sexta-feira, 22 de agosto de 2014

NÓS,OS BAIANOS, fomos formados basicamente de três grupos étnicos: os índios, os colonizadores europeus e dos africanos. Essa mistura que os letrados chamam de miscigenação, fez com que os baianos sejam receptivos, alegres, musicais ("O baiano não nasce, estréia"), enfim, malemolêntes, faceta que é exageradamente dimensionada fora do estado.
A calma, a tranquilidade, a preguiça fazem parte da personalidade dos baianos e a explicação vêm sobretudo das questões climáticas. Já pensaram o sujeito "bater" uma feijoada completíssima, uma maniçoba, uma moqueca de camarão ou petitinga (aqui chamada de manjubinha), um mocotó, um caldo de sururu (uma espécie de mexilhão) e enfrentar em qualquer época do ano aquele sol de quase dezembro? Pois é! Pois é! Pois é!
Dois dos grandes escritores baianos, Jorge Amado (1912-2001) e Adonias Filho(1915-1990), com o fulgor das suas inteligências, juntaram em suas obras a ficção, a história e a literatura, esmiuçando as diferenças étnicas que acabaram por influenciar o modo de ser e a cultura nos nascidos na Boa Terra.
Quando eu ainda morava em Muritiba, na Vila Residencial, quando existia alguma folga no orçamento familiar, a minha saudoso esposa, Luiza, gostava de "ir às compras" na cidade de Feira de Santana. Então, certo dia, saímos eu, Lulu, meu filho caçula Brito Filho (Tinho) e a professora dele, Vaninha, no carro de Zelito, motorista da praça.
Quando da nossa chegada o destino era invariavelmente o Calçadão, onde ficava um agrande loja de produtos para artesanato em geral. Lulu adorava ver as novidades em matéria de decoração, mesas para eventos diversos, cartões em vegetal, forminhas, um mundo de coisas.
Frente à loja, - lembro-me bem -, tinha uma barraca onde se vendiam pastéis. Os Britos não resistem aos pastéis. A dona Luiza se aproveitava para dar o recado:
- É muito bom que vocês forrem a barriga pra ninguém dar pressa de voltar!
 E o tempo foi passando...passando... Para o Tinho, conforme disse o poeta, era "um longo, frio e tenebroso inverno" e não demorou de ele reclamar:
- Vambora, mãenha ! Quero ir pra casa!
E ela:
Vamos dar um pulinho no mercado, prometo que não vamos demorar. Em lá chegando compramos biju de coco, tapioca, farinha e  requeijão. Demos uma entradinha para visitar um box logo na porta de entrada. O proprietário estava refestelado em sua espreguiçadeira e se comportou como se não estivesse entrando ninguém. E o Tinho reclamando:
- Vambora, mãenha!
Lulu, então, interessou-se por uma cestinha de palha. Levantando-a perguntou ao dono do box:
- Freguês, quanto é que custa?
E ele que estava cochilando, abriu os olhos e disse com aquela fala arrastada:
- É sete !
Para acelerar o processo, apanhei um cédula de dez reais e ele recusou a receber dizendo:
- É sete!
E Lulu arrematou:
- Eita preguiça sanfranciscana !
Ainda bem que eu tinha trocado no bolso porque, com certeza, o nosso amigo não se levantaria daquela cadeira de jeito nenhum pra passar o troco. Preferia não vender.
 
