sexta-feira, 1 de agosto de 2014

CAUSOS” VERÍDICOS
Pedalando...Pedalando !
Sobe sobe sobe sobe na bicicletinha
Da uma empurradinha, da uma empurradinha
Pedalando pedalando que a bicicleta é minha
Da uma empurradinha, da uma empurradinha    
(Forró Sem Preconceito)

UMA DAS COISAS que eu reparei quando estive na minha cidade natal, foi não ter visto mais tantas bicicletas rodando quantas existiam  no meu tempo, onde funcionavam  duas agências para aluguéis; uma na praça Dr.Milton na subida da ladeira da cadeia, e a outra, na travessa Comendador Albino (mais conhecida como Bacia do Iguape), perto de onde foi o bar de Poporrô.
Os melhores clientes das tais agências eram os marmanjos da zona rural, e uns verdadeiros vândalos da periferia que davam freios de arrasto que deixavam marcas dos pneus no chão, que batiam propositadamente os pneus nos meios-fios e os raios e aros de aço não se alteravam! 
Eu aprendi a montar numa bike sozinho, no adro da igreja do Monte. Fazia apenas o básico, nada de soltar as duas mãos do guidão etc. Mesmo assim, certa feita. descendo a ladeira do hospital da Santa Casa numa bicicleta contrapedal a corrente se partiu e, não fosse uma poça d'água na praça Maciel, eu teria sido atropelado pelo carro do doutor Aurelino.
Quem dava verdadeiro show em cima de uma bicicleta era Jefferson, um garoto mimado, riquinho, criado pelo Dr.Lemos, promotor da  cidade. O seu local de exibição era na praça da Aclamação porque ele queria namorar Maria, filha da Oficial dona Naninha Mota.
 O diabo é que ele começou a chamar a atenção de uma amiga inseparável da sua pretendente e que tinha namorado mas eu já estava de olho porque comigo aconteceu  gostar da  namorada de um amigo meu como disse Roberto Carlos.
Num belo domingo, confiado não sei em que, parti para mostrar uma habilidade que eu tinha tinha; peguei uma cross e desci em disparada a Benjamin Constant, antiga ladeira da cadeia, na porta da Casa dos Velhos. Quando cheguei no largo da prefeitura fui fazer uma curva espetaculosa em direção ao Caquende, derrapei na areia e saí catando cavaco! Por pouco não quebrei a cara!
Eu tive uma bicicleta que comprei de segunda mão do meu amigo de infância Wilson Galo Doca, nos tempos em que eu trabalhava em A Brasileira, em São Félix. Antes de tomar café e ir trabalhar,costumava ir pelo Varre Estrada até a hoje submersa barragem de Bananeiras. Bons tempos!
A tenda de Tinga Alfaiate era um ponto de palestra diário para mim e outros amigos. Acontece que eu teria de ir até São Félix, no Banco Econômico. Dentre os presentes, lá estava o amigo Elias Paco-Paco. Dada a urgência pedia a sua bicicleta emprestada. A bichinha era um verdadeiro trio elétrico: buzinas, espelhos retrovisores, flâmulas, dínamo, faróis...Resumo: na porta do advogado Fortunato Dória, frente à igreja Presbiteriana resolvi voltar, empurrando. Elias me recebeu sorrindo:
- Britança, a minha bicicleta é dura de roer,é pra ferroviário!
E para encerrar esta crônica sobre bicicletas, em um dos meus livros eu conto um "causo" de um cidadão da sociedade local que diziam que estava recebendo bolas pelas costas da sua consorte. Sorte dela, claro.  Diziam que, quando alguém insinuava sobra a infidelidade dela, ele a defendia com unhas e dentes,dizendo que ela não era nenhuma vagaranha, ou seja, um neologismo formado pela junção de vagabunda e piranha, afinal só falavam dela por despeito com uma amigo do casal que também era casado. Mas, no fundo no fundo ele ia tirando vantagens. Certo dia ele pediu:
-Querida, fulano é tão bonzinho, será que você não consegue que ele compre uma bicicleta pra mim? Comprando a vista fica mais barato. Ele compra e eu vou pagando a ele como se fosse uma prestação.Você pedindo ele vai negar...
 Mal ele havia dito isso o carro do seu "sócio" parou na porta da casa, não dava mais para ele sair. A sua esposa foi atender tendo o cuidado de dar um sinal de que ele estava escondido em algum lugar na casa. Assim, avisado, o amante conseguiu se comportar. Lá adiante, quando o visitante vendo que não podia rolar saliência se despediu e ela fez o pedido:
- Sabe, fulano; meu marido está doido pra ter uma bicicleta. Ele me disse que comprando à vista fica muito mais barato e que você podia comprar que ele ía pagando mensalmente.
E ele já na porta da rua:
-  Claro que eu vou comprar, ele merece. Ele disse qual era a marca ?
E ela depois de breve reflexão:
- Huummm!  Não... ele não disse qual era a que ele queria.
- Será que foi Husqvama? Mercury? Mercswiss? 
Aí não deu para segurar, e o cabrão escondido imitando uma voz do Além gritou:
- È uma Caloi ! Uma Caloi! Caloi!




 



 


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