, Vava, Zagalo, Didi, Zito, Nilton Santos...
A próxima partida era a quartas de final e o adversário a Alemanha e não tínhamos o Neymar. Felipão fez mistério e armou um time que foi pra cima dos germânicos. Em menos de meia hora Júlio César levou cinco gols e, depois, mais dois, tornando-se o goleiro mais vazado da Copa. Não levou uma medalha porque não existe tal premiação. Alemanha 7, Brasil 1 !  Apesar da humilhação, as piadas correram soltas na rede.
No dia seguinte o Rio não amanheceu cantando. Acordou triste, perplexo, triste e humilhado, tendo de suportar as gozações dos hermanos argentino, raça de gente chata, futebolísticamente falando.
Sou testemunha ocular de um ato radical mas perfeitamente  compreensível devido a raiva dos torcedores; dezenas de camisas amarelas foram jogadas no lixo !   Bem melhor do que atos de vandalismo, não é verdade?
Os alemães se foram muito bem aí na Bahia, o que não é novidade para o pessoal da minha geração. Empresários alemães movimentavam a economia de toda a região, notadamente São Félix e Cachoeira até pouco tempo depois da Segunda Guerra Mundial e eles e seus familiares foram taxados de "Quinta Colunas".
No Brasil, Plínio Salgado fundou o Integralismo, alinhado à Alemanha e países do Eixo, e, na Cachoeira, o chefe do partido era o cidadão Joaquim Falcão. Os integrantes do partido usavam uniformes verdes e passaram a serem chamados de "galinhas verdes"
Falcão era tão fanático que podia ser confundido com um louco. O saudoso amigo Francisco José de Mello, em seu livro Crônicas Memoriais lembrou que, ele, Joaquim Falcão, dizia pra todo o mundo que, "se a Alemanha dominasse o mundo, ele iria lavar as mãos no sangue dos cachoeiranos que eram contra".
Segundo Chiquinho no seu livro citado acima, "o mais curioso é que esse cidadão de idéias tão sanguinárias, assistia missa, confessava e comungava todos os dias".
Ao término da Guerra, no dia 8 de maio de 1945, um grupo liderado pelo estivador Manoel Casaca Vermelha foi até a Pitanga, local onde morava Falcão mas não o encontrou em casa, avisado que foi pelo seu empregado Sebastião. Quebraram a casa toda, assim como, segundo relatos que eu ouvi quando menino lá em casa, jogaram dois pianos do Clube Alemão no rio paraguaçu.
Vida que segue. Vamos disputar o terceiro lugar e tentar apagar a inesquecível derrota de sete a um. Quem sabe não foi apenas um pequeno acidente de percurso, o chamado "apagão de seis minutos" que Felipão falou?  Mas,meus amigos, a Holanda deitou e rolou; 3 a 0 !
Claro que, lá em casa, torcemos todos para a Argentina não ganhar. Ninguém iria aguentar los hermanos chuetando, cartando, botando zoação com a gente.
Para finalizar, uma das melhores piadas que eu li na Internet sobre a seleção brasileira foi a que segue:
"Eu era mais feliz quando Bernard, Dante eWilliam era jogadores de vôlei; Oscar,de basquete,Luiz Gustavo era ator, Jô entrevistador, Hulk, super-herói e Fred era Flinstone".
Acreditem: Eu também!



 

 








 

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