 
COMENTANDO
Começou a corrida eleitoral

Começou na terça-feira a campanha eleitoral na televisão e vai durar 45 dias do que os especialistas chamam de "redução drástica de audiência".
Eu, particularmente, gosto de assistir aos debates quando deixo de lado as promessas que não serão cumpridas e me atenho às baixarias, às denúncias porque contêm, sempre, alguma coisa de verdadeira, conforme ouvi certa feita o prefeito da Cachoeira Francisco Andrade de Carvalho,(Francino) dizer: "quando o sujeito não tem rabo (defeito), a gente bota!"
No ano de 1989 eu estava morando ainda na Bahia, dirigia o jornal cachoeirano A Ordem.  Acabei sendo surpreendido com a vitória do alagoano Fernando Collor, o "Caçador de Marajás", um cabra absolutamente desconhecido do cenário político nacional mas, pela primeira vez soube se aproveitar, - e bem -, da propaganda nas emissoras de rádio e televisão.
 Nas eleições seguintes, morando no Rio, estava assumindo a diretoria comercial e de programação da Rádio Boas Novas e tive enorme trabalho porque não podia falhar de jeito nenhum nas inserções e no programa eleitoral por causa das pesadas multas, enquanto o TRE marcava de perto.
Por enquanto, amigos, segundo comentários que leio nos jornais, a campanha está morna, inclusive por conta do faustoso desastre que vitimou o então candidato Eduardo Campos e e homologação da candidata messiânica Marina Silva, subindo vertiginosamente na pesquisa realizada. Não se sabe até quanto irá.
O eleitorado brasileiro é levado pela emoção, adora tragédia. Eu era menino quando o candidato ao governo da Bahia o engenheiro Lauro Farani Pedreira de Freitas faleceu num desastre às vésperas das eleições. Anos depois, Clériston Andrade, também às vésperas do pleito, veio a falecer num desastre aéreo.  O substituto de Lauro Farani (Régis Pacheco) e de Clériston Andrade (João Durval) venceram a eleição.
A doutora Dilma, não obstante o tempo bem maior que terá na televisão, em se confirmando a tendência atual, terá de se acostumar com um segundo turno não obstante contar com o apoio do maior cabo eleitoral do país: Lula!
A oposição tem munição pesada com base em velhos e novos escândalos cujos efeitos no seio do pessoal beneficiado pela Bolsa Família é praticamente nulo.
Tenho o pressentimento que vão firme é na Marina, sobretudo se a sua posição se consolidar, se tudo não passar de um momento de comoção.
Também acredito que, num futuro próximo, tal ímpeto propagandístico atual está com os dias contados porque os canais a cabo já atingem a grande parte da população, com planos mais acessíveis que visam combater o "gatonet".
O que, então,modestamente percebemos? Que a propaganda política através das chamadas redes sociais vai ganhar o espaço e eu torço pra que isso aconteça, para que tal tendência se confirme. Por quê? Pelo simples fato de que haverá uma redução do poder dos partidos safados de venderem seus minutos a peso de ouro, negociarem nomeações e verbas para instituições filantrópicas e ONGs familiares. Por falar em ONGs, cujo significado é "Organizações Não Governamentais, no Brasil só funcionam se estiverem mamando nas tetas da Viúva.
Nas futuras campanhas via redes sociais o debate midiático será entre os "chapas brancas" (a fvor do governo" e o"os contra". Aguardem.

 





