sexta-feira, 8 de agosto de 2014

NÃO SEI se ainda está vivo o ator londrino de filmes eróticos chamado Daniel Arthur Mead, cujo nome artístico era Long Dong, devido, naturalmente, ao tamanho descomunal da sua genitália. Segundo se comentava, a Cachoeira tinha o seu Long Dong, um funcionário de uma repartição, um sujeito muito sério e compenetrado que não dava brecha para qualquer tipo de intimidade até por motivos óbvios; era noivo e todo mundo começaria a pensar se a pobrezinha ao casar daria conta do recado.
Vamos chamá-lo pelo nome de Bráulio, tá certo? Vamos preservar a sua identidade, por tabela a da sua noiva e a sua própria memória pois já é falecido.
Bráulio era um funcionário zeloso em sua repartição e fora dela. Ninguém jamais o viu no meretrício, nem em bares, nem em roda de colegas ou amigos jogando conversa fora, mesmo porque o seu falar à modo do lutador Anderson Silva o inibia a ser loquaz, prosaico, conversador.
O outro personagem era um recém-vindo de Coqueiros ou Nagé, de "Marabaixo" com se dizia nos tempos  das canoas, dos saveiros e dos navios da Navegação Bahiana. Vamos preservá-lo, também, chamando-o de Pepsi, tá certo?
Ao contrário de Bráulio, Pepsi era galanteador;  se passava alguma moça ele dava "fifiiu", usava Glostora nos cabelos, tomava banho e perfumava-se com os produtos Regina, nas axilas usava o bom e tradicional Leite de Rosas, vestia calças do legítimo Brim Coringa, "aquele que não encolhe" e calçava as Alpargatas Roda.
Tinha por hábito chegar cedo ao cinema pois gostava de ficar de papo com uma das moças que trabalhava na bilheteria.
O último personagem deste "causo" chamava-se Gildo Barbosa, o saudoso Kiko Bubu. Foi o dito cujo que, certa noite, na porta do cinema, local onde se reunia um bando de gente e contou ter sido testemunha ocular de um fato surpreendente: era tardinha quando ele resolveu refrescar-se no banheiro do Caquende. Ao passar na porta do alambique de Edgar Rocha deu uma entradinha e tomou uma lapada "no peito da vaca" da cachaça chamada Tira Prosa, exatamente como gostava de fazer o operador do cinema, o grapiúna Adílson Januário do Nascimento. Esclareço: tem o sobrenome Januário mas não é parente do Rei do Baião.
Quando Kiko chegou o banheiro não tinha ninguém. Teve vontade de atender as suas necessidades fisiológicas e foi por trás de umas bananeiras.  Minutos depois chegava Bráulio. Sentiu-se à vontade porque poderia tirar a roupa e banhar-se sem olhares curiosos. Não demorou apareceu em cena o Pepsi que ao encontrar o Bráulio exibindo a pujança do seu félico descomunal não resistiu e, aproximando-se dele exclamou:
- Vixe meu Deus! Rapaz...que é que é isso?!
Kiko (lembra-se dele?) resolveu então ficar quietinho, escondidinho para ver o desfecho dos acontecimentos. Bráulio, coitado, sem reação, enquanto Pepsi sem qualquer cerimônia se desmanchava em elogios:
- Nunca vi coisa igual...
E partiu para um conselho:
- Você podia ganhar um dinheirão tirando fotos para revistas de sacanagem e fazendo filmes de putaria...
E partiu pra cima:
- Eu não sou viado, não, mas, esta peça merece ser acariciada e beijada!
Bráulio deu-lhe um empurrão, vestiu as calças e saiu. Kiko saía das bananeiras "para dar o flagra". Pepsi ficou cabisbaixo, previa a repercussão. E não deu outra: naquela noite, na porta do cinema, quando Pepsi apareceu Kiko bradou:
- Uma nova na praça, turma: surgiu um viado que estava encubado!
Pepsi sumiu por encanto, entrando no Night and Day e tomando a direção do Colombo sumiu no brega. Para sempre.
Se fosse hoje, Kiko poderia ser processado por homofobia e este "causo", com certeza, corria o risco de não ser publicado.



 

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