sexta-feira, 11 de julho de 2014

 MEMÓRIA
É inerente ao ser humano colecionar coisas,por vezes inusitadas e bizarras. O meu amigo Alberto Antar, Beto, gostava de se gabar do número de namoradas que havia conquistado. Por onde anda o amigo Beto Antar?
 Colecionar figurinhas e de jogadores de futebol, por exemplo, é um fenômeno cíclico, ocorre nas Copas do Mundo. Este ano aqui no Rio não foi diferente. Li que a previsão da Editora foi a de mais de 8 milhões e meio saíram às compras dos envelopes contendo cada cinco figurinhas ao preço de um real.
Para completar as 80 páginas do album, eram necessários 649 cromos mas, o diabo são as duplicatas. Observamos, então, uma verdadeira multidão de marmanjos na Uruguaiana na operação troca-troca de figurinhas atrapalhando o fluxo dos pedestres e dos que desejavam pegar o metrô. Dezenas de cambistas com bolos enormes de duplicatas e um deles vendo álbuns de Copas passadas, completos, pelo valor de 26 mil reais! 
A minha irmã de criação. Luizinha, possuía o album Hollandeza. Não lembro se estava completo. Quanto valeria hoje?
 Os primeiros cromos que caíram no gosto popular em todo o Brasil foram as Estampas Eucalol que vinham acompanhando o sabonete do mesmo nome.
 As referidas estampas duraram um bom tempo e o distribuidor era a Farmácia Régis, no tempo em que Farmácia era escrito com "PH".
A minha tia, Odete Loureiro Brito, Tia Nem,(foto) trabalhava na Farmácia Régis, então, por seu intermédio, consegui conhecer algumas estampas. 
Ainda quando eu era menino apareceram as Balas Seleções e as figuras colecionáveis vinham acompanhadas de um caramelo insosso, açúcar puro! 
Homens, mulheres, velhos e moços, todo o mundo na Cachoeira passou a colecionar as Balas Seleções que eram vendidas no Bar 7 Portas.
Os garotos não estavam preocupados em colar as figurinhas, a gente brincava de "tatá", um jogo em que exigia uma certa habilidade, uma certa técnica ao bater no bolo de figurinhas com a mão em forma de concha. As figuras que se encontravam viradas de cabeça pra baixo teriam de ser reviradas com um único golpe para pertencer ao batedor.
A tal Balas Seleções deixou muita gente na mão, inclusive o meu pai porque ninguém conseguiu encontrar a Ave do Paraíso (foto).
Lembro-me das Balas Leão do Norte vendidas no Armazém do major Ursecino Primitivo dos Santos. A Leão do Norte eram miniaturas do dinheiro da época, existia uma tabela de troca e a garotada não queria saber de juntar para fazer jus a um prêmio maior,quem sabe. O filhos de seu Ursecino, Souza, Toninho e Bebé ficavam doidos com as constantes trocas da balas por caixas de passas, petecas,  bolas de borracha etc. 
Embora não houvesse duplicata, os valores menores eram uma constante, de sorte que, juntar para trocar por um ventilador ou uma máquina de costura era quase impossível para a turma que queria resultados imediatos.
 Quando Dadinho abriu o Bar O Sucesso, ele foi o representante de um album (distribuído gratuitamente) e de figuras em policromia maravilhosa: animais, aves, plantas etc. Embora não tivessem figurinhas difíceis (a coleção era completa facilmente), havia as figuras carimbadas que davam prêmios e Dadinho era quem controlava, segundo Carlito do Bicho descobriu. Com aquela voz anasalada Carlito chiou:
-  Dadinho você é phoda! (usando o PH de farmácia para disfarçar), um verdadeiro Amigo da Onça. Eu já comprei centenas de envelopes e você nunca liberou um presente pra mim. Como eu estava presente ganhei um dominó!
Das coleções particulares, Júlia, prima de Lêda gostava de chaveiros. Eu mesmo arrumei alguns. Era uma boa coleção.
Da Cachoeira daqueles tempos, a coleção mais famosa a de bonecas internacionais  era da hoje advogada Sônia Lôbo, filha do saudoso casal Manoel da Silva Lôbo e dona Piedade.
Por fim, eu próprio estive envolvido na compra de cartões telefônicos. Posso dezenas deles guardados em caixas de sapatos. Com essa geração de celulares, poucos sabem o que são os cartões telefônicos.





 

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