 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

TEMOS CONTADO AQUI, vários "causos" inéditos com uma natural dificuldade, porquanto é-me compreensivelmente impossível lembrar não haver escrito ao longo de tantos anos atuando na imprensa da minha terra.
Hoje vamos relembrar Rodrigão (nome fictício,naturalmente), um querido funcionário da Rede Ferroviária em São Félix, na Bahia. Amante do futebol, Rodrigão fazia parte da diretoria da Liga Esportiva e, quando em vez, apitava os jogos mais complicados do campeonato.
Quando estava com seus cinquenta e tantos anos ele ficou viúvo. Nessa idade, - posso garantir aos senhores -, o homem torna-se "invisível" para as mulheres, sobretudo para os olhares femininos da faixa etária que vai dos dezoito aos trinta e poucos anos. Hoje então, com os modernos celulares, wi-fi... 
Conversando com antigos colegas e pessoal da sua idade, Rodrigão se gabava de que ainda levantava, que ainda tinha ereção sobretudo para jovens. Ele sentia mais atração por menininhas e justificava-se:
- Colega, como diz um velho adágio, "pra burro velho, capim novo! 
Então, galera, Rodrigão interessou-se por uma moça da cidade, uma linda e gostosa morena. Aproximou-se dela, encheu-a de elogios e presente, e, ela como mulher...gostou!
Meu amigo, você sabe o que é ter um amor, ter loucura por uma mulher e depois encontrar esse amor nos braços de um tipo qualquer? Como tinha nervos de aço Rodrigão partiu para decidir de vez. Mas...conforme dizia a canção, Rodrigão caiu na real quando a morenaça apareceu de namorado, um rapaz da idade dela. Rodrigão sobrou na Curva do Açúcar. Fecham-se as cortinas.
Carpindo a sua dor sozinho, Rodrigão comprou um bilhete e fói ao cinema assistir a um show com Waldick Soriano. O artista que explorava o estilo brega, começou a desfilar seus grandes sucessos:
- Você jamais saberá,querida / A falta que você me faz...
   Eu não sou cachorro não / Para viver assim tão humilhado...
   Esta noite, eu queria que o mundo acabasse...
   Justiça de Deus / Justiça de Deus / Quem buscava é o coração que estão morrendo !
Envolvido totalmente pelas músicas românticas, Rodrigão acabou chamando a atenção geral porque começou a chorar convulsivamente. Você acha que iria aparecer alguém para se apiedar do pobre coitado? A maldade nessa gente é uma arte!  O ocorrido passou a ser o comentário para risos em geral e o nosso Rodrigão recebeu a alcunha de "Justiça de Deus".
Passaram-se os anos, Rodrigão faleceu levando consigo o apelido? Engano. Certa manhã, numa procissão de Nossa Senhora da Boa Morte, um dos filhos dele estava na janela juntamente com a esposa e duas filhas quando um gaiato, no tom da marcha que a Minerva executava o dobrado cantou:
- Justiça de Deus !
E ele sem perder o compasso:
- B#c+ta da mãe !
Deu trela,amigo, o apelido colou.
 
  
 
Memória trágica de agosto    

AGOSTO, o oitavo mês do nosso calendário, coincidentemente (ou não), vem se consolidando na história política do nosso país, porquanto vem sendo marcado por tragédias que causaram grande comoção nacional. A última, conforme todos sabemos, quis o destino ceifar o presidenciável Eduardo Campos,(foto) tragicamente vitimado por um acidente aéreo, na manhã do dia 13, exatamente no mesmo dia em que faleceu o seu avô Miguel Arraes(foto) no ano de 2005.
No próximo dia 24, completam-se 60 anos em que o então presidente Getúlio Vargas  se matou com um tiro no coração. Foi a maior comoção nacional. Eu era menino, morava num sobrado nas vizinhanças da fábrica de cigarrilhas e charutos Leitalves
 Guardo ainda na memória a histeria das charuteiras da fábrica, uma gritaria alucinante, angustiante, inesquecível.
No dia 25 de agosto de 1961 eu estava aqui no Rio com os saudosos amigos e companheiros de Os Tincoãs, Heraldo e Dadinho, quando o senhor presidente Jânio Quadros (foto),renunciou à Presidência devido ao que S.Exª chamou de "forças ocultas"! 
Já contei em outra oportunidade do quebra-quebra, a arruaça, o tumulto que assistimos apavorados na Cinelândia como testemunhas oculares da história.
Hoje sabemos que o Jânio deveria estar "mamado" ao executar o seu plano de retornar com o apôio popular, ou seja, um golpe branco. Se ferrou!
Finalmente, no dia 22 de agosto de 1976, o ex-presidente Juscelino Kubitschek (foto) estava indo para São Paulo quando, no quilômetro 165 o seu Opala ultrapassou a murada e bateu de frente num caminhão. JK terve morte instantânea.
O fato, amigos,é que, Getúlio, Jânio, Juscelino, Arraes,e, agora, Eduardo Campos, saíram de cena em agosto.  


