sexta-feira, 26 de setembro de 2014

FUTEBOL 

É penta! É penta! É penta!  

FAZIA um sol radiante naquela tarde de domingo de 4 de janeiro de 1976. O título do torneio intermunicipal de futebol amador seria disputado no Estádio 25 de Junho. Portanto, jogando em casa, com o apoio da sua ruidosa e entusiasmada torcida, notadamente a feminina  (foto), eram enormes as chances de a seleção local conquistar mais um título, o pentacampeonato, mesmo porque, a base vitoriosa de tantas conquistas havia sido preservada.
Quando a partida iniciou o estádio não cabia mais de gente. Cachoeira e Ibicaraí, os dois litigantes estavam cautelosos com alguns lances disputados de forma mais viril. Assim, logo aos 5 minutos, Melquíades, o perigoso atacante de Ibicaraí recebeu o cartão amarelo ao revidar um desarme do meia Bruno.
Aos 30 minutos da primeira fase, Binha avança pela esquerda e lança Toinho que, de calcanhar, serve a Dila (foto) que passa magistralmente para Bebeu soltar uma bomba de canhota e o goleiro Raminho de Ibicaraí só conseguiu ouvir o som da rede balançando: gol ! Gol da seleção cachoeirana!  Um a zero.
Os dois selecionados retornaram para a fase complementar sem qualquer alteração. Cachoeira parte pra cima querendo definir logo a partida. Aos 18 minutos, quando Bruno ia ser substituído por Almeida, Renan, um dos melhores jogadores ibicaraíense o atingia sem bola e, em consequencia, acabou expulso.
Como era de se esperar Cachoeira partiu para o ataque porém Ibicaraí  conseguiu equilibrar as ações. Aos 30 minutos, Melquíades, num rápido contra ataque, recebia uma bola de Beca e chutava de forma indefensável para o goleiro Acácio. Estava decretado o empate, uma verdadeira ducha de água fria.
Meus amigos, o mais incrível e inusitado iria ocorrer; aos quarenta e quatro  minutos e meio do final da partida, num lance idêntico ao anterior,Beca passava pra Melquíades que fez o segundo gol: Ibicaraí 2,Cachoeira 1
O estádio silenciou. Podia-se ouvir o ruído das águas do rio Paraguaçu batendo nas paredes do cais. A Charanga de Minerva parou de tocar. Torcedores começaram a descer das arquibancadas. As torcedoras começaram a chorar. O cenário era uma reedição da Copa de 50 no Maracanã.Não haveria mais tempo para nada !
É dada a saída e a bola passada para Almeida que arrisca um chute desesperado a longa distância e a bola vai se alinhar nas redes de Ibicaraí; estava decretado o empate, dois a dois! 
O estádio quase veio a baixo. Quem cria que tal coisa iria acontecer?  Teríamos, então, de realizar uma prorrogação de mais 30 minutos. Aos cinco minutos acontecia o primeiro lance de perigo, Dila (foto) um jogador de rara inteligência e habilidade, batia forte na bola e o goleiro Raminho defendeu parcialmente com a bola passando por toda a extensão do gol enquanto o árbitro William Batista encerrava o primeiro tempo faltando 5 minutos para o seu término!
No início do segundo tempo da prorrogação, novamente Dila escorava de cabeça um cruzamento e mandava a bola para o fundo da rede mas, o juiz invalidou o lance marcando uma falta no goleiro.
Dois minutos depois, num lance confuso na área de Ibicaraí, - sem direito a replay -, marcava penalti! Beca e Melquíades, os mais exaltados de Ibicaraí receberam cartão vermelho. Tião que não tinha nada com isso foi lá e guardou: gol da Cachoeira!
Quando o juiz ia apitar o final do jogo, novamente Almeida, - o homem dos gols surpresa - chutava da intermediaria e dava números finais à partida enquanto a torcida enlouquecida comemorava:
- É penta ! É penta! É penta!
Naquele domingo inesquecível, a seleção cachoeirana jogou com: Acácio, Calazans, Bermuda,e Deca. Putuca, Bruno (Almeida), Binha e Tião. Bebeu, Dila e Toinho (depois Balainho).
Daquele time eram três os nascidos em São Félix: Acácio, Babeu e Almeida.
A torcida cachoeirana (foto) festejou durante cinco dias.









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