 

 
PROFECIA

Fala, grande Ruy !

Em 1920, Ruy Barbosa, (foto) discursando aos jovens, diagnosticava o que seria o grande mal do nosso país. Volvidos 94, no Dia dos Advogados, vale reler um pequeno trecho:
"A falta de Justiça, Senhores,é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo o nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.  A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem, cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão...De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".
Dizer mais o quê, não é mesmo, galera?


POR ONDE ANDARÁ ?
O jornal cachoeirano A Ordem, em a sua edição de julho de 1988,nos fala de um jovem chamado Nelson Basílio da Fonseca, na ocasião com apenas 13 anos, aluno do Colégio Sacramentinas, que foi vencedor de um concurso internacional promovido pela TAP AIR PORTUGAL, cuja temática foi "A presença portuguesa no país onde vives". O prêmio era uma viagem para Lisboa com acompanhamento.
Alguém sabe do paradeiro daquele talentoso jovem cachoeirano?

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

NÃO SEI se ainda está vivo o ator londrino de filmes eróticos chamado Daniel Arthur Mead, cujo nome artístico era Long Dong, devido, naturalmente, ao tamanho descomunal da sua genitália. Segundo se comentava, a Cachoeira tinha o seu Long Dong, um funcionário de uma repartição, um sujeito muito sério e compenetrado que não dava brecha para qualquer tipo de intimidade até por motivos óbvios; era noivo e todo mundo começaria a pensar se a pobrezinha ao casar daria conta do recado.
Vamos chamá-lo pelo nome de Bráulio, tá certo? Vamos preservar a sua identidade, por tabela a da sua noiva e a sua própria memória pois já é falecido.
Bráulio era um funcionário zeloso em sua repartição e fora dela. Ninguém jamais o viu no meretrício, nem em bares, nem em roda de colegas ou amigos jogando conversa fora, mesmo porque o seu falar à modo do lutador Anderson Silva o inibia a ser loquaz, prosaico, conversador.
O outro personagem era um recém-vindo de Coqueiros ou Nagé, de "Marabaixo" com se dizia nos tempos  das canoas, dos saveiros e dos navios da Navegação Bahiana. Vamos preservá-lo, também, chamando-o de Pepsi, tá certo?
Ao contrário de Bráulio, Pepsi era galanteador;  se passava alguma moça ele dava "fifiiu", usava Glostora nos cabelos, tomava banho e perfumava-se com os produtos Regina, nas axilas usava o bom e tradicional Leite de Rosas, vestia calças do legítimo Brim Coringa, "aquele que não encolhe" e calçava as Alpargatas Roda.
Tinha por hábito chegar cedo ao cinema pois gostava de ficar de papo com uma das moças que trabalhava na bilheteria.
O último personagem deste "causo" chamava-se Gildo Barbosa, o saudoso Kiko Bubu. Foi o dito cujo que, certa noite, na porta do cinema, local onde se reunia um bando de gente e contou ter sido testemunha ocular de um fato surpreendente: era tardinha quando ele resolveu refrescar-se no banheiro do Caquende. Ao passar na porta do alambique de Edgar Rocha deu uma entradinha e tomou uma lapada "no peito da vaca" da cachaça chamada Tira Prosa, exatamente como gostava de fazer o operador do cinema, o grapiúna Adílson Januário do Nascimento. Esclareço: tem o sobrenome Januário mas não é parente do Rei do Baião.
Quando Kiko chegou o banheiro não tinha ninguém. Teve vontade de atender as suas necessidades fisiológicas e foi por trás de umas bananeiras.  Minutos depois chegava Bráulio. Sentiu-se à vontade porque poderia tirar a roupa e banhar-se sem olhares curiosos. Não demorou apareceu em cena o Pepsi que ao encontrar o Bráulio exibindo a pujança do seu félico descomunal não resistiu e, aproximando-se dele exclamou:
- Vixe meu Deus! Rapaz...que é que é isso?!
Kiko (lembra-se dele?) resolveu então ficar quietinho, escondidinho para ver o desfecho dos acontecimentos. Bráulio, coitado, sem reação, enquanto Pepsi sem qualquer cerimônia se desmanchava em elogios:
- Nunca vi coisa igual...
E partiu para um conselho:
- Você podia ganhar um dinheirão tirando fotos para revistas de sacanagem e fazendo filmes de putaria...
E partiu pra cima:
- Eu não sou viado, não, mas, esta peça merece ser acariciada e beijada!
Bráulio deu-lhe um empurrão, vestiu as calças e saiu. Kiko saía das bananeiras "para dar o flagra". Pepsi ficou cabisbaixo, previa a repercussão. E não deu outra: naquela noite, na porta do cinema, quando Pepsi apareceu Kiko bradou:
- Uma nova na praça, turma: surgiu um viado que estava encubado!
Pepsi sumiu por encanto, entrando no Night and Day e tomando a direção do Colombo sumiu no brega. Para sempre.
Se fosse hoje, Kiko poderia ser processado por homofobia e este "causo", com certeza, corria o risco de não ser publicado.



 

MEMÓRIA

A morte de um pioneiro remador da Cachoeira

Uma das primeiras modalidades esportivas praticadas na Cachoeira, como era de se esperar, foram as competições náuticas no estuário do rio Paraguaçu, advindo a criação da Associação Desportiva do Paraguaçu e uma geração de remadores como Caboclo Sala, Bebe da Oficina, Carlito Martfeld, Zeca Mascarenhas, Edi de Gegeu e Grinaldo Silva, dentre outros.
Grinaldo, mais conhecido como Nadinho Viramundo, era um entusiasta do remo, cuidando ele próprio das embarcações do clube. Funcionário da fábrica de caramelos Volga, em São Félix, ao aposentar-se tornou-se proprietário do antigo Bar de Urbano. A garotada da minha época não esquece os picolés fabricados por Nadinho.
Como amante do esporte, ele e a sua turma (Caboclo Sala, Alacrim, Julião Gomes e outros), pensaram em construir um capo de futebol numa ilha nas proximidades do farol. Prevaleceu, no entanto, a idéia de Torinho Yuistrick no aproveitamento da área do antigo Calabar.
Nadinho Viramundo morreu cedo,aos 63 anos de idade, vitimado por um infarto, em sua residência na rua Floriano Peixoto n° 17, no dia 17 de agosto de 1979, há 35 anos passados, portanto.

ANIVERSARIANTES DO MÊS 

VAMOS relembrar as datas natalícias de cidadãos dos mais ilustres nascidos na cidade baiana da Cachoeira neste mês de agosto.
Dia 1° - Elpídio Ferreira Tapiranga (1863)
Dotado de irresistível vocação sacerdotal, o ilustre cachoeirano matriculou-se no Seminário Arquiepiscopal da Bahia. Ao completar brilhant4mente o seu curso partiu para assumir o seu ministério em Fortaleza (CE). 
Ao retornar à Bahia, celebrou a sua primeira missa na sua terra natal na matriz de Nossa Senhora do Rosário no dia 23 de dezembro de 1886.
Orador de recursos inesgotáveis, o Monsenhor Tapiranga (foto) é considerado além de poeta, um dos mais notáveis oradores do clero baiano de todos os tempos.
Dia 7 - Alberto Moreira Rabello (1883)
Colou grau na Faculdade de Medicina da Bahia no ano de 1903,e, no ano seguinte, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela faculdade de direito da Bahia, no ano de 1921.
Alberto Rabello (foto), Além de político, era um verdadeiro cultor das letras deixando publicado vários trabalhos de sua lavra em A Tarde, Diário da Bahia e em A Ordem, semanário que circulava em sua terra natal.
O seu livro "Contos do Norte" editado aqui no Rio, mereceu destaque nacional, sobretudo da Academia Brasileira de Letras.
Era membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Academia de Letras da Bahia.
Dia 10 - Manoel Lopes de Carvalho Ramos (1865) 
Escritor e poeta, orador de largos recursos, formou-se em Direito na Faculdade do Recife (PE), como todos os seus contemporâneos que optaram pela ciência jurídica.
Ainda estudante, publicou o seu primeiro livro intitulado "Flores da Primavera", escrevendo, depois, segundo o seu biógrafo Pedro Celestino da Silva, o drama "Álvares de Azevedo".
Nomeado Juiz de Direito da capital de Goiás, publicou "Os Gênios", "Flores Poéticas" e um poema épico sobre o descobrimento de Goiânia (foto ao lado)
Dia 14 - Manoel Galdino de Assis (1812)
Gozava de enorme reputação em todo o estado devido ao seu inquestionável saber jurídico. Foi professor de latim, Vereador, presidente da Câmara, foi eleito deputado provincial em 1869.
Pela Ordem da Rosa galgou o posto de Comendador.
Provedor da Santa Casa de Misericórdia da Cachoeira, promoveu a reedificação do hospital, A sua foto encontra-se no salão nobre da referida instituição.
Dia 19 - Augusto Teixeira de Freitas (1816)
Nome aureolado e de elevada respeitabilidade nos meios jurídicos no Brasil e no Exterior. È o patrono dos advogados brasileiros.
Teixeira de Freitas (foto), consagrado como jurisconsulto, sua vultosa obra inspirou vários autores e o Código Civil da Argentina. 


 
 








 


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

CAUSOS” VERÍDICOS
Pedalando...Pedalando !
Sobe sobe sobe sobe na bicicletinha
Da uma empurradinha, da uma empurradinha
Pedalando pedalando que a bicicleta é minha
Da uma empurradinha, da uma empurradinha    
(Forró Sem Preconceito)

UMA DAS COISAS que eu reparei quando estive na minha cidade natal, foi não ter visto mais tantas bicicletas rodando quantas existiam  no meu tempo, onde funcionavam  duas agências para aluguéis; uma na praça Dr.Milton na subida da ladeira da cadeia, e a outra, na travessa Comendador Albino (mais conhecida como Bacia do Iguape), perto de onde foi o bar de Poporrô.
Os melhores clientes das tais agências eram os marmanjos da zona rural, e uns verdadeiros vândalos da periferia que davam freios de arrasto que deixavam marcas dos pneus no chão, que batiam propositadamente os pneus nos meios-fios e os raios e aros de aço não se alteravam! 
Eu aprendi a montar numa bike sozinho, no adro da igreja do Monte. Fazia apenas o básico, nada de soltar as duas mãos do guidão etc. Mesmo assim, certa feita. descendo a ladeira do hospital da Santa Casa numa bicicleta contrapedal a corrente se partiu e, não fosse uma poça d'água na praça Maciel, eu teria sido atropelado pelo carro do doutor Aurelino.
Quem dava verdadeiro show em cima de uma bicicleta era Jefferson, um garoto mimado, riquinho, criado pelo Dr.Lemos, promotor da  cidade. O seu local de exibição era na praça da Aclamação porque ele queria namorar Maria, filha da Oficial dona Naninha Mota.
 O diabo é que ele começou a chamar a atenção de uma amiga inseparável da sua pretendente e que tinha namorado mas eu já estava de olho porque comigo aconteceu  gostar da  namorada de um amigo meu como disse Roberto Carlos.
Num belo domingo, confiado não sei em que, parti para mostrar uma habilidade que eu tinha tinha; peguei uma cross e desci em disparada a Benjamin Constant, antiga ladeira da cadeia, na porta da Casa dos Velhos. Quando cheguei no largo da prefeitura fui fazer uma curva espetaculosa em direção ao Caquende, derrapei na areia e saí catando cavaco! Por pouco não quebrei a cara!
Eu tive uma bicicleta que comprei de segunda mão do meu amigo de infância Wilson Galo Doca, nos tempos em que eu trabalhava em A Brasileira, em São Félix. Antes de tomar café e ir trabalhar,costumava ir pelo Varre Estrada até a hoje submersa barragem de Bananeiras. Bons tempos!
A tenda de Tinga Alfaiate era um ponto de palestra diário para mim e outros amigos. Acontece que eu teria de ir até São Félix, no Banco Econômico. Dentre os presentes, lá estava o amigo Elias Paco-Paco. Dada a urgência pedia a sua bicicleta emprestada. A bichinha era um verdadeiro trio elétrico: buzinas, espelhos retrovisores, flâmulas, dínamo, faróis...Resumo: na porta do advogado Fortunato Dória, frente à igreja Presbiteriana resolvi voltar, empurrando. Elias me recebeu sorrindo:
- Britança, a minha bicicleta é dura de roer,é pra ferroviário!
E para encerrar esta crônica sobre bicicletas, em um dos meus livros eu conto um "causo" de um cidadão da sociedade local que diziam que estava recebendo bolas pelas costas da sua consorte. Sorte dela, claro.  Diziam que, quando alguém insinuava sobra a infidelidade dela, ele a defendia com unhas e dentes,dizendo que ela não era nenhuma vagaranha, ou seja, um neologismo formado pela junção de vagabunda e piranha, afinal só falavam dela por despeito com uma amigo do casal que também era casado. Mas, no fundo no fundo ele ia tirando vantagens. Certo dia ele pediu:
-Querida, fulano é tão bonzinho, será que você não consegue que ele compre uma bicicleta pra mim? Comprando a vista fica mais barato. Ele compra e eu vou pagando a ele como se fosse uma prestação.Você pedindo ele vai negar...
 Mal ele havia dito isso o carro do seu "sócio" parou na porta da casa, não dava mais para ele sair. A sua esposa foi atender tendo o cuidado de dar um sinal de que ele estava escondido em algum lugar na casa. Assim, avisado, o amante conseguiu se comportar. Lá adiante, quando o visitante vendo que não podia rolar saliência se despediu e ela fez o pedido:
- Sabe, fulano; meu marido está doido pra ter uma bicicleta. Ele me disse que comprando à vista fica muito mais barato e que você podia comprar que ele ía pagando mensalmente.
E ele já na porta da rua:
-  Claro que eu vou comprar, ele merece. Ele disse qual era a marca ?
E ela depois de breve reflexão:
- Huummm!  Não... ele não disse qual era a que ele queria.
- Será que foi Husqvama? Mercury? Mercswiss? 
Aí não deu para segurar, e o cabrão escondido imitando uma voz do Além gritou:
- È uma Caloi ! Uma Caloi! Caloi!




 



 


Vale a pena conferir !
MURITIBA – Resgatando Sua História – Nelson Brito
Um sentimento cicatrizante na ferida das raízes da história de Muritiba
Exposição - Aquarelas Muritibanas – Óleo sobre a tela -
Artista Plástico – Deonildo Del
Projeto – Nelson Brito...
Dia: Sexta, 8 de agosto das 08:00 às 12:00
Local: Estacionamento da Câmara Municipal de Muritiba (BA)
Venham participar
Telas: Castro Alves; Fonte dos Aguadeiros; Lavadeiras – Duas Maria; ; Espiar ; Nelson Brito; Poço da Roda; Praça Clementino Fraga; ; Rua das Flores; Rua Pedro Cortes e Terra, Mãe Água.